04 julho 2013

Espessura do gelo na Groenlândia: Parece que não ficaremos debaixo da água tão cedo.

Muito se tem propagandeado com a fusão do gelo na Groenlândia, mas o que se vê são estudos dispersos que tentam vislumbrar um futuro macabro para as regiões costeiras. A maior parte desses estudos são resultados de simulações numéricas que reproduzem as hipóteses que nelas são introduzidas.

Em publicação recente na mais conceituada revista técnica a Nature (Eemian interglacial reconstructed from a Greenland folded ice core.  Dahl-Jensen D. et al Nature, 493, 489-494, 24 Jan 2013), um trabalho de 38 centros de pesquisa com quase 100 autores, elimina determinados mitos que são plantados por press releases de ONGs na imprensa.

Este trabalho examina com detalhes parte do período interglacial do Eemiano, este interglacial (período entre dois períodos glaciais) ocorreu entre 130.000 a 115.000 anos e foi o último período interglacial antes do período que vivemos nos dias de hoje.

Através de um núcleo de gelo retirado na Groenlândia o trabalho chega a algumas conclusões importantes, como: Durante o eemiano se chegou a temperaturas 7,5 ± 1,8° C mais quentes em relação ao último milênio. Além disto, a variação da camada de gelo neste período foi estimada em causar uma elevação de 2m dos níveis dos mares. Conclui também o estudo que para chegarmos aos 4m de elevação dos níveis dos mares em relação ao nível atual, talvez o que concorreu a isto tenha sido a variação da quantidade de gelo na Antártica.


O gráfico acima mostra duas diferentes reconstituições de temperatura, uma baseada em isótopos estáveis de oxigênio (d18OGELO) na água e o ar contido no gelo (linhas vermelhas e pretas no gráfico) a linha horizontal preta no gráfico superior mostra a temperatura média no último milênio.

O que se depreende de tudo isto, é que mesmo com as absurdas projeções do IPCC de aquecimento de 2ºC até o fim do milênio não há o mínimo suporte para conclusões do tipo “os oceanos vão subir de nível 4m”. Podemos acrescentar que nas últimas décadas a extensão no gelo da Antártica tem aumentando e não diminuído, fazendo com que esta não contribua com o aumento dos níveis dos mares.



Outro artigo extremamente interessante, ainda mais recente do que este (março de 2013) denominado A Reconstruction of Regional and Global Temperature for the Past 11,300 Years, mostra que em épocas recentes (há 10.000 a 5.000 anos) a temperatura da Terra era consideravelmente maior do que os dias atuais, e demonstra que afirmações do tipo “nunca tivemos uma temperatura tão alta como as dos dias atuais”, carece de qualquer fundamento científico, e esta foi publicada na Science, outra revista de fôlego e altamente conceituada. Mas o comentário sobre este, deixo para outra ocasião.
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30 junho 2013

Só para dar uma provinha!

Só para não ficarem com água na boca, vou colocar um fantástico gráfico elaborado por Dr. Roy W. Spencer em que o mesmo compara as simulações feitas por praticamente todos os modelos numéricos de clima conhecidos do ano base de 1977 até 2012, com dados medidos.


O que se vê é que TODOS os modelos de previsão não conseguiram prever NADA.
Os traços são os modelos e as bolinhas e pontinhos abaixo são os resultados medidos, se a tendência deste ano seguir, teremos mais um ponto abaixo das diversas curvas.
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Maiores detalhes serão apresentados futuramente.
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Em breve, o retorno.

Há algum tempo que não publico no Blog, porém este não será abandonado, no máximo em 30 dias voltarei a postar algumas novidades que só o tempo permitiu que elas acontecessem.
O assunto clima voltará ainda com maior intensidade, pois as opiniões de muitos cientistas estão aparecendo na literatura técnica e novos dados surgindo.
Há novidades de verdadeiras retratações em termos de retrabalho de dados, há surpresas quanto ao clima no último ano, ou seja, há bastante para escrever, aguardem!
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26 dezembro 2012

Riscos de Tsunami no Brasil.


Como já passou a data que místicos e charlatões vaticinavam para o fim do mundo, é possível se postar na Internet alguma coisa sobre riscos de desastres sem contribuir para a histeria. Se fala muito sobre a imunidade do nosso país aos riscos de Terremotos e Tsunamis, porém talvez não seja totalmente verdade esta nossa imunidade, e poderíamos perguntar seriamente.

O Brasil é imune a Tsunamis?

Cientificamente não se pode afirmar que não. Na realidade se formos falar em termos estatísticos poderíamos comparar o risco de um Tsunami no Brasil com a sorte de um apostador acertar na Quina! Ou seja, o risco é baixíssimo, entretanto como somos um povo que confiamos na sorte, e fazemos a nossa fezinha na Quina mesmo sabendo que a chance é baixa, não custa nada falar sobre estes riscos, até para que numa situação deste tipo de evento saibamos como nos comportar (assunto que poderá ser desenvolvido em outro post).

Primeiro quais seriam os focos geradores de Tsunami para as costas brasileiras?

A primeira situação, já descrita em vários blogs e artigos científicos, é o deslizamento de parte do Vulcão Cumbre Vieja, nas ilhas Canárias, hipótese que é real e não faz parte de filmes de desastres. Só para dar uma ideia da possibilidade que existe deste evento é possível localizar em revistas científicas e publicações em congresso nos anos 2011 e 2012, alguns trabalhos publicados sobre o assunto (aqui, AQUI e AQUI, nos dois últimos links é possível se acessar os trabalhos integrais).

As estimativas destes trabalhos são bem otimistas em relação a trabalhos anteriores, pois os autores supõe que estes tipos de deslizamento são gradativos e não um deslizamento rotacional como ocorre em meio subaéreo (bloco contínuo). A meu juízo isto é baseado numa hipótese falsa, esta hipótese é baseado na investigação dos depósitos sedimentares provocados por deslizamentos do mesmo tipo, e como nestas pesquisas foram achadas feições características de depósitos turbidíticos (aqui, e AQUI), os pesquisadores que as realizaram tomaram como hipótese do mecanismo de formação de correntes turbidíticas, fluxos contínuos de material para dentro do oceano (não pulsos únicos como um deslizamento rotacional).

A partir de simulações físicas levadas a cabo no NECOD (Núcleo de Estudos de Corrente de Densidade) se verifica que independente do mecanismo de gatilho do fluxo (pulso ou fluxo contínuo), as feições características de fluxos turbidíticos estão presentes, logo a observação pura e simples do depósito não explica a origem do mecanismo de inicialização do fluxo, pois com o aumento da distância a origem, do mesmo, há uma segregação entre camadas que podem ser originadas de múltiplos aportes de sedimentos ou de um aporte único. Ao nosso juízo uma simulação (AQUI) que partem do pressuposto de um deslizamento convencional é mais adaptado para a simulação de riscos, pois resultam em maiores ondas.

O deslizamento de parte do Vulcão Cumbre Vieja, geraria ondas que segundo as hipóteses adotadas, criariam ondas na costa brasileira que variariam entre 3m e 18m, ou seja, 3m segundo as simulações supondo um deslizamento em partes e 18m supondo um modelo análogo a um deslizamento rotacional.

Simulação matemática de um Tsunami gerado pelo deslizamento do Vulcão Cumbre Vieja.

A segunda situação, que não é muito ventilada, é a de Tsunamis gerados por terremotos na dorsal meso-atlântica (ou crista oceânica do Atlântico - dorsal oceânica é uma cadeia de montanhas submersas no oceano, que se originam do afastamento das placas tectônicas). Esta a cordilheira submarina formada no Atlântico Norte entre placas tectônicas Norte-americana e Euroasiática, e no Atlântico Sul entre as Placas Sul-americana e Africana. Como estas placas apresentam um limite divergente (as placas estão se afastando e não se aproximando) a atividade vulcânica é muito menor (isto não quer dizer que seja inexistente!), sendo concentrada estas atividades próximas as ilhas do Caribe e as ilhas Sandwich do Sul.
Fonte: http://www.maine.gov/doc/nrimc/mgs/explore/hazards/tsunami/jan05-5.htm

 Excetuando as duas regiões citadas (ilhas do Caribe e as ilhas Sandwich do Sul), tremores de terra são geralmente de baixa intensidade, mas mesmo assim eles existem, por exemplo, em 25/12/2012 ocorreu um tremor de terra de ligeira intensidade (magnitude 4,9 escala Richter) exatamente nas coordenadas 22.406°S e 12.650°W, ou seja aproximadamente na mesma latitude que a cidade de Vitória no Espírito Santo. Logo, nada se pode dizer que no futuro não tenhamos terremotos de maior intensidade.

Agora no caso das ilhas Sandwich do Sul são grupo de ilhas vulcânicas criadas pela subducção da Placa Sul-Americana sob a placa Sandwich do Sul. Apesar da placa Sandwich do Sul ser muito pequena, o encontro entre estas duas torna a região muito ativa em termos de terremotos, em 2 de janeiro de 2006, por exemplo, ocorreu um tremor de escala 7,4 (escala Richter), que já é considerado um tremor de grande escala. Como o epicentro deste tremor era um pouco profundo (10km) não causou maiores problemas, mas de novo vemos que há uma probabilidade de geração de tremores do mesmo porte com movimento significativo do leito do mar.

As figuras a seguir, mostram a Sismicidade histórica da região. A primeira mostrando os terremotos a partir de 1900 de magnitude maior do que 7 na escala Richter (grandes e importantes), e a segunda todos os terremotos da escala 3 ou maior no mesmo período.


Fonte: National Earthquake Hazards Program do USGS.
É importante destacar que somente há pouco tempo (2011) nesta região foram localizados uma dúzia de grandes vulcões submersos ativos e não ativos, vulcões com até 2000m de altura, (AQUI e AQUI). Deslizamentos desses vulcões podem causar um Tsunami de grande porte.



Antes de terminar vamos a mais duas observações, em 1542, no início da colonização do Brasil, a primeira cidade construída pelos Portugueses no Brasil, a cidade de São Vicente, foi demolida por ondas de mais de 8 metros de altura, logo um fato histórico que permite a conclusão que não somos imunes a este tipo de desastre. Também para acrescentar mais uma causa a formação de Tsunamis podemos supor que o mecanismo de deslizamento da borda da plataforma possa gerar tsunamis, mas aí já é outra história.

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24 dezembro 2012

Passamos da 100.000 entradas, mas optaremos pela qualidade dos leitores do que da quantidade.

No meio do mês de dezembro deste anos (2012), passamos das 100.000 entradas no Blog, porém um motivo que levou a isto foi a adoção de um modelo mais dinâmico, denominado Flipcard.

Este modelo torna mais agradável a apresentação da site pois ele é baseado em imagens, entretanto notamos que o tempo de permanência dos leitores em média caiu, logo esta formatação indica um número maior de entradas com saídas ainda mais rápidas.

Como não procuro ganhar nada em termos de propaganda, para poder manter minha independência prefiro uma disposição em que parte do texto apareça e só fiquem no site aqueles que realmente se interessam pelos assuntos e não pelas imagens (que continuarei a colocar como complemento).

Agradeço a todos aqueles que realmente se interessam pelo assuntos desenvolvidos no Blog, e prometo que a partir do meio do ano de 2013, ano que terei mais tempo para trabalhar os assuntos, trarei uma série de informações todas elas baseadas em textos confiáveis.

Obrigado a todos.
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23 dezembro 2012

Segundo os modelos do IPCC o Aquecimento Global favoreceria o terceiro mundo!


Vazou recentemente o relatório preliminar do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC) AR5, este relatório está quase na sua forma definitiva e era para ser publicado em 2013. Alec Rawls um republicano direitista e blogueiro teve a ideia de se inscrever como revisor do texto, coisa que é possível ser feita por qualquer um. Alegando que a maior parte das verbas para o estudo do clima e para a sustentação é pública, que na realidade é uma verdade inconveniente para quem não quer divulgar o relatório sem que este passe por um crivo político, publicou em um site especial o relatório por inteiro (http://stopgreensuicide.com/).

Este vazamento está causando enormes alvoroços em todos que são contra ou a favor das conclusões do IPCC. A temporada de discussão do relatório técnico já começou e diversas discussões estão sendo levantadas na blogosfera.

Entretanto não entrando no mérito que as conclusões do relatório estão ou não erradas, podemos simplesmente aceitá-las e olhar quais são as maléficas previsões que nos espera para o futuro!

Estas conclusões sobre as mudanças climáticas e as previsões para o futuro já discuti com um grupo de geólogos há mais ou menos 7 anos quando ainda os cenários de aquecimento global eram novidades no nosso meio. No momento da discussão sobre o assunto um experiente geólogo, que hoje em dia está aposentado, me fez uma pergunta que dei uma resposta a queima-roupa e acho que acertei.

Ele me perguntou:

Se a Terra vai aquecer poucos graus em média, fazendo que alguns lugares fiquem mais secos e outros mais úmidos, por que todo este alvoroço?

Respondi rapidamente:

Talvez a preocupação maior é que se redistribua a chuva de forma a modificar as condições atuais.

Foi uma mera especulação da minha parte, porém no relatório vazado vi confirmada a minha preocupação. Olhando a figura 1 do sumário de todo relatório (TFE.1, Figure 1 - Climate Change 2013: The Physical Science Basis - Technical Summary) acima colocada em que o item (d) da figura faz um balanço entre a evaporação menos a precipitação fiquei espantando, e espero que as pessoas que estão nos países do terceiro mundo também fiquem.


Balanço entre Evaporação-Precipitação, cores quentes (avermelhadas) significam mais evaporação do que precipitação, solo mais seco, já as cores frias (azuladas) significam mais precipitação do que evaporação, solo mais úmido.
Para que entendam melhor a minha surpresa, vejamos os pontos que serão mais afetados pelo aquecimento global (se ele existir).

Dando um zoom sobre a América, veremos que as catastróficas previsões do IPCC são de diminuição da umidade nos Estados Unidos, México, América Central e parte da Amazônia. Retirando o México do cenário, a quantidade de chuva (chuva – evaporação) causará danos sobre a agricultura norte-americana, pois tanto na América Central como na Amazônia uma diminuição de 0,2mm/dia (aproximadamente 75mm por ano) não fará muita diferença em regiões que chovem 150mm a 300mm por mês!





Por outro lado seguindo para o sul do Brasil, onde estiagens produzem muito mais danos a economia do que períodos de cheias deveremos ter um aumento de 0,4mm por dia (aproximadamente 150mm por ano), que é geralmente a carência hídrica dos períodos de estiagem



Mas como o mundo não se restringe a América vamos ver o que ocorreria se os modelos para o ano 2100 estiverem corretos.


Olhando com detalhe o sul da Europa e Norte da África, há uma previsão de diminuição significativa da umidade na Europa e uma diminuição média de 0,2mm/dia a 0,3mm/dia na Europa (75mm/ano a 125mm/ano) e no Saara (0,1mm/dia), considerando que no Saara já não chove mesmo somente a Europa e parte do Sahel serão prejudicados. Pelas previsões de vê que na parte do Saara próximo ao Egito haverá mais chuva e também em grande parte do Sahel, logo pode-se dizer que para a África, segundo as previsões do IPCC o balanço do aquecimento global é positivo.



Poderíamos reduzir a seguinte conclusão. Nos países desenvolvidos, na região norte do México e numa parte do Sahel, o regime de chuvas médias poderá diminuir, por outro lado, no sul do Brasil, em grande parte do Sahel e até nos desertos da África e na nos desertos da Arábia Saudita haverá mais disponibilidade hídrica, por consequência maior produção de alimentos nestas regiões.

A partir destas conclusões podemos até começar a rezar para que os modelos do IPCC estejam certos, e fica aparente qual a maior preocupação dos países industrializados do norte, a sua agricultura, como vantagem comparativa com os países mais pobres perderá importância, logo:

Que venha o aquecimento global!

NOTA: Pelos modelos aos desertos da Austrália receberão bem mais chuva!








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28 novembro 2012

Se o Vaticano fosse fazer um concílio num prostíbulo, o Mundo vinha abaixo, mas a ONU promover um congresso sobre CO2 no Qatar, ninguém estranha?


Todos sabem que jamais a Igreja Católica fará um desrespeito tal aos seus fiéis, porém a Igreja do Clima está fazendo isto, e ninguém está achando ruim!

Aqueles que têm fé na Igreja do Clima acham que o CO2 é o culpado de todos os males do nosso dia, porém para debater sobre o Satanás dos dogmas do Aquecimento Global Antropogênico, os burocratas da ONU junto com seus colaboradores das ONGs do clima, escolheram exatamente o prostíbulo do consumo do petróleo internacional.

Um dos lagos artificiais de Doha, cercado de ambiente "sustentável".
Se olharmos o quadro resumo elaborado a partir do Relatório Planeta Vivo do WWF, veremos que o consumo do petróleo do Catar é de 8,9 GHA (por habitante) e de países pobres como o Chade, Afeganistão e Lesoto é de 0,01 GHA, ou seja, cada pessoa no Catar consome 890 vezes o que consome um miserável no Chade. Esta unidade GHA, é meio engraçada, pois ela compara a área de agricultura que tem o Egito, por exemplo, em relação à área do país com a área de agricultura que tem o Brasil em relação ao seu território, esquecendo que grande parte do Egito é DESERTO, mas isto já é outra história.

Conferência "sustentável" em Doha.
Considerando que os cálculos do WWF estão certos, desprezando alguns errinhos (como não considerar os desertos dos países), cada delegação de 30 representantes, que estão no Catar discutindo o que teremos de fazer de economia para manter os Europeus e os Emirados Árabes do jeito que estão, representam 26.700 habitantes do Chade. Considerando que tem 200 países nesta conferência, teremos uma módica quantia de 5.340.000 (cinco milhões, trezentos e quarenta) habitantes destes países conscientes com o seu dever com o Mundo, países como o Chade, Afeganistão e Lesoto.

Agora voltando ao título da inserção, o que a ONU está fazendo é um Concílio da Religião do Clima num prostíbulo, debochando de todos aqueles que eles mandam reprimir o consumo.

Refugiados de Danfur (Sudão) recebidos pelo Chade, que mesmo na miséria sabe receber seus irmãos! Alguém se refugiou no Catar?
Afinal de contas, discutir no meio do deserto, num hotel cinco estrelas, comendo do bom e do melhor, com ar condicionado a pleno e tomando banho numa banheira de hidromassagem cheia de água dessalinizada do mar é uma beleza, horrível é morar no Chade.
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19 novembro 2012

Correlação entre tempo de duração do ciclo solar e temperatura da Terra, uma perspectiva para um futuro sombrio e catastrófico para a Humanidade.


Três pesquisadores da Noruega, Jan-Erik Solheim (Instituto de astrofísica teórica da Universidade de Oslo) Olé Humlum (Departamento de Geociências da mesma Universidade) e Kjell Stordahl, lançaram a pouco um trabalho (The long sunspot cycle 23 predicts a significant temperature decrease in cycle 24 in Journal of Atmospheric and Solar-Terrestrial PhysicsFebruary 10, 2012) que atualiza as hipóteses propostas há mais de uma década sobre a correlação entre o comprimento dos ciclos solares e a temperatura da Terra.

Os dados destes pesquisadores são baseados em séries longas de medidas em regiões próximas ao circulo polar Ártico e a correlação em longo prazo pelas amostras de gelo obtidas na Groenlândia pelos projetos GIPS (Identifying natural contributions to late Holocene climate change 2011, v.79  p.145–156, mesmos autores).

Como conclusão eles projetam um cenário muitíssimo mais alarmista do que a do Aquecimento Global Antropogênico, projetando para o ano de 2040 uma queda na temperatura global de 4,9°C, o que seria um verdadeiro desastre para a humanidade.

Vou tentar analisar melhor os dados desses senhores, principalmente os dados palioclimáticos, pois ainda tenho uma esperança que eles estão transferindo a queda da temperatura em regiões muito frias onde muitas vezes a temperatura em regiões temperadas não acompanham.
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18 novembro 2012

Eventos extremos e sua correlação com o Aquecimento Global Antropogênico. Introdução.


1. Introdução.


Com a midiatização do Furacão Sandy e anteriormente com a seca que abalava as planícies norte-americanas, voltou à pauta a justificativa dos fenômenos extremos como sendo explicados pelas variações climáticas, mais exatamente pelo Aquecimento Global Antropogênico.

Exemplos deste alarmismo, tanto em nosso país como no próprio Estados Unidos podem ser mostrados aqui, aqui aqui, aqui (seca), aqui, aqui ou aqui (furacão). Porém nos parece que o principal movente deste tipo de notícia pode ser encontrado AQUI .

Outra ponto interessante nestas análises é que na demonstração da excepcionalidade dos eventos não há uma coerência na escolha dos dados que são apresentados a população, por exemplo, para demonstrar que o mês de Julho de 2012 foi o mais quente da história norte-americana da atualidade (em relação ao ano de 1936) se lançou a mão de bases de dados para comparação com diferentes períodos de comparação, apareceu em vários veículos de informação a comparação do ano de 1936 utilizando-se como base para a comparação da anomalia a média do período 1900-1935 enquanto para o ano de 2012 utilizou o período 1981-2010, ou seja, comparou dados não comparáveis. Só para ficar evidente é possível olhar os dados de 1936 aqui e para o ano de 2012 aqui. Após isto é só comparar os dados e verificar como 2012 é considerado um máximo em relação a 1936 como noticiado na imprensa vide aqui.



Anomalia de temperatura em 1936, período de base 1900-1935 Fonte NOAA


Anomalia de temperatura em 2012, período de base 1981-2010. Fonte NOAA.

Da mesma forma que foi alardeada a excepcionalidade da seca norte-americana, procurou-se atribuir ao Aquecimento Global Antropogênico a pseudo-excepcionalidade do furacão Sandy, deu-se muita ênfase "a altura" que o mar atingiu durante o furacão Sandy, porém como até o momento não há dados devidamente tabulados pela tempestade Sandy, utilizou-se uma mistura de termos como o aumento do nível do mar, as ondas, a maré causada pela tempestade e a maré normal, e talvez aí, que se veja a diferença entre a ciência e a pura propaganda alarmista.

(CONTINUA)


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31 outubro 2012

A verdade sobre o furacão Sandy.


Está se falando sobre o furacão Sandy como fosse algo excepcional, na verdade ele chegou a costa de New York já como tempestade tropical e não como furacão.

Sandy está a quilômetros de distância de ser um furacão forte e mortal da história dos furacões em New York, esta cidade ficou marcada pelo chamado furacão da Nova Inglaterra, ou também o Expresso de Long Island. Este sim ocorrido em 1938 atingiu a escala 5 em alto mar na escala de furacões Saffir-Simpson e atingiu a costa de New York com a intensidade 3.

O Expresso de Long Island, como os nova-iorquinos chamam, matou entre 682 a 800 pessoas no dia 21 de setembro de 1938, danificou mais de 57.000 casas e causou perdas estimadas em US $4,7 Bilhões de dólares em valores de 2012. Só em 1635 se supõe ter ocorrido um furacão mais forte do que este.

Foto de New York durante o Expresso de Long Island

Outro exemplo do efeito do furacão de 1938.
Conforme o texto e as fotos podem ver como estão midiatizando a desgraça dos outros.
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12 outubro 2012

Em desastres naturais não precisamos de erudição, precisamos de previsão.


Apesar de não ter ido ao 46° Congresso de Geologia que aconteceu de 30 de setembro a 5 de outubro do corrente ano, recebi por um colega dois livros muito interessantes editados pelo Instituto Geológico do Estado de São Paulo.

Não são livros que tem a pretensão de fornecer grandes novidades na ciência, não são ambiciosos, mas mesmo assim são extremamente valiosos.

O primeiro intitulado, DESASTRES NATURAIS: Conhecer para prevenir, editado por TOMINAGA, SANTORO e AMARAL (2012), se propõe a reunir de forma sistemática todos os tipos de desastres naturais em um só trabalho. Devido a esta intenção em 192 páginas seria impossível para os autores conseguir dar um tratado profundo sobre o assunto. Mas parece que na dedicatória do próprio livro que dedica aos agentes de defesa civis municipais e voluntários, mostra para que veio este livro.
Numa linguagem simples, mas nem por isto inexata, os autores percorrem uma imensa quantidade de assuntos com firmeza de conceitos, bom acabamento gráfico e para quem quiser saber mais uma bibliografia extensa e atualizada.



O despojamento aparente do texto torna possível a leitura do mesmo tanto por agentes de defesa civil (para os que já tenham um bom embasamento técnico, não é para leigos!), mas também serve como elemento de entrada ao assunto para profissionais que pretendem se envolver no assunto como engenheiros civis, geólogos, geógrafos e outros. Alunos tanto de graduação terão neste livro um bom livro texto, já alunos de pós-graduação, acostumados com a cultura da informação fracionada e extremamente especializada dos “papers”, poderão empregar o texto para organizar suas ideias.

Diria que os professores encontrarão um ótimo e agradável apoio didático.

O livro principalmente por não estar infestado de acadêmicos, os meus colegas, não peca por erros comuns aos livros saídos da academia, livros estes que são densos, com referências excessivas para preencher vácuos de determinados assuntos e muitas vezes desagradáveis de ler.

Parabenizo os autores e organizadores do livro.

O segundo livro, intitulado Desastres naturais, AMARAL & GUTJAR (2012), já está na sua segunda edição. Este procura, numa edição cuidadosa e ricamente ilustrada, atingir um público mais amplo dando informações preciosas que poderão ser assimiladas por pessoas não iniciadas no assunto. Como o livro é mais curto, 97 páginas, a bibliografia de referência é mais curta, entretanto os autores colocam o endereço de vários sites para que quem quiser possa se aprofundar no assunto.



Repito, livros despretensiosos, porém extremamente valiosos, e certamente terão um impacto e uma utilidade centenas de vezes maior do que obras puramente acadêmicas que depois de centenas de páginas descobrimos que se os autores se restringissem a menos de uma dezena de páginas, colocaria tudo de novidade que ele contribui nas suas 2752 páginas.

Os editores e autores destes livros estão de parabéns, em desastres naturais não precisamos de erudição, precisamos de previsão.


Nota: estes dois livros, mais um terceiro, denominado: O Instituto Geológico na Prevenção de Desastres Naturais, encontram-se em PDF livres na rede para quem quiser, no endereço http://www.igeologico.sp.gov.br/ps_down_outros.asp.
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28 setembro 2012

Google anuncia carros autônomos para daqui a cinco anos. Boa ou péssima notícia?


O Google anunciou que muito em breve lançará os seus carros autônomos para evitar o massacre do trânsito, eles seriam guiados por GPS e seguiriam o sistema georeferenciado que a Google vem montando. Em princípio parece o máximo, mas será mesmo? Os GPS tem um grande, ou melhor, um imenso problema, ele permitiria que o governo americano em questão de segundos levasse qualquer grande país, como o Brasil ao caos.



Todos devem lembrar que dois sistemas de GPS que existem são sistemas militares, tanto o norte-americano como o Russo, no momento em que houver uma ameaça de alguém utilizar o GPS para guiar um míssil contra os USA eles retiram o sinal do ar ou introduzem o ruído que havia antes do governo Clinton, aí ficam todos parados.

O início do GPS começa em 1960 com cinco satélites que nesta época davam para os submarinos norte-americanos as suas posições de hora em hora. O sistema GPS como nós conhecemos, começa da década de 70 para fins militares e até 1989, ano de lançamento do primeiro dos 24 satélites abertos ao público em geral a utilização continuava essencialmente era militar, mesmo colocando o sinal para o público em geral em 1994, este sinal tinha um ruído que só o governo americano sabia corrigir, fazendo que a precisão do mesmo em equipamentos móveis não fosse melhor do que 100m a 20m. Somente em 2000 que é retirada a chamada “disponibilidade seletiva” fazendo que o GPS tenha a resolução que temos hoje em dia.



O outro sistema existente de GPS é o Russo, o sistema GLONASS, que também só foi aberto para o público em geral em 2007. Os Europeus estão patinando com o seu sistema Galileo que só deverá estar pronto em 2019. Os chineses, os últimos a entrarem na corrida, já possuem um sistema meramente regional, o BeiDou I (3 satélites somente cobrindo a China)e agora com Compass ou BeiDou II (35 satélites)é prometido estar a cobertura da Ásia em 2013 e para o resto do mundo em 2020. A Índia, preocupada com a sua dependência, espera em 2014 estar com um sistema operacional sobre o próprio país.

Como se vê, todos os sistemas estão amarrados à segurança nacional de cada país ou região e em caso de ameaça nacional, qualquer país pode tirar o sinal do ar ou introduzir um ruído que inviabilize o seu uso para a condução de carros.

Caso for universalizado este sistema de carros autônomos, qualquer país proprietário de um sistema de navegação global pode parar qualquer país ou região “inimiga”, introduzindo um pequeno ruído no satélite que passa sobre a região causando um caos instantâneo no sistema de transporte. Os carros e ônibus baterem entre si ou simplesmente sairiam das estradas.

Para o uso internacional de carros autônomos teria que haver um sistema realmente internacional gerido, por exemplo, pela ONU. Se assim não for só aumenta a dependência dos países as grandes potências, ficando estas com uma arma que pode matar milhões de pessoas em questão de segundos.
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18 setembro 2012

Cesare Lombroso, o homem que inventou o feio.


Durante milhares de anos os filósofos se preocuparam com o conceito de beleza, os filósofos gregos perderam longo tempo na sua definição, Platão, Aristóteles e outros idealizaram o seus conceitos de belo, mas nunca teorizaram centralmente sobre o feio.
Afrodite, a deusa da beleza.
Como os filósofos nunca conseguiram um consenso sobre o belo, olhando o feio como a antítese do outro, se o belo não foi perfeitamente definido, não se conclui nada sobre o feio. Aplicando uma lógica formal, o não belo, necessariamente não é o feio, pois se envolvermos conceitos de alma e de outros aspectos subjetivos, o limite entre os dois não fica definido.

Vestimenta da Idade Média
Não sou nada conhecedor de filosofia, mas vejo que após a busca da beleza pelos gregos cria-se na sociedade medieval um longo período em que a busca do limite, da ordem e da simetria, é passado para um segundo plano, adotando-se mais um conceito de beleza da alma intangível e não quantificável, tornando a beleza física, até certo ponto, algo desprezível.

Associava-se a beleza de Eva a tentação, associava-se a beleza a luxúria e ao pecado. Bem diferente dos Gregos e Romanos, cobria-se o corpo para que a imagem dele não fizesse o homem fugir do ideal platônico. O teocentrismo não permitia que os mesmos ideais de limite, ordem e simetria fizessem parte do corpo humano, nos templos, nas obras arquitetônicas se abandonavam as proporções clássicas para impor uma arquitetura que elevaria o homem aos céus.

São quase mil anos em que o corpo é eliminado da busca do belo, salvando-se por curto espaço de tempo os ideais Greco-romanos no renascimento, onde os padrões de beleza do corpo humano são discretamente recuperados nas artes, mas sempre guardando o pudor de expor o corpo pecaminoso e manchado pelo pecado original.
As Graças de Rafael Sanzio.
Pouco tempo durou esta busca aos padrões estéticos da antiguidade, havia à igreja de um lado e os cultos puritanos do outro, tendo um grande ponto em comum, a manutenção do decoro.

Torturas da inquisição, provavelmente contra uma bruxa! 
 Com a introdução da sociedade laica após a Revolução Francesa, começa uma recuperação do belo, não é a toa que a figura da Marianne tem os seios desnudos, seios volumosos, talvez mais por uma longa e tediosa espera, se traça um ideal de corpo humano volumoso e carnudo para que ele alimente bem os filhos da revolução.
Marianne - O Símbolo da Revolução Francesa
 Segue a diante o processo republicano e revolucionário, porém sempre tendo como sombra, as Igrejas cobrando pudor e recato. Isto vai até o positivismo, que suporta o estado laico, mas junto com ele o positivismo italiano, o mais tardio na Europa, trás um novo conceito que talvez nunca tenha ficado tão claro na história, a invenção do Feio.

Cesare Lombroso, um médico italiano de ascendência judaica, que na realidade se chamava Marco Ezechia Lombroso, este homem que talvez tenha trocado seu nome para tirar o nome do profeta de sua vida, seguiu as teorias outro médico alemão Franz Joseph Gall, que numa pseudociência dizia ser capaz de determinar qualidades morais e intelectuais somente pela forma da cabeça.

Gall supondo que o cérebro fosse dividido em regiões estanques onde a cada uma delas atribuía uma característica de personalidade. Assimetrias e bossas na formação da caixa craniana, definiam o caráter e se o indivíduo seria ou não criminoso ou um bom homem.

Coleção de Cérebros 
De certa forma a frenologia, pseudociência inventada por Gall foi uma predecessora de ciências modernas como a neuropsicologia e neurociência cognitiva, porém seu esquema era totalmente equivocado, conforme foi mostrado cientificamente mais tarde.

Cesare Lombroso, adotou e levou adiante as teorias da frenologia, ele como um homem de várias ciências medico, antropólogo, criminólogo e advogado extrapolou para outras regiões do corpo os conceitos da frenologia, fundando o que se conhece como a criminologia moderna. Lombroso supos que qualquer distorção de uma anatomia “normal” representava uma involução ou atavismo do homem. Mesmo antes da publicação da “Teoria da espécies” de Darwin, Lombroso via na não normalidade um desvio genético que levaria o homem a um desvio comportamental.

 

Suas teorias, hoje denominadas uma pseudociência influenciaram pensadores da época e posteriores. Sigmund Freud e Carl Jung seguiram em parte alguns de seus conceitos, e após a sua morte em 1909 ainda por muito tempo elas divergiram para diversos ramos, alguns úteis e outros totalmente reprováveis. Muitas teorias racistas foram baseadas neste determinismo fisiológico que com o tempo se mostraram completamente equivocados.


 

Porém um aspecto que ninguém ainda chamou a atenção foi à invenção do conceito de feio. Lombroso associava a deformidade a tendência ao crime ou a outra características nada elogiosas, excetuando algumas formas de loucura que Lombroso as considerou geniais, o que saía do padrão era doentio e mau.

Lombroso criou um museu que existe até os dias de hoje com o nome Museo di Antropologia Criminale “Cesare Lombroso” em que crânios, cérebros e mascaras mortuárias de criminosos eram e são conservados de diversas formas junto com centenas de outras peças que dizem respeito a crimes.

As máscaras mortuárias dão uma face ao crime, uma face não simétrica que indica que este homem com suas características atávicas não conseguiu atingir o ideal de beleza não criminosa. O seja, o não simétrico, o deformado, o longe do padrão normal, além de feio é criminoso, e como tal deve ser afastado e eliminado da sociedade, pois ele tem um determinismo genético. Conforme as teorias de Lombroso tanto o deformado como seus descendentes eram ou se tornariam ladrões, assassinos, estupradores e outras variantes. Para Lombroso um homem nascer feio era muito mais, era nascer criminoso.

Em última instância, Césare Lombroso inventou o feio.

 

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17 setembro 2012

Esconder desastres não é novidade? (Continuação I)

Em 20 de março de 2011, escrevi um post denominado "Esconder desastres não é novidade?", e neste post escrevi um parágrafo sobre o maior desastre em barragens que já ocorreu no mundo, a ruptura da Barragem do reservatório de Benqiao(板桥水库大坝), na China (em breve farei um relato mais detalhado do acidente, mostrando as reais razões do mesmo).

Devido a abertura do governo Chinês neste ano de intervalo é possível encontrar material em Chinês sobre este grande acidente, e lições valiosas foram tiradas e podem ser tiradas deste incidente. Porém se a China começa tirar seus segredos do passado, parece que no Brasil ainda continua a cultura de se culpar o tempo, ou mais recentemente o clima, como o vilão de tudo, e sobre acidentes do passado se mantém uma cortina negra como isto fosse vergonha. Excetuando Blogs locais como  O Blog de Barroquinha, Forquilha ontem hoje e sempre, Blog do Macario, Limoeiro do Norte e dezenas de outros, mais num lamento sertanejo, rememoraram os 50 anos do acidente no Açude de Orós no Ceará ocorrido em 1960. 

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Vista geral da Barragem Juscelino Kubistschek de Oliveira (Fonte DNOCS)

Foto aérea do Açude de Orós


Foto do açude rompido após um ou dois dias (não se tem maiores informações, nem o crédito das duas fotos)




Em comunicações técnicas este ocorrido é mostrado de forma superficial, como tivesse sido mais um rompimento de um açude qualquer, e nenhum estudo mostra a origem do acidente. Da mesma forma dos deslizamentos da Serra das Arraras, relatado em "Passado a crise volta-se ao bom senso." e outros, que causou vitimou em torno de 1700 pessoas, estes eventos em um passado não muito remoto (no caso da Serra das Arraras em 1967, o rompimento do Açude de Orós não fica tão longe assim.

Para darmos uma ideia do ocorrido, o número de atingidos por este rompimento em 1960, quando a população do Ceará era aproximadamente 3,3 milhões de pessoas (3 337 856), e para esta população o número de atingidos estimados na época foi de 170.000 pessoas. As estimativas do número de mortos no evento varia entre zero, estimativas oficiais, 50 ou 100 em publicações técnicas. Pelos números dá para se ver que estas estimativas, caracterizadas por números redondos (0, 50 ou 100) são meras especulações que contaram somente o número de afogados e não todas as pessoas que viviam em condições de extrema miséria e morreram tanto por afogamento como por fome e doenças geradas por veiculação hídrica.


Os relatos técnicos sobre o rompimento deste açude parece perdido na história, encontra-se alguns detalhes na web página do DNOCS dedicado a este açude. Para uma informação mais correta, vou simplesmente copiar aqui o que está escrito sobre o incidente.


"....Os técnicos do DNOCS elaboraram, então, dois anteprojetos para barragem em arco, com fundação sobre rocha: um em concreto gravidade e outro em maciço zoneado com argila, areia e enrocamento.

Motivos de ordem econômica e a disponibilidade de equipamento procedente da barragem de Araras, recém-concluída, induziram à elaboração da segunda alternativa de projeto, ou seja, a construção de uma barragem de terra zoneada.

Em outubro de 1958 foram escavadas as fundações, ficando prontas para receber o maciço previsto no projeto, tão logo cessassem as chuvas do ano seguinte.

O Engº José Cândido Castro Parente Pessoa, Diretor Geral do DNOCS à época, então determinava: "para realizar a construção do Orós em ritmo econômico, esta obra precisa ser levantada até a cota do coroamento (cota 209) entre junho de 1959 e março de 1960." E completava: "tão logo seja atingida a cota 185, todo o equipamento disponível para perfuração será localizado na área do vertedouro."

Em 1960, equipamentos de terraplenagem trabalhavam 24 horas por dia. As chuvas que chegaram bastante tardias e fracas no início desse ano, intensificaram-se em março de maneira violenta e passaram a comprometer o maciço em construção, pois o túnel, previsto para tomada d'água, não dava vazão suficiente àquela cheia excepcional.

A barragem ainda nem alcançava a cota 190 quando, com o recrudescimento das chuvas torrenciais, as águas começaram a lavar o maciço aos 17 minutos do dia 26 de março.

Diversas soluções foram intentadas durante a iminência do transbordamento. Com o início da extravasão das águas, julgou-se mais recomendável controlar o acidente. Para tanto, iniciou-se a abertura de uma vala no maciço, por onde a água passou a fluir em catarata, erodindo seu próprio vertedouro até a fundação da barragem e levando seu coroamento....."

Pode-se depreender que:

Primeiro: As soluções sugeridas pelos técnicos do DNOCS não foram as adotadas, partindo-se para uma terceira solução.

Segundo: Que o Diretor Geral do DNOCS tinha conhecimento que a obra deveria no mês de março de 1960 estar na cota 209m (cota de coroamento) e provavelmente por decisões políticas que retardaram as verbas (isto é uma hipótese) no mês previsto a barragem estava abaixo da cota 190, ou seja no mínimo 19 metros abaixo da cota de segurança.

Também se pode por outras fontes testemunhais ouvir uma história diferente, no Blog Ceará Fotos e História o relato já é outro, também vou coloca-lo como está escrito neste blog.

"Em 1960, com as obras ainda em andamento, a população ribeirinha viveu momentos dramáticos, quando em decorrência de uma grande cheia o Rio Jaguaribe transbordou e provocou o arrombamento parcial do Açude Orós, provocando uma enchente capaz de inundar o Médio e o Baixo Jaguaribe.

Logo a notícia logo se espalhou, e as cidades de Russas, Aracati, Itaiçaba, Jaguaribe, Limoeiro do Norte, Icó e o distrito de Alto Santo, de nome Castanhão,  foram evacuadas com o auxilio de tropas do exército.

Estima-se que cerca de dez mil pessoas, não tiveram tempo de fugir e ficaram  isoladas, e a sobrevivência passou a ser uma questão de sorte,  diante da aproximação rápida das águas enfurecidas do Rio Jaguaribe. Os moradores acuados se amontoavam nos lugares mais altos, como Poço Comprido, São João do Jaguaribe, Ilha Grande, Quixeré e Tabuleiro Alto, em Russas. Precisamente às 10 horas do dia 26 de março um terrível estrondo foi ouvido a grande distância, e as águas armazenadas no gigantesco açude ultrapassaram o nível da barragem e invadiram toda extensão do Vale do Jaguaribe.  A enxurrada  destruiu o que encontrava pela frente, levando de roldão povoações, cultivos, propriedades e criações deixando como rastro, a morte, a miséria e o desabrigo, que vitimaram mais de trezentas mil pessoas."

As histórias não são bem as mesmas, uma é de um arrombamento controlado que era previsto e não foi evitado por problemas não detalhado na história e outro de uma ruptura não controlada que lavou parte do planície de inundação levando propriedade e pessoas.

Após o grande acidente, com prejuízos incalculáveis a população o senhor presidente da República na época, o médico Juscelino Kubitschek de Oliveira, ordenou que o açude fosse reconstruído o mais rápido possível. Numa notícia de jornal da época (também não achei direito a fonte), nara-se um diálogo entre o presidente da República e o Diretor do DNOCS, que vemos a seguir:


Até que ponto esta notícia é verdadeira, não é possível se determinar, mas devido a isto o Açude de Orós foi rebatizado Barragem Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, e muitas fotos da sua visita são encontradas na rede, bem mais do que o acidente propriamente dito.


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Facebook, curtir ou não curtir, eis a questão.


Muitas pessoas escrevem alguns textos indignados pela falta de critério das postagens no fantástico feicebuque. Escrevem como fosse surpreendente postar besteiras, fotos fora de foco, textos de qualidade duvidosa e outras bobagens. Ficam surpresos sobre a falta de autocrítica dos usuários do feicebuque. Porém eu não vejo o porquê da surpresa. O feicebuque foi criado exatamente para eliminar a capacidade de autocrítica de quem escreve a da crítica de quem lê.

Uma das pistas mais fortes sobre o objetivo perverso e expresso do feicebuque de eliminar a capacidade de crítica das pessoas é a existência de somente um botão para resposta rápida, o CURTI. Botão este, que no meio das centenas de mensagens que surgem nesta estupidez de informação de massa e sem qualidade, permite o leitor QUALIFICAR de uma só forma o que leu ou enxergou. Coloca-se uma fotografia mal tirada por nossos pais quando tínhamos seis meses, pelados tomando banho, e os que a enxergam clicam CURTI, coloca-se um soneto de amor copiado de um autor famoso, e todos clicam, CURTI, se relata qualquer bobagem que ocorreu no dia e dezenas de “amigos” clicam, CURTI.

Não há chance de se clicar,
- ACHEI UMA PORCARIA,
- MAS QUE BESTEIRA,
- ATÉ QUE ENFIM COLOCASTE ALGO QUE PRESTE,
- COMO EM OUTRAS VEZES AS FOTOS ESTÃO EXCELENTES.

 Não há espaço para a uma crítica honesta nem mesmo uma desonesta. Não há espaço para o elogio caloroso ou mesmo o incentivo do tipo: Está ruim, mas continue que um dia melhora! É só o CURTI.

Alguém poderá dizer, mas podes fazer um comentário! Exceto se tiveres 72 horas por dia para comentar honestamente as mensagens recebidas, terás poucas opções, colocar carinhas ou onomatopeias indecifráveis do tipo kkkkkkkkk ou OAISHOIHAS, que conforme o leitor pode ser interpretada como qualquer coisa, ou elogios rasgados que servem para qualquer ocasião, como: Fantástico. Maravilhoso. Amei de paixão (para meninas é claro, barbado não ama de paixão).

A resposta condicionada é instantânea, para que possas olhando na diagonal o que os teus 3586 "amigos", postarem nas últimas 24h, agradar os egos desses postadores compulsivos. Assim como curtes algo, se a pessoa daqui a seis meses colocar a mesma entrada, curtirás de novo, e se daqui um ano e meio replicar pela quinta vez a mesma entrada, todos curtirão de novo.

Outra vez escrevi que o feicebuque é o triunfo da Novilíngua. Para quem não souber, Novilíngua é um termo inventado pelo escritor inglês Eric Arthur Blair (George Orwell) no seu livro de ficção denominado "1984". Neste livro sombrio e derrotista Orwell descreve a implantação pelo “Big Brother” (uma imagem e telas que comanda tudo e a todos) de uma nova forma de comunicação a Novilíngua. Qual era o princípio desta “língua nova”? Restringir ao máximo o número de palavras para que na ausência da expressão correta as pessoas não tivessem pensamentos incorretos contra o Grande Irmão. Ou seja, tirar a capacidade de crítica de todos.

O feicebuque atingiu o sucesso, pois ele é o retrato de uma geração egocêntrica, individualista e narcisista, que não resiste muito bem à crítica. O sucesso do feicebuque está na sua capacidade de qualquer um receber elogios por qualquer coisa que faça. Quando alguém coloca algo extremamente cretino, podes por achar tão estúpido e tão sem sentido, clicar no CURTI, pois afinal de tudo a estupidez cavalar é algo que merece destaque.

A pessoa que recebe o sinal da CURTIÇÃO, não sabe por que está o recebendo, mas para ele não interessa, curtiram o que ele fez, este é o sentido do feicebuque. E tem mais, quem postou qualquer bobagem estúpida no feicebuque, jamais saberá que 99% de seus 10.000 “amigos” acharam uma bosta o que ele colocou e não disseram nada por questão de educação, pois só receberá o sinal dos 100 CURTI que os seus 1% dos restantes clicaram por diversos motivos, compartilhamento da burrice, solidariedade a ignorância, pena do estado mental, ou finalmente porque escorregaram o seu dedo por engano apertaram sem querer o CURTI.

Então, meus caros amigos, curtam ou simplesmente não curtam, mas não fique procurando criticar algo que foi feito para não ser criticado, pois passarão simplesmente por mal-humorados.

CURTIRAM?
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10 setembro 2012

Biocombustíveis ou biofome?

Alardeiam-se aos quatro ventos as vantagens dos biocombustíveis em termos de zero de emissão de CO2. Grande parte da produção agrícola está sendo reservada para os combustíveis, nos Estados Unidos, por exemplo, há uma obrigação dos plantadores de milho (fortemente subsidiados pelo governo) de reservar grande parte da safra de milho para produzir etanol (1/3 da safra), no Brasil imensas áreas das melhores terras agrícolas do país são comprometidas para produzir álcool de cana. Está se substituindo parte da produção de alimentos por produção de combustível, principalmente para o transporte individual.

Ao mesmo tempo que há este ímpeto para a produção do etanol e do biodiesel, a ONU chama a atenção que Índice da FAO para preços dos alimentos, depois de subir nos anos 2008 e 2011 para valores anuais deflacionados de 147,6 e 154,0 respectivamente, começam a mostrar fortes sinais de alta nos últimos meses.

Índice de preços de alimentos (fonte no link acima).

Muitos atribuem as altas dos anos de 2008 e 2011 a especulação, entretanto apesar dos estoques norte-americanos de soja e milho até 1 de junho deste ano ainda estavam baixos, com a perceptiva da forte seca deste ano estes estoques podem baixar e dar maior vigor a alta dos preços no mercado mundial.

A seca nos Estados Unidos está atingindo os níveis do famigerado “Durst Bowl” da década de 30, a agência norte-americana que controla o clima (NOAA, National Oceanic and Atmospheric Administration), vem comparando mensalmente as temperaturas e a seca no país, e se vê uma semelhança muito grande com o fenômeno do “Durst Bowl”.

Agora o que foi este "Dust Bowl"? Para quem gosta de boa literatura norte-americana e já leu o livro Vinhas de Ira (The Grapes of Wrath) de John Steinbeck, ou mesmo assistiu o filme com o mesmo nome, de John Ford estrelado por Henry Fonda, Jonh Carradine e Jane Darwell,  teve o retrato exato do que foi a situação da miséria imposta pela grande crise norte-americana associada a grande seca do "Dust Bowl". 

Jane Darwell (E), Henry Fonda (C) Jonh Carradine (D), no filme Vinhas de Ira.
Na década de 30 (1930-1931, 1934, 1936, e 1939-40) ocorreram nos Estados Unidos uma série de secas que provocou a falência de milhares de agricultores norte-americanos, e uma transformação econômica e social naquele país. Esta seca associada ao manejo incorreto das terras do provocou tempestades de areia daquelas que se vê em filmes e documentários de desertos.

Foto de uma tempestade de areia nos USA.
Zona coberta de areia aós um dos eventos.
Chegada de uma tempestade de areia em Stratford, Texas.
Família de retirantes em Nipomo, Califórnia

Região em que a seca foi mais intensa nos anos 30.
O "Dust Bowl" foi reconhecido, tanto na época como hoje em dia, como um grande fenômeno natural e periódico. E foi tão grave porque estas secas foram associadas ao mau uso do solo na época, a problemas de financiamento e outros problemas econômicos mundiais, como o Crash da bolsa de 1929.



Secas ocorridas nos USA desde 1895.
A seca que ocorre hoje em dia nos USA só é superada pelas secas de 1934, 1939, 1954 e 1956, e equivalente as secas de 1931 e 1936. A série de secas severas começam em 1925, intensificando-se em 1931 para atingir o seu máximo em 1934 (passado ainda por uma seca severa em 1939), ou seja na década de trinta ocorreram quatro secas num curto período de tempo que acumuladas levaram a um verdadeiro desastre.

Conforme se vê secas piores do que a deste ano, não ocorrem há mais de sessenta anos, podendo se pensar como os hidrólogos pensam que a sua ocorrência é aleatória no tempo, entretanto pode-se correlacionar este ciclo de secas, com dois ciclos oceânicos, o PDO (Pacific Decadal Oscilation) e o AMO (Atlantic Multidecadal Oscillation), mostrando que quando os dois estão em alta, corresponde as maiores secas nos Estados Unidos.


Diagrama mostrando as fases do PDO e AMO.
Se a correlação entre os ciclos oceânicos e as secas nos USA estiver correta, podemos esperar maus momentos no futuro, pois apesar dos estoques de alimentos estarem altos (conforme anteriormente citado) mais duas ou três frustrações de safra nos USA podem levar a um caos alimentar no mundo. Importante destacar que mesmo sendo os Estados Unidos um grande exportador de cereais já na década de 30, a fome não se alastrou para o terceiro mundo devido a agricultura de familiar de sobrevivência na África e Ásia serem fortes e desvinculadas da economia global. Hoje em dia com o subsídio aos alimentos nos países do ex-primeiro mundo, a agricultura familiar foi praticamente destroçada e qualquer problema de aumento de preços reflete diretamente na segurança alimentar desses povos.

Porém qual a correlação entre as secas e os biocombustíveis? Simples, durante os últimos 50 anos os USA vem sendo o maior exportador de alimentos, e como tal grandes excedentes vêm sendo gerados, e com isto mantido os preços dos alimentos baixos. Se associarmos a realidade dos dias de hoje, não ao mau uso do solo ou mesmo a falta de financiamento, podemos estar em frente a outra limitação da produção agrícola para alimentos, os biocombustíveis, colocando ao produtor de alimentos duas possibilidades de venda, ou para a alimentação ou para o combustível, atrelando o preço de um com o outro.

Agora podemos refletir um pouco sobre o porque dos biocombustíveis. Na propaganda oficial temos estes combustíveis como uma forma de combater o Aquecimento Global Antropogênico, entretanto atrás de tudo isto está uma tentativa de dar sobrevida ao transporte individual feito por automóveis. Ou seja, além de diminuir a disponibilidade de alimentos, se atrela o preço desses ao preço do petróleo, que a medida que diminuiu a disponibilidade de petróleo barato aumenta o custo do alimento.


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