04 julho 2013

Espessura do gelo na Groenlândia: Parece que não ficaremos debaixo da água tão cedo.

Muito se tem propagandeado com a fusão do gelo na Groenlândia, mas o que se vê são estudos dispersos que tentam vislumbrar um futuro macabro para as regiões costeiras. A maior parte desses estudos são resultados de simulações numéricas que reproduzem as hipóteses que nelas são introduzidas.

Em publicação recente na mais conceituada revista técnica a Nature (Eemian interglacial reconstructed from a Greenland folded ice core.  Dahl-Jensen D. et al Nature, 493, 489-494, 24 Jan 2013), um trabalho de 38 centros de pesquisa com quase 100 autores, elimina determinados mitos que são plantados por press releases de ONGs na imprensa.

Este trabalho examina com detalhes parte do período interglacial do Eemiano, este interglacial (período entre dois períodos glaciais) ocorreu entre 130.000 a 115.000 anos e foi o último período interglacial antes do período que vivemos nos dias de hoje.

Através de um núcleo de gelo retirado na Groenlândia o trabalho chega a algumas conclusões importantes, como: Durante o eemiano se chegou a temperaturas 7,5 ± 1,8° C mais quentes em relação ao último milênio. Além disto, a variação da camada de gelo neste período foi estimada em causar uma elevação de 2m dos níveis dos mares. Conclui também o estudo que para chegarmos aos 4m de elevação dos níveis dos mares em relação ao nível atual, talvez o que concorreu a isto tenha sido a variação da quantidade de gelo na Antártica.


O gráfico acima mostra duas diferentes reconstituições de temperatura, uma baseada em isótopos estáveis de oxigênio (d18OGELO) na água e o ar contido no gelo (linhas vermelhas e pretas no gráfico) a linha horizontal preta no gráfico superior mostra a temperatura média no último milênio.

O que se depreende de tudo isto, é que mesmo com as absurdas projeções do IPCC de aquecimento de 2ºC até o fim do milênio não há o mínimo suporte para conclusões do tipo “os oceanos vão subir de nível 4m”. Podemos acrescentar que nas últimas décadas a extensão no gelo da Antártica tem aumentando e não diminuído, fazendo com que esta não contribua com o aumento dos níveis dos mares.



Outro artigo extremamente interessante, ainda mais recente do que este (março de 2013) denominado A Reconstruction of Regional and Global Temperature for the Past 11,300 Years, mostra que em épocas recentes (há 10.000 a 5.000 anos) a temperatura da Terra era consideravelmente maior do que os dias atuais, e demonstra que afirmações do tipo “nunca tivemos uma temperatura tão alta como as dos dias atuais”, carece de qualquer fundamento científico, e esta foi publicada na Science, outra revista de fôlego e altamente conceituada. Mas o comentário sobre este, deixo para outra ocasião.

30 junho 2013

Só para dar uma provinha!

Só para não ficarem com água na boca, vou colocar um fantástico gráfico elaborado por Dr. Roy W. Spencer em que o mesmo compara as simulações feitas por praticamente todos os modelos numéricos de clima conhecidos do ano base de 1977 até 2012, com dados medidos.


O que se vê é que TODOS os modelos de previsão não conseguiram prever NADA.
Os traços são os modelos e as bolinhas e pontinhos abaixo são os resultados medidos, se a tendência deste ano seguir, teremos mais um ponto abaixo das diversas curvas.
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Maiores detalhes serão apresentados futuramente.

26 dezembro 2012

Riscos de Tsunami no Brasil.


Como já passou a data que místicos e charlatões vaticinavam para o fim do mundo, é possível se postar na Internet alguma coisa sobre riscos de desastres sem contribuir para a histeria. Se fala muito sobre a imunidade do nosso país aos riscos de Terremotos e Tsunamis, porém talvez não seja totalmente verdade esta nossa imunidade, e poderíamos perguntar seriamente.

O Brasil é imune a Tsunamis?

Cientificamente não se pode afirmar que não. Na realidade se formos falar em termos estatísticos poderíamos comparar o risco de um Tsunami no Brasil com a sorte de um apostador acertar na Quina! Ou seja, o risco é baixíssimo, entretanto como somos um povo que confiamos na sorte, e fazemos a nossa fezinha na Quina mesmo sabendo que a chance é baixa, não custa nada falar sobre estes riscos, até para que numa situação deste tipo de evento saibamos como nos comportar (assunto que poderá ser desenvolvido em outro post).

Primeiro quais seriam os focos geradores de Tsunami para as costas brasileiras?

A primeira situação, já descrita em vários blogs e artigos científicos, é o deslizamento de parte do Vulcão Cumbre Vieja, nas ilhas Canárias, hipótese que é real e não faz parte de filmes de desastres. Só para dar uma ideia da possibilidade que existe deste evento é possível localizar em revistas científicas e publicações em congresso nos anos 2011 e 2012, alguns trabalhos publicados sobre o assunto (aqui, AQUI e AQUI, nos dois últimos links é possível se acessar os trabalhos integrais).

As estimativas destes trabalhos são bem otimistas em relação a trabalhos anteriores, pois os autores supõe que estes tipos de deslizamento são gradativos e não um deslizamento rotacional como ocorre em meio subaéreo (bloco contínuo). A meu juízo isto é baseado numa hipótese falsa, esta hipótese é baseado na investigação dos depósitos sedimentares provocados por deslizamentos do mesmo tipo, e como nestas pesquisas foram achadas feições características de depósitos turbidíticos (aqui, e AQUI), os pesquisadores que as realizaram tomaram como hipótese do mecanismo de formação de correntes turbidíticas, fluxos contínuos de material para dentro do oceano (não pulsos únicos como um deslizamento rotacional).

A partir de simulações físicas levadas a cabo no NECOD (Núcleo de Estudos de Corrente de Densidade) se verifica que independente do mecanismo de gatilho do fluxo (pulso ou fluxo contínuo), as feições características de fluxos turbidíticos estão presentes, logo a observação pura e simples do depósito não explica a origem do mecanismo de inicialização do fluxo, pois com o aumento da distância a origem, do mesmo, há uma segregação entre camadas que podem ser originadas de múltiplos aportes de sedimentos ou de um aporte único. Ao nosso juízo uma simulação (AQUI) que partem do pressuposto de um deslizamento convencional é mais adaptado para a simulação de riscos, pois resultam em maiores ondas.

O deslizamento de parte do Vulcão Cumbre Vieja, geraria ondas que segundo as hipóteses adotadas, criariam ondas na costa brasileira que variariam entre 3m e 18m, ou seja, 3m segundo as simulações supondo um deslizamento em partes e 18m supondo um modelo análogo a um deslizamento rotacional.

Simulação matemática de um Tsunami gerado pelo deslizamento do Vulcão Cumbre Vieja.

A segunda situação, que não é muito ventilada, é a de Tsunamis gerados por terremotos na dorsal meso-atlântica (ou crista oceânica do Atlântico - dorsal oceânica é uma cadeia de montanhas submersas no oceano, que se originam do afastamento das placas tectônicas). Esta a cordilheira submarina formada no Atlântico Norte entre placas tectônicas Norte-americana e Euroasiática, e no Atlântico Sul entre as Placas Sul-americana e Africana. Como estas placas apresentam um limite divergente (as placas estão se afastando e não se aproximando) a atividade vulcânica é muito menor (isto não quer dizer que seja inexistente!), sendo concentrada estas atividades próximas as ilhas do Caribe e as ilhas Sandwich do Sul.
Fonte: http://www.maine.gov/doc/nrimc/mgs/explore/hazards/tsunami/jan05-5.htm

 Excetuando as duas regiões citadas (ilhas do Caribe e as ilhas Sandwich do Sul), tremores de terra são geralmente de baixa intensidade, mas mesmo assim eles existem, por exemplo, em 25/12/2012 ocorreu um tremor de terra de ligeira intensidade (magnitude 4,9 escala Richter) exatamente nas coordenadas 22.406°S e 12.650°W, ou seja aproximadamente na mesma latitude que a cidade de Vitória no Espírito Santo. Logo, nada se pode dizer que no futuro não tenhamos terremotos de maior intensidade.

Agora no caso das ilhas Sandwich do Sul são grupo de ilhas vulcânicas criadas pela subducção da Placa Sul-Americana sob a placa Sandwich do Sul. Apesar da placa Sandwich do Sul ser muito pequena, o encontro entre estas duas torna a região muito ativa em termos de terremotos, em 2 de janeiro de 2006, por exemplo, ocorreu um tremor de escala 7,4 (escala Richter), que já é considerado um tremor de grande escala. Como o epicentro deste tremor era um pouco profundo (10km) não causou maiores problemas, mas de novo vemos que há uma probabilidade de geração de tremores do mesmo porte com movimento significativo do leito do mar.

As figuras a seguir, mostram a Sismicidade histórica da região. A primeira mostrando os terremotos a partir de 1900 de magnitude maior do que 7 na escala Richter (grandes e importantes), e a segunda todos os terremotos da escala 3 ou maior no mesmo período.


Fonte: National Earthquake Hazards Program do USGS.
É importante destacar que somente há pouco tempo (2011) nesta região foram localizados uma dúzia de grandes vulcões submersos ativos e não ativos, vulcões com até 2000m de altura, (AQUI e AQUI). Deslizamentos desses vulcões podem causar um Tsunami de grande porte.



Antes de terminar vamos a mais duas observações, em 1542, no início da colonização do Brasil, a primeira cidade construída pelos Portugueses no Brasil, a cidade de São Vicente, foi demolida por ondas de mais de 8 metros de altura, logo um fato histórico que permite a conclusão que não somos imunes a este tipo de desastre. Também para acrescentar mais uma causa a formação de Tsunamis podemos supor que o mecanismo de deslizamento da borda da plataforma possa gerar tsunamis, mas aí já é outra história.

23 dezembro 2012

Segundo os modelos do IPCC o Aquecimento Global favoreceria o terceiro mundo!


Vazou recentemente o relatório preliminar do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC) AR5, este relatório está quase na sua forma definitiva e era para ser publicado em 2013. Alec Rawls um republicano direitista e blogueiro teve a ideia de se inscrever como revisor do texto, coisa que é possível ser feita por qualquer um. Alegando que a maior parte das verbas para o estudo do clima e para a sustentação é pública, que na realidade é uma verdade inconveniente para quem não quer divulgar o relatório sem que este passe por um crivo político, publicou em um site especial o relatório por inteiro (http://stopgreensuicide.com/).

Este vazamento está causando enormes alvoroços em todos que são contra ou a favor das conclusões do IPCC. A temporada de discussão do relatório técnico já começou e diversas discussões estão sendo levantadas na blogosfera.

Entretanto não entrando no mérito que as conclusões do relatório estão ou não erradas, podemos simplesmente aceitá-las e olhar quais são as maléficas previsões que nos espera para o futuro!

Estas conclusões sobre as mudanças climáticas e as previsões para o futuro já discuti com um grupo de geólogos há mais ou menos 7 anos quando ainda os cenários de aquecimento global eram novidades no nosso meio. No momento da discussão sobre o assunto um experiente geólogo, que hoje em dia está aposentado, me fez uma pergunta que dei uma resposta a queima-roupa e acho que acertei.

Ele me perguntou:

Se a Terra vai aquecer poucos graus em média, fazendo que alguns lugares fiquem mais secos e outros mais úmidos, por que todo este alvoroço?

Respondi rapidamente:

Talvez a preocupação maior é que se redistribua a chuva de forma a modificar as condições atuais.

Foi uma mera especulação da minha parte, porém no relatório vazado vi confirmada a minha preocupação. Olhando a figura 1 do sumário de todo relatório (TFE.1, Figure 1 - Climate Change 2013: The Physical Science Basis - Technical Summary) acima colocada em que o item (d) da figura faz um balanço entre a evaporação menos a precipitação fiquei espantando, e espero que as pessoas que estão nos países do terceiro mundo também fiquem.


Balanço entre Evaporação-Precipitação, cores quentes (avermelhadas) significam mais evaporação do que precipitação, solo mais seco, já as cores frias (azuladas) significam mais precipitação do que evaporação, solo mais úmido.
Para que entendam melhor a minha surpresa, vejamos os pontos que serão mais afetados pelo aquecimento global (se ele existir).

Dando um zoom sobre a América, veremos que as catastróficas previsões do IPCC são de diminuição da umidade nos Estados Unidos, México, América Central e parte da Amazônia. Retirando o México do cenário, a quantidade de chuva (chuva – evaporação) causará danos sobre a agricultura norte-americana, pois tanto na América Central como na Amazônia uma diminuição de 0,2mm/dia (aproximadamente 75mm por ano) não fará muita diferença em regiões que chovem 150mm a 300mm por mês!





Por outro lado seguindo para o sul do Brasil, onde estiagens produzem muito mais danos a economia do que períodos de cheias deveremos ter um aumento de 0,4mm por dia (aproximadamente 150mm por ano), que é geralmente a carência hídrica dos períodos de estiagem



Mas como o mundo não se restringe a América vamos ver o que ocorreria se os modelos para o ano 2100 estiverem corretos.


Olhando com detalhe o sul da Europa e Norte da África, há uma previsão de diminuição significativa da umidade na Europa e uma diminuição média de 0,2mm/dia a 0,3mm/dia na Europa (75mm/ano a 125mm/ano) e no Saara (0,1mm/dia), considerando que no Saara já não chove mesmo somente a Europa e parte do Sahel serão prejudicados. Pelas previsões de vê que na parte do Saara próximo ao Egito haverá mais chuva e também em grande parte do Sahel, logo pode-se dizer que para a África, segundo as previsões do IPCC o balanço do aquecimento global é positivo.



Poderíamos reduzir a seguinte conclusão. Nos países desenvolvidos, na região norte do México e numa parte do Sahel, o regime de chuvas médias poderá diminuir, por outro lado, no sul do Brasil, em grande parte do Sahel e até nos desertos da África e na nos desertos da Arábia Saudita haverá mais disponibilidade hídrica, por consequência maior produção de alimentos nestas regiões.

A partir destas conclusões podemos até começar a rezar para que os modelos do IPCC estejam certos, e fica aparente qual a maior preocupação dos países industrializados do norte, a sua agricultura, como vantagem comparativa com os países mais pobres perderá importância, logo:

Que venha o aquecimento global!

NOTA: Pelos modelos aos desertos da Austrália receberão bem mais chuva!








18 novembro 2012

Eventos extremos e sua correlação com o Aquecimento Global Antropogênico. Introdução.


1. Introdução.


Com a midiatização do Furacão Sandy e anteriormente com a seca que abalava as planícies norte-americanas, voltou à pauta a justificativa dos fenômenos extremos como sendo explicados pelas variações climáticas, mais exatamente pelo Aquecimento Global Antropogênico.

Exemplos deste alarmismo, tanto em nosso país como no próprio Estados Unidos podem ser mostrados aqui, aqui aqui, aqui (seca), aqui, aqui ou aqui (furacão). Porém nos parece que o principal movente deste tipo de notícia pode ser encontrado AQUI .

Outra ponto interessante nestas análises é que na demonstração da excepcionalidade dos eventos não há uma coerência na escolha dos dados que são apresentados a população, por exemplo, para demonstrar que o mês de Julho de 2012 foi o mais quente da história norte-americana da atualidade (em relação ao ano de 1936) se lançou a mão de bases de dados para comparação com diferentes períodos de comparação, apareceu em vários veículos de informação a comparação do ano de 1936 utilizando-se como base para a comparação da anomalia a média do período 1900-1935 enquanto para o ano de 2012 utilizou o período 1981-2010, ou seja, comparou dados não comparáveis. Só para ficar evidente é possível olhar os dados de 1936 aqui e para o ano de 2012 aqui. Após isto é só comparar os dados e verificar como 2012 é considerado um máximo em relação a 1936 como noticiado na imprensa vide aqui.



Anomalia de temperatura em 1936, período de base 1900-1935 Fonte NOAA


Anomalia de temperatura em 2012, período de base 1981-2010. Fonte NOAA.

Da mesma forma que foi alardeada a excepcionalidade da seca norte-americana, procurou-se atribuir ao Aquecimento Global Antropogênico a pseudo-excepcionalidade do furacão Sandy, deu-se muita ênfase "a altura" que o mar atingiu durante o furacão Sandy, porém como até o momento não há dados devidamente tabulados pela tempestade Sandy, utilizou-se uma mistura de termos como o aumento do nível do mar, as ondas, a maré causada pela tempestade e a maré normal, e talvez aí, que se veja a diferença entre a ciência e a pura propaganda alarmista.

(CONTINUA)


12 outubro 2012

Em desastres naturais não precisamos de erudição, precisamos de previsão.


Apesar de não ter ido ao 46° Congresso de Geologia que aconteceu de 30 de setembro a 5 de outubro do corrente ano, recebi por um colega dois livros muito interessantes editados pelo Instituto Geológico do Estado de São Paulo.

Não são livros que tem a pretensão de fornecer grandes novidades na ciência, não são ambiciosos, mas mesmo assim são extremamente valiosos.

O primeiro intitulado, DESASTRES NATURAIS: Conhecer para prevenir, editado por TOMINAGA, SANTORO e AMARAL (2012), se propõe a reunir de forma sistemática todos os tipos de desastres naturais em um só trabalho. Devido a esta intenção em 192 páginas seria impossível para os autores conseguir dar um tratado profundo sobre o assunto. Mas parece que na dedicatória do próprio livro que dedica aos agentes de defesa civis municipais e voluntários, mostra para que veio este livro.
Numa linguagem simples, mas nem por isto inexata, os autores percorrem uma imensa quantidade de assuntos com firmeza de conceitos, bom acabamento gráfico e para quem quiser saber mais uma bibliografia extensa e atualizada.



O despojamento aparente do texto torna possível a leitura do mesmo tanto por agentes de defesa civil (para os que já tenham um bom embasamento técnico, não é para leigos!), mas também serve como elemento de entrada ao assunto para profissionais que pretendem se envolver no assunto como engenheiros civis, geólogos, geógrafos e outros. Alunos tanto de graduação terão neste livro um bom livro texto, já alunos de pós-graduação, acostumados com a cultura da informação fracionada e extremamente especializada dos “papers”, poderão empregar o texto para organizar suas ideias.

Diria que os professores encontrarão um ótimo e agradável apoio didático.

O livro principalmente por não estar infestado de acadêmicos, os meus colegas, não peca por erros comuns aos livros saídos da academia, livros estes que são densos, com referências excessivas para preencher vácuos de determinados assuntos e muitas vezes desagradáveis de ler.

Parabenizo os autores e organizadores do livro.

O segundo livro, intitulado Desastres naturais, AMARAL & GUTJAR (2012), já está na sua segunda edição. Este procura, numa edição cuidadosa e ricamente ilustrada, atingir um público mais amplo dando informações preciosas que poderão ser assimiladas por pessoas não iniciadas no assunto. Como o livro é mais curto, 97 páginas, a bibliografia de referência é mais curta, entretanto os autores colocam o endereço de vários sites para que quem quiser possa se aprofundar no assunto.



Repito, livros despretensiosos, porém extremamente valiosos, e certamente terão um impacto e uma utilidade centenas de vezes maior do que obras puramente acadêmicas que depois de centenas de páginas descobrimos que se os autores se restringissem a menos de uma dezena de páginas, colocaria tudo de novidade que ele contribui nas suas 2752 páginas.

Os editores e autores destes livros estão de parabéns, em desastres naturais não precisamos de erudição, precisamos de previsão.


Nota: estes dois livros, mais um terceiro, denominado: O Instituto Geológico na Prevenção de Desastres Naturais, encontram-se em PDF livres na rede para quem quiser, no endereço http://www.igeologico.sp.gov.br/ps_down_outros.asp.

18 setembro 2012

Cesare Lombroso, o homem que inventou o feio.


Durante milhares de anos os filósofos se preocuparam com o conceito de beleza, os filósofos gregos perderam longo tempo na sua definição, Platão, Aristóteles e outros idealizaram o seus conceitos de belo, mas nunca teorizaram centralmente sobre o feio.
Afrodite, a deusa da beleza.
Como os filósofos nunca conseguiram um consenso sobre o belo, olhando o feio como a antítese do outro, se o belo não foi perfeitamente definido, não se conclui nada sobre o feio. Aplicando uma lógica formal, o não belo, necessariamente não é o feio, pois se envolvermos conceitos de alma e de outros aspectos subjetivos, o limite entre os dois não fica definido.

Vestimenta da Idade Média
Não sou nada conhecedor de filosofia, mas vejo que após a busca da beleza pelos gregos cria-se na sociedade medieval um longo período em que a busca do limite, da ordem e da simetria, é passado para um segundo plano, adotando-se mais um conceito de beleza da alma intangível e não quantificável, tornando a beleza física, até certo ponto, algo desprezível.

Associava-se a beleza de Eva a tentação, associava-se a beleza a luxúria e ao pecado. Bem diferente dos Gregos e Romanos, cobria-se o corpo para que a imagem dele não fizesse o homem fugir do ideal platônico. O teocentrismo não permitia que os mesmos ideais de limite, ordem e simetria fizessem parte do corpo humano, nos templos, nas obras arquitetônicas se abandonavam as proporções clássicas para impor uma arquitetura que elevaria o homem aos céus.

São quase mil anos em que o corpo é eliminado da busca do belo, salvando-se por curto espaço de tempo os ideais Greco-romanos no renascimento, onde os padrões de beleza do corpo humano são discretamente recuperados nas artes, mas sempre guardando o pudor de expor o corpo pecaminoso e manchado pelo pecado original.
As Graças de Rafael Sanzio.
Pouco tempo durou esta busca aos padrões estéticos da antiguidade, havia à igreja de um lado e os cultos puritanos do outro, tendo um grande ponto em comum, a manutenção do decoro.

Torturas da inquisição, provavelmente contra uma bruxa! 
 Com a introdução da sociedade laica após a Revolução Francesa, começa uma recuperação do belo, não é a toa que a figura da Marianne tem os seios desnudos, seios volumosos, talvez mais por uma longa e tediosa espera, se traça um ideal de corpo humano volumoso e carnudo para que ele alimente bem os filhos da revolução.
Marianne - O Símbolo da Revolução Francesa
 Segue a diante o processo republicano e revolucionário, porém sempre tendo como sombra, as Igrejas cobrando pudor e recato. Isto vai até o positivismo, que suporta o estado laico, mas junto com ele o positivismo italiano, o mais tardio na Europa, trás um novo conceito que talvez nunca tenha ficado tão claro na história, a invenção do Feio.

Cesare Lombroso, um médico italiano de ascendência judaica, que na realidade se chamava Marco Ezechia Lombroso, este homem que talvez tenha trocado seu nome para tirar o nome do profeta de sua vida, seguiu as teorias outro médico alemão Franz Joseph Gall, que numa pseudociência dizia ser capaz de determinar qualidades morais e intelectuais somente pela forma da cabeça.

Gall supondo que o cérebro fosse dividido em regiões estanques onde a cada uma delas atribuía uma característica de personalidade. Assimetrias e bossas na formação da caixa craniana, definiam o caráter e se o indivíduo seria ou não criminoso ou um bom homem.

Coleção de Cérebros 
De certa forma a frenologia, pseudociência inventada por Gall foi uma predecessora de ciências modernas como a neuropsicologia e neurociência cognitiva, porém seu esquema era totalmente equivocado, conforme foi mostrado cientificamente mais tarde.

Cesare Lombroso, adotou e levou adiante as teorias da frenologia, ele como um homem de várias ciências medico, antropólogo, criminólogo e advogado extrapolou para outras regiões do corpo os conceitos da frenologia, fundando o que se conhece como a criminologia moderna. Lombroso supos que qualquer distorção de uma anatomia “normal” representava uma involução ou atavismo do homem. Mesmo antes da publicação da “Teoria da espécies” de Darwin, Lombroso via na não normalidade um desvio genético que levaria o homem a um desvio comportamental.

 

Suas teorias, hoje denominadas uma pseudociência influenciaram pensadores da época e posteriores. Sigmund Freud e Carl Jung seguiram em parte alguns de seus conceitos, e após a sua morte em 1909 ainda por muito tempo elas divergiram para diversos ramos, alguns úteis e outros totalmente reprováveis. Muitas teorias racistas foram baseadas neste determinismo fisiológico que com o tempo se mostraram completamente equivocados.


 

Porém um aspecto que ninguém ainda chamou a atenção foi à invenção do conceito de feio. Lombroso associava a deformidade a tendência ao crime ou a outra características nada elogiosas, excetuando algumas formas de loucura que Lombroso as considerou geniais, o que saía do padrão era doentio e mau.

Lombroso criou um museu que existe até os dias de hoje com o nome Museo di Antropologia Criminale “Cesare Lombroso” em que crânios, cérebros e mascaras mortuárias de criminosos eram e são conservados de diversas formas junto com centenas de outras peças que dizem respeito a crimes.

As máscaras mortuárias dão uma face ao crime, uma face não simétrica que indica que este homem com suas características atávicas não conseguiu atingir o ideal de beleza não criminosa. O seja, o não simétrico, o deformado, o longe do padrão normal, além de feio é criminoso, e como tal deve ser afastado e eliminado da sociedade, pois ele tem um determinismo genético. Conforme as teorias de Lombroso tanto o deformado como seus descendentes eram ou se tornariam ladrões, assassinos, estupradores e outras variantes. Para Lombroso um homem nascer feio era muito mais, era nascer criminoso.

Em última instância, Césare Lombroso inventou o feio.

 

27 agosto 2012

Por que uma parada em artigos sobre Aquecimento Global Antropogênico.


Se verificarem a lista de postagens nos últimos meses, verificarão que há um verdadeiro arrefecimento no ânimo. Este resfriamento não é por conta de perda de convicções sobre o assunto, mas mais pelo não surgimento de nada de novo sobre o mesmo. Entretanto não se pode dizer que nada está ocorrendo, simplesmente as tendências de opinião tanto científica como pública estão mostrando aspectos interessantes.

Parece uma contradição, não está ocorrendo nada de novo e ao mesmo tempo as tendências estão se mostrando interessantes. Mas quais são elas?

Primeiro, as temperaturas medidas continuam quentes, e eu diria até aumentando um pouco, mas aí vem o segundo ponto, a explicação para a variação climática parece que dia a dia mais se fortalece a explicação do Sol como principal forçante do clima.

Se ao Sol se atribui maior influência sobre o clima, o que faz que não se torne isto um consenso? 

Simplesmente porque ainda estamos num período de máximo solar (pico da curva de atividade Solar considerando ciclos curtos de aproximadamente 11 anos). Quando o ciclo está no ponto máximo, as teorias mais modernas sinalizam para um aquecimento, mas embora estejamos no ponto máximo do chamado ciclo 24 (ciclos contados a mais ou menos quatro séculos) este ciclo tem confirmado todas as expectativas de se mostrar um ciclo extremamente fraco, e com um ciclo fraco, é altamente provável que estejamos entrando num período como Mínimo de Maunder, no século 17, este mínimo, como já descrevi em diversos pontos, correspondeu à chamada Pequena Idade do Gelo, em que por um bom tempo (século XIII ao século XVII) assolou a humanidade.

Agora o que está acontecendo de interessante quanto a este fenômeno que já descrevi há bastante tempo atrás, o interessante é que para todos este frio era confirmado como um fenômeno climatológico da Europa, e para quem acredita no CO2 como principal forçante como algo local e restrito a Europa. Entretanto hoje em dia, se começa a verificar a existência da Pequena Idade do Gelo, para todo o Hemisfério Sul, havendo inclusive tentativas fraudadas (o artigo foi retirado da revista) de cientistas-ativistas que procuraram mostrar ao contrário. Se o fenômeno era Global e há tanto neste mínimo como outros mínimos com temperaturas baixas, parece que a hipótese se reforça.

Parece que estamos numa partida de futebol, que um time vinha muito bem (PRÓ-AGA F.C.), ganhando de 3 a 0, quando ao final do primeiro tempo o outro time (Céticos F. C.) se recuperam, fazem 2 gols e terminam quase empatando. Estamos no intervalo, e a crônica desportiva, que antes dava como certa a vitória do PRÓ-AGA, começa a dar explicações sobre uma possível virada no segundo tempo!

Ou seja, me parece que todos estão em suspensão. Dados palioclimáticos reforçam que os máximos atuais de temperatura não são mais máximos na história geológica da Terra, que houve períodos de arrefecimento ou resfriamento rápidos, e que a concentração do CO2 estava alta.

O que acontece no momento em termos de publicações é que todos estão tímidos e cautelosos, pois em um a três anos o ciclo solar começa a decair, e se este ciclo começar a puxar a temperatura para baixo, muitas boas reputações podem cair por terra.

Só para não passar nada de novo de informação, vou colocar aqui o endereço deu artigo do site Popular Technology.net denominado “1100+ Peer-Reviewed Papers Supporting Skeptic Arguments Against ACC/AGW Alarm”. O título é autoexplicativo, pois nele são apresentadas mais de 1100 referências bibliográficas que apresentam argumentos fora do chamado consenso do AGA. Os artigos não são de blogs ou de “press release” de ONGs contra a teoria do efeito antropogênico e seus efeitos, são trabalhos revisados em revistas científicas internacionais de primeira linha.

Para quem gosta do assunto é um enorme prato, eu tenho a minha própria lista, e comecei certa feita a atualizá-la para por aqui neste Blog, mas a falta de disposição, a conhecida preguiça me impediu!

03 agosto 2012

Por que o nível do mar está tão BAIXO?


Ficam nos assustando todos os dias com os gases de efeito estufa, pois segundo os adeptos das teorias do AGA estes gases, gerados pelo homem, são os únicos possíveis responsáveis pelo possível aumento dos níveis dos mares. Porém, nos parece que devemos é nos preocupar com a ausência da elevação maior dos mesmos, como já ocorreu normalmente em milênios passados.

Níveis mais altos do mar são conhecidos já há muito tempo pela geologia convencional. Testemunhos de diversos tipos que mostram que imensas áreas costeiras eram no passado o fundo do mar (não estou falando de movimentos tectônicos que elevaram imensas partes da Terra mas sim da elevação dos níveis dos mares pelo degelo das Antártica e Groenlândia). A quantificação exata destes níveis tem sido uma permanente preocupação dos geólogos, pois através deste podemos avaliar o clima que existia na época.

Para quem estiver curioso sobre as variações deste nível no último período interglacial (período entre duas glaciações) pode ter uma valiosa referência no trabalho de A. Dutton e K. Lambeck, publicado recentemente numa das mais conceituadas revistas técnicas do mundo a Science da AAAS (ranqueada em primeira ou segunda posição, alternado com a Nature a primeira posição conforme a instituição de classificação de revistas técnicas).

Pois este trabalho publicado em 13 de julho deste ano no número 337, 216 (2012), intitulado “Ice Volume and Sea Level During the Last Interglacial”, mostra de forma inequívoca pela análise de 16 sites de corais em diferentes mares (vide figura abaixo) mais o as ilhas Seychelles.



Adaptação da figura 1 do trabalho, indicando os sites considerados no trabalho, que são: 1- Austrália Ocidental; 2 - Ilhas Sumba, Indonésia; 3 - Península de Huon, Nova Papua; 4 – Vanuatu; 5 – Oahu; 6 - Atol de Mururoa, Polinésia Francesa; 7 – Costas e ilhas da Califórnia e México; 8 - Xcaret, Península de Yucatán; 9 – Florida; 10 – Bahamas; 11 – Bermudas; 12 – Jamaica; 13 – Haiti; 14 – Curaçao; 15- Barbados; 16 - Costa do mar Vermelho e 17 - Ilhas Seychelles

Já no abstract do trabalho os autores escrevem como conclusão que: “Estes dados indicam que o nível do mar global (eustático) atingiu um pico de 5,5 a 9 metros acima do nível do mar atual, exigindo folhas menores de gelo sobre a Groenlândia e a Antártida em relação aos dias de hoje e que indica a sensibilidade do nível do mar forte para pequenas mudanças no forçamento radiativo.” Ou seja, aquela bobagem que nunca tivemos na Terra há pouco tempo (125.000 anos atrás é em geologia ontem e não o ano passado!) uma temperatura superior a que temos hoje em dia cai claramente e inequivocamente por terra.

São evidências como esta que mostram que a variabilidade climática é algo totalmente natural, e se os níveis dos oceanos estão subindo, ainda há muita  possibilidade de eles subirem mais 5,5 a 9 metros sem que isto contrarie a história geológica da Terra.

Salvo se homem moderno que apareceu há 195.000 anos, segundo novas evidências (vide aqui), fosse capaz de gerar gases de efeito estufa para perturbar o clima, algo que ninguém acredita.

24 junho 2012

Estamos no máximo solar?

Pelas previsões da NASA e outros organismos de pesquisa estaríamos entrando no máximo solar, ou seja, conforme o gráfico da figura estaríamos com um número de manchas solares em torno de 50 manchas mais ou menos 25, o que seria em relação ao ciclo anterior (o ciclo solar 23) um valor muito baixo, entretanto nos parece que as coisas não estão bem assim.



Se analisarmos os dados do dia 24 de junho de 2012 (ou seja, o dia em que estou escrevendo este texto), os resultados estão bem mais baixos.


A figura acima nos dá os principais índices da atividade solar desde o dia 6 de novembro de 2011, a linha vermelha representa o número de manchas solares medidas dia a dia.

Por outro lado o índice Planetário A é um índice que mede a intensidade geomagnética do Sol, a média mensal dá o chamado Índice Planetário AP, que também está em baixa.


Por fim F10.7 é uma medida do fluxo solar por rádio freqüência com comprimento de onda de 10,7 cm (porque este comprimento de onda, porque se media com outros objetivos no passado).


Todos estes índices são medidas indiretas da atividade solar, e todos indicam uma queda significativa para uma época de máximo solar.


Vamos esparrar alguns dias a mais e, caso a tendência continue, vamos comentar sobre isto, por enquanto é só uma observação.

19 junho 2012

Uma bela imagem para fundo de tela.

A seguinte imagem é uma produção da Nasa sobre como seria determinado continente durante o período do Mioceno médio, esta imagem se obtém aqui.


A new study finds ancient Antarctica was much warmer and wetter than previously suspected, with a climate that was suitable to support substantial vegetation—including stunted trees—along the edges of the frozen continent. This artist's rendition created from a photograph of Antarctica shows what Antarctica possibly looked like during the middle Miocene epoch, based on pollen fossil data. The landscape featured freshwater algae growing in meltwater ponds, low tundra vegetation on coastal plains and tundra with shrub-like southern beech and low podocarp trees growing on warmer sites, with shrubs as high as approximately 20 inches (50 centimeters). 

Image credit: NASA/JPL-Caltech/Dr. Philip Bart, LSU
Mas o que tem esta imagem de surpreendente? Simplesmente é uma reconstituição de como seria a Antártica neste período! Ou seja, a bem pouco tempo a Antártica tinha vegetação nas suas costas inclusive pequenas árvores!


Para dar uma noção de quão recente é o mioceno médio, coloco a tabela estratigráfica internacional, já traduzida para o português pelo serviço Geológico do Estado de São Paulo.


Coloquei dois quadros, um que cobre todo o Mioceno e outro de época anterior a esta, o Cretácio que foi a época dos dinossauros. Importante dizer que no Mioceno já existiam mamíferos e os dinossauros já estavam extintos.




Resumo da história: O clima sempre mudou, e épocas mais quentes já existiram, nada impedindo que elas existam de novo!

18 junho 2012

Correlação muito forte entre raios cósmicos e clima.


Acaba de ser publicado nas Proceedings of National Academy of Science of the United States of America, mais conhecida pela sigla PNAS, um trabalho extremamente importante que mostra a correlação entre a intensidade solar e o clima na Terra.

O trabalho tem o nome “9,400 years of cosmic radiation and solar activity from ice cores and tree rings” e é de livre acesso (não precisa pagar para lê-lo), para quem quiser é só seguir o Link aqui, para dar uma noção da seriedade do trabalho colocarei a lista de autores que assinam este trabalho com suas instituições de origem:

Friedhelm Steinhilber, Jose A. Abreu, Jürg Beer, Irene Brunner, Mathias Mann (Swiss Federal Institute of Aquatic Science and Technology), Marcus Christl Peter e W. Kubik, (Laboratory of Ion Beam Physics, Swiss Federal Institute of Technology Zurich), Hubertus Fischer (Climate and Environmental Physics, Physics Institute and Oeschger Centre for Climate Change Research, Switzeland), Ulla Heikkilä (Australian Nuclear Science and Technology Organisation ANSTO), , Ken G. McCracken (Institute for Physical Science and Technology,University of Maryland), Heinrich Miller Hans Oerter, and Frank Wilhelms
 (Institute for Polar and Marine Research, Germany), Hiroko Miyaharag, (Institute for Cosmic Ray Research, University of Tokyo)

Logo temos institutos suíços, norte-americanos, australianos e japoneses ou seja uma bela mistura de interesses que dá credibilidade ao artigo.



Antes de algum comentário vamos colocando a figura chave deste artigo, onde mostra uma forte correlação em 9000 anos da intensidade solar com o regime de monções na Ásia. Diga-se de passagem esta correlação para períodos mais curtos é fortemente demonstrada em outros artigos anteriores.

O importante neste artigo é que mostra CLARAMENTE que o sol é um dos fatores mais importantes como uma forçante do clima, coisa que é TOTALMENTE IGNORADA nos trabalhos do IPCC.

Nas conclusões fica claro que os autores não eliminam a influência de outros fatores, como vulcanismo e gases de efeito estufa como forçantes do clima.

Os dados que dão origem a esta conclusão são anéis de árvores, e testemunhos de gelo na antártica e na Groenlândia.

Quem quiser mais informações sugiro que leia o artigo propriamente dito, pois poderá ver todos os cuidados que foram tomados na extração dos dados.

O importante é que os autores estão baseando seus resultados extraindo as fontes de bancos de dados que estão sendo gerados de forma independente e disponibilizados para a comunidade científica, por exemplo os dados dos anéis de árvores foram tirados de Reimer PJ, et al. (2009) Intcal09 and Marine09 radiocarbon age calibration curves, 0–50,000 Years Cal Bp. Radiocarbon 51:1111–1150, dados que podem ser obtidos na rede aqui, da mesma forma os dados dos testemunhos de gelo também são abertos.

Este último parágrafo é importante destacar, pois até hoje o CRU (Climatic Research Unit) da Universidade de East Anglia se nega peremptoriamente entregar os dados BRUTOS de medida de temperatura nos últimos 180 anos (que deram origem a "confirmação" da teoria do AGW) alegando que os países que os cederam não aceitam esta entrega (o pior que eles não dizem quais países). Eles divulgaram somente os dados tratados.

17 junho 2012

Sustentabilidade, muito se fala pouco se quantifica, ou ainda, a variação do preço do petróleo em função do EROI.


Em outros post (vide aqui, e aqui) descrevi um índice muito interessante que se trata do EROI (Energy Return On Investment), um índice que trata sobre a viabilidade da exploração de um tipo de energia em função da relação energia que se retira com a energia despendida. Por exemplo, se ao se retirar X kW de energia de uma fonte qualquer (petróleo, gás, hidroeletricidade, energia eólica, etc.) se consome 1 kW o valor do EROI é X, (fontes (A) e (B), produção de 20kW e 30 kW, consumo 1kW nas duas EROI 20 e 30, respectivamente) o EROI é extremamente útil na definição da sustentabilidade ou não de uma forma de geração de energia.

Este índice é fácil de entender e difícil de calcular, pois é necessário determinar todo o consumo de energia na cadeia de produção para a determinação do índice. Ele também é útil para mostrar que determinados tipos de geração de energia por biomassa são completamente antissustentáveis como, por exemplo, o álcool de milho e outros (o álcool de cana de açúcar está no limite).

A grande novidade é a relação que se obteve entre o preço do petróleo e o EROI do mesmo. Matthew Kuperus Heun e Martinde Wit, dois pesquisadores publicaram a pouco em Energy Police, um artigo sobre isto que chega a conclusões interessantes, o artigo é “Energy return on (energy) invested (EROI), oil prices, and energy transitions” e se encontra um resumo grátis em aqui.

Se a relação entre preço e EROI, que está relacionado diretamente com a abundância de determinado recurso mineral, fosse algo contínuo seguindo uma lei tipo potência, o trabalho não teria maior interesse, porém numa série de 50 anos de dados do preço do petróleo e o EROI deste (mostrando o aumento da dificuldade técnica em extrair este insumo) eles chegam a uma correlação importante, que permite uma série de conclusões:



A primeira grande conclusão é que tanto as altas do petróleo como suas baixas podem facilmente ser correlacionadas não simplesmente ao mercado, mas sim a ganhos tecnológicos na extração do mesmo.

Segundo, que a variabilidade do preço, com o embargo e posterior normalização, pode ser perfeitamente ajustada a uma situação de mercado natural sem as limitações impostas por problemas de guerras ou embargos. A figura 10 do trabalho que mostra um cenário um pouco caótico é ajustada pela relação, EROI/Preço.



Terceira conclusão, que abaixo de um determinado patamar de EROI as relações não lineares entre EROI e preço tornam-se significativas fazendo o preço do petróleo disparar, eles estimam que em torno de 20 a 10 este valor tende a crescer quase que exponencialmente, seria uma espécie de Fator Pânico (a última frase é de minha responsabilidade, não está no artigo).

Quarta e última conclusão, que o preço não é um bom índice para se preparar transições de energia, pois estes fatores não lineares falseiam a penúria do produto e induzem a pressões políticas que levam a recessão e diminuem a capacidade de investimento em outras fontes alternativas de energia.

Como uma conclusão pessoal, vejo que muito se discute em sustentabilidade, mas pouco se quantifica, ficamos a rebote de conceitos genéricos, como a pegada ecológica, e deixamos de lado a quantificação exata da penúria e do custo exato em termos ambientais de fontes energéticas e outras matérias primas.
Poder-se-ia quantificar algo semelhante ao EROI para matérias primas como o ferro, soja, gado, alumínio e terras raras, e a partir desta quantificação traçar projeções corretas da sustentabilidade ou não do planeta Terra.

13 junho 2012

A verdade sobre a potência dos geradores eólicos.

As tabelas abaixo mostram o que foi realmente gerado e o que foi prometido pelos operadores dos geradores eólicos, os dados são do Operador Nacional do Sistema Elétrico, organismo encarregado de comandar a distribuição da energia gerada no Brasil.

A tabela 2, que vem primeiro, mostra que no Nordeste onde as empresas de geração eólica prometem valores de fator de capacidade (relação entre o gerado e a capacidade do sistema) com valores muito acima da literatura mundial (0,50 !!!!). Sombreado em amarelo  estão os piores valores, no caso os valores produzidos de energia elétrica em 2011 e 2012 (até abril de 2012), isto é, são os valores reais que as turbinas geraram.

Vide que no Nordeste os proprietários das Usinas prometeram valores que variam de 0,32 até 0,50 e que realmente em todo o ano de 2011 foi entregue bem abaixo disto 0,20 até 0,42.

Sistemas mais robustos como o de Praia Formosa de com 50 aerogeradores de 2.088kW totalizando 104,4MW só conseguiram gerar 25,57MW nos últimos doze meses, o que dá um fator de  potência de 0,2952 correspondendo a 75% do que foi prometido.


No caso do Rio Grande do Sul, os operadores foram menos ambiciosos e prometeram no máximo 0,37 atingindo em 2011 um fator de 0,4085 na Usina Chato III. Cabe ressaltar que estes valores são dos meses com mais vento no litoral pois as unidades foram colocadas em operação em junho e julho de 2011.


Há uma forte propaganda, que se está revelando mentirosa, que o Brasil como um todo apresenta ventos fantásticos, mas chamo a atenção que os locais escolhidos para estas Usinas são os melhores do Brasil, e quando eles esgotarem a capacidade de implantar aerogeradores, os fatores de capacidade cairão na média nacional em torno de 0,35, um valor muito bom, mas não excepcional.

05 junho 2012

A Groelândia está derretendo, porém não é para os próximos séculos que ela ficará sem gelo!


Durante os últimos anos recebemos notícias alarmistas sobre o fim do Ártico no verão, já previram a mais tempo que entre 2010 e 2020 isto aconteceria, porém novas evidências bem recentes mostram outra história.

Imagens de satélites nos últimos 30 anos mostram um recuo nas geleiras da Groelândia e a partir dessas foram projetados cenários catastróficos que mostravam um futuro sem gelo para esta maior ilha gelada do mundo. Antes desta data as informações eram quase nulas, pois ninguém tinha o interesse de quantificar a variação das geleiras. Entretanto durante a década de 30, ou seja a 80 anos atrás os Dinamarqueses enviaram sete missões aéreas para fotografar a costa sudeste da Groelândia. Devido a Segunda Grande Guerra os documentos fotográficos que tinham sido tirados desde 1931 até 1933 estavam perdidos, só restando artigos que relatavam as espedições como “Dr. Knud Rasmussen's Contribution to the Exploration of the South-East Coast of Greenland, 1931-1933”.

Como o interesse pelo clima e pela situação das geleiras aumentou a busca dessas fotos também aumentou, resultando que uma série de fotos de 1931, 1932 e 1933 foram recuparadas, 36 fotos de 1931, 9 de 1932 e 212 de 1933. Compondo estas fotos com fotos tiradas pelos Norte-americanos durante a Segunda Guerra (1943 – 124 fotos) com mais fotos com um dos primeiros satélites espiões norte-americanos, a série de satélites  Corona, que tiravam fotos para a CIA entre 1959 e 1972 (somente em 2002 que as imagens foram desclassificadas como secretas e divulgadas publicamente) e mais as imagens de satélites civis como Landsat 1 (1972) Landsat 7 (2000-2010) e fotos aéreas de 1981 até 1985, foi possível montar o quebra-cabeças da situação das geleiras da costa sudeste da Groenlândia. (An aerial view of 80 years of climate-related glacier fluctuat ions in southeast Greenland, 2012 Bjørk, A. A.et alli Published Online: 27 MAY 2012 | DOI: 10.1038/NGEO1481 - Nature Geoscience)
Região abrangida pelo estudo.

Após todo este trabalho, mais arqueológico do que qualquer coisa, se chegou um retrato completo da velocidade de recuo das geleiras (e avanço em alguns casos).
Com isto verificou-se quatro períodos distintos de progressão das geleiras. Um primeiro, durante as décadas de 30 a 40 onde a velocidade de degelo era rápida, inclusive mais rápida em alguns pontos (sobre a terra) que os dias de hoje, um segundo período, entre 40 e 70 em que praticamente parou o degelo (avançando as geleiras numa quantidade significativa de pontos), um terceiro, onde há uma súbita retomada do degelo (~1970 até ~1980 – valores não muito claros para todos os casos), para por fim entre 2000 e 2010 retomar uma velocidade alta principalmente nas geleiras que estão em contato com o mar.
Taxa de perda de gelo (diagrama mais abaixo) e medidas de temperatura no mar (gráfico superior) e  terra  (gráfico do meio)
 A conclusão que nossos amigos Dinamarqueses chegam, é que o degelo continuará acentuado nas geleiras que tem contato com o mar e que a partir do momento que elas encontrarem a terra a taxa de degelo deverá cair a menos de 1/3 do que a atual.

Mesmo considerando que o degelo continue, algo que no momento diminui a quantidade de pessoas que acreditam nisto, a progressão de perda de gelo na Groelândia  deverá atingir valores do em torno de 10 m por ano, para uma ilha que tem centenas de quilômetros de largura, para esta degelar por completo, faltaria muitos séculos ou alguns milênios.

04 junho 2012

Complementaridade da geração eólica com outros tipos de geração.


Muito se fala sobre a complementaridade da geração eólica com outros tipos de geração. Existe uma série de notícias em jornais e na Internet que dão como certa uma complementaridade da geração eólica no Brasil com diversos sistemas.

O trabalho mais clássico de todos é o de Amarante et alli (2001), denominado Wind/Hydro Complementary Seasonal Regimes in Brazil” (DEWI Mag, 19, pp.79-86). Este trabalho é utilizado intensivamente por vários outros trabalhos (inclusive dissertações e teses), nos parecendo um pouco impróprio o uso deste trabalho, não pela falta de qualidade do mesmo, mas por leitura incorreta do trabalho.

Talvez esta leitura incorreta seja um pouco induzida pelo título do trabalho “Complementaridade Sazonal dos Regimes Hidrológico e Eólico no Brasil”, que leva um leitor mais desatento pensar que os autores estudaram o regime hidrológico no Brasil e compararam com a intensidade de ventos médios no país, entretanto o que está apresentado no trabalho não é exatamente isto.

No trabalho de Amarante et alli (2001) só foram feitas somente duas comparações. A primeira entre 2 (dois) anos de medida de vento no Estado do Ceará com a média de 61 anos da geração da usina de Sobradinho no Rio São Francisco, ou seja, compara-se dados de ventos medidos em dois anos com uma média anual de 61 anos de geração hídrica em uma barragem.

Na segunda parte do trabalho os autores mostram que analisando os regimes de vento no Paraná durante o período 1994-1999, extrapolados, através de uma correlação entre as torres de medida de vento e dados de uma estação climatológica, estes dados de 1983 até 1999. Com estes resultados os autores deixam claro que não encontraram correlação favorável entre a geração eólica e o regime hídrico.

Outras citações numerosas são quanto a complementaridade entre a energia eólica e solar, estas sim são extremamente reveladoras, pois elas mostram que a energia eólica é menos disponível exatamente na hora de maior consumo e se formos complementá-la através de painéis foto-voltaico ela se torna completamente proibitiva.

Em todas am minhas pequenas pesquisas sobre fontes alternativas de energia, uma coisa que mais me surpreende é a falta de critério na escolha das fontes bibliográficas de trabalhos em seminários e congressos ou até mesmo em dissertações ou teses, apesar de farto material sobre energia eólica em revistas indexadas internacionais, a grande maioria das referências que vejo são de dados fornecidos por fabricantes ou mesmo de associações para o desenvolvimento da energia eólica (ou solar).