12 novembro 2006

Conclamação a colaboração.

Nos últimos dias poucas coisas foram postadas neste Blog, o motivo é simples, falta de tempo. Para evitarem vazios estou conclamando todos aqueles que desejam a promoção da profissão de Engenheiro e outros congêneres, contribuam para este Blog.
Serão aceitas qualquer contribuição que venha na direção de aumento da nossa auto-estima. Aceitaremos escritos de Engenheiros (as), seus filhos, professores, colaboradores, esposas ou maridos (ex-esposas ou ex-esposos não).

04 novembro 2006

Porque comparo Engenheiros com outras Profissões.

Em meus comentários aparecem sempre referências a outras profissões. Pode até parecer que estou querendo denegri-las, mas o que realmente estou fazendo é dar novos paradigmas aos meus colegas.

Quem lê os comentários pode até achar que há inveja quanto à postura de outros profissionais, e se achou isto, está com razão. Invejo, como categoria profissional, a altivez com que profissionais do Direito levam a sua carreira e a auto-estima presente nos profissionais da Medicina. Não os considero melhores nem piores, mas sim categorias profissionais que souberam incutir nos seus membros um espírito de corpo que as enaltece.

Críticas, nem um pouco veladas, ao desempenho desses profissionais, vão aparecer aqui ou acolá, mas não poupo também os meus colegas, que possuem qualidades que no mundo atual são consideradas defeitos: informalidade, simplicidade e honestidade profissional.

Não quero adotar um comportamento cínico, de elogiar todos escondendo o que penso, não particularizo em torno de nomes, pois falo em termos de médias.

Engenheiros, vamos com calma, devemos antes de mais nada reforçar a nossa auto-estima e com ela seremos mais vistos (e bem vistos) pela sociedade.

O trabalho coletivo do Engenheiro e a tendência individualista da Sociedade atual.

Uma das peculiaridades do Engenheiro, parecendo andar na contramarcha da sociedade do fim do século XX e início do século XXI, é a necessidade do trabalho coletivo. Grandes nomes na Engenharia são inexistentes; não pela falta de capacidade individual dos profissionais, mas sim pela necessidade do trabalho em grupo.
Ainda hoje se têm alguns expoentes na Engenharia, principalmente na eletrônica, mas quem conhece Douglas Engelbart? Provavelmente poucos! Se deslocarem a mão a direita do seu teclado (ou a esquerda, para os canhotos), tocarão na invenção desse quase anônimo engenheiro que a vendeu por apenas US$10.000,00.
O trabalho em equipe, indispensável para o progresso humano, nos torna cidadãos anônimos e invisíveis para a grande população.
Christian Barnard, cirurgião cardíaco Sul-africano, realizou o primeiro transplante de coração em humanos no mundo. Acho que ele fez esta cirurgia tendo uma excelente equipe em sua volta; procurem saber o nome dos seus colaboradores.
As naves espaciais Soviéticas e Americanas eram tripuladas por astronautas dos quais sabemos alguns nomes, tais como Iuri Gagarin e Alan B. Shepard Jr. Grande parte desses primeiros vôos espaciais era um verdadeiro tiro de canhão, onde a única habilidade esperada dos astronautas era ser forte o suficiente para agüentar a saída e entrada da atmosfera (a cadelinha Russa Laika, agüentou muito bem a saída, mas não era prevista a sua reentrada!). Excetuando o nome do engenheiro alemão, Wernher von Braun, mais conhecido pelo aspecto sinistro de suas bombas V2, não conhecemos os engenheiros que tinham 99,99% da responsabilidade nessas empreitadas.
Criam-se ídolos, lendas e biografias, mas daqueles que em grupo levam este mundo para frente, pouco se fala, nem de sua profissão.

O orgulho pela informalidade na imagem.

Falei em outro texto da diferença entre uma sala de alunos de Direito, Medicina e Engenharia. A diferença entre o modo de se trajar de um estudante, tanto os homens como as mulheres, se conserva na vida profissional. Se virmos um Engenheiro bem realizado, bem trajado e com cuidado geral na sua apresentação, certamente, ao se perguntar sua profissão, ele vai se denominar Empresário de qualquer ramo da Engenharia. Os diretores de Bancos, grande parte Engenheiros, só após bastante tempo de convivência saberemos de sua origem na Graduação; antes disto, eles falarão de seus MBA’s em qualquer instituição de ensino superior (conceituada ou não).

A informalidade no traje, no relacionamento inter-pessoal com amigos, clientes ou subordinados, tentando entender e ser entendido no que fala, contrasta com a “Pompa e Circunstância”, de profissionais de outras áreas. Quantas vezes saímos de um consultório médico sem saber exatamente se o que temos é uma verruga no dedo ou algo bem mais grave que isto. Um Médico poderá dar uma receita para o seu cliente sem que saiba se ela vá servir no caso, mas, se perguntarmos isto, seremos fulminados por um olhar de um Deus do Olimpio para um reles mortal.

Quando pedimos a um advogado algo simples, receberemos doze páginas escrita num português entremeado de citações latinas como “A magnis proprio vivitur arbítrio”, traduzindo “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”, que pode não servir para nada do que se está pedindo, mas mostra muita erudição!

Agora, quando tratamos com um Engenheiro, primeiro ficará difícil identificá-lo quando o mesmo está dentro de uma obra, de uma fábrica ou de até de uma concessionária de veículos, segundo pela própria simplicidade no linguajar (já nem digo na escrita), que vamos achar tão simples o que o mesmo está explicando que algumas vezes achamos desnecessária a sua presença.

Quantas pessoas, por achar muito simples a tarefa de construir uma casa e desnecessário a presença de um Engenheiro, passam o resto de suas vidas com infiltrações nas paredes, falta de água nos sanitários e deficiência na iluminação elétrica?

Quantos empresários, proprietários de pequenas indústrias, por desprezarem a possibilidade de evolução tecnológica que pode aportar um corpo de engenheiros, têm seu produto tornado obsoleto e fechada as suas portas?

A simplicidade, a informalidade e a demonstração da limitação do seu conhecimento são qualidades de caráter que gostamos de ver em qualquer pessoa, mas, se analizarmos em termos de desempenho profissional, são péssimas pois não estão de acordo com a nossa moderna sociedade. Como Engenheiros podemos estar tão certos quanto aquele moto-boy que andava tranqüilo e seguro na preferencial, imaginando que todos iam respeitá-la....

03 novembro 2006

Qual a profissão que trabalha com a felicidade alheia?

Se escutarmos um programa de variedades, na TV ou mesmo no rádio, veremos em 99% das entrevistas são de médicos, dentistas, advogados e outros profissionais, que trabalham com essencialmente as dificuldades da vida.Um médico só é consultado, na maior parte das vezes, quando estamos doentes. Poucas vezes vamos até eles espontaneamente sem alguma doença, só vamos realizar uma revisão geral quando em outras oportunidades ficamos com tanto medo de morrer que nos acostumamos com a idéia de fazer exames preventivos.

Um advogado é consultado quando temos um problema ou para que os outros não nos tragam problemas.

Um dentista, nem falo, pois já fico com dor nos dentes.

Para que servem os Engenheiros? Esta é a grande pergunta que se impõe.

Quando nos sobra dinheiro e queremos construir uma casa para vivermos mais felizes, em quem pensamos? Num Arquiteto e num Engenheiro para realizarmos nossos sonhos.

Quando chega a época de férias, para viajar ou embarcamos num automóvel ou num outro meio de transporte.

Qualquer um deles foi concebido, projetado e construído por engenheiros. Poderia ir mais adiante, mas na maior parte dos casos a profissão da Engenharia está vinculada à felicidade.

Por que estes profissionais, ligados à felicidade e à alegria, não são vistos pela sociedade? Ou pior, por que estes profissionais quando aparecem na mídia nem se fala de sua profissão?

Nós, engenheiros, somos a face oculta da realidade. Somos os chamados heróis anônimos (bem depois dos bombeiros). Todos precisam da Engenharia e ninguém fala nela.

Talvez a razão de tal desprezo a uma profissão tão importante esteja em nossa própria auto-estima. Um bom engenheiro jamais será reconhecido por seus pares pelas boas roupas que veste, mas sim por características intrínsecas à profissão que só nós mesmos conhecemos. Ou seja, jamais um Engenheiro fará "marketing" pessoal. Outro exemplo é que, se por acaso um Professor Universitário se perder numa instituição de ensino que visita, é fácil reconhecer quando entra numa sala de aula com acadêmicos de medicina, direito ou engenharia, sendo estes últimos conhecidos pela simplicidade de seus trajes.

Para reforçar a nossa auto-estima vamos a alguns fatos. A medicina tem progredido nos últimos cem anos graças a quem?

As condições de vida da população em geral têm melhorado em função do desenvolvimento tecnológico em que áreas?

Se na cadeira do dentista, sofremos menos do que nossos avós, é devido a quem?

Respondam estas perguntas, e pensem na sua importância da engenharia para a comunidade ou para os indivíduos.

Por que nunca os Engenheiros são personagens principais nas novelas da Globo?

Pergunto-me sempre: Por que as personagens principais nas novelas da Globo nunca são Engenheiros? Podem ser médicos, advogados, grandes empresários até banqueiros do jogo do bicho, mas nunca engenheiros.
Mesmo em filmes de ficção científica quando aparece um engenheiro, apesar dele ser responsável pela segurança de toda a nave espacial, seu perfil é de um sujeito preconceituoso, genioso e outras características não muito louváveis. Como dizia um personagem de um filme de humor, quando aparece um Engenheiro ele nunca tem nome é um personagem de segunda linha que não ganhou o direito de ter nome e sobrenome.
Poderíamos ter respostas simples, tais como: Engenheiros não são significativos no quadro de profissionais. A profissão Engenharia não é atrativa em termos de imagem, pois ela só vive da tristeza e desgraça alheia. Os Engenheiros são seres bitolados que não conseguem mostrar interesse por nada além da tecnologia. Os Engenheiros são burros e não são importantes no quadro político, industrial e financeiro nacional. Acho que nenhuma dessas respostas serve como diagnóstico do fenômeno, me inclino a responder que seja por um só motivo, engenheiro trabalha e não enrola e o resultado do seu trabalho deve ser concreto. Espero outras respostas