29 agosto 2010

Depois de duas décadas o vulcanismo começa a se manifestar.

Voltando ao assunto variações climáticas estamos de novo na presença da maior força da natureza, o vulcanismo. Há poucos meses foi à vez da Islândia dar uma “avant-première” da capacidade destes grandes titãs em modificar a nossa vida, Agora desperta na Indonésia o Vulcão no Monte Sinabung que estava adormecido por mais de 400 anos.

Assim como na Islândia vulcões na Indonésia não é nada de surpreendente, o Eyjafjallajökull cede espaço para o Monte Sinabung que andava tão quieto que era classificado como um Vulcão tipo B, ou seja, aqueles que não necessitam monitoramento constante, agora rapidamente ele é reclassificado como classe A.

O meu interesse não é em vulcanologia, mas nos efeitos que esta pode causar ao clima, e por isto mesmo este vulcão chama a atenção.

O Vulcão do Monte Sinabung além de estar numa área bem complexa em termos de tectônica de placas, junto a confluência de três placas, e próximo a região mais conturbada do chamado ciclo do fogo, ele é um Estratovulcão ou também denominado vulcão composto. Os exemplos de vulcões deste tipo não são nada animadores, Krakatoa, Pinatubo e Tambora. Um vulcão deste tipo é sujeito a explosões criando fluxos piroclásticos que avançam com velocidades de 300km/h levando e matando tudo a distâncias de até 50km ou mais. O caso bem documentado de um fluxo deste tipo é o fluxo piroclástico que ocorreu na erupção do Monte Santa Helena (procurando no YouTube, se encontram imagens fantásticas).

Estes vulcões em sua época causaram grandes variações climáticas de ordem superior a que se supõe ter variado a temperatura da Terra por efeitos antropogênicos. Estima-se que em 1815 na explosão do Monte Tambora, na ilha de Sumbawa na Indonésia, a temperatura global diminuiu em 3°C, para o Kracatoa, em 1883, também se estima variações da temperatura global da ordem de 1°C. O mais notável em termos de vulcanismo em épocas mais remotas, mas já no Quaternário é a erupção do supervulcão Toba na Ilha de Sumatra, este vulcão explodiu há aproximadamente 70.000 anos atrás causando uma era glacial que durou aproximadamente 1000 anos. Esta época conforme hipóteses e estudos de antropólogos levou ao chamado gargalo de Toba reduzindo a raça humana a aproximadamente 1 milhar de casais, quase nos extinguindo da face da Terra e eliminando outras espécies de hominídios que viviam por aí.

Chamo a atenção que em termos geológicos, um período de 70.000 anos é a mesma coisa como algo que ocorresse a menos de minutos da vida de uma pessoa adulta, ou seja, a geologia e tectônica é exatamente a mesma que hoje em dia.

Quem quiser olhar com cuidado a dinâmica que acarreta ao clima a explosão de um vulcão sugiro VOLCANIC ERUPTIONS AND CLIMATE. 2000. Alan Robock. REVIEWS OF GEOPHYSICS, VOL. 38, NO. 2, PP. 191-219, doi:10.1029/1998RG000054, neste trabalho o autor faz uma excelente revisão sobre o assunto e comenta as maiores eventos dos últimos duzentos anos.

Para dar idéia dos riscos que tem a humanidade de uma alteração climática proveniente de uma explosão vulcânica, agregamos uma tabela elaborada a partir de dados do "The size and frequency of the largest explosive eruptions on Earth" de Ben G. Mason, David M. Pyle and Clive Oppenheimer.

Desta tabela é possível plotar um gráfico em escala logaritma do tempo de recorrência (10.000  anos dividido pelo número suposto de ocorrências neste período), para as diversas intensidades dos vulcões.



Como pode-se ver, num período de 80 anos, a idade média que terá a população dentro de alguns anos, estatisticamente falando, há uma altíssima probabilidade de mais de uma ocorrência de uma explosão do tipo paroxísmica, ou seja lançando a alta atmosfera aproximadamente 1.000.000.000m³ de cinzas vulcânicas.
Pode-se prever que para o mesmo período a ocorrência de uma explosão do tipo colossal tem uma probabilidade notável em função do risco que ela traz.
Em resumo, se considerarmos VEI 5 teremos resfriamentos na Terra da ordem de meio grau, e se considerarmos VEI 6 ou maior o resfriamento pode passar da ordem de 1°C.



18 agosto 2010

Captura de carbono via geração hidrelétrica, uma variável nunca considerada.

Muitas vezes na busca de modelos sofisticados para responder problemas também complexos, ignoram-se  princípios básicos que por mais evidente que sejam não são vistos como uma solução elegante e complexa dos problemas. Estes princípios básicos podem muitas vezes ter uma influência de mesma ordem ou até superior a de detalhes que são levados em conta com cuidado e preciosismo. Um exemplo do problema pode ser dado no esquecimento do princípio do Equivalente Mecânico ao Calor na determinação da captura ou emissão de carbono em barragens construídas para geração de energia, ou seja, a Primeira Lei da Termodinâmica (dU = dQ - dW).

Este princípio de transformação da energia mecânica em calor já foi estabelecido no início do século XIX dando origem a Termodinâmica. No século XIX diversos físicos descreveram e procuraram demonstrar experimentalmente a transformação de trabalho em calor. Joule, por exemplo, em 1843 propôs um instrumento extremamente simples para quantificar a equivalência dessas grandezas físicas, seus resultados não foram definitivos porque a termometria na época não era suficientemente apurada para dar uma boa precisão.

O aparato proposto por Joule constava de um peso que caindo de uma determinada altura gerava movimento de pás dentro de um recipiente cheio de água, as pás estavam interligadas ao peso através de um sistema de roldanas que transformava o movimento de queda do peso em rotação do eixo das pás. Com o movimento das pás dentro da água, esta era agitada e no fim da agitação a temperatura da água aumentava. Com suas experiências Joule estabeleceu nesta época o chamado Equivalente Mecânico do Calor (4,18J = 1 cal).

Se os conceitos do equivalente mecânico do calor for aplicado as usinas de geração de energia na avaliação da produção de CO2, a avaliação do impacto de obras de Usinas Hidrelétricas poderiam mudar significativamente, alterando por completo o resultado final da avaliação. Uma melhor avaliação da produção ou captura de CO2 permitiria um melhor status da geração hidrelétrica em comparação os outros sistemas de geração.

Pode-se, grosso modo, se dizer que o processo é tão simples que torna até certo ponto embaraçosa a sua explicação, mas como há determinados passos que só foram explicados corretamente um século depois da experiência proposta por Joule, que talvez tenham impedido que as pessoas levassem em conta este simples princípio. Alguns princípios que devem ser levados em conta na explicação só foram tratados de forma correta bem depois de Joule.

Como a avaliação correta da emissão de gases de efeito estufa por um reservatório pode ou não definir a sua implantação, é necessário um melhor refinamento no processo incluindo todos os fatores.

O primeiro passo a ser compreendido é que no lugar onde se tem cachoeiras e/ou corredeiras num rio, este é o ponto apropriado para a implantação de um aproveitamento hidrelétrico com reservatório e suas turbinas. Logo nesta região o escoamento natural apresenta macroturbulências muito significativas. Caso for considerada uma região tranqüila tanto a montante como a jusante das cachoeiras e/ou corredeiras, podemos considerar que antes da parte jusante toda a energia turbulenta suplementar introduzida pelo trecho de cachoeiras e/ou corredeiras foi dissipada, se considerarmos a mudança de energia com o tempo a derivada da Primeira Lei da Termodinâmica fica dU/dt = Jh -P + D, onde os termos Jh e P representam a variação do calor (dQ/dt) e a retirada de trabalho do sistema (P = dW/dt), o termo D corresponde a dissipação viscosa que transforma o trabalho em calor de forma irreversível.

Agora no momento em que é colocado um reservatório de acumulação de água e as turbinas a devolvem ao trecho jusante da forma mais tranqüila possível o escoamento, a energia, que era dissipada entre as partes montante e jusante, é transformada em energia hidrelétrica. Em resumo, o escoamento no trecho revolto, no lugar de transformar energia mecânica em calor de forma irreversível pela dissipação viscosa (D), ele transforma esta mesma energia em energia livre para ser transformada em trabalho (P), ou seja em energia elétrica. As figuras 1 e 2, a seguir, indicam o processo de geração e dissipação de energia ao longo de uma corredeira.


É importante ressaltar que no processo de geração de energia numa hidrelétrica, a geração é feita a partir da retirada por um tempo de um processo irreversível de aquecimento da água (D), para que esta energia seja posteriormente convertida em calor na mesma taxa que antes era convertida, porém na zona de consumo.

Talvez o único passo num primeiro momento mais difícil de ser compreendido é o processo interno do escoamento de transformação de águas revoltas em calor. A explicação desta conversão passa pelo estudo da Mecânica da Turbulência, mais especificamente da Cascata de Energia, a qual converte a energia dos grandes vórtices gerados por macroturbulência oriunda das altas velocidades do escoamento e choques da lâmina d’água com as paredes e o fundo do rio em pequenos vórtices.

A macro turbulência gerada pelo escoamento principal, com vórtices da mesma ordem de grandeza dos limites do escoamento é transformada em vórtices cada vez menores para no fim dissipar-se em calor através da viscosidade da água. O processo físico que explica a cascata de energia pode ser visto em textos de turbulência como Tennekes & Lumley (A First Course in Turbulence) ou em Leusieur (Turbulence in Fluids).

Só para ilustrar este mecanismo de transferência de energia dos vórtices maiores aos vórtices menores (os primeiros com grande energia e baixa taxa de dissipação e os segundos com baixa energia e alta taxa de dissipação) o físico inglês L. F. Richardson, em 1922, fez uma paródia de um pequeno soneto de Jonathan Swift, tanto a paródia como o soneto original estão descritos a seguir.

"Big whirls have little whirls,
That feed on their velocity;
And little whirls have lesser whirls,
And so on to viscosity."
— Lewis Fry Richardson
("So nat'ralists observe, a flea
Hath smaller fleas that on him prey,
And these have smaller fleas that bite 'em,
And so proceed ad infinitum."
— Jonathan Swift.)

Em resumo, se um escoamento passa de uma cota mais alta para uma cota mais baixa em curto espaço, geram-se grandes vórtices que são transformados em vórtices menores e aí por diante, até que estes se reduzam a uma escala que define os menores vórtices possíveis, vórtices de Kolmogorov-Obounov. Se as velocidades no trecho de montante forem da ordem das velocidades do trecho de jusante, há uma transformação entre esses dois pontos de energia potencial em calor. Agora se entre os pontos de jusante e de montante o barramento impedir o escoamento todo o calor que seria gerado será toucado por energia elétrica.

Após a geração da energia na hidrelétrica não é necessário se preocupar com a dissipação desta no consumidor final (D), pois se o que se está tentando fazer é uma comparação entre diversos meios de geração de energia, em todos os modos de geração de energia há um consumidor final, o importante na comparação entre os modos de geração é que enquanto todos os outros meios aquecem o meio ambiente na geração no caso de uma hidrelétrica não. Se a energia for levada em conta tanto na produção como no consumo para o cálculo de aquecimento do meio, haverá uma dupla contagem.

A partir dessas observações, pode-se dizer que se compararmos a energia gerada por hidroeletricidade com outros processos de geração (combustíveis fósseis ou termonucleares), além da hidreletricidade não possuir dupla contagem, as máquinas (turbinas) empregadas neste tipo de geração são muito mais eficientes em relação ao circuito completo de turbinas, sistemas de refrigeração e outros complementares dos outros sistemas. Isto tudo implica que cada kWh gerado no mínimo é emitido ao meio-ambiente em termos de CO2 duas ou mais vezes menos que outras formas de geração.

Importante, após toda a retirada de energia térmica da fonte hidráulica, esta por estar numa temperatura menor terá a tendência de voltar a temperatura anterior retirando temperatura da atmosfera.

Para dar uma ideia da energia retirada do meio ambiente por uma usina, pode-se utilizar os dados de Itaipu.

Potência gerada em 2009    91.651.808MWh    (ou 91.651.808.000kWh)
Supondo um fator de conversão da ordem de 0,1kg CO2/kWh.(valor sujeito a retificações).
Resulta em 9.170.000.000 kg CO2/ano.
Ou 9.170.000 ton de CO2/ano

17 agosto 2010

Se corre o bicho pega e se fica o bicho come.

Para responder uma das questões básicas do ensino da Engenharia chega-se a uma encruzilhada que todos parecem ter a solução e no fim ninguém a tem. O dilema básico que chega a engenharia nos dias atuais, como em outras profissões é a contraposição entre a especialização e a formação do generalista.

Algumas propostas surgidas nos últimos tempos procuram a solução mágica através das formulações de Cursos de Bacharelado em Ciências da Engenharia ou congênere para posterior titulação em Engenharia. Esta proposta pretende reproduzir os cursos de engenharia franceses, que diplomam primeiro um politécnico para posterior especialização. Ela esbarra em determinados problemas legais referentes ao exercício profissional da Engenharia no Brasil, que não reconhece estes diplomas iniciais como diplomas de graduação em Engenharia. Desta forma para que estes bacharéis em ciências não sofram punições pelo exercício irregular da profissão deverão seguir todo o caminho de um engenheiro convencional arriscando em aumentar em um ou dois anos a duração do seu curso para satisfazer as exigências legais.

Quanto aos engenheiros tradicionais, civis, mecânicos, químicos ou outros caímos no dilema da formação de um generalista contra a formação de um especialista. Esses dois tipos de profissionais são as duas faces de um mesmo problema, ou seja, para melhor explicar vamos por partes:

Primeiro o generalista, este profissional que é reclamado pela maior parte do setor produtivo que tem por anseio e por imediatismo a necessidade de um profissional treinado para aplicação de tecnologias próprias para as diversas atividades profissionais. Junto a este reclamo há uma necessidade premente de engenheiros já operacionais o mais rápido possível. Para formar um perfil deste tipo, adaptado as mais diversas situações de mercado, é necessário passar ao estudante de engenharia um volume de informações que compreende as diversas habilitações de cada carreira. Se colocarmos além das informações básicas as principais tecnologias utilizadas nos dias de hoje precisaríamos de um curso de dez anos, e ao fim desses anos os métodos vistos no início do curso estariam completamente desatualizados.

Segundo o especialista, este engenheiro deveria ter uma formação básica sólida, em matemática, física, ciência dos materiais, ciência da computação e outras voltadas para a engenharia. A partir desta formação o estudante teria capacidade de se especializar em ramos mais focados da Engenharia, formando-se engenheiros com a mais diversa denominação que qualificaria a sua atuação. Este tipo de formação esbarra primeiro na própria formação básica que na estrutura em departamentos da universidade coloca este aluno frente a profissionais das ciências básicas (matemáticos, físicos, etc) que primeiro não conhecem as necessidades dos engenheiros e segundo devido a diversidade de problemas surgidos em áreas especializadas necessitam formação pontual em diversos sujeitos típicos de cada formação especializada, por exemplo, um engenheiro hídrico como os engenheiros elétricos necessitam uma boa base em teoria de campos, equações diferenciais a derivadas parciais, princípios de estabilidade de sistemas e outras especificidades que não são úteis a outras especializações da Engenharia Civil. Para que a formação básica fosse completa para todas as especializações em engenharia civil cairíamos no mesmo problema do parágrafo anterior, ou seja um núcleo básico extenso que também alongaria em muito o curso.

Voltando ao segundo parágrafo do texto, se fosse adotado o sistema Francês, que é típico de uma sociedade já estabelecida e até certo ponto engessada, se partiria um número elevado de denominações para a Engenharia, já dirigindo desde o início do curso para uma especialidade guardando espaços pré-definidos para cada especialista. No Brasil como a instabilidade do mercado é grande, seria impossível criar estes especialistas sobre o risco de atrapalhar a empregabilidade dos mesmos.
Os currículos de engenharia atualmente estão completamente saturados, faltam horas e sobram assuntos. Vejam vocês, o volume de informações é tal que se a escola de engenharia pode se tornar um Pout-Pourri de informações de difícil digestão pelos alunos, sendo este um dos motivos da evasão escolar.

São tanto os problemas na organização de um currículo consequente para a engenharia que até é difícil organizar um texto linear sobre as possibilidades de formação, pois toda a contraposição entre o generalista e especialista envolve fatores múltiplos de mercado e de estrutura universitária.

Se alguém tiver uma solução para este problema mais outros que possamos pode se candidatar a ser um coordenador de comissões para a montagem de novos cursos de Engenharia, pois, em resumo, se corre o bicho pega e se fica o bicho come.

16 agosto 2010

O porquê da forte demanda por Engenheiros.

A falta de engenheiros é muitas vezes atribuída simplesmente ao crescimento quantitativo da produção industrial. Se assim o fosse uma diminuição na evasão nas escolas de engenharia, resolveria o problema. Entretanto a indústria anda reclamando tanto da falta como da qualidade profissional. Esta reclamação não é fruto da deterioração do ensino das escolas, pois tanto as escolas públicas como privadas tem apresentado em suas avaliações índices que mostram a melhora das mesmas, outro indício do bom nível de ensino é a facilidade em que profissionais formados no Brasil estão encontrando emprego qualificado tanto na Europa como nos USA (apesar de toda a crise).

Qual seria então o motivo da falta de profissionais? Pode-se atribuir tanto ao aumento "vegetativo" (proporcional a nível industrial) como a sofisticação e modernização do parque industrial brasileiro, estas aumentam o grau de tecnologia na produção.

Há vinte ou trinta anos atrás, com um parque industrial de fraca rotatividade em termos de máquinas e ferramentas, técnicos bem treinados conseguiam aproveitar ao máximo os equipamentos e o engenheiro era mais um gerente de produção que mais organizava do que inovava. A produção hoje em dia exige uma atualização quase que permanente de métodos e processos e a presença no meio industrial torna-se uma necessidade inadiável.

Durante as décadas passadas, com o país em completa estagnação, formou-se um estoque de engenheiros (não bem um exército de reserva) que procuravam ou através de terceirização de sua mão de obra, ou de trabalho em áreas afins ganhar o seu sustento. Nos anos de 2007 e 2008 este estoque foi reduzindo e os engenheiros foram se colocando. Em 2009 com algumas incertezas quanto ao mercado futuro a procura por engenheiros diminuiu, mas mesmo assim o desemprego no setor praticamente sumiu. Em 2010 começou uma busca desenfreada pelo profissional, um exemplo dessa forte demanda é dado pela contratação de formandos em engenharia com salários próximos aos profissionais formados para garanti-los no futuro.

Mesmo se o nível de produção diminuir o ritmo de crescimento, mas manter a sua política de modernização, o mercado deverá continuar aquecido. Se o ritmo atingir cifras em torno dos 6% a.a. deveremos ter um provável aumento na remuneração dos profissionais, fazendo com que empresas que são tradicionalmente más remuneradoras do trabalho profissional fiquem em maus lençóis.

PS. Só para complementar, anexo um link interessante que quantifica a falta de Engenheiros no Brasil

http://pbrasil.wordpress.com/2010/08/24/brasil-deve-importar-5-mil-engenheiros/

Este post mostra que o problema não é novo.

Falta de Engenheiros, solução só em longo prazo.


Várias notícias nos jornais e demais meios de comunicação falam da falta de Engenheiros tanto para construção civil como para outros setores. Estamos muito longe de resolver o problema, e mesmo se o crescimento da economia se mantiver baixo, uns 2% a 4% ao ano esta demanda continuará não satisfeita. Esta falta de solução é principalmente oriunda da falta de compreensão do problema.
A falta de Engenheiros tem diversos motivos: O primeiro é o desinteresse pela profissão. O segundo é a falta de formação em números e qualidade e o terceiro e último, pouco conhecido pelo grande público, é a falta de professores de Engenharia.
A falta de motivação de alunos na engenharia é mostrada pela forte evasão escolar que facilmente excede 50% dos alunos que ingressam nas escolas de engenharia, esta evasão é acentuada nas universidades públicas, mas também está presente nas universidades privadas. Qual o motivo da falta de motivação dos alunos? Pensava-se que um currículo carregado de disciplinas básicas de matemática, física, ciência dos materiais e outras, não deixando o aluno ver o que era a Engenharia provocando a desistência acentuada nos primeiros anos. Para vencer isto os currículos foram readequados puxando disciplinas aplicadas para os primeiros anos, o resultado desta política foi pífio.
Talvez a resposta da desistência esteja no esforço que um aluno de engenharia tem que fazer durante quase todo curso, não vendo no fim recompensas monetárias ou mesmo de  status social que justifique todo o seu esforçao. Seguidamente vejo alunos da engenharia indignados com a carga de estudo que eles têm em relação a outros cursos, não sendo recompensados no fim da formação. A imagem do engenheiro na sociedade não ajuda em muito, não que ela seja considerada de forma desprezível, mas muito pela imagem do “Nerds” sem criatividade (em português não é muito elegante) que estuda sem saber aproveitar a vida (imagem que é totalmente errada, desmentida pelo número enorme de artistas talentosos e de sucesso, que tiveram a sua formação na engenharia).
A falta de formação em quantidade e qualidade, sendo que está última tem sido reclamada pela indústria que hoje em dia precisa engenheiros para desenvolver processos, é agravada pelo custo de um bom curso de engenharia em que os alunos tenham uma iniciação em P&D. Para a pesquisa e desenvolvimento é necessária à existência de laboratórios cada vez mais caros e de professores em tempo integral engajados em projetos sérios, isto é extremamente sério.
Por último, vem à outra extremidade do problema, a falta de professores nas escolas de engenharia. O Ministério da Educação exige atualmente um número mínimo de professores doutores e mestres nos quadros discentes de todas as universidades, porém para se formar um doutor em qualquer área é necessário no mínimo quatro a cinco anos após a diplomação na graduação. Para isto o aluno deverá se manter ganhando uma bolsa que atualmente é equivalente a ¼ do salário inicial de um engenheiro. Calculando por baixo a perda de renda deste profissional na sua formação doutoral para que este recuperasse como docente de uma universidade pública deveria ser dobrada. Os últimos concursos públicos feitos em universidades públicas ou estão dando em vazio (sem candidatos) ou simplesmente tem-se um ou no máximo três para cada vaga. As estimativas é que no próximo ano, no fim do período eleitoral abram-se dezenas de concursos e se prevê que simplesmente não aparecerão candidatos!

10 agosto 2010

E o Sul do Sahara (Sahel) está se recuperando? (1)


Quando se quer emocionar as pessoas, criando complexo de culpa naqueles que gostam de churrasco (bois produzem muito metano, gás de efeito estufa!), as ONG’s pró teoria do Aquecimento Global Antropogênico, mostram imagens de ursinhos polares (três metros de altura cada um) ou de criancinhas no deserto do Sahara (ou Saara) com olhinhos fundos e barriguinhas famintas.
Ultimamente não tem parecido muitas fotos de criancinhas famintas no Sahara, e hoje ao descobrir em um site dedicado ao clima, dados das anomalias das precipitações no Sul do Sahara (Sahel), associei a estes dados a outro artigo interessante sobre a recuperação da vegetação de regiões do deserto levantada já em 2005 por Olssona, Eklundhb e Ardo. Esses três autores publicaram um trabalho na revista Journal of Arid Environments 63 (2005) 556–566, intitulado A recent greening of the Sahel—trends, patterns and potential causes.

Figura: Aumento da cobertura vegetal entre 1982 to 1999.

Com os dados de variação da precipitação em torno da média  http://jisao.washington.edu/data/sahel/ montei um gráfico simples da variação desta anomalia nos últimos 110 anos. O que se nota neste gráfico, é que após um período de aumento de chuva entre 1900 e 1950 (com fortes oscilações), a chuva diminui de 1950 a 1980, retomando o crescimento da década de 80 aos dias de hoje, atingindo em 2009 quase a média centenária.


Como se vê, o Sahel reage com outra lógica que não é a do IPCC, que não conhecemos (talvez tenha correlação com as oscilações da temperatura nos oceanos?), mais uma coisa é certa torço para que chova bastante para que rareie ao máximo as criancinhas famélicas que tantas pessoas exploram a imagem (que fiquem todas gordinhas).

A esclerose avança e se perde inclusive artigos importantes no PenDrive!

Fazendo uma limpeza numa memória externa, reencontrei um artigo interessante que foi publicado nos anais da Academia Francesa de Ciências, seção de Geociências (Comptes Rendus,  Geosciences, vol 340, issue 7, July 2008, pages 421-430), intitulado Evidence for a solar signature in 20th-century temperature data from the USA and Europe, de Le Mouël, Courtillot, Blanter e Shnirman.
Esses autores numa análise simples de 153 estações climatológicas nos Estados Unidos, Europa e de forma preliminar na Austrália (somente cinco estações), formando 8 zonas climáticas distintas (seis nos USA, uma na Europa e uma na Austrália), encontram correlação entre as mínimas de temperaturas entre 1930 e 1990 dessas zonas climáticas tão distintas. Eles usam parte dos dados do próprio IPCC para tirar suas conclusões (Figure SPM-4 of theWorking Group 1, part of the IPCC Fourth Assessment Report), só que no lugar de trabalhar com os valores absolutos eles fazem uma "espécie" de análise espectral com os valores mínimos das temperaturas.
Os quatro gráficos são da figura 7 deste artigo, e neles os valores em verde representam as médias nessas regiões do RMS (gráficos da esquerda) e o tempo de duração das temperaturas mínimas e os em azul o índice que representa a ação magnética solar. Os valores não estão colados exatamente, pois outros fatores interferem na variação da temperatura, mas fica claro que há um período de aquecimento de 1920 até 1950, um arrefecimento entre 1950 e 1980 e uma retomada do aquecimento após esta data.
 Com esta técnica os autores retiram a não homogeneidade das regiões, ficando somente com a excitação que o sol causará sobre esta região. É uma forma inteligente de olhar dados reais não da forma linear, mas sim retirando dos mesmos a capacidade de Sol excitar para mais ou para menos a temperatura da região.
Neste trabalho fica mais uma vez claro que o sol é o fator mais importante na variabilidade climática, sendo nesta direção que a maior parte dos dados palio climatológicos indicam.