28 dezembro 2010

Eventos meteorológicos extremos, uma forma de propaganda enganosa de tratar o CLIMA.

Quando não existia celular com câmara fotográfica, quando não existia Internet, quando telefone era um luxo, e quando em Caxaromonfobim acontecia um evento "climatológico" excepcional os Caxaromonfobinenses ou sentiam muito frio ou sentiam muito calor. Caso não houvesse uma recordação de um fato pior, este passava para todos os habitantes a ser considerado um extremo Meteorológico, mas o fato morria por aí, só ficando assunto para conversas por no máximo três décadas. Hoje em dia, se ocorre o mesmo fato nesta mesma cidade fictícia, a temperatura é medida num termômetro de parede, fotos são tiradas e alguém posta num Blog de ecologia o grande ocorrido, com uma manchete do tipo:

 “Temperatura de 38,58°C em Caxaromonfobim prova a existência do Aquecimento Global Antropogênico.

 Pronto, mais uma prova do aquecimento global está na mídia e o CLIMA está mudando!

Quais são os erros cometidos neste processo? Temos vários e vamos procurar demonstrar um a um.

O primeiro grande erro é confundir Tempo com Clima, tempo é algo episódico que ocorre devido a uma confluência de fatores que ocasionalmente poderão levando a eventos extremos. Exemplo, a chegada de uma frente fria pode coincidir com um grau de umidade muito alto em determinada região, provocando grandes chuvas. A passagem da frente fria pode ser um evento normal que ocorre umas duas ou três vezes por ano, da mesma forma a condição de umidade local que existia na chegada da frente fria pode ocorrer periodicamente, mas o encontro das duas condições depende do acaso, e quando este acaso ocorre, gera-se um evento extremo. Entretanto este extremo não é Clima, é Tempo.

Então, o que é clima? O próprio IPCC, baseado na Organização Mundial de Meteorologia (OMM) define precisamente o que é clima.

"Clima, num sentido restrito é geralmente definido como 'tempo meteorológico médio', ou mais precisamente, como a descrição estatística de quantidades relevantes de mudanças do tempo meteorológico num período de tempo, que vai de meses a milhões de anos.”

O período clássico definido pela OMM é de 30 anos. Mais modernamente utiliza-se a expressão clima para as descrições estatísticas do sistema global. Logo, fica claro para todos que um evento extremo numa região qualquer não define variabilidade climática, nem mesmo tendência de variabilidade climática, não importando a escala deste fenômeno (temporal ou espacial do fenômeno).

Vamos a um exemplo mais atual, o inverno 2009-2010 na Europa foi rigoroso, este inverno atual 2010-2011 também vai ser rigoroso, se esta tendência persistir por mais uns dez anos pode-se configurar uma mudança de tendência, até que isto ocorra os invernos devem ser tratados como eventos meteorológicos excepcionais.


Como conclusão pode-se dizer que eventos extremos geralmente devem ser tratados como TEMPO, e quando estas excepcionalidades começarem a se repetir por vários anos elas passam a ser consideradas como CLIMA e elas deixam de ser excepcionais!


Outro erro está ligado percepção e divulgação do evento, ligadas a probabilidade de divulgação na imprensa de extremos meteorológicos em função da densidade populacional e evolução social e tecnológica. No passado, por exemplo, há 70 anos a população brasileira era de 41 milhões de habitantes, se considerarmos que desses 41 milhões só 9 milhões eram alfabetizados e ainda que desses 9 milhões desses alfabetizados somente uns dez por cento teriam condições de divulgar na mídia da época suas impressões, teríamos uma chance de divulgação reduzida a 1% da chance dos dias atuais. Além disto, a probabilidade de se detalhar com fotos ou registros numéricos esses fatos extremos no passado em relação a hoje em dia, cairia para valores menores do que 0,01%.

Um último problema é que na maior parte do mundo, como no Brasil, os registros de grandes eventos ou não foram colhidos ou foram perdidos. Guerras, revoluções, reformas políticas ou administrativas, levam a perda de enormes acervos de dados que são preciosos e nunca mais são recuperados, só se contando para reconstituí-los com a palioclimatologia.

Com tudo isto, concluir que a última grande cheia é a pior que se tem registro e uma prova da existência do Aquecimento Global Antropogênico, não é má vontade, é ignorância.

O aquecimento global é tradicionalmente chamado um ótimo climático, já o resfriamento é o caos.

Há um verdadeiro frenesi na imprensa sobre os danos do aquecimento global, modelos climáticos com condições de contorno mal definidas alertam sobre a desertificação de determinadas áreas e depois retrocedem nas previsões, nada é perfeitamente definido quanto a malefícios que uma oscilação térmica positiva possa fazer sobre a Terra. A variação dos níveis dos mares, estimada em torno de 3,7mm por ano cai a cada ano a sua estimativa, mostrando que não há certeza de nada. O Himalaia ia ficar sem gelo em vinte anos, agora o IPCC reconhece que talvez daqui a 300 anos ocorra isto. O Ártico ia ficar livre de gelo no verão de 2012, agora que o verão de 2011 se aproxima e não há nenhuma perspectiva para isto nem se fala mais disto, por consequência os Ursos polares que eram considerados animais em risco de extinção foram tirados da categoria e parece que vão bem, obrigado.

Todo este circo que está se formando em torno de uma variabilidade climática natural, que pode aumentar e diminuir a temperatura dentro de poucos anos esconde algo que é muito mais grave, a possibilidade de um resfriamento global. Perdemos tempo estudando um só cenário, o cenário do aquecimento, e deixamos de lado o mais grave, o cenário do resfriamento. Se a temperatura aumentar um a dois graus Celsius teremos perdas em alguns lados e ganhos em outros, o permafrost diminui e a zona de agricultura aumenta. Choverá mais em alguns pontos e menos em outros, mas em média a área para a agricultura permanece a mesma ou aumenta.

Por outro lado se a temperatura diminuir uns 2° Celsius grandes áreas de agricultura se perde, áreas em regiões produtivas como Canadá, Rússia, Inglaterra, China e Argentina.

Só para se ter uma ideia do problema que causa um resfriamento, a figura a seguir mostra a região no Canadá que em 1991 teve uma quebra de safra de milho devido a queda de 1° Celsius causado pela erupção do  Vulcão Pinatubo nas Filipinas no mesmo ano. As áreas em azul são as áreas agriculturáveis que no ano em questão não puderam produzir.
Mapa especulativo da influência de 1°C na diminuição da área agriculturável  no Canadá. A área em azul corresponde a área que poderia se tornar inútil para a agricultura. A linha em azul define a área atual e a linha preta grossa o recuo ao sul da área útil.

Para quem ainda ignora que talvez estejamos num limiar de resfriamento e não de aquecimento leia a seguinte notícia em 26/12/2010 num jornal sueco:

Kallaste vintern sedan 1700-talet

Den bitande kylan har kopplat greppet om Sverige och vägrar släppa taget. Inget töväder finns i sikte och vill man hitta en vinter med så ihållande kyla får man i delar av landet gå tillbaka till 1700-talet.

Quem estiver curioso utilize o tradutor do Google, ou quem ler Sueco vá direto a fonte:

21 dezembro 2010

Se o polo norte está perdendo o gelo, não se impressione, já ficou com verões livres do gelo.

Um dos principais argumentos utilizados como prova da Teoria do Aquecimento Global Antropogênico é a diminuição do gelo no Ártico. Sempre quando se fala do gela no verão do Ártico, se diz que jamais houve período na história da Terra em que as águas do norte ficassem livres de gelo.

E como se fala no programa de TV os “Mythbusters”, mais um mito detonado. Pesquisadores Suecos, Ingleses, Islandeses, Dinamarqueses e Alemães (Martin Jakobsson, Antony Long, Ólafur Ingólfsson, Kurt H. Kjær, Robert F. Spielhagen), uma tropa de pessoas que convivem com o frio, fazendo um resumo da Segunda Conferência Internacional e Seminário sobre o Paleoclima Ártico e seus extremos (APEX) e analisando os resultados de mais de 18 grupos de pesquisas de mais diversos países, publicam finalmente um trabalho intitulado “New insights on Arctic Quaternary climate variability from palaeo-records and numerical modelling na revista de geologia dedicada aos estudos da era mais recente “Quaternary Science Reviews 29 (2010)”.

Já no abstract deste trabalho está escrito “The combined sea ice data suggest that the seasonal Arctic sea ice cover was strongly reduced during most of the early Holocene and there appear to have been periods of ice free summers in the central Arctic Ocean.”

O trabalho pinça conclusões de inúmeros artigos de especialistas sobre o assunto, mostrando o verdadeiro consenso sobre o gelo no Ártico, Há opiniões mais enfáticas e interessantes, tais como durante o penúltimo interglacial (pouco tempo em termos de geologia) a 130 a 120 kanos atrás a energia solar de verão foi tão forte que livrou o Ártico de gelo, ou seja, os verões árticos estavam 5ºC mais quentes que hoje em dia. (O mar estava 5 metros acima do nível atual).

O trabalho tem mais uma série de afirmações baseadas nas pesquisas mais recentes que detonam por completo a hipótese que estamos passando por um máximo de temperatura (pelo menos na Ártico), mostrando que os valores de temperatura foram bem maiores.

Já está ficando hábito o surgimento de trabalhos científicos nos últimos cinco anos que mostram que as hipóteses do AGA estão furadas, e o mais interessante de tudo que estes trabalhos estão vindo principalmente de pessoas que brincar com o clima é um problema de segurança nacional (suecos, islandeses, noruegueses e outros que vivem próximo do pólo).

12 dezembro 2010

Porque a educação não é prioridade nacional!

Quando se fala em educação no Brasil, há simplificações notáveis que procuram justificar a má qualidade do ensino no nosso país. Pode-se enumerar dentre as várias justificativas para o fraco desempenho da educação nacional a má remuneração dos docentes, a falta de controle nas escolas, o ensino seriado e mais dez ou vinte fatores que mais são sintomas de algo mais profundo.

E qual seria o motivo principal do mau desempenho da educação no país? Como o motivo possa ser disperso levando a responsabilidade a todos, ele é ignorado e deixado de lado, ou seja, relutamos a atribuir o fraco desempenho da nossa escola ao total desinteresse pela educação por parte da MAIOR PARTE DA POPULAÇÃO BRASILEIRA sem distinguir classes ou extratos sociais.

Levantar esta bandeira sem trazer nenhuma explicação plausível que diferencie o Brasil de outras nações é fazer um discurso vazio sem dar as origens do fato, mas antes de ir direto a visão do povo brasileiro como um todo sobre a importância da educação, podemos fazer algumas digressões sobre visões distorcidas da importância do conhecimento na prosperidade das nações.

Quando se fala sobre a biografia de criaturas notáveis nos negócios ou na ciência se dá mais ênfase a seus pequenos desvios do que seus grandes acertos. Por exemplo, quando se fala de Bill Gates, se dá ênfase na sua biografia que o mesmo abandonou os estudos universitários quase no fim do curso antes de concluir estudos de matemática e direito. Todos esquecem que a formação de primeiro e segundo grau do mesmo foi primorosa, levando que o mesmo tirasse nota 1590 num exame de pré-seleção nacional que a nota máxima era 1600, também esquecem que o mesmo abandonou o curso de direito e matemática da universidade de Harvard, não em uma universidade de segunda linha, e durante o mesmo curso ele já trabalhava como pesquisador em outras universidades.

Quando se fala em Einstein todos citam sem nenhuma fonte que o mesmo teve dificuldade de aprendizado na infância, esquecendo o resto da trajetória do cientista.

Em resumo, na cultura nacional não há uma valorização do conhecimento científico, tomado quase como uma inutilidade para atingir o sucesso. Tanto a matemática como a física são tidas como disciplinas inúteis que mais servem para incomodar do que para dar soluções práticas para a vida.

Agora quais são as razões que podem levar a grande parte da população a desprezar o conhecimento? Temos que procurar no dia a dia e na formação do capitalismo nacional para procurar entender o que se passa.

A indústria brasileira foi e ainda é baseada na chamada indústria de substituição, ou seja, por anos a fio, salvaguardados por barreiras tarifárias imensas ou simplesmente intransponíveis, a indústria brasileira progrediu da importação de plantas industriais ultrapassadas que passavam a produzir no nosso país máquinas e equipamentos também ultrapassados. Com este processo de industrialização tornou-se necessário do lado técnico a existência de engenheiros-feitores que tinham como principal função, manterem as máquinas trabalhando e os operários “na linha”.

Esta industrialização diferenciada do resto do mundo desenvolvido gerou uma visão desfocada da necessidade de pesquisa e conhecimento. Para as indústrias era mais importante ter um setor jurídico afinado para retirar as benesses do Estado, do que ter um setor de desenvolvimento de tecnologia.

Olhando com cuidado veremos que somente estatais como a Embraer (baseada no ITA) e a Petrobrás, desenvolveram e desenvolvem tecnologias próprias. Outras poucas indústrias mantém departamento de pesquisa de novos produtos são multinacionais.


Qual é a visão do nosso empresário nacional quanto ao desenvolvimento de tecnologia? É uma visão fraca e desfocada, criando desta forma um dos maiores gargalos do desenvolvimento tecnológico brasileiro. Quando se fala em meios empresariais de desenvolvimento de tecnologia, estes empresários se viram diretamente para as Universidades Públicas, cobrando das mesmas novas tecnologias para os mesmos lucrarem com isto. Não há no Brasil uma tradição de desenvolvimento de tecnologia na iniciativa privada. Indústrias pequenas, médias ou grandes não formam departamentos de pesquisa, esperam que o governo os subsidie ficando o público com os custos e o privado com os lucros.

A produção de tecnologia no Brasil é vista não como um dos investimentos necessários para o crescimento, é vista como um custo que deve ser arcado pelo o estado e transferido para a iniciativa privada quando este estiver maduro para produzir lucros. Nenhum empresário de médio porte está disposto a retirar da produção três ou quatro profissionais de nível superior para que os mesmos desenvolvam alguma coisa inovadora. Não falo de criar um grande setor de pesquisa, falo de deslocar um número mínimo de profissionais para que tentem dentro de outra realidade desenvolver algo.

Esta desvalorização do estudo, do desenvolvimento, e supervalorização do fazer a partir de estruturas e conhecimentos existentes, levam ao descrédito a educação, que permeia entre todas as classes sociais do Brasil, fazendo com que a educação seja mais um artigo de luxo do que de primeira necessidade.

Quantas vezes escutamos em conversas afirmações como estas: O importante é ter o diploma, se a Universidade não for a melhor se aprende com o tempo. Esta ideia de empreendedorismo ignorante pressupõe que haverá dois grandes grupos no desenvolvimento da tecnologia, um primeiro grupo formado por NERDS que desenvolverão qualquer coisa e não saberão comercializá-la e o segundo formado por empreendedores ignorantes, porém espertos, formados em Universidades de segunda linha, mas com inserção no mercado (não sei bem o que é isto?), que pegarão as ideias dos primeiros e ganharão dinheiro com isto. Logo, para este segundo grupo o que é necessário, uma graduação qualquer e um MBA numa escola de business de alto custo e grande renome.

Pode parecer caricato tudo que escrevi, e é para ser caricato, pois a realidade é mais complexa, porém se olharem ao redor vocês verão que esta caricatura serve para diversas pessoas reais.

06 dezembro 2010

Teoria do AGA: um passado duvidoso, um presente mal contado e um futuro pior ainda.


Na ciência como na vida para algo existir de fato, este algo deverá ter um presente, um passado e um futuro. Olhando por este prisma a teoria Antropogênica do Aquecimento Global (AGA ou AGW), parece ter um passado duvidoso, um presente mal contado e um futuro pior ainda. Vamos aos fatos, pois além desses em ciência não temos nada.

O passado da AGA é duvidoso porque ele se baseia principalmente na afirmação que estamos no período mais quente da história da Terra, ou pelo menos dos últimos mil anos. Esta afirmação tenta encontrar justificativas em alguns “proxies” de anéis de árvores (não existe palavra em português para proxy, significa dados obtidos por analogia de comportamento) correlacionando anos frios ou quentes pela espessura desses anéis. Com esta analogia e mais outros dados alguns autores tentam provar parte da teoria do AGA. A importância da afirmação está na medida em que se procura relacionar a grande concentração de CO2 a temperaturas mais altas.

Esta visão é baseada principalmente em dados que são muito contestados por diversos trabalhos científicos, principalmente devido a dificuldades estatísticas de isolar a temperatura como único fator que influência o crescimento das árvores. O resultado da análise do clima nos últimos mil anos resultou o que se convencionou chamar o “Taco de Hóquei”, porém a existência de uma curva de variação da temperatura mais ou menos plana com uma súbita elevação nos últimos cinquenta anos, que aparentaria a forma de um taco de hóquei, não é um consenso absoluto.

Outros trabalhos com outros “proxies”, como conchas de moluscos, depósitos sedimentares e até com reconstituições históricas, chegam a conclusões sobre a existência de um período que se denomina Ótimo Medieval, onde a temperatura era da mesma ordem da temperatura atual, sem a existência de uma indústria emissora de CO2 como hoje em dia. A existência deste Ótimo Medieval permitiu inclusive que os vikings colonizassem a Groenlândia (Terra verde em Dinamarquês).

Para mostrar as incertezas que pairam sobre o passado da teoria do Aquecimento Global Antropogênico, a seguir são apresentadas quatro figuras sobre as mesmas medidas.

A primeira delas que faz parte do primeiro relatório do IPCC em 1990 mostra a existência de um período quente medieval e de uma pequena idade do gelo.

Figura 1. Variação da temperatura na Terra nos últimos 1000 anos (relatório do IPCC de 1990).


Com esta figura a teoria do AGA, não prosperaria, logo Mann e seus colaboradores apresentam em 2001 a segunda figura onde tanto o Ótimo Medieval como a Pequena Idade do Gelo desaparecem.

Como se vê claramente o período Ótimo Medieval e a Pequena Idade do Gelo se transformam em picos imperceptíveis resultado de manipulações cuidadosas dos dados de anéis de árvores.

Figura 2. Variação da temperatura na Terra nos últimos 1000 anos (relatório do IPCC de 2001).

Após o surgimento desta figura, mostrada com ênfase no documentário mediático Uma Verdade Inconveniente por Al Gore, começam muitos a desconfiar dos resultados de Mann e seus colaboradores, sendo Mann objeto de vários inquéritos para verificar os seus dados.

Como resultado de toda a gritaria, já num relatório parcial do IPCC em 2007, Jansen publica uma série de curvas que mostram uma pequena inversão de tendência, onde já se vê de forma discreta o Ótimo Medieval e a Pequena Idade do Gelo.

Figura 3. Variação da temperatura na Terra nos últimos 1000 anos (relatório do IPCC de 2007).
A grita continua, pois todas as curvas de Jansen são postas de tal forma que não se encherga direito o que realmente acontece, após muita reclamação são colocadas as bandas de confiança no gráfico de temperatura e neste momento o Ótimo Medieval e a Pequena idade do Gelo salta aos olhos.

Figura 4. Variação da temperatura na Terra nos últimos 1000 anos – 2007 com bandas de confiança.

Fica claro que no mesmo assunto desaparecem e aparecem resultados nos relatórios do IPCC, mostrando pelo menos que a certeza sobre o assunto não existe. Aguardamos novidades para 2010!

Visto o passado da teoria do AGA, passemos ao presente. Conforme esta teoria um aumento na concentração do CO2 leva imediatamente a um aumento da temperatura, logo se nos últimos anos os gases de efeito estufa continuam a aumentar a temperatura deveria também aumentar.

Figura 5. Variação da concentração de CO2 medida em Mauna Loa no Havaí
A figura 5, mostra que o aumento do CO2 na atmosfera tem se mantido constante crescendo regularmente seguindo uma tendência linear que independe da variação da atividade industrial humana. Com crescimento ou recessão, com paralisação de parte da indústria mundial ou não, a tendência é crescente, mostrando já que não há uma correlação clara entre o desenvolvimento industrial e o aumento da concentração do CO2.

Bem, vamos supor que é assim, porque é assim! Logo a temperatura da Terra deveria subir sem descanso com o aumento do CO2. Para mostrar isto temos a seguir cinco figuras que mostram a variação da temperatura global da Terra medida por Institutos ou Métodos diferentes.

Figura 6 Temperatura global medida pela Alabama University.
Figura 7 Temperatura global medida pela NASA (Remote Sensing Systems – RSS).
 Figura 8 Temperatura global medida pela NASA (Goddard Institute for Space Studies - GISS).
  Figura 9 Temperatura global medida pela Climatic Research Unit (HadCRUT3).
Figura 10 Temperatura global medida pela National Climatic Data Center (NCDC - NOAA).
 

Olhando essas curvas se tem duas certezas, primeiro que a temperatura da Terra tem se mantido alta, e segundo que o último grande pico de temperatura ocorreu há doze anos.

Como se viu, o passado da teoria do AGA é duvidoso, o seu presente é mal contado, só restando o futuro. Para este os mágicos do IPCC guardam as suas previsões catastróficas através de seus Modelos de Climatologia Global (GCM). Como dizem os mais espertinhos “O futuro a Deus pertence”, logo eles podiam extrapolar suas suposições, mais fantasias do que realidade e assustar as criancinhas com um futuro sombrio e sinistro.

Esses modelos apresentam erros conceituais básicos como os relatados pelo professor Robin Thomas Clarke no seu trabalho intitulado On the (mis)use of statistical methods in hydro-climatological research, no Hydrological Sciences Journal (DOI: 10.1080/02626661003616819), porém este trabalho descrevia os erros sem se dar o trabalho de demonstrá-los. Indo adiante do proposto pelo professor Clark, os professores gregos Anagnostopoulos, Koutsoyiannis, Christofides, Efstratiadis & Mamassis escreveram um interessante trabalho intitulado A comparison of local and aggregated climate model outputs with observed data, no Hydrological Sciences Journal (http://dx.doi.org/10.1080/02626667.2010.513518).

Como reclamado pelo trabalho anteriormente citado não havia calibração dos modelos, e para satisfazer esta necessidade os autores testaram sete modelos utilizados pelo IPCC conforme tabela a seguir.


 Para estes modelos foram verificados as previsões de temperatura e chuva para 55 pontos em todos os continentes e verificados em grande escala espacial (todo o Estados Unidos).

Só para dar um exemplo do resultado chegado mostraremos na figura 11 a correlação entre os dados medidos e os dados calculados pelos modelos GCM.

Figura 11. Correlação entre dados medidos e observados.

Só para dar uma ideia do trabalho, apresento uma tradução feita rapidamente de parte das conclusões:

Alega-se que Modelos de Climatologia Global (GCM) fornecem estimativas quantitativas credíveis para a avaliação de futuras mudanças climáticas, particularmente quando utilizados em escalas continental ou superior.
Examinando o desempenho local dos modelos em 55 pontos, foi possível observar que as projeções locais não estão bem correlacionadas com medidas observadas. Além disso, verificou-se que a correlação em grande escala espacial, ou seja, nos EUA como um todo a correlação ainda fica pior do que na escala local.
No entanto, pensamos que a questão principal não é se os GCM conseguem produzir estimativas de clima futuro de forma confiável, mas se o clima como um todo é previsível em termos deterministicos.

Ou seja, os autores fazem o que os modeladores de GCM se negam a fazer, verificam os modelos e chegam a conclusão que eles são FURADOS. Quem quiser olhar mais o artigo terá surpresas ainda mais interessantes!

Em resumo, passado duvidoso, um presente mal contado e um futuro pior ainda é o que resume a teoria do AGA.

05 dezembro 2010

A correlação entre energia limpa e desemprego, o que é desculpa o que é verdade?

Os conservadores norte-americanos estão em estado de alerta contra a teoria do AGA (AGW), isto vem de longa data, mas hoje em dia há uma tentativa de associar a política de imposição de energias verdes com o desemprego. Esta associação, a meu ver é um tanto espúria (olha que sou contra a teoria do AGA), pois a crise corre mais ou menos independente do investimento em energias verdes, deu o acaso do incremento do desemprego correr junto ao aumento de gastos em subsídios para energias renováveis.

Apesar de forçada a correlação, para um bom conservador norte-americano, como todo bom conservador, fica com erisipela quando se fala em subsídios, esta palavra é associada a palavra imposto pelos conservadores com um grau superior de maldade.

Até aqui nada de novidades, porém este discurso está bombando na reunião de Cancun que deveria dar segmento ao tratado de Kioto sobre a emissão de CO2. Começa neste momento a se observar um grande  dissenso quanto a política sobre o assunto. No início da reunião o representante Japonês disse que o Japão após 2012 não continuará com o tratado de Kioto. Somado ao Japão temos os Estados Unidos e a China que não assinaram este tratado para não prejudicar seus níveis de emprego. Com tudo isto talvez em 2012 vamos chegar às negociações sobre aquecimento global como o Joãozinho do Passo Certo, só nós.

Agora pergunto, quando vem o James Cameron aqui para atrasar as construções de nossas hidrelétricas em nome do aquecimento global, quando o GreenPeace e o WWF lutam pela conservação de pererecas e bagras que supostamente se extinguirão com a construção de outras usinas hidrelétricas, os nossos ecopatas de plantão ficam todos emocionados por estarem no primeiro mundo, e dão ouvidos a estes grande cretinos do norte. Enquanto ocorre isto no Brasil os maiores POLUIDORES e CONSUMIDORES DOS RECURSOS NATURAIS DO PLANETA  nem estão aí para isto, e PIOR muito menos são admoestados pelos GreenPeaces e WWFs da vida (veja o que NÃO foi feito durante o vazamento de óleo no golfo do México).
Os nossos empregos, segundo a ótica dos nossos ecopatas, parecem menos importantes que os dos Californianos, pois eles acatam as ordens dos grandes ecologistas do norte, que no lugar de lutar em seus países ficam dando ordem para os nossos macaquinhos ecopatas.

Se o emprego vale como pretexto para USA, Japão e China rejeitarem acordos de diminuição de CO2, que tomemos os nossos próprios objetivos como preservação da mata atlântica, diminuição da poluição dos rios próximo as grandes cidades e centenas de outros que os nossos técnicos detectarem e mandemos bem longe a tutela de ONGs com segundas intenções em nossos países.

02 dezembro 2010

Quando a iniciativa privada vai assumir a sua parte na pesquisa?

Há uma tradição no Brasil que a pesquisa deve ser levada quase com exclusividade pelos Institutos de Pesquisa vinculados ao poder público. Esta tradição talvez seja um dos motivos do baixo número de patentes que se tem no Brasil. Dados sobre publicações científicas mostram uma progressão da ciência brasileira no mundo, modesta, mas consistente, entretanto a quantidade de patentes não sobe com o mesmo ritmo.

Parte do problema da falta de patentes, está na centralização na academia de grande parte das pesquisas, e como os professores e pesquisadores são mais cobrados por publicações científicas do que por produtos desenvolvidos, o número de patentes não é significativo. Como solução para este problema cria-se incubadoras científicas junto as Universidades e os Institutos de Pesquisa, este tipo de iniciativa só extende em parte e perpetua a dependência da iniciativa privada ao poder público. Não há uma real transferência de responsabilidades para as empresas de grande e médio porte de gerar novas tecnologias, continuando estas empresas fora do circuito da pesquisa.

O exemplo que torna patente a falta de articulação das empresas privadas com a Pesquisa e Desenvolvimento está na “compra tecnologia”, que após instalada na fábrica leva a indústria que "comprou a tecnologia" estar no mesmo nível das outras empresas que "compraram" a mesma tecnologia. Restando para o industrial somente a opção de aviltar o salário dos seus empregados para ter condições de concorrer no mercado. Esqueceu o empresário no momento da “compra de tecnologia” que ela detve ter sido também vendida para diversos fabricantes, não criando um diferencial entre o seu produto e dos outros.

Pode-se perguntar o que leva o empresário a não investir em pesquisa. Basicamente pode-se detectar dois grandes problemas, achar que pesquisa só dá resultado em longo prazo e o total desconhecimento do que é uma P&D (pesquisa e desenvolvimento).

O primeiro problema parte do pressuposto que pesquisa deve gerar algo surpreendente, totalmente inovador e que o coloque na frente de tudo e de todos. Esquece que havendo numa indústria um núcleo de pesquisa este pode dar pequenos resultado a cada passo, gerando desta forma, alta sustentabilidade do próprio núcleo de pesquisa.

O segundo problema, é gerado por uma fantasia de que centros de pesquisa são algo de alta tecnologia, com equipamentos sofisticadíssimos e cientistas de renome internacional.

O mito do cientista maluco, da alta tecnologia escondida em setores de ponta, inibem pequenos investimentos que com o tempo e paciência resultarão em grandes lucros e vantagens competitivas em relação a outros produtores.

01 dezembro 2010

O “Peak oil” e o “Peak Coal” chegam antes do aquecimento global.

De acordo com o expert em energia Kjell Alekett da universidade de Uppsala na Suécia (vide slides em http://www.businessinsider.com/peak-coal-outlook-2010-11#-1), os cenários de emissão de carbono dos últimos dez anos estão errados. Aleklett prevê os picos de produção de óleo, carvão e gás natural para 2011-2012, 2019 e 2028-2047 respectivamente.



Isto mostra várias coisas, que a teoria do aquecimento global antropogênico é um imenso pano de fundo para um problema bem mais grave, o fim dos combustíveis fósseis antes da metade deste milênio. Também mostra que terminado o óleo seis países que detêm 90,6% das reservas internacionais de carvão darão o ritmo para os demais, os países são USA (28,9%) Russia, Ukrania e Kasaquistão (26,9%), China (13,9%), Australia (9,2%), Índia (7,1%) e Polônia (0,9%).



Devido esta carência natural de recursos energéticos os cenários pessimistas e mesmos a longo prazo os médios ficam invalidados, a medida em que o petróleo e o carvão tem declínio significativo na sua produção antes do meio do século XXI.

Para o cenário mais negativo, que segundo o IPCC a temperatura da Terra aumentaria em 6°C seria necessário que o consumo do carvão aumentasse 10 vezes. No trabalho de Kjell Alekett se mostra que não há condições para esta extração.

O trabalho de Kjell Alekett é baseado também numa tese defendida em 2010 por Steve Mohr denominada Projectio of Word Fossil Fuel Production with Supply and Demand Interactions (vide um resumo em http://www.theoildrum.com/pdf/theoildrum_6782.pdf).