08 maio 2011

Como se mede o nível do mar?


A pergunta proposta no título é interessante podendo parecer a todos como tendo uma resposta singela e de fácil solução. Pode-se pensar numa resposta do tipo: O nível do mar se referencia a partir dos níveis das Terras. Entretanto o assunto está se complicando por vários motivos tornando-se algo chato complicado de se entender e com resultados duvidosos.

Abandonou-se simplesmente a quantificação dos níveis dos mares através da medida por marégrafos junto às costa por vários motivos. Primeiro que obras portuárias, canais de navegação, diques e moles influenciam os valores das medidas de nível do mar próximo a estas alterações. Segundo que para se ter um valor global, todos os marégrafos tem que ser amarrados entre si, algo que vem sendo feito pelo projeto Gloss (Global Sea Level Observing System) coordenado pela WMO (World Meteorological Organisation) formando uma rede de 290 estações de medida em todo o mundo. E terceiro e não menos importante, as variações do nível do solo que pode ocorrer por vários motivos. No simpósio realisado na cidade do Porto em 19 de setembro de 2005, intitulado “Sea Level changes – Mudanças globais, variações do nível do mar e dinâmica costeira”, vários trabalhos foram levantados falando nesses aspectos, como o de Maria da Assunção Araújo, intitulado “Porto littoral: the influence of tectonics in sea level changes and coastal morphology.”

Porém desde 1992 esta tarefa de medir o nível dos mares tem sido entregue a satélites que circulam ao longo de toda a Terra. O primeiro deles era o TOPEX/Poseidon, sucedido pelo Jason-1 em 2001 e o Jason-2 em 2008. As dificuldades de se obter essa medida, que pareceria ser mais simplificada com a introdução dos satélites, complicou mais ainda. Além dos problemas existentes nas medidas nas costas, apareceram outros problemas, tanto em termos de medidas absolutas como relativas. Correções diversas foram acrescentadas tentando corrigir aspectos sazonais e outros, tornamdo cada vez mais distante da simplicidade a medida do nível do mar.


Nível do mar até maio de 2011.


Atualmente os dados de satélite são entregues para a Universidade do Colorado  onde o Sea Level Research Group se ocupa de divulgar e trabalhar com estes dados. Não satisfeitos com a dor de cabeça que se torna a medida do nível do mar com toas as suas correções, para satisfazer o pessoal do AGA o turma do Sea Level Research Group, agregou à determinação do nível do mar mais uma correção correspondente a variação de 0,3mm por ano ao nível do mar, como consequência da subida do nível das terras causada pela variação de massa de gelo sobre a Terra (http://sealevel.colorado.edu/content/new-web-site-new-sea-level-release).

Entenderam? Entenderam de primeira? Se não entenderam, vocês não vão ser os únicos. Vou tentar explicar o que significa isto e no fim vou falar de suas consequências. Porém antes da explicação vou colocar o texto do Pessoal da Universidade do Colorado, para quem quiser fazer o seu próprio julgamento:

One important change in these releases is that we are now adding a correction of 0.3 mm/year due to Glacial Isostatic Adjustment (GIA), so you may notice that the rate of sea level rise is now 0.3 mm/year higher than earlier releases. This is a correction to account for the fact that the global ocean basins are getting slightly larger over time as mantle material moves from under the oceans into previously glaciated regions on land. Simply subtract 0.3 mm/year if you prefer to not include the GIA correction.


O que eles estão querendo dizer é que ha mais ou menos 10.000 anos a Terra estava coberta de gelo, e como este gelo saiu de cima da Terra e ela ficou mais aliviada, há uma tendência em longo prazo da Terra subir de nível nas regiões a onde tinha este gelo.Ou seja, em última instância se corrige o referencial em 0,3mm por ano, pois a terra está subindo de nível em relação aos mares.

Bem, apesar da numerologia de tudo isto, talvez eles estejam esquecendo que se for considerado esta variação do nível da Terra em função da perda de Gelo, deveria ser considerado a mesma coisa na variação do nível do gelo da Groenlândia, ou seja, os 6 mm que falam tanto que as geleiras da Groenlândia perderam para o mar ficam reduzidos a 3mm, pois 3mm é a variação do nível da Groenlândia, variando a gravimetria da mesma quando se mede a capa de gelo.

Agora qual é a influência prática dessa correção? Vou colocar dois gráficos que ilustram o que ocorrerá à medida que for ou não corrigida o GIA dos níveis dos mares.





O que fica patente é que com a tal correção, a queda na taxa de variação do nível do mar, decresce um pouco mais lento que sem a correção, dando um refresco nas notícias nada simpáticas aos crentes do AGA, pois a taxa de subida dos níveis dos mares nos últimos 8 anos que sem a correção passou de 3,4mm/ano para 2,95mm/ano, passa com a correção para 3,52mm/ano para 3,15mm/ano, ou seja ainda maior do que 3mm/ano.

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