18 agosto 2011

Comparativo do custo de geração Eólica com a geração Hidrelétrica (Eng. Edgar Trierweiller)

Após o artigo postado no blog resolvi fazer uma conta para comparar a "World's Biggest Wind Turbine" a outro grande projeto, a UHE Santo Antônio em construção no Rio Madeira, uma usina a fio d'água (sem regularização). As contas foram simples, resolvi determinar a relação KW/US$ de cada um dos empreendimentos. Busquei levar em consideração também o Fator de Capacidade dos empreendimentos. E como não tenho essa informação para a turbina eólica, para dar uma força à "World'Biggest" considerei o seu fator de capacidade igual a 1 (100%). As contas são apresentadas a seguir:

World's Biggest Wind Turbine (FONTE:http://www.treehugger.com/files/2010/02/norway_to_build_worlds_most_powerful_offshore_wind_turbine.php)

Potência Instalada = 10000 KW (10 MW)
Custo = US$ 67500000 (US$ 67.5 milhões)
Fator de capacidade ???
KW/US$ (para Fc = 1) = 0.00015 (6750 US$/KW)

USINA DE SANTO ANTÔNIO -Rio Madeira (FONTE: http://www.cbdb.org.br/documentos/UHE_Santo_Antonio-Exemplo_de_Sustentabilidade_na_Amazonia.pdf)

Potência Instalada = 3150000 KW (3150 MW)
Custo = R$ 15100000000 (R$ 15.1 bilhões)
US$/R$ = 1.60
US$ = 9437500000
Fator de Capacidade Período Crítico (Fc) = 0.675
KW/US$ (para Fc = 0.675) = 0.00023 (4439 US$/KW)

Antes de criticarem essa comparação, reconheço que as obras, as potências e os custos dos empreendimentos não são da mesma escala. Acredito que uma comparação com uma usina bem menor ou com uma PCH fosse mais proveitoso. Também acredito que a produção em série da "World's Biggest" tornariam reduziriam seus custos.

Para igualar os custos produção (KW/US$) a turbina eólica citada teria que apresentar o impossível fator de capacidade de 1,56.

Tentarei fazer a comparação com uma PCH para uma melhor avaliação.

4 comentários:

  1. Edgar.

    Para completar os teus cálculos farei uma contribuição sobre o Fator de Capacidade, fosse um amor de criatura com a geração eólica colocando um Fator de Capacidade unitário a seguir te repassarei algumas informações para teres noção do real custo da geração eólica.

    Os dados do Fator de Capacidade das eólicas no Brasil são dados muito bem escondidos pelas operadoras, e não vi nenhuma divulgação da ANEEL de dados medidos. A única informação que consegui garimpar no Brasil foi a que Ventos Energia e Tecnologia Ltda. e Centrais Eólicas do Ceará Ltda solicitaram junto a ANEEL (processo 48500.004003/2002-15) a revisão do Fator de Capacidade no Ceará (uma das melhores regiões para a geração eólica) de 0,32 para 0,3427, tendo a ANEEl concordado com o valor de 0,34 (isto foi em 21 de maio de 2007).
    A outra notícia que tive notícia foi dada pelo técnico em regulação do MME Dr.Aymoré de Castro Alvim Filho. Coloco a seguir a notícia na íntegra:

    "Em exposição no Wind Forum Brazil 2011, Aymoré disse que esse grupo de geradoras, que inclui pequenas centrais hidrelétricas (PCH), usinas eólicas e de biomassa, produziu 1,5 mil megawatts (MW) a menos que os 4,3 mil MW esperados.
    Segundo o especialista, o problema ocorre por causa de atrasos em algumas obras. Mas também pode indicar falhas no método de cálculo da produção das usinas eólicas. Para Aymoré, falta uma base de dados sobre comportamento e sazonalidade dos ventos no país, que possa ajudar nas previsões de produção de energia. “O insumo que nós temos hoje para fazer as previsões, realmente, não gera uma expectativa de geração com confiabilidade significativa”.
    Por isso, o especialista disse que poderá haver ajustes nos contratos, com base na geração efetivamente verificada. Aymoré ponderou, no entanto, que o período curto de observação (apenas dois anos) ainda não permite dizer se os cálculos estão realmente errados ou se o período foi atípico."

    Disso pode se concluir várias coisas. Como o esperado era esperado 0,34 e as usinas estão produzindo 30% a menos, pode-se deduzir que elas estão com um Fator de Capacidade de 0,23, o que fecha abaixo da experiência européia que mediram um Fator de Capacidade em torno dos 0,26 a 0,28 (excepcionalmente 0,3).

    Continuando a ser bonzinho, podes colocar 0,30, um valor acima do real em locais adequados para a geração eólica.

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  2. Um dos fatores que nos encaminham a esse cenário é a falta de seriedade das nossas autoridades, afinal, enquanto países fornecem gratuitamente estudos ao longo de 18 anos de comportamento dos ventos na região, aqui temos de fazer estudos a partir do marco zero, e isso compromete muito a confiabilidade do sistema em longo prazo. Esse é o preço que pagamos por nossas autoridades nomearem responsáveis por setores tão importantes quanto o de energia por afinidade política e não por conhecimento e capacidade técnica, e isso acarreta em leis sem fundamento técnico, umas que exigem coisas desnecessárias, onerando o sistema e outras que não compreendem aspectos importantes que podem comprometer a confiabilidade do sistema.

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  3. Nosso governo prestigiou as montadoras durante muitos anos, hoje constrói poucas estradas, algumas duplicações, os governos estaduais fazem recapeamento e as prefeituras operações tapa buraco. O governo federal oferece alíquotas reduzidas do IPI as montadoras, aumenta linhas de crédito para aquisição de carros e os caminhões teimam em ocupar as cidades. As empreiteiras, grandes que são, mantém fortes lobbys no congresso nacional e assembleias estaduais e forte atuação nas câmaras municipais. São conhecidas por participarem pesadamente nas obras de infraestrutura "disponibilizadas" pelo governo federal e tem seus nomes declaradamente envolvidos em certos projetos. Ou seja, o custo do solo, o retorno financeiro, os custos sociais, o desmatamento, creio que são valores que não compõem o custo da geração da energia. Ainda, neste momento São Paulo passa pela necessidade de chuvas para repor o abastecimento de água na cidade e seu entorno. Será que teremos sempre rios e estações chuvosas a disposição destes senhores que teimam na mesma forma de gerar energia? O vento e o Sol, ao que parece ai estão no nordeste brasileiro e são negligenciados a tempos. Não interessa a certos grupos o desenvolvimento e emprego naquela região? Como brasileiro, apenas observo o avanço da Alemanha na direção de energias renováveis, conseguirão sem dúvida fugir da tal dependência dos russos. E nós permanecemos assistindo a Petrobras inerte. Boa sorte.

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  4. Alguém sabe me dizer onde encontro relação média no Brasil R$/MW em EÓLICAS , UHEs , PCHs

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