31 janeiro 2011

Enfim 1998 ganhou a corrida como o ano mais quente e 2010 perdeu.



Em outro post falei da média esdrúxula que fizeram para que o ano de 2010 fosse declarado o mais quente dos últimos anos. Entretanto analisando os dados isoladamente NASA GISS, NOAA e HadCrut3 somente um deles proclama como o mais quente. Como os outros o colocam em segundo e no caso do HadCrut3 em quarto lugar, os meteorologistas em geral estão declarando que o ano de 2010 foi quente mas não foi o mais quente.
Em resumo, durma-se com um barulho desses, e fica-se navegando na maionese.

30 janeiro 2011

No Clima: Há algo de muito Podre no Reino da Inglaterra. (Epílogo)

Só para não deixar de passar batido, vamos para um comentário bem maldoso.

Estes Senhores do MetOffice são parte do núcleo duro do IPCC na parte de climatologia, eles que dizem como será o clima da Terra nos próximos 90 anos (NOVENTA ANOS).

Se eles não acertam com dois meses de antecedência vocês acham que eles vão aceitar NOVENTA ANOS?

No Clima: Há algo de muito Podre no Reino da Inglaterra. (Parte II)


Como no momento que escrevi sobre o assunto do erro da divulgação da previsão do inverno para a Inglaterra estava quase saindo, não tive tempo para detalhar com cuidado o assunto, mas vamos tentar recuperar o tempo perdido.

Organizações como o MetOffice que possuem computadores espantoso tem obrigação de apresentar previsões de curto prazo em termos de clima exatas. Estou falando em previsão de clima e não de meteorologia, neste mesmo blog fiz uma apresentação da diferença entre clima e dados meteorológicos, lá eu chamo atenção clima não é tempo, ou seja, nenhum instituto meteorológico tem a obrigação de acima de um período de três a sete dias dizer se choverá ou não na quinta-feira ou se fará frio no sábado. Este tipo de previsão só é possível  ser feita a curtíssimo prazo, mas ainda com chance de errar. Entretanto, dizer como será uma estação do ano , dois meses antes desta começar é uma obrigação, se ele será chuvosa ou seca, se fará frio ou não, sendo assim isto é que se cobra do MetOffice.

Agora vamos ao que foi apresentado pelo MetOffice ao governo Inglês:
Para não deixar dúvidas coloquei uma cópia de parte do documento, e o que nele está descrito:

Para o inverno há 30% de chance dele ser ameno, 30% de chances dele ser normal e 40% dele ser frio.

Ou seja, isto é a arte de não dizer nada, aí eles (o pessoal do MetOffice) disseram que com toda esta informação preciosa a culpa do inverno chegar de forma raivosa batendo recordes de temperatura baixa e neve e o governo não estar preparado é do primeiro ministro.
A conclusão que além do pessoal ser incompetente é fofoqueiro.


29 janeiro 2011

No Clima: Há algo de muito Podre no Reino da Inglaterra. (Parte I)


Está parecendo que há não só problemas de incompetência no MetOffice, na Inglaterra. Em post intitulado “Met Office esconde as previsões de inverno muito frio para não estragar a reunião em Cancun.” fiz uma advertência sobre as duas possibilidades, ou era um problema de incompetência ou era uma jogada estratégica junto ao governo Inglês. Porém está surgindo outra probabilidade, primeiro incompetência e segundo a tentativa de prejudicar o atual primeiro ministro.

Como em todo país civilizado a Inglaterra tem uma política de FOI (Freedom of Information), com os quais qualquer cidadão honesto tem acesso a informações governamentais que influencie a sua vida.
De posse desta legislação várias pessoas que se sentiram prejudicadas com a possível omissão do governo Inglês fizeram um pedido de informações, que rapidamente (muito mais rápido do que de costume!) foi esclarecido, jogando a bola de novo para a frente do gol do MetOffice.



Posteriormente falarei sobre possíveis desdobramentos de isto e detalharei o que foi informado.

28 janeiro 2011

Podiam pelo menos lerem o que escrevem!!!


No site Ambientebrasil edição- 28/01/2011 há duas notícias interessante a primeira diz o seguinte:

Ilhas da Papua Nova Guiné correm risco de afundar

E lá no meio lá notícia está escrito:

Desde 1993, o avanço foi de 40 centímetros na região das Ilhas Carteret, cuja altitude mal chega a um metro. Estudos do Instituto de Pesquisa de Impactos Climáticos, de Leipzig, na Alemanha, preveem um aumento do nível do mar, em termos globais, de um a dois metros até o fim deste século.

 

A outra notícia é:

 

Groenlândia degela menos que o previsto, dizem europeus

E também no meio da notícia está escrito

 As previsões sobre o aumento do nível do mar – o IPCC (o painel da ONU para o clima) previa até 59 centímetro em cem anos – talvez tenham de ser revistas, diz ele. Especialmente porque a Groenlândia é uma das grandes vilãs da elevação do nível dos mares.

Afinal devemos acreditar na primeira que fala em aumento em 200cm na previsão do IPCC que diz 59cm, ou nos cálculos posteriores que vão ainda diminuir este número.

 Eles podiam ao menos lerem as coisas que escrevem e não dizerem A de um nado e B no outro.

Esboço de duas possíveis áreas de risco no pé de uma encosta.


A tempos venho me batendo que se não for identificado com clareza quais são os problemas reais dos chamados deslizamentos na Serra do Mar, muitas pessoas vão continuar morrendo sem que se identifique corretamente a causa.
Para mostrar a causa de minhas preocupações fiz um desenho simplificado de duas casas próximas a um morro. Coloquei o desenho em planta, para quem tem hábito de enxergar curvas de nível e para quem não tem treinamento para tanto desenhei dois cortes do terreno. Poderia explicar para quem não tem prática no assunto, o desenho em planta é o mesmo que uma vista de um helicóptero que está passando por cima, com a seguinte peculiaridade, locais que estão em mesma altura (exemplo 70 metros na figura) estão representados por uma linha pontilhada que se chama curva de nível.
Planta esquemática de duas casas próximo a um variação de nível.

Para quem não tem hábito coloquei a mesma figura em dois cortes (como se fosse um desenho da sombra de uma pessoa, um perfil). No desenho em planta represento o morro com duas casas na sua base, a Casa A e a Casa B, já no coorte cada desenho representa um perfil do morro com as casas embaixo do mesmo.
Cortes A e B da figura anterior.

Para quem ainda não entendeu completamente a figura a casa (A) está mais longe do paredão na direção normal a parede do mesmo, já a casa (B) está logo embaixo do paredão.
Agora vem a pergunta, qual das duas casas está em situação de risco?
Alguém mais desavisado pode rapidamente dizer, a casa (B), pois o paredão pode facilmente cair sobre ela.
O correto a dizer que dependendo da geologia local todas as condições são possíveis, (A), (B) e (A) e (B). Não se exclui a casa (A) pois na presença de grandes chuvas como ela está na saída de um talveg de uma ravina, poderá ocorrer desde um “flash flood”  convencional com uma grande quantidade de água num curto intervalo de tempo, ou pode ocorrer um deslizamento do tipo translacional carregando lama e/ou pedras formando o que se intitula fluxo lamoso e/ou fluxo de detritos (ambos com grande capacidade de destruição).
A conclusão que se chega que para uma análise precisa do que são áreas de risco, além da topografia cada encosta deverá ser cuidadosamente analisada para que se tenha uma idéia de ser ou não uma área de risco.

27 janeiro 2011

Deslizamentos na Serra: Explicação das prefeituras quanto a providências já tomadas.

Muito se tem falado impropriamente sobre responsabilidades de gestores públicos nos desastres dos Rio, vou colocar na íntegra o que foi postado no site ecodebate para posterior comentários.


Publicado em janeiro 27, 2011



Levantamentos das prefeituras de Friburgo, Petrópolis e Teresópolis entre 2008 e 2010 já apontavam milhares em situação de risco
42 mil moradores em áreas de risco – As principais cidades da Região Serrana atingidas por um dos maiores desastres climáticos do país – que já deixou 838 mortos – não têm a real dimensão de quantos de seus moradores vivem em áreas de risco, sujeitas a deslizamentos ou inundações. Levantamentos parciais feitos pelas prefeituras de Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis entre 2008 e 2010 acabaram atropelados pela tromba d’água de 12 de janeiro, que mudou a geografia de bairros, criando novas áreas de risco e soterrando casas construídas em trechos críticos já catalogados.
De acordo com os estudos disponíveis, as três cidades tinham, antes da tragédia, pelo menos 42 mil moradores em 230 áreas vulneráveis, onde foram construídas cerca de dez mil casas. As prefeituras já trabalham com a expectativa de que a estatística cresça, em função de novos mapeamentos que terão que ser feitos. Para auxiliar os técnicos locais nesse trabalho, a Secretaria estadual do Ambiente enviou 12 geólogos do Departamento de Recursos Minerais à Região Serrana. Segundo o secretário Carlos Minc, o estado pediu ao Ministério da Integração Nacional mais recursos para a realização deste trabalho, que está sendo custeado com verba do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam). Reportagem em O Globo.
No levantamento mais recente, concluído em novembro, Friburgo relacionava 35 áreas de risco na cidade, com cerca de seis mil moradores em cerca de duas mil moradias. O levantamento, contudo, priorizava as áreas sujeitas a deslizamentos, porque, segundo o subsecretário municipal da Defesa Civil, Roberto Robadey, este era o maior problema da cidade. O mapeamento agora terá que ser refeito porque, além de não focar áreas sujeitas a inundações, as quedas de encostas revelaram outros locais de risco. Pelo menos 22 áreas da lista sofreram estragos.
- Ainda não deu tempo de parar e contar (as novas áreas de risco). O desafio agora é não deixar ninguém construir. Além disso, áreas como São Geraldo, Córrego Dantas e Campo do Coelho, por exemplo, passaram a apresentar inúmeros trechos perigosos que terão que ser listados – explica Robadey.
Segundo o subsecretário, tal expectativa encontra eco nos 2.550 pedidos de vistorias que chegaram à Defesa Civil até agora. Destes, 800 já foram atendidos. Robadey estima que o trabalho deverá levar ainda pelo menos dois meses.
Em fevereiro fará dois anos que o Ministério Público estadual ajuizou ação civil pública pedindo a remoção de casas erguidas em áreas de risco no bairro Floresta, um dos mais atingidos de Friburgo. Desde então, segundo o MP, somente uma liminar foi concedida, em março de 2009, ordenando o levantamento das áreas de risco. O processo até hoje tramita na Justiça. Nos últimos sete anos o MP moveu 21 ações semelhantes em Friburgo, sendo que 19 obtiveram liminar da Justiça determinando levantamentos de áreas de risco, obras de contenção ou até remoções em algumas das localidades devastadas pela chuva deste mês, como Floresta, Jardim Califórnia, Vila Nova e na área do teleférico, no Centro.
Em Petrópolis, um mapeamento de 2008 enumerava 102 áreas de risco, com pelo menos 2.400 casas e seis mil famílias que precisariam ser removidas somente no Centro – que não foi afetado desta vez. O mapeamento dos outros quatro distritos do município, segundo o secretário municipal de Planejamento e Urbanismo, Agnaldo Goivinho, já estava programado com recursos do PAC 2, aprovados no ano passado mas ainda não repassados. Goivinho diz que o número de áreas de risco deverá crescer porque somente o distrito de Posse, bastante atingido pelo temporal do dia 12, já contava com inúmeras áreas de risco ainda não catalogadas. Após a tragédia, o estudo terá ainda que incluir áreas antes não consideradas de risco, como por exemplo boa parte do Vale do Cuiabá, no distrito de Itaipava. Segundo o secretário, apenas um trecho de três quilômetros do Vale era considerada sujeito a inundações.
- A maioria das áreas de risco conhecidas ficam em comunidades carentes que não foram atingidas. No Vale do Cuiabá, o risco era de aluvião e agora temos problemas em encostas lá. O número de áreas de risco certamente vai crescer – diz Goivinho.
Já Teresópolis contava 93 áreas de risco – oito sujeitas a alagamento e o restante a deslizamentos – somente no Centro, segundo o Plano de Redução de Risco feito em 2008. Antes das chuvas, nesses trechos críticos havia pelo menos seis mil casas e cerca de 30 mil moradores. Segundo o secretário de Meio Ambiente e Defesa Civil, Flávio Castro, o mapeamento já precisava ser revisado para incluir áreas de risco conhecidas ao longo da BR-116 e da RJ-130, o que a prefeitura esperava fazer com recursos do PAC 2.
- O levantamento apontava, por exemplo, a necessidade de 1.500 remoções de famílias no Centro, das quais fizemos 200. Mas o grosso dos estragos aconteceu em áreas consideradas seguras – diz Castro.
EcoDebate, 27/01/2011


Comentários pessoais



A primeira conclusão que se pode tirar do quadro através de afirmações do tipo "Após a tragédia, o estudo terá ainda que incluir áreas antes não consideradas de risco" OU "O número de áreas de risco certamente vai crescer",ou ainda "Mas o grosso dos estragos aconteceu em áreas consideradas seguras", que em diversos lugares já escrevi e por vários fui refutado é que não há áreas de risco nestas cidades, estas cidades são verdadeiras áreas de risco. Pode-se chegar a mesma conclusão verificando que entre 2008 e 2010 já tinham sido catalogadas 230 áreas de risco em que habitavam mais de 42 mil moradores, e como ouve problemas em diversas áreas que não tinham sido catalogadas, para que toda a região de risco seja atingida dever-se-á mudar os critérios de avaliação fazendo com que o número de áreas de risco suba exponencialmente. Com estes novos critérios a serem empregados praticamente todas as cidades da Serra serão áreas de risco.

Como segunda conclusão, que fica clara no artigo, é que os critérios de definição de áreas de risco até agora empregados possuem vários erros conceituais , como os citarei a seguir:

(a) a busca de áreas de risco é geralmente feita em áreas degradadas, desde que ao meu juízo são áreas com mais risco, mas não as unicas


(b) todos se esquecem que o mecanismo de deslizamento é um mecanismo natural, produzindo a diminuição das montanhas com o tempo falando em tempo geológico, mas mesmo sendo os intervalos de tempo muito grandes esses fenômenos para uma pequena área ocorre em termos catastróficos. A degradação provocada pelo homem pode acelerar ou melhor antecipar o fenômeno para dada área. Entretanto em área não degradadas a natureza seguirá o seu curso normal erodindo áreas de montanhas ainda cobertas por vegetação nativa.

(c) a procura de áreas de risco é feita preferencialmente em regiões de população de baixa renda, como se a natureza fosse tão preconceituosa como o homem, julgando que somente pobres por não ter uma grande consciência ecológica deva sofrer mais a sua ira, esquecem todos que há vários critérios para uma escolha de lugar para morar e a segurança não parece a grande prioridade.
(d) o último ponto, e para mim o mais difícil de escrever, é que se julga que tanto engenheiros civis com formação normal ou um geólogos tenham competência técnica de definir claramente uma área de risco e dizer com precisão onde é possível construir construções imunes a estes tipos de desastres naturais, isto infelizmente não é verdade.

Peak Oil - Parte III: Mais uma teoria conspirativa ou como se esconde este enorme problema.


Com todas as conseqüências previstas e relatadas nas partes I e II deste assunto restam duas hipóteses (a) estamos na presença uma nova teoria conspirativa, como ETs que querem dominar a Terra, ou (b) como se esconde este enorme problema da população.

Talvez nem a hipótese (a) nem a (b), mas sim uma (c). Não é uma teoria conspirativa e todos nós procuramos ignorar o que é evidente para não pensarmos num futuro desagradável. Vamos então aos fatos.

Primeiro, teorias conspirativas são desmentidas ou no mínimo ignoradas pelos órgãos oficiais de governo, na maior parte do tempo não são contestadas e nada é feito para verificar seus efeitos.

Segundo, teorias conspirativas não ganham grupos de trabalho em parlamentos sérios como a Câmara dos Comuns Inglesa (All Party Parliamentary Group on Peak Oil - http://teqs.net/report/) e ainda mais uma comissão permanente.

Terceiro, se a expectativa de uma queda na produção mundial de petróleo não fosse algo real, grandes companhias de petróleo não publicariam gráficos mostrando este futuro.

Quarto, CEO das maiores companhias de petróleo do mundo não fariam conferências mostrando que o Peak Oil é real.

Quinto, universidades sérias em países sérios não deixariam seus alunos escreverem várias teses acadêmicas sobre o assunto.

Em resumo, o assunto é bem divulgado, se não queremos ouvir é outra coisa.

Quanto ao comentado anteriormente podemos fazer algumas ilações que são meras HIPÓTESES sem nenhuma validade científica, ficando no ramo “eu acho que é assim”, mas como não devemos e não podemos nos furtar de termos opiniões lá vão algumas que procuram entender a negação de todos (99% da população que tem noção que o petróleo é algo finito) dos problemas que vão advir.

1º Otimismo sobre a ciência:

Desde 1950 os físicos nucleares prometem a geração de energia por fusão do Hidrogênio, ou seja uma bomba H controlada que fornece energia sem a geração de resíduos radioativos. Porém, para a bomba H os cientistas provocaram uma reação em cadeia através de uma bomba atômica convencional, gerando uma descontrolada reação que produz muita energia em curto espaço de tempo. Em 1970 revistas científicas respeitáveis previam para o ano 2000 a presença de vários reatores a fusão funcionando a plena carga e resolvendo o problema da energia. Para controlar a energia da fusão os físicos propuseram um reator controlado por fortes campos magnéticos, e de três projetos distintos, um Europeu, um Norte-Americano e um Soviético, atualmente se concentra todas as esperanças no Projeto ITER, que começou com um orçamento razoável, e atualmente está já em vinte bilhões de dólares, prometendo que este primeiro protótipo funcionará em 2050! Sendo otimista, teremos geração de energia por fusão lá por 2060 a 2070, bem após qualquer data para o Peak Oil. Vejam os físicos se colocarem em funcionamento em 2050 o reator só vão demorar 100 anos para cumprir as suas promessas. Conclusões: parece que a ciência não dará a mão e os nossos físicos de hoje em dia deixam muito a desejar para os físicos do início do século XIX.

2º Ainda tem muito petróleo sobrando!

Os cálculos mais otimistas em base das descobertas de hoje em dia levam o Peak Oil para 2020 ou no máximo a 2030. E essas descobertas prolongam a data do Peak Oil para uma relação  EROEI (energy returned on energy invested) muito próxima da unidade (falaremos em outro dia o que significa este índice).

3º Há outras fontes de energia sobrando!

Até o presente momento nenhuma fonte se apresentou de forma satisfatória, o próprio carvão já entrou na discussão do seu Peak Coal. Que parece bem mais próximo do que se pensava (em torno de 2030). As fontes alternativas de energia, eólica, solar, biomassa e outras não mostram uma capacidade de satisfazer mais do que 10% da demanda. Países que estão optando por matrizes limpas estão gerando déficits incalculáveis devido ao subsídio dessas fontes. Estes subsídios são possíveis na medida em que as energias fósseis são baratas e funcionam como um subsídio cruzado (tira-se de uma e repassa a outra), quando estas energias atingiram um valor significativo o custo da energia para o consumidor levará grande parte de sua renda.

4º Método da Avestruz, se eu não sei do problema ele não existe. 

Sem comentários.

25 janeiro 2011

Peak Oil - Parte II: A Teoria de Olduvai, uma conseqüência político-social do Peak Oil.

Postulada a lei de Hubbert em 1956, comprovada a validade da teoria para o país que mais produzia energia e petróleo em 1970, pode-se perguntar:

-Surgiram novas revelações que invalidasse a lei de Hubbert?

-Apareceram hiper campos de petróleo que transferisse o pico para o ano 3000?

Nada disto. Além de descobertas de tecnologias de pesquisa e de exploração em águas profundas, descobertas de alguns novos campos na Sibéria e na região Ártica e em outros países o Peak Oil foi empurrado por mais duas dezenas de anos, em nenhum dos últimos anos as descobertas superaram o consumo. O ponto em que Hubbert imaginou que a necessidade do consumo ultrapassasse a capacidade de produção só foi empurrado alguns anos mais adiante, ou 2006 como pensam os mais pessimistas ou 2030 como pensam os mais otimistas, mas nada como o ano 3000.

O que acontece neste período é o aparecimento de teorias mais sombrias que dão uma interpretação de como a sociedade irá reagir perante o Peak Oil, a mais famosa de todas é a teoria de Olduvai.

O que de sinistro nos reserva esta teoria? Do que se trata? Enfim, quem a postulou e o que significa esta palavra, Olduvai?
Localização da "Garganta de Olduvai" 

Imagem aérea do "Rifte de Olduvai".

Vamos começar respondendo a última pergunta, Olduvai é sítio arqueológico existente na África, mais precisamente ao leste da planície do deserto de Serengueti no norte da Tanzânia, formada por uma enorme garganta originária de um rifte (denominação que os geólogos dão para fraturas no terreno originadas por afastamento de placas tectônicas). Bem esta fratura, rifte ou garganta (quem quiser que escolha o nome que melhor lhe convir), foi descoberta acidentalmente (literalmente) por um entomologista alemão (Wilhem Kattwinkel) que perseguindo borboletas caiu num buraco e após recuperar seus sentidos se deu conta que caíra num enorme sítio arqueológico, este enorme buraco é considerado hoje em dia um dos sítio mais importante do mundo para o estudo da origem do homem.
Escavações em Olduvai

Porque da importância deste sítio arqueológico? Primeiro ele se encontra numa zona seca, com as pilhas de material sedimentar didaticamente empilhadas e entre ela acham-se milhares informações arqueológicas que nos ajudam a entender a origem do homem em épocas anteriores a idade da pedra.
Fóssil do Crânio do Homem Habilis de Olduvai
Mas o nome Teoria de Olduvai é mais uma ironia do que uma alusão aos antropólogos. Na origem quem a postulou em 1989, Richard C. Ducan (um cientista polivalente licenciado em ciências, mestre em engenharia elétrica, doutor em engenharia de sistemas e aficionado pesquisador em antropologia e arqueologia) deu lhe o nome de "Teoria Transiente da Civilização Industrial". Como poucas pessoas sabem o que são transientes (engenheiros hidráulicos com noção de golpe de Aríete, como eu, ou engenheiros elétricos, como o autor) ele resolveu mudar para, The Olduvai Theory: Sliding Towards a Post-Industrial Stone Age, traduzindo livremente, "A Teoria de Olduvai: ir caindo de uma era pos-industrial até a idade da pedra", ou seja o caminho do homem da civilização atual para a volta de suas origens.
Gráfico mostrando a "evolução" da sociedade ao longo do período Industrial.

Em resumo teoria do nosso amigo, que trabalhou muito tempo na Arábia Saudita, é que a medida que o Pico do Petróleo vá se aprofundando a civilização industrial, que segundo o autor começa em 1930 volta a idade da pedra mais ou menos 100 anos após.A teoria se baseia tanto na penúria de combustível fóssil, quanto no comportamento humano egoísta de tentar guardar somente para sua tribo os recursos que ele consegue pilhar de outras nações.

Qualquer semelhança dos desdobramentos da Teoria de Olduvai com a guerra do Iraque é mera semelhança.

24 janeiro 2011

Peak Oil - Parte I: 1956, a origem de tudo.

1956, não é um ano de boa safra de vinho, de um grande evento político internacional, temos de relevante talvez a revolta na Hungria com a invasão das tropas do pacto de Varsóvia. No mesmo Brasil começa a indústria automobilística com a fabricação da fantástica Romi-Isetta, um carrinho com motor a dois tempos e 300cm³ de cilindrada. Talvez neste ano se comece a falar num assunto que nos dará saudades das Romi-Isettas que rendiam em média 25km por um litro de gasolina.


Neste ano um senhor denominado Marion King Hubbertgeofísico e pesquisador da poderosa petrolífera Shell trabalhava no coração da indústria de petróleo do mundo, em Houston, Texas, ele neste ano apresenta um trabalho no congresso do American Petroleum Institute na cidade de Santo Antônio, também no Texas, intitulado Nuclear Energy and the Fossil Fuels.

O que tem no trabalho de tão surpreendente para toda esta pompa e circunstância, nada que não se soubesse a priori, porém tinha algo que da mesma forma que no filme do Harry Potter, onde existe um personagem que ninguém tem a coragem de pronunciar seu, ele falou e quantificou o que ninguém tinha a coragem de falar, o Peak Oil.


Hubbert estabeleceu uma lei e uma sistemática de calcular quando seria o momento do Pico de Produção de Petróleo (Peak Oil) onde dali para diante a produção só reduziria, sendo menor do que as necessidades de consumo. Ele acompanhando a curva de produção de poços individuais de petróleo, que já era sabido que a curva tinha uma ascensão seguindo uma curva logística, para um posterior período com uma produção constante e finalmente seguir uma curva decrescente até esgotar o poço. Somando a produção de vários poços Hubbert verificou o surgimento de uma curva sem o patamar que atingindo o máximo começa a decair para nunca voltar mais ao máximo.


A curva de Hubbert é dado pelo somatório das curvas de cada poço.


Era um ano dos grandes carros, com a indústria de petróleo Norte Americana batendo recordes produzindo mais de sete milhões de barris por dia em aproximadamente 600 poços, e aquele geofísico de 52 anos colocava uma data para o fim de uma era de ouro da economia do petróleo. Ele previa para o intervalo dos anos de 1965 e 1970 a máxima produção de petróleo que os USA poderiam atingir, após esta data começaria a decrescer para nunca mais voltar ao máximo. Por cálculos semelhantes Hubbert previu o Peak Oil do mundo para o ano de 2000.


Dados oficiais Norte-Americanos da sua produção de Petróleo.


Suas palavras causam certa descrença na platéia, porém exatamente 14 anos mais tarde a produção norte-americana atinge o seu máximo com 3,52 bilhões de barris no ano para começar a cair e no ano de 2006 produz aproximadamente a metade do que produziu em 70.


A Curva de Hubbert prevê as reservas já utilizadas - azul - as que já estão descobertas porém ainda não utilizadas - verde - e as futuras reservas que serão ainda descobertas - amarelo.


Quais as implicações e quais as bases que esta teoria trás, primeiro temos o custo do petróleo, quanto mais ao fim da produção do poço mais caro se torna a sua extração, de centavos de dólar, que custavam a extração do petróleo antes da década de setenta, a extração do petróleo em média deve atingir custo de duas a três dezenas de dólares nos anos dois mil, podendo subir a muito mais do que isto nos próximos anos.


Figura original de Hubbert (1956)

Curva de Hubbert atualizada em 2007 - ASPO - levando em conta o óleo pesado e águas profundas.


Segundo uma sociedade que se forjou ao custo do petróleo barato, fazendo com que as pessoas morem mais longe de seu trabalho, viaje mais e por fim consumam tomates que vêem de 1500 km de distância ou mais, parece estar chegando ao fim, e com este fim poderemos ter um futuro muito sombrio.


Mas esta história não termina aí, vamos mais adiante.

23 janeiro 2011

Cronistas econômicos e do clima, mesma forma de manipulação de dados.


Muitas vezes se escuta uma chamada na TV para o telejornal ou para um programa sobre economia qualquer onde se escuta:

- Dólar baixou e a bolsa acompanha a queda das bolsas européias (ou vice-versa).

Como todos estão preocupados sobre a baixa do dólar e se a nossa economia está indo para o buraco, espera-se a notícia ansiosamente para ver quão negro será o nosso futuro. Depois de escutar notícias importantes como a da criança que caiu do alto de um pé de umbuzeiro (nem sei se pé de umbu é alto!) e não aconteceu nada, depois de ver todos os gols do campeonato português, da segunda divisão do sub-quinze do paulista e da alta audiência do Big-Brother 58, somos premiados com o que esperamos, o dólar depois de ter aberto a 1,678 reais, oscilado entre 1,720 reais e 1,645 fechou a 1,670, ou seja uma grande queda de 0,4% no dia, da mesma forma a bolsa caiu 0,01% no dia.

Para quem entende um pouco de mercados, fica com vontade de ou jogar a TV pela janela, ou entrar em surto por se achar o maior idiota do ano, ou procurar descobrir a onde é a casa do editor do tele-jornal para lhe fazer uma visita e lhe dar uma sova. Por que tudo isto? Porque a oscilação desse mercado está indicando que o mesmo está estável.

Agora o que ocorreu com o clima, exatamente o mesmo. Trombetas soaram, alarmistas esfregaram as mãozinhas e noticiaram:

- 2010 foi o ano mais quente que se tem notícia.

Qual a mentira?

Primeiro, alguns meteorologistas que ganham polpudas bolsas para pesquisar o aquecimento global, pegaram os dados do UK Meteorological Office Hadley Centre, Unidade de Pesquisa Climática (HadCRU), dos National Climatic Data Center (NCDC) e da National Aeronautics and Space Administration (NASA).ambos do EUA, e fizeram uma média. Sabendo que os dados são obtidos de forma diferente em com malhas espaciais diferentes e excluindo áreas diferentes, ou seja fizeram uma média de tomates com cenouras e abacaxis, só porque eles são verdes (ops, eles não são verdes).
Segundo, e mais grave, a diferença entre as médias deste ano e as dos anos de 1998 e 2005 foram de surpreendentes, tchan, tchan (para criar um clima dramático)

0,01ºC e 0,02ºC

ou seja, muito abaixo da precisão das medidas.

Isto é uma ENORME CARA DE PAU, as pessoas vão se lembrar da notícia e esquecer dos números. Se os mesmos fossem honestos diriam. O ano de 2010 teve o mesmo máximo de 1998 e 2005, caracterizando uma ESTABILIDADE após 1998, mas isto é pedir muito de pessoas que enganam a sua própria população apresentando falsas previsões de tempo.

Deslizamentos na Venezuela, uma tragédia não só esquecida, mas também desprezada.


Estava fazendo uma pequena pesquisa na Internet para complementar com dados uma descrição dos eventos ocorridos em dezembro de 1999 na Venezuela que causaram a morte de mais de 19.000 pessoas em estimativas conservadoras (Estimativa do USGS 30.000) . Já tinha colocado o título: Deslizamentos na Venezuela, uma tragédia esquecida. e quando comecei a pesquisar vi que é bem mais do que isto, é uma tragédia esquecida e desprezada.

No mínimo três vezes ao ano pesquiso dados sobre estes deslizamentos ocorridos no estado de Vargas, uma região central da costa sobre o Mar do Caribe, isto me serve para ilustrar as aulas de canais chamando atenção do que vem a ser um escoamento de um fluido Newtoniano (canais normais) e de um fluído não-Newtoniano (canais com mistura de água e sedimentos em grande concentração), ou também para ilustrar o estudo do comportamento reológico (não é geológico nem teológico) de um fluido (atenção, quem não for da área tenha uma certa paciência, pois uso este textos como uma atividade para-didática). Na maior parte das aulas que apresento este caso, meus alunos de engenharia civil ou ambiental, desconhece totalmente o ocorrido, como são jovens e o evento ocorreu quando eles tinham 12 a 15 anos de idade dou um desconto, pois este por parte de meus alunos não é o que configura o desprezo.

Voltando ao início, quando fazia a pesquisa verifique que em português não havia quase nenhuma referência, achei duas gentis notas, uma de um dos grandes jornais, que no aniversário de dez anos do evento simplesmente copiou nota da BBC, o segundo era um blog de uma gentil senhora que se lembrava do evento só que o localizou dentro de Bogotá e chamou o estado de Vargas de um bairro da cidade, ou seja, todos esqueceram.

Por que esquecemos do evento? Por ter sido um evento pequeno? Por ter ocorrido num país distante? Ou simplesmente porque odiamos ou amamos Chaves demais para dar importância a 30.000 mortos (dados do USGS).

O certo é que além de esquecida a tragédia foi desprezada, pois no nosso dia a dia cada tragédia ocupa o espaço da anterior, sendo a mais importante a que está mais próxima, física e temporalmente. Ótimo, somos um pouco individualistas, mas esquecemos que devemos com a desgraça dos outros aprendermos para que com nós não ocorra.

Para dar uma noção colocarei algumas imagens comentadas.

Vista geral do depósito de sedimentos em parte da cidade. Atenção onde só se enxerga sedimentos, tinham casas!

Vista de frente da cidade com as cicatrizes dos deslizamentos que ocorreram a partir das montanhas.

Foto de um dos edifícios que sobraram na cidade, importante, a pedra foi trazida pela corrente provavelmente a mais de cinco ou mais quilômetros de distância.

Outra vista da cidade, veja o telhado das casas que mostra a altura dos depósitos.






Mapa da região do estado de Vargas.

Foto da maior pedra transportada pela corrente. 10 x 5 x 3,5 metros.

Planta do delta fluvial provocado pela corrente, note-se que a corrente seguiu pelo plano até o mar.

Mapa geral de todos os deltas fluviais criados por este evento único. Se fôssemos qualificar as áreas como áreas de risco praticamente 10% do estado de Vargas deveria ser interditado.



22 janeiro 2011

Fotos recentes de Nova Friburgo e Teresópolis.




Essas fotos recentes de Nova Friburgo e Teresópolis mostram áreas que jamais poderiam ser construídas ou quando começasse a chover acima de determinado valor deveriam ser evacuadas.

Elas indicam que os deslizamentos podem começar em áreas não degradadas com cobertura vegetal e os efeitos podem passar da zona de alta declividade.


20 janeiro 2011

Na terra de Conan o magnífico o pessoal também é inconseqüente.

La Conchita: um exemplo característico de tipos de deslizamento e de comportamento humano.
(Nota: esta postagem permaneceu fora do ar por um dia para agregar os créditos das imagens)

A mais ou menos poucos minutos de carro de San Barbara na California encontra-se ao sul desta um vilarejo denominado La Conchita (34°21’50”N 119°26’53”W) atualmente este vilarejo possui aproximadamente 350 habitantes, ele está situado a aproximadamente 15 minutos de carro da cidade de Santa Bárbara na Califórnia (localizado ao sul de Santa Barbara e ao norte de Ventura).

O que tem de interessante neste lugarejo numa área tão nobre (praias da Califórnia) quanto a deslizamentos?  

Tudo.

La Conchita é um exemplo, para a sociedade brasileira, mais importante do que os deslizamentos que estão ocorrendo no Rio. Alguns nacionalistas poderão dizer:

 - O que pode ser mais importante para nós brasileiros, deslizamentos em nosso país com perdas de vidas brasileiras ou deslizamentos em outros países?

Respondo rapidamente, gostamos de nos intitular um país de imprevidentes e que não cuidam de sua vida, inclusive assisti no canal Francês uma repórter brasileira falando com um ar de mofa como somos imprevidentes em relação ao primeiro mundo. Olhamos para os deslizamentos no Rio culpamos os políticos, culpamos engenheiros geólogos, culpamos empreiteiros, culpamos São Pedro, nos culpamos e culpamos o dia em que este país foi descoberto, não sobra perda sobre pedra.

O que mostra La Conchita é que somos tão culpados de nossos erros como outras pessoas no mundo também o são.

A foto aérea a seguir de 2 de setembro de 1994, mostra o pequeno lugarejo de  La Conchita, nesta foto aérea uma pessoa comum não se nota grande coisa, porém vou relatar o que deveria ser visto e nas próximas fotos ficará mais claro. Uns 250m (800ft) da linha de praia (próximo ao marcador amarelo) começa uma escarpa com um ângulo de inclinação de aproximadamente 35° com cerca de 180m de altura (600ft) (Dados Jibson, Randall - USGS, 2005, Land Hazards at La conchita, California http://pubs.usgs.gov/of/2005/1067/pdf/OF2005-1067.pdf) que limita a expansão desta área entre o mar e a escarpa.
Foto aérea anterior a 1995 (em 1994), onde está o marcador é que ocorreu do deslizamento
(Fonte Google).
Após esta foto, vemos a seguir uma foto aérea frontal retirada de cima do mar. A diferença é da data e do registro do deslizamento ocorrido em 4 de março de 1995.

Foto aérea tirada em 1995 após o primeiro deslizamento.
Foto de R.L. Schuster, USGS - Landslide Types and Processes

Como se pode ver, este deslizamento atingiu quatorze casas mas felizmente não matou ninguém. Para este deslizamento autores diversos tem diversas classificações, a grande parte classifica-o como um deslizamento do tipo rotacional apesar de em determinados pontos apresentar características de “debris flow”. Um deslizamento rotacional tem uma geometria no seu movimento semelhante ao esboço da figura a seguir.



A origem deste deslizamento é atribuída a um ano excessivamente chuvoso para a região, conforme se vê no pluviograma a seguir:

Pluviograma de posto na região, fim de 1994 início de 1995.
Figura 4 de Landslide Hazards at La Conchita, California -USGS -Randall W. Jibson
Cabe destacar que nos dias que antecederam ao deslizamento não houve chuvas excepcionais, porém essas ocorreram em Janeiro e Fevereiro do mesmo ano.

Se as coisas tivessem ficado por aí nada haveria de excepcional neste deslizamento, entretanto após chuvas notáveis em 2005, conforme pluviograma a seguir, neste período entre dezembro de 2004 e janeiro de 2005 ocorreram grandes chuvas que em 10 de janeiro de 2005 causaram o segundo deslizamento.
Pluviograma de posto na região fim de 2004 início de 2005.
Figura 7 de Landslide Hazards at La Conchita, California -USGS -Randall W. Jibson 


Este segundo deslizamento, mostrado na foto a seguir, retrabalhou aproximadamente 15% da massa de sedimentos revolvida pelo primeiro deslizamento, com duas diferenças. Em primeiro lugar o transporte parece ter ocorrido por escoamento do material fluidizado (um deslizamento translacional – tipo “mud-flow”ou “debris-flow”) e em segundo, e muito mais importante, desta vez faleceram 10 pessoas. O volume de terra deslocado neste último deslizamento foi da ordem 250.000m³ enquanto no primeiro foi de 1.700.000m³, ou seja, mesmo com um volume muito menor ele se projetou mais longe e provocou danos pessoais muito maiores.

Uma informação importante que pode ser retirada de alguns artigos técnicos, a PROBABILIDADE DE OCORRER UM TERCEIRO DESLIZAMENTO NÃO É NULA.

Foto aérea retirada após o segundo deslizamento em 2005.
Foto de Allen Krivanek.
Para terminar o item de considerações incluímos as fotos tradicionais do político visitando o desastre, no caso não é o governador do Rio, mas o Conan o magnífico fazendo a sua demagogiazinha.

Conan o magnífico, fazendo a sua demagogia após o segundo deslizamento.
Foto de Robert Galbraith
Quais as conclusões que podemos ter do evento, muitas, vou procurar sintetizar as que eu acho melhores e quem quiser que comente o resto.

1° Que não só os brasileiros são temerários e irresponsáveis, consigo mesmo, depois de um enorme deslizamento todo mundo continua morando no mesmo lugar até que ocorra novo desastre.

2° Que o raio pode e cai muitas vezes no mesmo lugar.

3° Que todas muitas pessoas são dotadas de um cinismo imenso, mesmo sabendo que o evento poderia ocorrer, não procuraram sair da região de risco e quando ocorre o fenômeno atribuem culpas a todos.

4° (isto é mais técnico) Que deslizamentos tem diversos tipos, e que algumas vezes com pouca chuva pode ocorrer os eventos.

5° (também técnico) Quando ocorre um “mud flow” ou um “debris flow” (diferencio-os em função das características dos sedimentos) os danos não ficam restrititos a uma zona bem próxima à elevação.



Quais as conclusões que podemos ter do evento, muitas, vou procurar sintetizar as que eu acho melhores e quem quiser que comente o resto.

Só para mostrar que desde o início o deslizamento era previsível, vou mostrar uma foto anterior aos dois eventos de um enorme cânion situado a pouquíssimos quilômetros de La Conchita. Se olharem com cuidado verão que há uma enorme cicatriz relativamente recente que deve ter levado a costa vários milhões de m³ de sedimentos.





Imagens do Canion situado ao lado de La Conchita, antes e depois dos deslizamentos  (nada mudou, só a qualidade da foto)


16 janeiro 2011

A primeira divulgação da teoria do Aquecimento Global Antropogênico no Brasil.

Uma curiosidade muito grande, a primeira referência ao Aquecimento Global Antropogênico que vi escrito numa revista técnica é de 1939, na Revista Brasileira de Geografia. Neste ano, antes de todos os modernos teóricos do AGA o Dr. J.B. Kincer declara ao "Diário de la Marina", de Havana que a Terra tinha aumentado a sua temperatura em 11,7°F nos últimos 21 anos.

Isto é antes de tudo bizarro, pois o que uma notícia perdida numa revista técnica do então recente IBGE seria dado sobre razões antropogênicas de aquecimento global. Além disto a notícia havia sido publicada no "Diário de la Marina", em Cuba com um aumento estúpido da temperatura em 21 anos. Caso a previsão do autor seguisse estaríamos em torno dos 70°C hoje em dia.

Para não pensarem que estou viajando, coloco a cópia do artigo inteiro a seguir. Quem quiser é só olhar na RBG que está no site do IBGE.


Uma política para evitar tragédias com deslizamentos.

Fala-se muito da culpa de agentes públicos nas tragédias das chuvas de verão na Serra do Mar, agora se o problema é recorrente, se durante décadas não houve nenhuma proposta pública que evitasse tais tragédias talvez seja necessário entendê-las melhor para poder sugerir algo que surta efeito.

Uma coisa é a política de contensão de encostas em morros como os do Rio de Janeiro e de outras cidades, são problemas localizados em que na maioria dos casos há necessidade de fixar verdadeiros blocos de rocha desnudos em alguns pontos evitando os deslizamentos. Outra coisa é a realidade de toda a Serra do Mar com áreas mais ou menos alteradas pela mão do homem.

Na Serra do Mar se fossemos tentar mapear todas as áreas de risco, praticamente várias cidades deveriam ser riscadas do mapa, pois com maior ou menor probabilidade tanto as encostas como nos VALES há riscos de deslizamentos ou serem atingidas as regiões dos vales por “mud flows” ou “debris flows” (a diferença não é bem clara).

O que se deveria fazer para poupar as pessoas de desastres como os que estão ocorrendo é o estabelecimento de planos de emergência para desocupar áreas sujeitas a risco na eminência dos mesmos. Como? Muito simples. A base de ocorrência deste tipo de desastre em áreas amplas é a ocorrência de chuvas contínuas que saturam o solo e o liquefazem, provocando desde pequenos deslizamentos como grandes correntes de densidade que vão atingir as partes baixas (os vales). Para isto poder-se-ia ter uma política de alarme e prevenção que deveria ser baseada na União, nos Estados e nos Municípios.

Á União, através de seus institutos meteorológicos poderia estabelecer um centro de previsão interligando todas as informações dos radares dopplers existentes e a onde não houvesse cobertura adquirir e colocar em funcionamento radares para este fim. Da mesma forma utilizando todo o conhecimento das universidades, institutos de pesquisa e outras instituições, estabelecer protocolos de identificação de áreas de risco, classificando-as corretamente.

Aos Estados corresponderia a identificação das áreas de risco conforme os protocolos estabelecidos bem como montar o sistema de alarme que repassaria aos municípios as informações. Também aos Estados caberia o deslocamento de forças de segurança para a região de provável desastre.

Aos Municípios caberia a retirada das pessoas das áreas de risco com a posterior recolocação dos mesmos em áreas seguras.

Como estão vendo proponho uma ação articulada que custaria muito menos aos órgãos confederados do que custam as ações de emergência hoje em dia e o mais importante, evitaria centena de mortes.

15 janeiro 2011

Deslizamento e Mud Flow II: Algumas advertências iniciais.

Há mais ou menos cinco ou mais anos um grupo de professores do IPH com outro do departamento de solos da EE da UFRGS, vem discutindo sobre a criação de uma disciplina específica sobre correntes de densidade associadas ao estudo de estabilidade de taludes para dar aos engenheiros civis uma noção mais clara sobre um assunto que tira a vida de dezena de brasileiros por ano. Por absoluto falta de tempo e carga em horário em excesso nem um grupo nem outro consegue levar adiante o projeto, logo se vê que muitas vezes mesmo que se note a necessidade real de determinada ação esta esbarra em coisas prosaicas como falta de tempo.

Como uma pequena compensação para a ausência deste tipo de informação, vou tentar de maneira quase informal dar algumas “dicas” sobre o fenômeno e se alguém quiser alguma informação mais aprofundada poderei passar bibliografia específica sobre o assunto.

Não me dedicarei a falar sobre determinadas condições de instabilidade que são típicas da Mecânica dos Solos, assunto que toco por ouvido e se aprofundasse a chance de falar coisas erradas aumentaria exponencialmente. Feito este introito vamos a algumas informações iniciais.
1)     
  1. A Problabilidade de ocorrência de eventos como os que estão ocorrendo no momento:

Conforme se vê na planilha de catástrofes naturais postada no item anterior, (Deslizamento e Mud Flow I: Começando por uma estatística) a quantidade de acidentes com mortes causadas por deslizamentos é muito grande, provavelmente o quadro esteja incompleto e o número de mortes no período do quadro possa ser majorado no mínimo em 50%.

Como resultado disto vê-se que os deslizamentos são comuns e sua incidência não é algo recente causado somente pelo mau uso do solo, e muito menos pelo Aquecimento Global Antropogênico.
Para termos uma ideia da recorrência do fenômeno, vou colocar as imagens obtidas em 1949 pelo Professor  Hilgard O’Reilly Sternberg da Faculdade Nacional de Filosofia (não tinha curso de geologia na época) e publicado na Revista Brasileira de Geografia volumo 11 número 2 sob o interessante título:
Enchentes e movimentos coletivos do solo no vale do Paraíba em dezembro de 1948 – Influência da explotação destrutiva das terras.

Apesar das fotos não apresentarem uma boa qualidade (foram retiradas de um PDF), fica evidente que nas fotos 21 e 22 o autor deixa claro que mesmo em áreas com capoeiras essas foram transportadas por “solifluxão” (denominação utilizada pelo autor).

Se alguém está acompanhando o noticiário sobre os eventos catastróficos deste mês verá alguma coincidência com a foto seguinte.

A foto aérea a seguir, será muito parecidas com as fotos de eventos mais recentes, mostrando as marcas do processo erosivo nas montanhas. 


Chamo atenção que no caso relatado, havia plantações (café e milho) acima de um ângulo seguro e este mau uso do solo intensificou em muito o fenômeno, pois com chuvas relativamente pequenas os estragos foram enormes.

to
Os incidentes tiveram para uma área relativamente pouco povoada (para os padrões de hoje em dia) tiveram um índice de morbidez alto, aproximadamente 250 pessoas.