28 abril 2011

E o Sul do Sahara está se recuperando? (2)

Ainda é muito cedo para emitir opiniões, mas parece que o ciclo de seca que atingia a região ao sul do Sahara está acabando.

O gráfico mostra a quantidade de chuva que cai na região sub-sahariana, região que fica entre o Sahara propriamente dito e a África Central. O gráfico mostra um comportamento mais ou menos cíclico que parece parece encerrar o ciclo de seca que começou em torno de 1968, se em 2011 se repetir o ano de 2010 se confirma. Veremos.

Alguns meteorologistas procuram associar esta variabilidade cíclica a Oscilação Decadal do Pacífico, outros compõe com a Oscilação do Atlântico Norte, vou simplesmente colocar dois gráficos que mais ou menos representam estas oscilações e façam a interpretação, para mim não é tão claro. Talvez tenha-se que fazer um índice composto levando em conta as correntes no sul da África, infelizmente ou felizmente o clima não é tão simples.

Oscilação do Atlântico Norte.

Oscilação da temperatura no Alaska (observação que deu origem ao índice da Oscilação Decadal do Pacífico)

Na revisão do que foi escrito e olhando de novo a página da http://jisao.washington.edu/data/sahel/ que mostra estes resultados, se vê com mais clareza (segundo meu ponto de vista0 a recuperação através do gráfico das anomalias de chuva no período 1950 até 2010, como a seguir estará exposto.

Anomalias de chuva no Sahel, nota-se que a partir de 1994 começa um novo ciclo intercalando  anomalias positivas  com negativas, e após 2007 somente anomalias positivas.


27 abril 2011

Como vai a produção de Petróleo II?

Há uma grande incógnita na produção de Petróleo nos próximos anos:

Qual a capacidade de produção da Arábia Saudita?

Da mesma fonte que retirei a figura do post anterior Como vai a produção de Petróleo? (Stuart Staniford, in "Saudi Arabia did not make up for Libyan oil" http://www.theoildrum.com/node/7801) pode-se retirar o gráfico de produção da Arábia Saudita por um período mais longo (desde 1995), resultando na seguinte figura:


Produção de petróleo da Arábia Saudita nos últimos seis anos.


O gráfico anterior é um detalhe deste último, mostrando que há variações da produção de 7 milhões de barris por dia  até 9,5 milhões, ou seja uma variação muito significativa


O número 9,0 milhões de barril por dia parece um número mágico, ou é um limite físico da produção constante da Arábia Saudita ou é o limite da disposição dos Sauditas produzirem? Eventualmente, numa dada situação de mercado, eles ultrapassam este limite.


É importante destacar que a produção mundial está entre 89 a 83 milhões de barril dia, ou seja, os sauditas representam em torno de 11% da produção mundial, que é aproximadamente igual ao consumo. Como este se mantém estável devido a recessão qualquer variação na Arábia Saudita influencia no total!

Como vai a produção de Petróleo?

Comecei a um bom tempo uma série sobre o Peak Oil, que ainda não tive tempo para terminar, mas vamos colocar um interessante gráfico que mostra dois problemas que leva grande preocupação ao mundo todo:
Produção Arábia Saudita, Líbia e linha de tendência da produção da Arábia Saudita
No gráfico tens-se três linhas, uma primeira vermelha que mostra a produção do petróleo da Líbia, uma segunda em preto que mostra a produção de petróleo da Arábia Saudita e uma última, que eu acrescentei, que mostra uma linha de tendência da produção da Arábia Saudita.

O que se vê, primeiro o evidente, que a Líbia teve uma queda na sua produção, segundo, não tão evidente, que a produção Líbia já vinha com um pequeno declínio na sua produção (ou no mínimo estável), terceiro, que devido aos insistentes pedidos dos USA e seus aliados a Arábia Saudita tentou suprir a queda de produção Líbia, e por último, e mais preocupante, se analisarmos a curva de produção da Arábia Saudita, mesmo com o petróleo a mais de 100US$/barril, a Arábia Saudita apresenta uma curva decrescente de produção que nem compensa a perda de produção Líbia.

Agora vamos mais uma especulação do que qualquer coisa. Os Estados Unidos estão cientes do provável declínio da produção de petróleo da Arábia Saudita, assim como o que acontece na Arábia Saudita, já ocorreu no Mar do Norte e está ocorrendo do Golfo do México, não estaria os USA através das intervenções no Iraque e Líbia procurando garantir o futuro seu e de seus aliados principais em relação a segurança energética de forma preventiva?

Será que estamos nas primeiras feridas aparentes do Peak Oil?

26 abril 2011

A frase do Governador, um resultado do AGA: Tudo é culpa da ONU!

O governador do Rio Grande do Sul, o advogado trabalhista, especialista em processar a União e ex-ministro da Justiça, visitou recentemente a cidade de Igrejinha, que sofreu nesses fim de semana deslizamentos no bairro da Saibreira II matando 7 pessoas.

O senhor Governador (o de óculos escuro) apresentando sua solidariedade aos moradores da região.
Pesquisando na imprensa li as seguintes declarações do Senhor governador:

"A ocorrência do desmoronamento o governador classificou como imprevisível a tragédia, pois a área não era considerada de risco."

"Ele informou ainda que as mudanças climáticas estão trazendo efeitos brutais a muitas regiões do Estado. "

Na última notícia, melhorou um pouquinho, o ministro da Ciência e Tecnologia em visita ao estado declarou:

"O Rio Grande do Sul integra o Sistema Nacional de Alerta à Prevenção de Desastres Naturais, que vem sendo desenvolvido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. O sistema não é caro. O trabalho mais difícil é o levantamento das áreas de risco, que só pode ser feito em parceria com os Estados e municípios, além do fortalecimento das defesas civis”.

Vou agora comentar as declarações.

Primeiro a tragédia era imprevisível porque o município não tem como ter em seus quadros técnicos qualificados para determinar com precisão se uma ou outra área é de risco, um engenheiro ou um geólogo bem formado, conhecedores das suas profissões, não são GEOTÉCNICOS, é a mesma coisa de um excelente ginecologista-obstetra cuidar de um enfartado.

Segunda observação, a culpa não é nossa, a culpa é da ONU!

Terceira e última observação: O ministro está com a razão, a parte que o INPE vai criar é centena de vezes mais barato do que a inspeção "in loco" de áreas suspeitas a serem de risco, e ainda mais barato do que o projeto e construção de obras de mitigação dos impactos.

Pelo visto, o que vai ocorrer é nada, o projeto do Ministério da Ciência e Tecnologia, é de criar um sistema de alerta de altas quantidades de chuva, que após o oitavo alerta de uma região inteira, sem que deslize nada, ninguém vai se acordar mais a noite para sair de casa. Uma tarefa deste tipo deveria ter ações mais pontuais definindo com clareza zonas de risco que certamente não será feito.

Estou apostando que a definição das áreas de risco serão feitas por dados de sensoriamento remoto, cruzando mapas de declividade, solo e outras características, quando chegar a parte de olhar no solo, o dinheiro vai acabar, em resumo, não vai funcionar.

25 abril 2011

Deslizamentos, quem deve advertir sobre os riscos?


Desde o início do ano venho falando sobre algo que considero extremamente importante. Quem deve ser o responsável pela segurança contra deslizamentos.

Há pouco foi feito um levantamento, que não disponho no momento, dos acidentes naturais que mais causam mortes no Brasil, pensava-se que eram as cheias ou os raios, porém verificou-se que eram os deslizamentos de terra. Posto isto se começa a perguntar quem é o responsável pela segurança da população, os construtores, os prefeitos, o estado ou a união? Esta é a questão que pretendo resolver (ou pelo menos sugerir uma reflexão).

Com o desmonte do Estado promovido pelo Presidente Collor de Melo, certo ou errado, órgãos como o DNOS foram extintos, não restando em nível nacional nenhuma instituição federal que trabalhasse com obras deste tipo, note-se que a CPRM, que parcialmente substituiu o DNOS em várias atividades não tem como objeto de trabalho obras deste tipo.

No Rio Grande do Sul, secretarias de Estado foram esvaziadas sistematicamente transferindo suas tarefas para terceirizados que por sua vez terceirizam os projetos a eles entregues a profissionais de mais diversos calibres.

Órgãos executivos de obras estão totalmente em desuso, por dificuldades operacionais causadas pelas dezenas de controles estabelecidos por diversos órgãos, controles que se diga de passagem são tão eficientes como uma peneira que tapa o sol. Logo restariam ao estado atividades de diagnóstico e projeto.

Chamo atenção que no caso de deslizamentos, muitas pessoas acham que um geólogo ou engenheiro civil tem a perfeita condição de diagnosticar e sugerir obras de mitigação de impactos. Certamente se pré-definida uma área onde já ocorreu um acidente, como o caso de Igrejinha, tanto engenheiros civis (como eu) ou geólogos tradicionais (como os que mostrei as fotos e me ajudaram no diagnóstico - vide post anterior), tem condições de diagnosticar o que ocorreu. Ou seja, após o ocorrido é simples para qualquer profissional descobrir o que ocorreu! Entretanto olhar fotos aéreas, visitar regiões que há ligeira suspeita de probabilidade de risco, ou propor obras de mitigação, é algo que deve ser deixado para profissionais especialistas no assunto.

Em última instância o que estou dizendo, que para a segurança dos habitantes do nosso estado, uma secretaria qualquer (obras públicas, segurança, ou outra) deveria ter um corpo mínimo de profissionais, concursados ESPECIFICAMENTE para este fim, com habilitação e competência para cumprir esta tarefa de prevenir os acidentes.

Mais um deslizamento, agora no bairro Saibreira II. O que diz o nome?


Em vários pontos deste Blog defendi o ponto de vista que determinados tipos de deslizamentos são inevitáveis, adotei uma posição incômoda defendendo gestores públicos de fatos que eram maiores do que sua própria capacidade de resolver, fatos que são previsíveis numa escala de tempo geológica, ou seja, a unica coisa que se sabe é que um dia ocorrerão, daqui a uma década, um século, um milênio ou tempos ainda maiores.

Entretanto agora assumo riscos de opinar sobre fatos ocorridos neste último fim de semana que apresentam características bem diversas do que os eventos ocorridos em Teresópolis e Nova Friburgo no início do ano, falo dos eventos ocorridos na cidade de Igrejinha (RS) no bairro denominado Saibreira II.

Para quem não sabe uma saibreira é um local a onde se retira saibro, e saibro é uma decomposição de rocha em que estão misturadas argila e areia. Este material serve de base para diversas obras de engenharia civil, inclusive canchas de tênis como a de Roland-Garros.
Pilha de saibro.
Quando se escava uma região para se retirar saibro, cria-se um saibreira (óbvio) e esta saibreira se está numa encosta ela  necessariamente houve induz a modificação do equilíbrio da mesma.

Para se ver melhor a situação da região mostraremos algumas imagens retiradas do Google Earth, estou me confiando em informações retiradas de reportagens de jornal que definiram as ruas em que ocorreram os acidentes, e localizando essas ruas no Google Earth localizei o bairro da Saibreira II, ou seja, se algum dos dois passos estiver com um erro, ou o jornal noticiado errado o nome da rua, ou o Google Earth com os nomes errados das ruas, estarei na presença de um erro grosseriro e solicitarei para que quem leia me notificar para que corrija o mais rápido possível.
Vista tridimensional da região a onde está situado o Bairro Saibreira II.
Com os dados obtidos através da sistemática exposta, mostro a região do Bairro Saibreira II, note-se que na parte inferior do círculo está evidente a cicatriz do que foi a principal fonte da saibreira.
Vista superior do Bairro Saibreira II.
Porém o mais interessante se vê na vista superior do Bairro Saibreira II, quem tiver um olho treinado (para não ocorrer em erro mostrei para dois geólogos para confirmar o diagnóstico) identificará movimentos recentes de terra (poderão também ser obras locais que confundem quem olha a foto, para se ter certeza, somente olhando no local), que caracterizam uma instabilidade no terreno. Talvez a próxima foto mostre com mais detalhe a zona alterada.
Detalhe da região acima da zona edificada, com prováveis cicatrizes recentes de início de movimento de terra.
Atenção: Todo este diagnóstico é feito através de dados precários sem uma inspeção na área, para algo realmente conclusivo seria necessário no mínimo uma visita no local!

Supondo que a interpretação esteja correta, o que podemos concluir de tudo, primeiro que o acidente não é tão acidente assim, e segundo que deveríamos ter um serviço público centralizado no estado ou na união que além de diagnósticos mais precisos de zonas de risco sugerisse obras de proteção (quando fosse o caso) para evitar os riscos a população.

Energia Eólica também é perigosa. Mas como todos escondem seus crimes!


Em 20 de março deste ano coloquei referências aos grandes acidentes que ocorrem em barragens vitimando muitas pessoas. Coloquei o assunto sobre o título sugestivo "Esconder desastres não é novidade?" (http://engenheiro.blogspot.com/2011/03/esconder-desastres-nao-e-novidade.html). Neste título, apesar de ser um ferrenho defensor da geração hidrelétrica procurei desnudar a inocência em termos de segurança deste tipo de geração em relação à geração nuclear. Eu já tinha falado no assunto quando me referi ao acidente da Usina de Sayano Shushenskaya na Russia.

O objetivo disto é mostrar que todas as obras por melhor planejadas que sejam possuem riscos inerentes que podem causar mortes de operadores ou da população em geral.

Acidente em usina nos USA, sérias queimaduras ao operário
Outland Energy Services (Multa $378.000,00) 

Quanto a este assunto o pessoal da Engenharia Eólica não divulga exatamente nada, parecendo que este tipo de geração está livre de riscos. Passeando pela Internet vi num site português o levantamento expedito que o blogueiro fez dos acidentes em geradores eólicos somente em Portugal. Fazendo um levantamento não oficial através de notícias de jornal o nosso Blogueiro português chegou a um valor espantoso: 4 mortes, 4 feridos e 5 resgatados.



Vejam, a geração eólica é recente, se compararmos com as outras formas de geração de energia num intervalo de tempo razoável levando em conta o potencial gerado (horizonte de 30 anos, tendo-se em conta que as outras formas de geração de energia no mundo tem mais de cem anos e no mesmo período corresponderiam a quase 98% da energia gerada) se vê que a geração eólica é tão ou mais perigosa que as outras formas de geração.



O nosso blogueiro português, tomado um pouco pelo espírito nacionalista, compara a taxa de mortes em Portugal com o resto do mundo, e chega a um resultado absurdo. O número de mortes em Portugal corresponde a 5% das mortes no mundo!

Após esta constatação ele reclama, e com razão, que talvez o número de mortes em Portugal seja real e no resto do mundo o pessoal está escondendo. Chamo a atenção que a indústria portuguesa de geração eólica é tão ou mais moderna do que outras no mundo, suas fazendas estão todas em terra firma enquanto muitas fazendas de outros países estão lá no meio do Mar do Norte.



Considerando que os acidentes em usinas eólicas são pontuais, mata um aqui e outro ali, considerando que um operador que cair de uma torre de geração eólica de mais de 100m de altura no meio das ondas do Mar do Norte, possa ser declarado morto por afogamento! Acho a reclamação de nosso amigo português justa, ou seja, estão escondendo, como sempre, muitos acidentes que ocorrem por aí.

Progresso geração eólica.


Fazendo as minhas próprias pesquisas verifiquei que até janeiro de 2006 já estavam relatados 33 acidentes fatais em Geradores eólicos (http://www.portal-energia.com/downloads/ResumoAcidentesAero.pdf). 

Percentual da geração eólica no mundo.
Se imaginarmos que em início de 2006 a geração eólica correspondia a menos de 1%, e tomarmos 1980 como um ano de referência  do início da geração intensiva, podemos calcular em 30 anos menos de 0,02%. Fazendo algumas regras de três, para não complicar muito, teríamos o número de acidentes equivalente a outras formas de energia em torno de 165.000 acidentes fatais se fosse toda a energia gerada por turbinas eólicas.

Os cálculos poderão estar com alguns erros que não comprometam a ordem de grandeza, mas algo é certo não podemos dizer que a geração eólica é completamente segura.

18 abril 2011

Cana resfria o Ambiente.

Uma série de pesquisadores norte-americanos chegaram a uma conclusão que provoca um impasse em propostas de uso do solo (http://www.eurekalert.org/pub_releases/2011-04/ci-scc041411.php).
Eles verificaram por fotos de satélite que ao se cortar uma mata a temperatura do solo aumenta em 1,55ºC, porém eles também viram que usar o cerrado para plantar cana de açucar diminui em 0,93ºC  a temperatura do solo.

Cortar e eliminar todo este Bioma?



Para produzir isto?

Para mim isto é uma grande estupidez, mas se tomado isto ao pé da letra como atitude para diminuir o Aquecimento Global "Antropogênico" devemos acabar com o cerrado e plantar cana de açúcar.

Este tipo de raciocínio individual é que causa os maiores maus.

IH, foi mau, o nível do mar está baixando!

O título é provocador e na verdade ele está errado, explico o porque.
Com as últimas medidas de satélites está se observando uma queda global do nível do mar, diga-se de passagem esta queda não é consistente ao nível de se afirmar o que coloco no título, como não gosto de mentiras não gosto de fazê-las.


Então qual seria a verdade, a verdade é que diferentemente do que os alarmistas do Aquecimento Global Antropogênico falam não há a mínima tendência de aceleração da elevação do nível do mar, muito pelo contrário, as últimas medidas indicam uma tendência a inversão da variação do nível do mar.
Estes valores não são significativos ao ponto de se indicar uma tendência histórica de decréscimo do nível do mar, mas o argumento ao contrário, que já se demonstrava meio falso, começa a ficar perfeitamente falso. 

Os índios bonitos e os feios.

Posso até ficar chato, porém a injustiça que é feita com determinadas tribos indígenas no Brasil é algo espetacular, vou voltar ao assunto quantas vezes for necessário, para que pelo menos os meus poucos porém seletos leitores tenham uma visão sobre o assunto.

A cada dez dias um índio Guarani-Kaiowá se suicida no Mato grosso do Sul, esta taxa de suicídio chega a ser 18 vezes maior do que a taxa de suicídios da população brasileira em geral.

A maior taxa de suicídios ocorre na aldeia Bororó onde 13.000 índios vivem em 3.500 há (dá 0,23ha/índio – não dá nem uma chácara). Para variar a igreja na região continua a dizer bobagens, o bispo de Dourados diz que o problema não é só terra, que eles devem ser educados para outras atividades. Claro que todos acham que os índios não devem viver de caça e pesca, porém um mínimo para os índios viverem deve ser dados a eles.
Esta índia é Guarani (depois não venham me dizer que não são bolitos).

Cacique Guarani

Só para dar uma informação das coisas que estão erradas no nosso país, os índios Kayapós, que ficam enchendo a paciência da Usina de Belo Monte (que não irá inundar 1 km quadrado de suas terras) tem cada índio uma área de 2000 há. Por mais mato que tenha na Amazônia dois índios Kayapós possuem mais do que 13.000 índios guaranis é algo que nem o capitalismo selvagem explica. Diga-se de passagem, que 12% do território nacional são distribuídos para menos de 0,5% da população brasileira, os índios Bonitos, enquanto os índios Feios vivem amontoados como ratos, ou seja, não é que falte Terras Indígenas, o problema é que está mal distribuído.

Sting e Raoni
James Cameron e um Kayapó

Agora a pergunta que não quer calar, porque os artistas internacionais e diretores de cinema não olham para estes Guaranis?

16 abril 2011

Os ecopatas estão perdendo a noção e a grande imprensa indo atrás.



Saiu em diversos orgãos de imprensa em Portugal a brilhante proposta de colocar turbinas eólicas ao longo do trajeto do TGV (Train à Grande Vitesse - para nós brasileiros o trem bala) português para gerar energia eólica (vide http://aeiou.expresso.pt/tgv-pode-produzir-energia-renovavel=f640654).

É tão grande a estupidez da proposta que me surpreende ter passado batido por toda a grande imprensa portuguesa, se eles estivessem contatado qualquer um dos grandes mestres que a academia portuguesa tem, esses teriam poupado os nossos olhos de tamanha burrice (além de levado a esses professores instantes de diversão - eu que conheço alguns mestres portugueses já imagino as boas risadas dos mesmos).

Também vi num famoso Blog cético português uma referência à bobagem, porém o nosso amigo editor do Blog se enrolou todo e não disse qual era o erro (também comeu barriga).

O erro na realidade são três, primeiro a energia gerada no movimento do ar em torno do TGV é causada pelo movimento do próprio e se há limitações no escoamento deste ar, haverá ou diminuição na velocidade para a mesma potência consumida, ou aumento de consumo. O segundo erro está na geração de energia que deverá ser feita para movimentar estas pequenas usinas, como o fluido tem viscosidade, deverá se aumentar a energia do escoamento em torno do TGV e por consequência dissipar mais em forma de calor em função da turbulência. A terceira bobagem é um pouco mais complexa, máquinas hidráulicas sem carcaça, aplica-se a lei de Betz, lei deduzida por um físico alemão Albert Betz em 1919, que prova que para uma máquina hidráulica sem carcaça, contando só com a conversão da energia cinética para movimentá-la (pressão constante) a máxima eficiência que ela pode atingir é de 59,3%.

Podemos sem muito medo dizer que para gerar 1  kW de energia teríamos um consumo de aproximadamente 3 a 4 kW. Boa né.

15 abril 2011


Das primeiras interpretações mais refinadas dos desenhos rupestres de 20.000 anos achado na sala dos touros em Lascaux na França, supunha-se que nossos antepassados desenhavam os animais nas paredes com um sentido mágico, principalmente os animais em que pareciam fechas cravadas no seu dorso.



Os antropólogos achavam que as flechas cravadas nas imagens dos animais serviam para com a mágica melhorar as condições de caça, ou seja, a seta no desenho do animal levaria a flecha ao próprio. Esta interpretação já não é totalmente aceita e acho eu que posso corroborar com a queda de tal hipótese.


Tendo noção que o Homem do Paleolítico possuía o mesmo grau de inteligência que o homem de hoje em dia, supondo que o caçador que desenhava devia ser um ancião de vinte e poucos anos, posso estabelecer uma ligação de comportamento entre o nosso brilhante pintor do Paleolítico com os nossos também brilhantes engenheiros dos dias atuais.


Obviamente nossos jovens engenheiros não caçam bestas de grande porte como bisões e ursos, assim como o nosso brilhante artista da idade da pedra, não projetavam edifícios ou automóveis, porém, porém mesmo! 

Tanto um como o outro se dedicavam a uma tarefa em comum, o desenho. O jovem engenheiro desenha projetos, canos, paredes e uma série de outros elementos. O nosso pintor, que deveria ser um grande caçador também desenhava sua caça. Agora vem o detalhe importante, se o desenho servisse como uma atividade mágica, ligada ao fato do caçador já ter conseguido no passado realizar sua caça, o nosso jovem engenheiro também associaria o desenho a rápida efetivação do projetado.


Entretanto as coisas não ocorrem bem por aí. Estamos numa geração que mais convive com o mágico ou virtual do que o real. Além de celulares com imagens, esta nova geração convive diuturnamente com imagens em lap-tops, palm-top, net-top, desk-top e i-Pads em que a mágica de jogos está presente. Chamo mágica, pois estes jogos não respeitam uma relação clara de causa-efeito, levando uma falsa consciência que estas máquinas estão preparadas para resolver coisas em que elas nem sabem que é para fazer.


Além da ruptura da relação causa efeito há algo mais grave, o falta de respeito que a natureza tem com o elaborado ou editado no computador. Aqueles que dominam novos softwares de animação fazem belas representações tridimensionais de futuras obras, e ficam esperando que realizada esta animação ela magicamente se transporte a realidade inclusive corrigindo e completando todos os passos intermediários que não foram representados.


Vejam, o fantástico e o mágico, está mais presente nesta geração do que em eras passadas, e como este fantástico está permeando na cabeça de todos, cada dia fica mais difícil as novas gerações se livrarem deste mágico e olharem a natureza como ela é com todas as suas relações de causa/consequência.
Escrevi em outro post a minha alegria pelo surgimento do i-Pad, pois ele talvez faça o divisor de águas entre o lúdico e fantasioso do real sério. Com isto talvez nossos jovens engenheiros retomem o contato com a natureza, e o computador sirva para representá-la e calculá-la e não para substituí-la.

13 abril 2011

Balbina, o desastre ecológico e genocídio étnico! Será?


Se procurarem na Internet notícias sobre a Usina de Balbina verão títulos da forma “Balbina – a hidrelétrica do Caos” (http://www.sugarapido.com/deslocamento-compulsorio-da-populacao-indigena/)
Depois se olharem na época verão várias referências a invasões da TI (terra indígena do povo Waimiri Atroari e ao crime da retirada deste povo como em “Deslocamento compulsório da população indígena” (postado em http://www.sugarapido.com/deslocamento-compulsorio-da-populacao-indigena/)

Ou seja, se conclui que os engenheiros da Eletronorte eram verdadeiros monstros, podendo de forma moderna ser classificados como Genocidas.

Agora vamos falar daquilo que os ecopatas não gostam, do fim da história. Já no “Balbina – a hidrelétrica do Caos”, o autor deixa um indício que as coisas não se procederam bem assim ele fala bem no fim na indenização de US$12,1 milhões que os índios receberam, e esquecem falar dos royalties que continuam recebendo. Também neste artigo ele fala dos Tucunarés, peixes que segundo o autor foram extintos pela hidrelétrica.

E o que aconteceu?

Foto de um Tucunaré pescado na barragem (extinto, né)

Quanto aos peixes, os Tucunarés se vocês olharem no site de pesca “Fotos e pesca” (http://www.fotosdepesca.com.br/pesca/balbina/) verão que os alardeada extinção dos Tucunarés, e muito pelo contrário, JAMAIS EXISTIRAM TANTOS TUCUNARÉS como existem hoje em dia.

Índios dançando (provavelmente porque eles gostam de dançar, não para fazer espetáculo para ONG estrangeira)

Índios estudando (educação bilíngüe)


Depois os nossos pobres índios, em algumas reportagens havia alguns indícios do que tinha ocorrido, ou seja com o dinheiro os índios tinham largado a sua vida tradicional. O pessoal que falava contra Balbina só não dizia como foi este “largar da sua vida tradicional” olhando melhor e procurando qual foi o destino do povo Waimiri Atroari começa a se ter uma idéia do que foi este largar.

Oca tradicional (provavelmente com luz elétrica)


Primeiro, quando começou este “largar” da sua vida tradicional eles eram exatamente 374 pessoas (em 1987) agora eles são 1358 (dezembro de 2009) trata-se de um índice de crescimento de 5,2% ao ano (se não for o maior, está próximo aos mais altos do mundo), ou seja a demografia não mente. Além disto o índice de alfabetização (bilíngüe é claro) atingia 67% e outros índices de desenvolvimento humano estão lá em cima. (http://www.waimiriatroari.org.br/), em resumo a Hidrelétrica de Balbina reverteu todo o quadro de extinção que durante quatro séculos estavam seguindo o povo indígena.



Escola de uma das 21 aldeias.




Agora, os gases do efeito estufa?: Que se explodam!

12 abril 2011

Parece brincadeira, mas esta é a visão que se tem dos engenheiros.






Todo mundo conhece Bill Gates e Steve Jobs, porém poucos conhecem Tim Paterson e Douglas Engelbart, Tim Paterson foi um engenheiro programador que inventou o D.O.S. (sistema operacional básico de quase todos os computadores IBM-PC e compatíveis) que Bill Gate já tinha vendido a IBM sem tê-lo nas mãos.


Já Douglas Engelbart foi o sujeito que inventou o Mouse e a interface gráfica (a ideia de correr uma seta pela tela e identificando o que queria clicar sobre ela) que foi entregue de mão beijada pelos CEOs da Xerox ao Steve Jobs por aproximadamente US$40.000,00, tudo porque eles acharam uma gracinha que não serviria para nada. Parece que Tim Paterson vendeu seu DOS por algo em torno de alguns US$20.000,00 (não tenho certeza deste número) e Douglas Engelbart nunca ganhou um centavo de "royalty", por sua invenção.

Eu já escrevi neste blog mesmo esta história, não estou a repetindo porque me esqueci do texto, mas sim porque vejo que a nossa categoria não tem o devido respeito e reconhecimento da população em geral.

Com o saneamento, com equipamentos médicos e dentários cada vez mais eficientes, estamos cada dia mais prolongando a vida e a qualidade de vida da população, os nossos engenheiros agrônomos estão garantindo que bilhões não morram de fome, e daí por diante, e que recebemos com isto tudo. Um salário que quando a empresa for mal o proprietário sai com o que conseguiu sonegar do fisco e nós com o desemprego.

As próprias sociedades de engenharia dão mais ênfase aqueles engenheiros que criaram arquiteturas econômicas do que aqueles que realizaram proezas técnicas.

Desculpem-me os leitores, não estou num bom dia.

11 abril 2011

A ONU precisa chegar ao consenso.


O IPCC é um órgão oficial da ONU, a UNESCO também o é, o IPCC nos seus vinte anos de existência tem colecionado uma série de críticas sobre o ponto de vista científico e ético, por outro lado a UNESCO, excetuando problemas pontuais de má administração ou de problemas de alguns funcionários, vem colecionando sucessos na implementação do ensino e a pesquisa em todo o mundo.

Pois bem, os relatórios do IPCC de uma forma velada deixam a transparecer que haverá falta de água no mundo devido ao Aquecimento Global Antropogênico, já os relatórios da UNESCO deixam claro que esta falta é devida a incompetência dos governantes em promover a má gestão dos recursos hídricos.

Há um documento da UNESCO denominado Water a shared responsibility: The United Nations Word Water Development  -Report 2 - 2006, que deve ser lido por todos, ou pelo menos olhado uma vez.

Este documento, é um documento sério redigido por representantes de mais de vinte países, ele é sério sob dois pontos, porque ele não tira a responsabilidade de ninguém, só a coloca claramente os problemas da água.

Neste documento aparece afirmações categóricas tais como:

"....Shiklamanov e Rodda (2003) concluem que somente previsões observações gerais e têm sido obtidas com base nas avaliações dos impactos do aquecimento global sobre os recursos hídricos até a data. ...."

E o mais importante é mostrado numa figura síntese dos hidrogramas da soma das vazões por continente nos últimos 70 anos.


A figura é altamente significativa, pois é quase auto explicativa, a medida que mostra que a tendência das vazões nos rios é constante ao longo dos últimos 70 anos, mesmo assim colocarei aqui uma tradução livre do  texto que o acompanha:

“.....
Rios e córregos
Estima-se que em termos internacionais 263 bacias fluviais possuem uma área de drenagem que cobrem cerca de 45 por cento da Superfície terrestre do planeta (excluindo as regiões polares - Wolf et al. 1999, 2002) 231 milhões de km².
As vinte maiores bacias hidrográficas do mundo têm superfícies de captação variando entre 1 a 6 milhões de km² e são encontradas em todos os continentes. O volume total de água armazenado em rios e córregos é estimado em cerca de 2.120km³. O Amazonas transporta 15 por cento de toda esta água que retorna aos oceanos do mundo, enquanto a bacia do Congo-Zaire carrega 33 por cento do fluxo do rio na África (Shiklomanov e Rodda, 2003).
Variabilidade da vazão com que escoam os rios é representada em função do tempo por gráficos denominados hidrogramas. Em termos de variabilidade, Figura 4.4 (Digout, 2002) ilustra as três baixas e três períodos de alta vazão que foram experimentados no século XX, documentando as naturais flutuações na vazão do rio em termos de tempo e lugar. Esses tipos de variações periódicas não são particularmente previsíveis à medida que ocorrem com o irregular freqüência e duração......”

Se alguém estiver curioso, copie em pdf este arquivo e olhe as referências da relação aquecimento global antropogênico e a variabilidade da quantidade de água, não verão nenhuma nas mais de 600 páginas deste relatório, há referências sobre outros impactos e estas são feitas geralmente no condicional.

Para não faltar com a verdade há uma única referência do impacto do AGA no degelo do Himalaia, como esta referência se demonstrou uma grande fraude (reconhecida pelo IPCC e retirada de suas referências após 2010) não consideramos esta para fim de contagem.


O relatório da UNESCO de longe não se restringe ao que postei por aqui, ele é amplo e preciso. É técnico sem cair em tecnicismos, aconselho a todos darem uma olhada neste relatório, ele é bem diagramado com grafismos muito bem feitos, um não profissional da área consegue entendê-lo a 95%. Ele trata não só de quantitativos, mas de aspectos humanos da falta de água. Se tiver tempo volto a falar sobre o relatório em outros aspectos que ele apresenta.