31 maio 2011

Alemanha adota a técnica de bota e tira o bode da sala para resolver o problema energético.

Tem a famosa piada da família que estava descontente porque a casa era muito pequena e não cabia mais ninguém na sala, o sábio e velho pai chegou um dia na casa com um bode fedorento e o colocou na sala. Durante uma semana a gritaria foi geral, todos reclamavam, quando todos estavam prontos para uma verdadeira revolução, o pai levou o bode embora. Resultado, todos acharam fantástico e por muito tempo ninguém reclamou da falta de espaço!



A primeira ministra alemã acaba de noticiar a colocação do bode na sala, não é que o povo germânico irá criar caprinos com maior intensidade, mas vai fechar todas as usinas atômicas até 2022. O que acontece com isto? O percentual da produção de energia por usinas nucleares na Alemanha é de 23%, e as ditas fontes renováveis que são aproximadamente 16,5% deverão substituir a energia nuclear. Porém estes números escondem muita coisa.

Produção de energia na Alemanha  (Renewable Electricity Generation in Germany)



































Primeiro, desses 16,5%, 3% são provenientes de aproveitamentos hidroenergéticos, que desde 1993 não tem nenhum crescimento (vide tabela acima). Por outro lado as taxas da eólica e da biomassa parecem estar tendendo a estagnação, restando somente a mais cara de todas e fotovoltaica.

A grande incógnita está exatamente na energia fotovoltaica, se ela continuasse a tendência quase que exponencial de crescimento, mais ou menos em 2015 ela atingiria o equivalente da eólica. Entretanto os custos da energia fotovoltaica num horizonte de cinco a dez anos não tem nenhuma tendência de cair substancialmente. Os custos reais de energia fotovoltaica são dificílimos de serem achados, sabe-se o custo dos painéis, mas este é um dos custos, os outros são verdadeiros mistérios escondidos do grande público.

Outro fator importante que deve ser levado em conta é a quantidade de radiação solar que recebem os países do norte, podemos dizer que a relação entre a energia solar gerada próximo ao equador e na Alemanha é de 4 para 1, ou seja por mais eficiente que seja o seu aproveitamento, em termos comparativos a Alemanha sai com uma desvantagem que é difícil superar.

Mapa da variação da Irradiância no Mundo.


Em resumo vem à segunda parte, com a impossibilidade de gerar energia a um custo razoável levará a segunda opção, a geração com carvão ou gás natural, que somando essas reservas, dentro do consumo atual podem-se garantir no mínimo uns 50 a 80 anos, ou seja, tira-se o bode da sala.

29 maio 2011

Mais um trabalho de peso que indica que ainda não sabemos nada sobre o clima!


Uma equipe de peso formado por algumas das maiores universidades Norte-Americanas, institutos de pesquisas no USA, Europa e China, fizeram um primeiro estudo controlado sobre a influência de uma possível aquecimento do solo em florestas na captura de carbono e liberação do mesmo pelo solo.
(The Ecosystem Center, Marine Biological Laboratory, Woods Hole, Biology Department, Stanford University, School of Ecology, University of Georgia, Harvard Forest, Rutgers University, Research Designs, Lyme, Department of Biological Sciences, Dartmouth College, School of Forestry and Environmental Studies, Yale University, School of Forest Resources and Environmental Science, Michigan Technological University, Institute of Applied Ecology, Chinese Academy of Sciences).

O trabalho intitulado, "Soil warming, carbon–nitrogen interactions, and forest carbon budgets", foi publicado em 23 de maio de 2011 na Proceedings of the National Academy of Sciences of United States of America (PNAS). Ele lança um pouco de luz, mas mantém ainda muitas incertezas, no que poderia acontecer em termos de feedback de CO2 nas florestas semi-temperadas se a temperatura subisse.

Este grupo isolou uma área de 900m² (30m x 30m) de floresta em região temperada e aqueceram durante sete anos em 5°C. Adjacente a esta área, foi escolhida outra área equivalente para servir de controle da experiência. As áreas foram monitoradas durante oito anos (um ano de pré-tratamento e sete anos de coleta de dados). Foram quantificadas a captura de carbono pelas árvores e monitorado todo solo, onde se mediram diversas propriedades físicas e químicas. Também foram medidas as respostas do solo ao aquecimento quanto ao balanço de nitrogênio.

No início do monitoramento foram constatados perda de carbono do solo para atmosfera em função do aquecimento, porém até o fim do ensaio esta perda estava sendo compensada pelo ganho de tecido das árvores. Devido a responsabilidade do trabalho os autores tomaram muito cuidado nas suas conclusões, sendo bem econômicos nelas. Apesar desta economicidade  eles concluiram que para se ter uma imagem completa é necessário analisar não só os ciclos carbono-nitrogênio mas também efeitos de outros nutrientes, como o fósforo. Os autores chamaram atenção que a variação da disponibilidade hídrica e o efeito da temperatura na fotossíntese poderiam influenciar ao ponto de modificar os resultados.

Apesar das indefinições da volumosa pesquisa (em termos de trabalho experimental) eles chegam a conclusão que no fim do estudo 7 anos há quase um equilíbrio no ciclo do carbono. Isto ocorre pois com o aumento da captura de carbono pelas árvores, que  é atribuído a uma interferência que o aquecimento provoca no ciclo do Nitrogênio, contrabalança em parte a tendência inicial de perda de carbono no solo. Quem quiser mais detalhes sugiro que leiam o artigo.

Os gráficos 1 e 2 do trabalho mostram estas duas tendências, a diminuição da emissão de CO2 ao longo do tempo e o aumento do volume de co2 capturado pela massa vegetal.



Nos 7 anos do estudo o balanço ainda era negativo em termos de emissão de CO2, emitindo mais do que capturando, o diagrama a seguir mostra este balanço.


A partir do estudo realizado podemos pessoalmente chegar a algumas conclusões, tais como:

i)                    Pouco se sabe sobre a captura de carbono com o aumento da temperatura do solo.
ii)                  Que com estudos de 1 ou 2 anos não se pode neste caso concluir nada, pois o ciclo das plantas são longos e devem ser respeitados.
iii)                Que por mais precisos e bem delimitados que foram feitos estes estudos eles ficam restritos a um tipo de vegetação, típica da região semi-temperada em que foram realizados, e que se quisermos trazê-los para a Amazônia estaremos errando profundamente sem saber qual é a direção.
iv)                Que não adianta comprar computadores por milhões de dólares para rodar modelos matemáticos sem saber corretamente as relações de feedback.

27 maio 2011

A variabilidade climática está matando mais? Qual é a verdade?

Há uma IMENSA MENTIRA que nos aplicam diariamente, esta mentira divulgada por dezenas de ONGs que se dizem a favor da natureza e da vida. A mentira é que eles apresentam como um dos grandes motivos para a preocupação sobre a variação climática é o aumento de taxa de mortalidade causada por eventos extremos. Citam secas, inundações, temperaturas extremas (calor e frio), furacões e ciclones assustando todos sem a MÍNIMA DECÊNCIA DE DIZER QUE NÃO HÁ PROVA NENHUMA NESTA AFIRMAÇÃO. Utilizam esta alegação geralmente de forma emotiva se aproveitando INDECENTEMENTE DA TRAGÉDIA de muitos. Esta afirmação quando olhada de forma científica não resiste uma primeira análise.

Podemos afirmar isto tranqüilamente devido a diversos motivos:

Primeiro devido à diminuição da mortalidade causada por estes eventos em todo o mundo.


Segundo pelo inexpressivo efeito desses eventos na taxa de mortalidade humana em relação a outras causas que poderiam facilmente ser diminuídas caso se investisse nesta direção.


Terceiro porque morrem mais pessoas devido ao frio do que o calor.


Quarto e por último, e mais importante, caso todos estes recursos utilizados para subsidiar a energia alternativa fosse desviado para pesquisa médica, por exemplo, poderíamos salvar muitas vidas do que nesta luta teórica contra o "aquecimento global antropogênico".

Quanto à primeira alegação, de que as mortes estão aumentando com o efeito dos gases estufa, esta alegação fica perfeitamente desfeita com uma contagem sistemática e científica das pessoas que morreram em dois períodos, antes da "farsa da existência” do aquecimento global antropogênico do que depois da referida “existência” da mesma.

Indur M. Goklany publicou “Deaths and Death Rates from Extreme Weather Events: 1900-2008”, no “Journal of American Physicians and Surgeons”, Volume 14, Numero 4 em 2009,   alguns dados bem desconcertantes para os alarmistas do clima. Estes dados estão catalogados pelo “EM-DAT’s International Disaster Database” , um banco de dados mantido pelo “Office of Foreign Disaster Aid and Center for Research on the Epidemiology of Disasters (CRED)”, da ONU pela “Université Catholique de Louvain”, Bruxelas, Bélgica. Neste banco de dados todos os acidentes mundiais acima de um determinado número são catalogados para posterior ajuda pela ONU. Os critérios para que um evento entre neste banco de dados são dois, primeiro são catalogados todos os eventos em que morrem mais de 10 pessoas, e em segundo são catalogados todos os eventos que prejudicam mais de 100 pessoas.

As figuras 1 e 2 deste artigo falam por si só, a primeira mostra a média anual de eventos relatados (aqueles que as pessoas sofreram e foram catalogados no banco de dados). Esta figura mostra claramente que os efeitos do aumento da população e do aumento da facilidade de comunicação aumentaram significativamente os relatos dos acidentes climáticos. Estes são os números, que de forma indecente, os alarmistas noticiam, tratando-se de uma manipulação vergonhosa por não levar em conta o crescimento da população e a melhor comunicação, não considerando, também que hoje em os países estão muito mais abertos para comunicar seus acidentes.


Já a segunda figura mostra a taxa de mortalidade por percentual de habitantes, mostrando EXATAMENTE O CONTRÁRIO do que os alarmistas do clima tanto propagandeiam: O número de mortes relatadas É EXTREMAMENTE DECLINANTE QUANDO SE LEVA EM CONTA O AUMENTO DA POPULAÇÃO, ou seja cai 5 vezes das décadas de 20-29 para 60-69 e uma queda surpreendente de 10 vezes de 60-69 para 2000-2008.




Os números são acachapantes e mostram a ENORME MENTIRA que se está fazendo.

Também é impressionante a tabela que compara por acidentes o número de mortos por milhões de pessoas em secas, inundações, tempestades, deslizamentos de terra, temperaturas extremas e incêndios.



Fica evidente que secas e cheias, que matavam em média 90,06 pessoas por milhão de habitantes da Terra entre 1900 e 1989, na última década passam a matar 1,32 pessoas ou seja uma redução 68 vezes.

Com dados da Organização Mundial de Saúde, pode se comparar o percentual de mortes com eventos climátios no período 2000-2008, o surpreendente valor de 0,06% qualquer causa, podendo se retirar algumas conclusões.



Imaginem, se todo o dinheiro que está sendo posto fora (e são BILHÕES) fossem empregados para investigar uma vacina contra a Malária. Quando esta fosse erradicada cada ano de erradicação corresponderia a  QUARENTA ANOS DE ACIDENTES MOVIDOS PELO CLIMA.

Poderia chamar atenção que mortes por doenças cardiovasculares ocorrem preferencialmente no inverno (no frio, poderia citar dados de publicações com detalhes) o mesmo ocorrendo com problemas respiratórios e outras doenças, ou seja com o aumento da temperatura diminuem as mortes e não aumentam. Imaginem se alguns bilhões que estão sendo investidos no combate ao "Aquecimento Global Antropogênico" fosse deslocado para a pesquisa pública de algumas dessas doenças, se conseguíssemos diminuir em 5% da taxa de mortalidade das mesmas, seria muitas vezes maior do que as mortes em acidentes por clima .

Tudo isto demonstra a estupidez da “luta contra o aquecimento global”, que pelo visto causa problemas muito menores do que o frio. Mostra também quão escusos são os interesses para se usar tamanha vilania.

25 maio 2011

Thor Thordarson, guarde o nome deste vulcanólogo.

Lendo de forma despretensiosa notícias sobre os vulcões na Islândia me deparei com uma notícia muito interessante que passou batido tanto pela imprensa convencional como pelos Blogs, na edição do The Sunday Times, vi a previsão de um geólogo e vulcanólogo da Universidade de Edimburgo, que em seus estudos tinha chegado a conclusão que há um padrão para a erupção dos vulcões da Islândia.
Thor Thordarson
Thor Thordarson chegou a conclusão que os vulcões nesta ilha tem uma espécie de ciclo, com máximos e com mínimos, este ciclo é de aproximadamente 140 anos e na segunda metade do século XX a intensidade estava muito baixa, por consequência Thor Thordarson prevê intensas erupções daqui para diante. No texto da informação ele falava que provávelmente uns dos vulcões Grimsvotn, Hekla ou Askja poderiam entrar em erupção.


Até aí nada de grave, um vulcanólogo prever a erupção de um vulcão é algo de se esperar, porém as próximas previsões que são piores, há ainda os seguintes vulcões o Laki e o Katla. Tanto um como o outro são vulcões com maior capacidade de lançar cinzas na atmosfera do que os anteriores. Em 1783 o Laki teve uma enorme erupção que lançou tanta cinza na estratosfera que arrefeceu o hemisfério norte por três anos, causando perda de colheitas, que segundo alguns historiadores precipitou a Revolução Francesa.

24 maio 2011

E o Botulismo de novo.

Não é só no Brasil que há jogo de empurra, leiam aqui (utilizem o tradutor do Google) para ver a confusão entre agricultores, proprietários de biodigestores e governo alemão em geral. 

Confirmado o Botulismo em animais domésticos na Alemanha (Cães e gatos)

Conforme já publicado em item anterior que advertia o uso de resíduos de digestores anaeróbios para a agricultura pois estes poderiam propagar o Botulismo Cronico para animais Silvestres e Domésticos, tem-se a confirmação de parte da história, a história integral vinha de uma revista de caça que não é a fonte mais indicada para falar de ecologia!


Agora se tem uma informação bem mais confiável para parte da história, a Agrar- und Veterinär-Akademie (AVA) em Leer a Academia de ciências Agrárias e Veterinárias da Alemanha confirmou neste mês a morte de animais domésticos por Botulismo Crônico, se é pelos resíduos dos biodigestores ainda não foi confirmado, mas o pessoal está ficando preocupado que a doença está passando para os donos dos animai (não me pergunte como). Quem quiser confirmação leia aqui.

Número de tornados dentro do normal, furacões também.

Apesar de vários meios de comunicação começarem a tentar ligar o número de tornados e furacões nos Estados Unidos ao aquecimento global antropogênico, não há nada de anormal.


O que está acontecendo que depois de termos algumas temporadas extremamente calmas em termos de furacões e tornados, a natureza está agindo como quisesse retornar a sua média em termos de furacões e está atingindo áreas povoadas em termos de tornados.


Quem diz isto não é qualquer um, é Greg Carbin, do National Weather Service's  National Severe Storm Laboratory, exatamente o serviço norte americano responsável pelo acompanhamento desses eventos. Está tudo dentro de uma média, porém as pessoas esquecem que as médias são compostas de uma soma de eventos ao longo dos anos divididos pelos anos, ou seja, 10, 5, e zero, dá uma média 5, no ano que ocorre 10 se acha um exagero e no ano que ocorre zero todo mundo fica feliz e esquece deste ano.


Se alguem quer a entrevista na íntegra do Greg Carbin veja aqui. Exemplo de uma pergunta com uma resposta direta:

Have there been more tornadoes in 2011 than previous years?
Short Answer: No, the tornadoes are just hitting populated areas.

22 maio 2011

Atenção ao comer sua alface ecológica, lave-a bem, nela poderá estar a sua morte.


A revista alemã “Wild ud hund” (Natureza e cachorros), que trata de vários assuntos envolvendo a vida de animais selvagens e de cães (eles são caçadores, logo não são lá muito gentis com os ecologistas, então cuidado com esta informação!), chamou atenção por algo que se desconfia estar ocorrendo na Alemanha, a morte de animais silvestres, animais domésticos e infestações de agricultores, pela bela e inocente agricultura ecológica.

O que está ocorrendo na Alemanha, agricultores embalados na linha do ecologicamente sustentável e pela necessidade premente de energia, estão a partir de uma agricultura intensiva intensificando o uso de digestores anaeróbios, tanto para gerar adubos orgânicos como energia.

Qual é o problema, os geradores são anaeróbios, e este meio é o ideal para procriação do Clostridium Botulinum, uma gentil bactéria que geralmente era encontrada em alimentos estragados (enlatados ou conservas mal feitas). O que ocorre na Alemanha, a lama produzida nestes digestores, ótimo adubo orgânico quando corrigido o seu ph, é distribuída nos campos, restando alguns esporos deste bacilo que quando digeridos por animais voltam à vida e causam a morte. Se a carne está infectada pode atingir os humanos (quanto a isto constituir uma zoonose ainda não está tão claro, há suspeitas disto, mas certeza ainda não).



Qualquer engenheiro sanitarista, ambiental ou civil, sabe que a lama de digestores anaeróbios não deve ser utilizado para algumas espécies de culturas, como legumes, por exemplo, mas como a  necessidade de energia é grande, a lama está simplesmente sendo disposta nos campos e já em Vogtland (Saxónia) 600 vacas morreram e o próprio agricultor ficou pegou botulismo (se confirmado a contaminação pelos animais seria uma zoonose). Antes disto vários casos de morte de animais silvestres já tinha sido relatado.

Agora se na Alemanha, país em que os agricultores devem ter nível de escolaridade bem superior ao brasileiro, ocorre isto, que podemos pensar sobre o Brasil.

Pelo sim, pelo não, lave bem direitinho a sua salada orgânica e coloque bastante vinagre.

19 maio 2011

Cuidados serem tomados ao ler um blog para não ser enganado.


Muitos blogs que comentam clima tomam posições políticas partidárias tanto de um lado como outro. Têm-se blogs de esquerda, de direita e até de extrema direita, isto ocorre no Brasil, USA e em toda a Europa. Procuro evitar a tomada de posições partidárias, posições políticas não nos podemos e não devemos evitar, mas isto é outra coisa.


Chamo a atenção que utilizar a ciência para fazer um jogo partidário é extremamente danoso, pois uma coisa é ter uma orientação política e outra coisa é servir a ambições politiqueiras de pessoas quem ambicionam usar o clima, ecologia ou outras ciências para proveito pessoal ou partidário, nos Estados Unidos praticamente Republicanos e Democratas tomam posições contrárias em relação a fatos científicos, isto é um absurdo, tomar uma decisão política para enfrentar um fato científico é louvável.

Podemos exemplificar: saber os riscos e vantagens das usinas termonucleares é um fato científico, adotar uma posição contra ou a favor da implantação das mesmas a partir de uma real avaliação dos riscos e vantagens é um fato político, usar da política para dizer que uma ou outra forma de energia tem mais ou menos risco, é um fato partidário.

Insisto, temos que assumir posições políticas a partir da boa ciência, mas se invertermos a o raciocínio jamais poderemos ter uma boa ciência.

18 maio 2011

Mais uma notícia sobre o futuro da geração de energia.

No início deste mês fiz uma advertência sobre a não participação do Brasil no consórcio internacional de geração de energia por fusão, agora há mais uma vêz uma reportagem sobre o futuro da energia no mundo.


Sugiro que leiam "Aquecimento global não irá durar para sempre" e depois releiam o que escrevi. Devido a nossa ignorância e acharmos mais importante gastar com a Copa e com as Olimpíadas, vamos pagar caro por esta energia.

Bola no centro pois se começa nova partida, foi confirmado a variação do campo magnético solar influencia o clima.



Boas notícias para os incrédulos da teoria do Aquecimento Global Antropogênico, uma variável que era simplesmente desprezada parece que deverá ser considerada e esta variável pode explicar coisas que mudam todo os cenários de clima passado e futuro. 

Em todos os modelos de previsão de clima do IPCC a variação da atividade solar ou era simplesmente desconsiderada ou era considerada muito pequena. Esta hipótese até pouco tempo era sólida e razoável a tal ponto que não podia ser desmerecida. O que justificava a não inclusão da variação da atividade solar nos modelos de clima era baseada em dados medidos diretamente ou obtidos por proxies, estes dados mostravam que a variação da emissão total de irradiação solar (Irradiança Solar Total) durante um ciclo solar era menor do que 0,1%. Com isto não se podia criticar a não inclusão da variabilidade do ciclo solar na simulação do clima, porém uma coisa era sempre esquecida, a variação do campo magnético solar.






Variação da Irradiancia Solar ao longo de dois ciclos solares.




Também por medidas se registrou que diferentemente da Irradiança Solar Total há variações espantosas do campo magnético solar (heliosfera). Entretanto até quase o fim da década de noventa não existia nenhuma teoria consistente que correlacionasse a variação da heliosfera com o clima.

Em 1997 Henrik Svensmark e Friis-Christensen dois físicos dinamarqueses lançaram uma teoria que tinha tudo para dar errado de tão complexa que era, propondo uma ligação entre a variação da heliosfera e o clima.

De forma simplificada eles propuseram o seguinte esquema que vale no caso da diminuição da intensidade da heliosfera como segue, no caso do aumento o fenômeno age ao contrário:

i) Com a diminuição do campo magnético solar (heliosfera), diminui a proteção deste campo magnético contra o ingresso de raios cósmicos no sistema solar.

ii) Com o aumento de raios cósmicos no sistema solar esses penetrariam em maior número nas altas camadas da atmosfera, produzindo uma maior quantidade de aerossóis (processo não totalmente comprovado na época).

iii) Os aerossóis em maior quantidade nucleariam mais partículas de água, aumentando a camada de nuvens em grandes altitudes.

iv) Com o aumento da camada de nuvens, a irradiação solar refletiria nessas nuvens não ingressando em camadas mais baixas e diminuindo a radiação solar que tocaria o solo.

v) Com a diminuição da energia junto ao solo diminui o ingresso de energia na baixa atmosfera e finalmente,

vi) a temperatura da Terra  diminui (Ufa!).


Variação da Heliosfera ao longo de nove ciclos solares.




Como podem ver o caminho é longo e se qualquer uma das hipóteses não fosse observada toda a teoria seria inviabilizada. Para estabelecer toda esta linha de raciocínio o que Svensmark e Friis-Christensen dispunham em 1997 para comprovar a sua teoria? Várias coisas indiretas que poderiam ou não, estar correlacionadas.
Correlação entre raios cósmicos e cobertura de nuvens.





Primeiro: eles tinham registros históricos que correlacionavam quantidade de manchas solares com a intensidade do campo magnético.

Segundo: alguns anos de observação conseguiam correlacionar à variação do campo magnético solar com a cobertura de nuvens de grande altitude.

Terceiro: em vários lugares eram feitas medidas da incidência de raios cósmicos a baixa altitude e se verificava um aumento ou uma diminuição da heliosfera em fase com os ciclos solares.

Por último, e talvez o mais importante, eles tinham inteligência, um belo quadro negro e muita coragem para em 1997 enfrentar toda a turma do IPCC, sem ter em mãos grandes resultados experimentais.


Henrik Svensmark

Friis-Christensen

Depois de muita briga eles conseguiram um pequeno financiamento que foi utilizado para fazer um aparato denominado SKY, com este aparato eles começaram a tentar provar toda a sua teoria. O aparato gerava partículas semelhantes aos raios cósmicos e foi possível estabelecer uma correlação fraca, mas existente, entre as partículas e aerossóis.

A partir desses primeiros resultados tanto Svensmark e seus colegas, como outros centros de pesquisa partiram para vôos mais ousados. Com financiamentos bem mais vultosos, já no fim dos anos 90 e início deste século os dinamarqueses no National Space Institute na Universidade de Aarhus e o CERN (ex Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire atual Organisation Européenne pour la Recherche Nucléair), partiram para testar a teoria da influência da heliosfera no clima em instalações bem mais complexas. O CERN montou um projeto denominado CLOUD (Cosmics Leaving Outdoor Droplets) e a Universidade de Aarhus montou outro denominado ASTRID. O financiamento do ASTRID, conforme palavras dos pesquisadores foi bem menor que o CLOUD e custou aproximadamente 270.000€ (euros) em torno de R$640.000,00.


Aparato experimental ASTRID





Com estes dois equipamentos foi dada a partida para a verificação da teoria de Svensmark e Friis-Christensen, porém parece que mesmo gastando menos os dinamarqueses chegaram na frente. Neste mês de maio, os pesquisadores da Universidade de Aarhus publicaram no Geophysical Research Letters um artigo que apresenta os primeiros resultados conclusivos que validam a tese proposta, ou seja, a variação do campo magnético solar influencia no clima.

Modelo de Henrik Svensmark



Agora só falta quantificar o grau de dependência da quantidade de nuvens ao campo magnético solar, quando isto for concluído, esta forçante deverá ser incorporado nos modelos matemáticos do IPCC e simulado o clima a partir do zero, pois como estes modelos ignoravam solenemente a influência solar, no momento que a variabilidade da cobertura de nuvens for computada, tudo mudará.

Estamos no limiar de ter que botar a bola no centro do campo de novo e começar o jogo definitivo (ou não) do campeonato. Definitivo se as regras ainda não forem mudadas de novo.

Depois de muita espera, confirmou-se o que muitos desconfiavam, a variação do campo magnético do Sol influencia o clima!




Ilustração do efeito dos raios cósmicos entrando na atmosfera.

Energias renováveis cobrirão 80% da demanda global. Isto é o que diz o IPCC.

Olhando o site ambientebrasil há uma declaração bombástica predizendo um futuro róseo para o meio ambiente e para a humanidade, pois, conforme o IPCC, é previsto que a geração de energia a partir de recursos renováveis atinja 80% da energia total.

Se pesquisarmos a fonte desta notícia, um relatório especial do IPCC de energia renováveis (Special Report Renewable Energy Sources - Summary for Policy Makers), pode-se ter uma grande decepção. A origem dessa decepção, no meu caso, foi originada tanto pela forma da reunião que gerou o documento como pelo próprio, e além disto à origem desta última decepção está tanto nas conclusões relatório como na sua apresentação.


A primeira constatação que nos leva a desconfiar das boas intenções do grupo de trabalho, começa na escolha do lugar em que se desenrolou a 11th Session of Working Group III of the IPCC. Pois para esta reunião que se preocupa tanto com a falta de energia no mundo foi escolhido nada mais nada menos do que a cidade de Abu Dhabi, a Meca dos ricos e perdulários de energia no mundo. A burocracia da ONU escolheu como local para a reunião o lugar que é um contra-exemplo dos princípios que deveriam nortear esta reunião, o não desperdício e a sustentabilidade. Na classificação dos países conforme a sua "pegada ecológica", índice que indica os países que consomem mais ou menos energia. Imaginem quem são os campeões invíctos de perda de energia? Exatamente os Emirados Árabes. Esta posição vergonhosa pode ser vista na publicação do WWF de 2010. Podemos enxergar nesta escolha um verdadeiro "tapa na cara" no movimento ambientalista mundial ou um grande DEBOCHE do pessoal do IPCC com todos os países que contribuem para a ONU.


Agora falando sobre o documento, pode-se dizer que o mesmo é confuso demais (mais confuso que muito de meus textos) ou se olharmos com má vontade, dizer que ele é propositalmente confuso, possuindo gráficos com escalas de tal forma que para alguém sem uma boa formação técnica, pode interpretar errado seus resultados.




Neste documento, que aparentemente deveria mostrar as grandes soluções para as energias renováveis no meio do século XXI e em 2050 o IPCC coloca no etanol brasileiro e outras fontes de biocombustíveis bem menos nobres, como madeira e biogás, o título de grandes heróis das energias renováveis! Ou seja, o nosso velho etanol será responsável por grande parte do suprimento de energia renovável em 2050 do mundo.
Distribuição dos modos de produção de energia no mundo.
Na primeira parte do documento é mostrado o estado atual da geração de energia (2008) em escala planetária, onde as renováveis correspondem a somente 12,9% do suprimento total de energia, distribuída mais ou menos como segue; 0,1% energia solar, 0,002% energia oceânica (maré motriz e ondas), 0,2% eólica, 2,3% hidrelétrica  e 0,1% geotérmica. Restando como a grande vedete, a biomassa 10,2%. É desanimador em pensar que em 2008 esperamos contar em 2050 com energia da madeira, do álcool e de biogás para suprir nossas demandas.

A partir desses valores absolutos se entende o porquê determinadas fontes de energia renovável conseguem apresentar ao público em geral altas taxas de crescimento nos últimos anos, pois a base de crescimento é muito baixa. A eólica, por exemplo, cresce 30% ao ano, pois sobre 0,2%, 30% representa passar de 0,2% para 0,26%. Por outro lado o etanol aumentou só 10%, logo passou de 10% para 11%, ou seja, em termos absolutos o crescimento da energia eólica é pífio, 16 vezes menos que a biomassa, mas em termos relativos aparenta ser muito. Em resumo se a energia eólica crescesse a partir de 2008 com uma taxa espantosa de 20% ao ano, e a biomassa a uma taxa bem mais modesta de 2,5% ao ano, lá por 2033 as duas se encontrariam. Isto quer dizer que em cada seis anos a produção de energia eólica deveria dobrar e a biomassa poderia levar 40 anos para dobrar e atingir o mesmo nível que aeólica.
Gráficos com distorção de escala de capacidade de produção (IPCC).
Para mostrar esta disparidade da contribuição dessas formas de geração de energia e como o IPCC mascara a verdade. Mostrarei dois grupos de gráficos, o primeiro oriundo do trabalho com diferentes escalas que cada grande grupo de tipos de fontes de energia, e o segundo com uma mesma escala. Quem lê de forma precipitada os gráficos do trabalho tem a impressão que a contribuição das formas é praticamente a mesma, porém isto não corresponde à realidade.
Gráficos sem distorção de escala de capacidade de produção (eu).
Após os gráficos com escalas de geração de energia diferente, olhem o gráfico sem distorção de escala entre a Biomassa (fonte primária) e as Hidrelétricas e as demais (biocombustíveis, eólica, geotérmica e outras). As fontes de energia solar por painéis e oceânica nem foram plotadas pois a altura do gráfico no seu ponto mais alto, não passa da espessura de uma linha, tornando impossível representa-las nas mesmas escalas das fontes anteriores. Chama-se a atenção, que somado a geração de energia primária por Biomassa com os Biocombustíveis a diferença fica enorme.



Porém o mais interessante do relatório do IPCC por começa por aqui. Primeiro há uma tabela reveladora que mostra o custo da geração de energia por diversos meios, nesta tabela  são colocados os custos mínimos, máximos e valores médios para produção de energia, calor e transporte.

 Olhando rapidamente é possível se retirar algumas conclusões. Para geração de energia em relação aos combustíveis fósseis, só há uma forma a 100% competitiva, a hidroeletricidade, pois se olhando com cuidado o seu custo é bem abaixo do custo dos combustíveis fósseis. A biomassa apresenta diversos limites, todos competitivos, porém é importante notar que a geração eólica está bem acima. Disputando as piores posições estão a energia solar e a energia de oceanos. A energia geotérmica, que aparentemente não satisfaz a muitos, está dentro dos limites de economicidade. 

Para o transporte é interessante que só foi colocada a energia de biocombustíveis, as outras formas nem foram consideradas.

Agora o pessoal do IPCC, não sei se com a intenção de melhor comparar, ou para confundir mesmo, mostrou a evolução do custo de geração solar e eólica, com um belo gráfico log-log, ou seja com escalas logaritmas nos eixos das ordenadas e abscissas. Para quem olha com pressa não dá a verdadeira noção dos valores relativos.

Outro pequeno problema deste gráfico, que tanto para a geração solar como eólica, não está computado o armazenamento de energia, a noite ou dias sombrios no caso da energia solar, e nos dias em que não há vento, no caso da energia eólica. Logo os valores são somente dos painéis solares e de geradores eólicos.
Interessante notar na figura que numa data não mostrada entre 1984 a 2009 à energia eólica passou por um mínimo e começa a subir atingindo tanto nos USA como na Dinamarca em 2009 um preço 50% superior do que alguns anos antes.

Após uma série de considerações o IPCC gera diversos cenários, que se alguém estiver interessado leia o trabalho completo, porém fica claro pelas figuras que sob qualquer cenário a previsão de geração de energia pelo IPCC para 2050 é mais ou menos distribuída em 100EJ/ano para a biomassa, 20EJ/ano para as turbinas eólicas, a hidroeletricidade é um valor significativo, mas sem esperança de expansão na sua geração. Os cenários para a energia solar variam de algo em torno de Zero a 40EJ/ano (cenário mais positivo – neste cenário a biomassa geraria 150EJ/ano).


Como se vê para 2050 as perspectivas são que os 80% da energia gerada venham praticamente da biomassa, onde o álcool de cana é o principal artista, ou seja, para se conseguir isto devemos transformar a nossa agricultura numa enorme monocultura (desertos verdes) de cana de açúcar, desde São Paulo até o  Amazonas. E será isto que queremos? 


Eu, certamente não!

16 maio 2011

Procurando por aqui, procurando por ali, até que encontrei.



Quando coloco algum assunto no Blog, procuro redigi-lo com informações mais próximas das suas fontes. Como geralmente o que se lê num blog ou numa notícia de jornal no Brasil já é uma síntese de outra síntese de talvez uma resenha de um artigo científico, a informação chega muito truncada e com alguns erros. Passando esta informação por mais de um interlocutor ele vai adulterando conforme o seu juízo. Logo para ter certeza que o único que está distorcendo a verdade sou eu, procuro sempre o artigo original.

Hoje cheguei a duas fontes interessantes, uma reportagem no Correio Braziliense, intitulada  “Mudanças que marcaram a humanidade podem ter sido influenciadas pelo clima” que obtive após o terceiro salto na direção do artigo original e uma página na Internet de Palioclimatologos que apresentam uma série de artigos interessantes que posteriormente irei descrevê-los.

Para quem não tiver muita paciência sugiro uma pequena olhada no primeiro link, o do Correio Braziliense, que surpreendentemente está muito bem escrito destoando dos artigos de vulgarização científica que temos em outros jornais.

11 maio 2011

Eólicas, aos poucos a farsa vai se desvendando.



Quando se analisa a eficiência de uma instalação de energia qualquer é necessário levar em conta dois fatores, a capacidade instalada, ou seja, a capacidade máxima de geração de energia que numa situação especial pode ser atingida e a energia efetivamente gerada. Esta relação entre a capacidade instalada e a energia gerada varia de tipo a tipo de aproveitamento. No caso da geração eólica geralmente seus operadores e fabricantes divulgam com alarde o primeiro número, porém esquecem o segundo, ou melhor, o escondem.

Divulga-se muito pouco qual é a capacidade real de um aproveitamento de energia eólico, pois este talvez seja o aproveitamento em que há maiores conflitos entre a capacidade instalada e a energia gerada, em março deste ano saiu publicado um relatório intutulado “Analysis of UK Wind Power Generation – November 2008 to December 2010” que revela alguns dados verdadeiramente assustadores.

Alguns desses dados apresentados de forma reduzida foram destacados logo no início do trabalho causando muita preocupação em todos, quais sejam:

  • Mais da metade do tempo às usinas geraram abaixo de 20% da sua capacidade.
  •  Mais de um terço do tempo às usinas geraram abaixo de 10% da sua capacidade.
  • Em cada dia em doze as usinas geraram 2,5% abaixo da capacidade.
  • E em um pouco menos que um dia por mês as usinas geraram 1,25% da sua capacidade.

Em resumo, se tomarmos um valor de corte de 10% da geração da capacidade instalada, os consumidores ingleses não puderam contar com as usinas eólicas em um terço do tempo. Isto significa que para gerar algo razoável em mais de dois terços do tempo a potência instalada deverá ser 10 vezes a potência consumida, destaque-se que além de tudo sendo esta energia gerada em cogeração com outros aproveitamentos a irregularidade da produção eólica é acobertada pela entrada em funcionamento de outros sistemas de geração, se por acaso o sistema fosse composto só de geração eólica talvez os picos de produção não correspondesse aos picos de consumo e este e outros valores acima citados ainda seriam menores.

Com estes números é difícil em falar em geração complementar para suprir a falta de energia, pois na metade do tempo seria necessária uma geração complementar de 80% da geração instalada, em resumo o complementar é maior do que o complementado.

O estudo também indica que somente 30% da capacidade instalada consegue não falhar em mais do que 33% do tempo, por conseqüência este valor se torna básico para o cálculo, ou seja, pode-se contar somente 30% da potência instalada para suprir de forma assistida uma determinada demanda.

O que acontecerá no Brasil daqui a uns anos, quando os geradores eólicos atingirem um grau razoável da potência instalada no sistema nacional, se descobrirá que estes geradores não servem para nada além de levar o dinheiro do contribuinte.