06 setembro 2011

Qual a semelhança entre o falecido "Toninho Malvadeza" e e cientistas do IPCC.


Vou falar algo que para quem escreve para publicações científicas entenderá muito bem o que falo. Como diria o saudoso Toninho Malvadeza: “Para os amigos tudo, para os inimigos a lei”, para quem não sabe "Toninho Malvadeza" era o codinome dado ao falecido ex-governador e senador da Bahia Antonio Carlos Magalhães pelos seus desafetos políticos, enquanto para os aliados ele era chamado "Toninho Ternura".

Parece que o ditado está servindo não só para este famoso político baiano, mas para o pessoal do Aquecimento Global Antropogênico também.

Neste ano foram feitas três publicações sobre o mesmo assunto, a influência das nuvens no controle da temperatura, ou seja:


1) On the Observational Determination of Climate Sensitivity  and Its Implications  por Richard S. Lindzen and Yong-Sang Choi


2) On the Misdiagnosis of Surface Temperature Feedbacks from Variations in Earth’s Radiant Energy Balance por Roy W. Spencer  &  William D. Braswell


3) Cloud variations and the Earth’s energy budget por A.E. Dessler.

Tanto a publicação (1) como a (2) chegam a conclusão que as nuvens influenciam, já a terceira chega a conclusão que não. Na ciência isto ocorre geralmente, o tempo e as correções dirão quem está correto, porém, há um detalhe que colocarei que faz sentido principalmente a quem trabalha na pesquisa, o tempo que estas publicações aguardaram para ser revisadas e impressas.

1) Manuscript received 23 February 2011; revised 22 May 2011; accepted 22 May 2011

2) Received: 24 May 2011; in revised form: 13 July 2011 / Accepted: 15 July 2011 / Published: 25 July 2011

3) Received 11 August 2011; accepted 29 August 2011. (e já publicada)

Então vejamos,  as publicações contra as conclusões do AGA, são recebidas em fevereiro e maio e aceitas em Maio e Julho (publicadas semanas após), por outro lado a pró AGA é recebida e aceita com um intervalo de 18 dias (duas semanas).

Agora tem mais, na publicação (3) já havia no texto a seguinte observação:

….In recent papers, Lindzen and Choi [2011, hereafter LC11] and Spencer and Braswell [2011, hereafter SB11]…. 

Ou seja após menos de um mês de publicados os trabalhos (1) e (2) já apareceu um trabalho que é instantaneamente aceito criticando-os.

Conclusão lógica: Há uma ação entre amigos, os primeiro seguram os artigos de quem é contra, passam a informação para um outro, que aguarda exatamente a publicação dos artigos para questioná-los, e esta publicação, nem é revisada, é praticamente aceita automaticamente.

Conclusão final: O espírito do Toninho Malvadeza baixou em determinados cientistas.

05 setembro 2011

Os limites do crescimento. Malthus um pouco de História (ou até histórinha)

Sugiro que para aqueles que tem um pequeno conhecimento de história leiam rapidamente esta parte do texto, enquanto aqueles que tem um bom conhecimento de História o ignore. Qualquer pessoa que faça parte deste último grupo e envie comentários com os erros que perceberem, os seus comentários serão levados em conta e corrigidos no texto, entretanto por questão de pudor, não serão apresentados para o público em geral os comentários (só vai aparecer o nome!!!).

Os séculos XVIII e XIX foram para a Inglaterra um período de ouro de grandes autores, alguns que simplesmente nasceram neste país e outros que migraram para lá para ter condições de desenvolver suas teorias.

As grandes teorias econômicas,antagônicas, mas baseadas em leis desenvolvidas por seus autores, nascem no período que começa em 1776 com “An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations” de Adam Smith (16 de junho de 1723 – 17 de julho de 1790) e termina com o início da publicação de outra obra também importante para a ciência em 1867 “Capital: Critique of Political Economy” de Karl Heinrich Marx (5 de maio de 1818 – 14 de março de 1883). Entre essas duas grandes peças da economia mundial, Surgem outras obras, econômicas ou não, que viram de cabeça diversos ramos da ciência, suscitando polêmicas durante décadas (ou mesmo até nossos dias). Thomas Robert Malthus publica em 1817 “An Essay on the Principle of Population” e Charles Robert Darwin em 1859 “On the Origin of Species”.


Estes trabalhos que nasceram na Inglaterra num período de 91 anos, revolucionaram e continuam a revolucionar o pensamento moderno, e quem quer entender a ciência necessariamente deve conhecer estas obras (não sugiro lê-las, pois é necessária muita disciplina para lê-las integralmente).

A obra de Adam Smith, influencia em muito os próximos autores, pois pela primeira vez se começa interpretar o pensamento econômico através de fatos, e nos dias de hoje alguns jovens neo-liberais acham que depois de Adam Smith nada mais precisava ser escrito em termos de economia. Neste livro o autor lança a mão da expressão “a mão invisível do mercado”, como uma espécie de lei universal que auto-regula não só a economia, mas também vários aspectos de nossa sociedade. No seu livro lê-se a base da sua teoria que pode de forma grosseira ser resumida por uma de suas frases:

As every individual, therefore, endeavours  as much as he can both to employ his capital in the support of domestic industry, and so to direct that industry that its produce may be of the greatest value; every individual necessarily labours to render the annual revenue of the society as great as he can. He generally, indeed, neither intends to promote the public interest, nor knows how much he is promoting it. By preferring the support of domestick to that of foreign industry, he intends only his own security; and by directing that industry in such a manner as its produce may be of the greatest value, he intends only his own gain, and he is in this, as in many other eases, led by an invisible hand to promote an end which was no part of his intention.

A frase dá como certa a incapacidade do homem em trabalhar para um bem comum e estabelece que a ação de centenas de pessoas vendendo e milhões comprando é a única forma de estabelecer os valores para as coisas (ou seja a mão invisível do mercado). Thomas Malthus, aluno de Adam Smith, de alguma forma segue o mestre dando uma nova perspectiva a uma velha ciência, a demografia.

As idéias de Thomas Malthus, que era pastor anglicano, ultrapassam a nossa concepção atual de caridade cristã e transporta a ciência uma visão completamente eclética da auto-regulação das populações http://files.libertyfund.org/files/312/0093.01_Bk.pdf (livro 1) http://files.libertyfund.org/files/1945/0093.02_Bk.pdf (livro 2).

O trabalha de Malthus é referenciado por ter vislumbrado um grande problema no confronto do crescimento populacional e no crescimento da produção de alimentos. Porém para quem espera ver no livro de Malthus em busca uma boa introdução científica e do estudo da demografia, fica surpreendido com este livro. Ele é dividido em duas partes, a primeira em que o autor descreve da forma mais racista possível, ofensiva e inexata as populações em todo o mundo mais se baseando em opiniões pessoais de alguns exploradores Ingleses da época, do que em dados consistentes. Ele neste primeiro volume emite opiniões das mais disparatadas possíveis, desde digressões sobre a sexualidade dos índios da América como uma total descrença na capacidade da China possuir a população que possuía. Não há um reagrupamento dos resultados para uma boa análise.

No segundo livro cai-se quase num grande panfleto gerado para justificar a supressão das chamadas Leis dos Pobres, a bolsa família da Inglaterra do século XVIII.

Malthus, contrariando o que pensaríamos sobre um pastor, ODEIA TANTO A POBREZA COMO OS POBRES, e neste seu segundo livro não há uma só tabela ou descrição da evolução populacional ou da produção de alimentos, agora quase 60% do seu livro trata do erro que é ajudar os pobres, da necessidade da extinção da leis dos pobres e quanto ruim a todos é ajudar um pobre a sobreviver.

Para dar uma noção das idéias que Malthus tem sobre as Leis dos Pobres colocarei alguns destaques do seu índice, que para as palavras Pobres ou Lei dos Pobres ocupa três páginas, enquanto para a palavra População não atinge ¼ de uma página.


Dá-se crédito demais ao trabalho de Malthus, pois se olhado com cuidado não há o mínimo rigor tanto na coleta dos dados como no tratamento dos mesmos. Poder-se-ia desculpar Malthus pela época que foi editado a última edição (1826) entretanto considerando que seu mestre, Adam Smith, escreveu há cinqüenta anos (1776) um livro bem mais difícil que o de Malthus, com mais rigor científico, mesmo ele dispondo de  poucos dados ele os utilizou com cuidado e maestria

Agora uma coisa foi certa, o seu livro atingiu os objetivos desejados, levando o governo Inglês reescrever totalmente a Lei dos Pobres favorecendo os ricos. 

Os limites do crescimento. (Introdução)

Sofro de várias fontes críticas aos meus pontos de vista por contrariar algumas teorias econômicas modernas sobre os limites do crescimento. Identificam posições que tenho sobre aquecimento global antropogênico como uma espécie de adoração a "Deusa Tecnologia" e por conseqüência supor que a mesma resolverá tudo. Talvez em parte tenham razão, porém em uma pequena parte, e devido a isto vou explicar um pouco mais a minha visão do futuro. As críticas são baseadas na minha descrença sobre o fatalismo das "Bestas do Apocalipse" que vaticinam para breve o fim dos tempos causado pelos Limites do Crescimento.

A primeira proposta dos Limites do Crescimento surge no fim da década de 60, onde o chamado Grupo de Roma fundado em 1967 ou 1968 por uma elite Européia e Norte Americana (há locais que indicam David Rockefeller como um dos primeiros incentivadores e financiadores do Clube de Roma, entretanto não se consegue traçar com precisão a origem deste grupo). Este grupo, autodenominado "um grupo de cidadãos do mundo, compartilhando uma preocupação comum para o futuro da humanidade", começa a estudar até que ponto a Terra resiste à superpopulação e a extensão dos benefícios que os mesmos gozam da tecnologia atual.

Em 1972 o clube de Roma contrata um trabalho de uma série de pesquisadores do MIT para estes modelarem numericamente o impacto do crescimento populacional e seu consumo nos recursos naturais limitados. Estes pesquisadores publicam um livro denominado  “Limits to Growth” (Os Limites do Crescimento).

Para não faltar a verdade, vários livros com o mesmo objetivo foram publicados anteriormente, como por exemplo o livro Silent Spring (1962) de Rachel Carlson que já tive a oportunidade de comentar. Entretanto nenhum desses livros foi traduzido para tantas línguas (mais de 30 idiomas) e vendeu tanto (mais de 12 milhões de exemplares).

A abordagem empregada para este livro foi criticada por muitos, porém como na época computadores para os cálculos que foram feitos, não eram correntes, as críticas ficaram mais sobre aspectos conceituais. É importante destacar que na época em que foi rodado o programa para o estabelecimento dos cenários futuros muitos países possuíam estatísticas precárias.

Atualmente vários autores tentam provar a adequação das previsões dos limites do crescimento como um vaticínio para as populações pobres, há um trabalho de Graham Turner do ano 2008, intitulado "A comparasion of the limits to growth with thirty yeaars of Reality", que utilizando dados até 2000. O interessante nestes trabalhos é que os gráficos do aumento do consumo não levam em conta a desigualdade entre nações. E parece que tanto na análise dos autores do MIT em 1970, como dos seus "adoradores" nas décadas que seguiram levam em conta o exaurimento dos recursos naturais, mas ignoram sempre quem os consome. ou seja, o aspecto quantitativo do consumo e jamais o qualitativo.

Ignorar os aspectos qualitativos do consumo dos recursos naturais é simplesmente ignorar qualquer possibilidade de modificação mais radical da sociedade, não assumindo novos paradigmas que alteram por completo o quantitativo do consumo.