02 abril 2012

Mais um belo desserviço que o jornal Zero Hora dá aos seus leitores.


Em dois de abril (seria mais correto publicar no dia primeiro de abril) o jornal Zero Hora apresenta na página central do seu encarte intitulado, “O nosso mundo sustentável” mais uma bela peça de propaganda do alarmismo climático.

A reportagem começa com uma chamada bem eco-terrorista:

“A metamorfose da Terra em 9 pontos – As mudanças climáticas não significam apenas inundações, secas e ondas de calor. Elas trazem também vulcões em erupção e terremotos catastróficos.”

Bem no primeiro ponto já começa mal, coloca o fim do período glacial em época errada, 20.000 a 5.000 anos. Último período glacial, glaciação Wisconsin, ou glaciação Würms, ou ainda glaciação Laurenciana (nomes diferentes para a mesma coisa) terminou a aproximadamente 12.000 anos, esta data é um consenso entre todos os geólogos, variando em mais ou menos 500 anos conforme alguns estudos, mas nunca 20.000 anos nem tampouco 5.000 anos. 

Também esta era do gelo não foi “o mais profundo e tenebroso período glacial para o mundo”, há inclusive uma hipótese (não comprovada) que durante o período Criogeniano (790 a 630 milhões de anos) a Terra se viu coberta totalmente pela gelo, denominando-se “Terra bola de neve”. Pode ser que a hipótese venha ser considerada errada, mas certamente esta glaciação foi sim a “profunda e tenebrosa” da que conhecemos.


Registros dos últimos quatro períodos Glaciais.
Quanto aos Tsunamis, pequenos em relação a outros registros geológicos de Mega-tsunamis que já existiram, não há nenhuma afirmação em nenhum trabalho científico comprovado que descreva a intensificação dos Tsunamis na época atual, é só um golpe midiático.

Explosões vulcânicas, aí sim se registros históricos precisos que mostram que as erupções vulcânicas nas últimas décadas até diminuíram, na classificação intensidade de explosões vulcanicas tem-se diversas categorias (Volcanic Explosivity Index VEI), variando do Zero, os vulcões não explosivos até aos de classe 8 que são os colossais, o Eyjafjallajökull citado na reportagem teve uma erupção classificada como uma erupção de VEI 2 a 4, erupções como estas que ocorrem, estatisticamente falando, semanalmente (VEI 2) ou anualmente (VEI 4), ou seja de ocorrência normal. Só para comparar, em 1980 se teve a erupção do monte Santa Helena nos USA em 1980 (VEI 5), a do Krakatoa na Indonésia 1883 (VEI 6), o Tambora também na Indonésia 1815 (VEI 7) a maior erupção do mundo moderno, e finalmente pode ocorrer (já ocorreu no Plestoceno) no parque de Yellowstone nos USA um vulcão de VEI 8, que arrasaria pelo menos com 10% de todo os Estados Unidos.

Logo o Eyjafjallajökull, além de ter um nome impronunciável não passa de um vulcãozinho normal (já os vulcões Katla e Hekla que estão próximos...., mas isto é outra história), se consultarem as páginas de turismo na Islândia, há turismo de visita a vulcões!

Quanto ao aumento dos níveis dos mares, eles vêm subindo desde que se começou a registrar o seu nível por marégrafos a 150 anos, e a taxa de aumento varia entre 2mm a 4mm conforme as décadas estudas e local, ou seja, prever um aumento de 180mm a 590mm não é fugir muito do que está ocorrendo há séculos.

                             Nível médio do mar de 1880 até 2012. Dados marégrafos + Satélite.


Nível médio do mar 1993 até 2011 (dezembro) Dados satélite.

Quanto ao aumento de temperatura o assunto vai meio longe, mas suas previsões mais catastróficas não passam de 3ºC, e nunca 7ºC como um número cabalístico que deverá supostamente ocorrer em algum ponto no “oeste da China e Oriente Médio”.

A Groenlândia, conforme medidas realizadas perde de 3mm a 6mm de espessura de gelo em média por ano e últimas estimativas de perda de massa da Groenlândia (de 2002 até 2009) usando os dados do satélite GRACE, mostram que não há uma aceleração nesta perda, ou seja mesmo acelerando esta taxa exponencialmente, daqui a uns 5.000 anos ela ficará sem gelo.

Balanço de massa da Groenlândia a partir dos dados dos satélites GRACE , os valores estão e Gt 
Fonte:  Mass loss of the Greenland ice sheet  from GRACE time-variable gravity measurements.  2012. Gholamreza Joodaki e Hossein Navandchi in  Stud. Geophys. Geod., 56, 197-214   

Ou seja, artigos como estes levam a absurdos como o que presenciamos na TV, com um prefeito do interior do estado prevendo maremotos catastróficos a partir do calendário Maia, e outros indícios nada científicos.

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