04 junho 2012

Complementaridade da geração eólica com outros tipos de geração.


Muito se fala sobre a complementaridade da geração eólica com outros tipos de geração. Existe uma série de notícias em jornais e na Internet que dão como certa uma complementaridade da geração eólica no Brasil com diversos sistemas.

O trabalho mais clássico de todos é o de Amarante et alli (2001), denominado Wind/Hydro Complementary Seasonal Regimes in Brazil” (DEWI Mag, 19, pp.79-86). Este trabalho é utilizado intensivamente por vários outros trabalhos (inclusive dissertações e teses), nos parecendo um pouco impróprio o uso deste trabalho, não pela falta de qualidade do mesmo, mas por leitura incorreta do trabalho.

Talvez esta leitura incorreta seja um pouco induzida pelo título do trabalho “Complementaridade Sazonal dos Regimes Hidrológico e Eólico no Brasil”, que leva um leitor mais desatento pensar que os autores estudaram o regime hidrológico no Brasil e compararam com a intensidade de ventos médios no país, entretanto o que está apresentado no trabalho não é exatamente isto.

No trabalho de Amarante et alli (2001) só foram feitas somente duas comparações. A primeira entre 2 (dois) anos de medida de vento no Estado do Ceará com a média de 61 anos da geração da usina de Sobradinho no Rio São Francisco, ou seja, compara-se dados de ventos medidos em dois anos com uma média anual de 61 anos de geração hídrica em uma barragem.

Na segunda parte do trabalho os autores mostram que analisando os regimes de vento no Paraná durante o período 1994-1999, extrapolados, através de uma correlação entre as torres de medida de vento e dados de uma estação climatológica, estes dados de 1983 até 1999. Com estes resultados os autores deixam claro que não encontraram correlação favorável entre a geração eólica e o regime hídrico.

Outras citações numerosas são quanto a complementaridade entre a energia eólica e solar, estas sim são extremamente reveladoras, pois elas mostram que a energia eólica é menos disponível exatamente na hora de maior consumo e se formos complementá-la através de painéis foto-voltaico ela se torna completamente proibitiva.

Em todas am minhas pequenas pesquisas sobre fontes alternativas de energia, uma coisa que mais me surpreende é a falta de critério na escolha das fontes bibliográficas de trabalhos em seminários e congressos ou até mesmo em dissertações ou teses, apesar de farto material sobre energia eólica em revistas indexadas internacionais, a grande maioria das referências que vejo são de dados fornecidos por fabricantes ou mesmo de associações para o desenvolvimento da energia eólica (ou solar).

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