05 junho 2012

A Groelândia está derretendo, porém não é para os próximos séculos que ela ficará sem gelo!


Durante os últimos anos recebemos notícias alarmistas sobre o fim do Ártico no verão, já previram a mais tempo que entre 2010 e 2020 isto aconteceria, porém novas evidências bem recentes mostram outra história.

Imagens de satélites nos últimos 30 anos mostram um recuo nas geleiras da Groelândia e a partir dessas foram projetados cenários catastróficos que mostravam um futuro sem gelo para esta maior ilha gelada do mundo. Antes desta data as informações eram quase nulas, pois ninguém tinha o interesse de quantificar a variação das geleiras. Entretanto durante a década de 30, ou seja a 80 anos atrás os Dinamarqueses enviaram sete missões aéreas para fotografar a costa sudeste da Groelândia. Devido a Segunda Grande Guerra os documentos fotográficos que tinham sido tirados desde 1931 até 1933 estavam perdidos, só restando artigos que relatavam as espedições como “Dr. Knud Rasmussen's Contribution to the Exploration of the South-East Coast of Greenland, 1931-1933”.

Como o interesse pelo clima e pela situação das geleiras aumentou a busca dessas fotos também aumentou, resultando que uma série de fotos de 1931, 1932 e 1933 foram recuparadas, 36 fotos de 1931, 9 de 1932 e 212 de 1933. Compondo estas fotos com fotos tiradas pelos Norte-americanos durante a Segunda Guerra (1943 – 124 fotos) com mais fotos com um dos primeiros satélites espiões norte-americanos, a série de satélites  Corona, que tiravam fotos para a CIA entre 1959 e 1972 (somente em 2002 que as imagens foram desclassificadas como secretas e divulgadas publicamente) e mais as imagens de satélites civis como Landsat 1 (1972) Landsat 7 (2000-2010) e fotos aéreas de 1981 até 1985, foi possível montar o quebra-cabeças da situação das geleiras da costa sudeste da Groenlândia. (An aerial view of 80 years of climate-related glacier fluctuat ions in southeast Greenland, 2012 Bjørk, A. A.et alli Published Online: 27 MAY 2012 | DOI: 10.1038/NGEO1481 - Nature Geoscience)
Região abrangida pelo estudo.

Após todo este trabalho, mais arqueológico do que qualquer coisa, se chegou um retrato completo da velocidade de recuo das geleiras (e avanço em alguns casos).
Com isto verificou-se quatro períodos distintos de progressão das geleiras. Um primeiro, durante as décadas de 30 a 40 onde a velocidade de degelo era rápida, inclusive mais rápida em alguns pontos (sobre a terra) que os dias de hoje, um segundo período, entre 40 e 70 em que praticamente parou o degelo (avançando as geleiras numa quantidade significativa de pontos), um terceiro, onde há uma súbita retomada do degelo (~1970 até ~1980 – valores não muito claros para todos os casos), para por fim entre 2000 e 2010 retomar uma velocidade alta principalmente nas geleiras que estão em contato com o mar.
Taxa de perda de gelo (diagrama mais abaixo) e medidas de temperatura no mar (gráfico superior) e  terra  (gráfico do meio)
 A conclusão que nossos amigos Dinamarqueses chegam, é que o degelo continuará acentuado nas geleiras que tem contato com o mar e que a partir do momento que elas encontrarem a terra a taxa de degelo deverá cair a menos de 1/3 do que a atual.

Mesmo considerando que o degelo continue, algo que no momento diminui a quantidade de pessoas que acreditam nisto, a progressão de perda de gelo na Groelândia  deverá atingir valores do em torno de 10 m por ano, para uma ilha que tem centenas de quilômetros de largura, para esta degelar por completo, faltaria muitos séculos ou alguns milênios.

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