17 junho 2012

Sustentabilidade, muito se fala pouco se quantifica, ou ainda, a variação do preço do petróleo em função do EROI.


Em outros post (vide aqui, e aqui) descrevi um índice muito interessante que se trata do EROI (Energy Return On Investment), um índice que trata sobre a viabilidade da exploração de um tipo de energia em função da relação energia que se retira com a energia despendida. Por exemplo, se ao se retirar X kW de energia de uma fonte qualquer (petróleo, gás, hidroeletricidade, energia eólica, etc.) se consome 1 kW o valor do EROI é X, (fontes (A) e (B), produção de 20kW e 30 kW, consumo 1kW nas duas EROI 20 e 30, respectivamente) o EROI é extremamente útil na definição da sustentabilidade ou não de uma forma de geração de energia.

Este índice é fácil de entender e difícil de calcular, pois é necessário determinar todo o consumo de energia na cadeia de produção para a determinação do índice. Ele também é útil para mostrar que determinados tipos de geração de energia por biomassa são completamente antissustentáveis como, por exemplo, o álcool de milho e outros (o álcool de cana de açúcar está no limite).

A grande novidade é a relação que se obteve entre o preço do petróleo e o EROI do mesmo. Matthew Kuperus Heun e Martinde Wit, dois pesquisadores publicaram a pouco em Energy Police, um artigo sobre isto que chega a conclusões interessantes, o artigo é “Energy return on (energy) invested (EROI), oil prices, and energy transitions” e se encontra um resumo grátis em aqui.

Se a relação entre preço e EROI, que está relacionado diretamente com a abundância de determinado recurso mineral, fosse algo contínuo seguindo uma lei tipo potência, o trabalho não teria maior interesse, porém numa série de 50 anos de dados do preço do petróleo e o EROI deste (mostrando o aumento da dificuldade técnica em extrair este insumo) eles chegam a uma correlação importante, que permite uma série de conclusões:



A primeira grande conclusão é que tanto as altas do petróleo como suas baixas podem facilmente ser correlacionadas não simplesmente ao mercado, mas sim a ganhos tecnológicos na extração do mesmo.

Segundo, que a variabilidade do preço, com o embargo e posterior normalização, pode ser perfeitamente ajustada a uma situação de mercado natural sem as limitações impostas por problemas de guerras ou embargos. A figura 10 do trabalho que mostra um cenário um pouco caótico é ajustada pela relação, EROI/Preço.



Terceira conclusão, que abaixo de um determinado patamar de EROI as relações não lineares entre EROI e preço tornam-se significativas fazendo o preço do petróleo disparar, eles estimam que em torno de 20 a 10 este valor tende a crescer quase que exponencialmente, seria uma espécie de Fator Pânico (a última frase é de minha responsabilidade, não está no artigo).

Quarta e última conclusão, que o preço não é um bom índice para se preparar transições de energia, pois estes fatores não lineares falseiam a penúria do produto e induzem a pressões políticas que levam a recessão e diminuem a capacidade de investimento em outras fontes alternativas de energia.

Como uma conclusão pessoal, vejo que muito se discute em sustentabilidade, mas pouco se quantifica, ficamos a rebote de conceitos genéricos, como a pegada ecológica, e deixamos de lado a quantificação exata da penúria e do custo exato em termos ambientais de fontes energéticas e outras matérias primas.
Poder-se-ia quantificar algo semelhante ao EROI para matérias primas como o ferro, soja, gado, alumínio e terras raras, e a partir desta quantificação traçar projeções corretas da sustentabilidade ou não do planeta Terra.

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