26 fevereiro 2012

O filme, O fantástico mundo da geração eólica, com condições especiais.


Imagine que estás disposto ao ir ao cinema para assistir o filme, O fantástico mundo da geração eólica, para esta obra prima da tecnologia moderna. Para promover este maravilhoso passando o filme, há também uma promoção fantástica, para todos é divulgado um “press release” com suas condições especiais de exibição:

Não perca, O fantástico mundo da geração eólica, que já está em cartaz em nosso cinema. O governo federal, com aplausos da crítica da grande imprensa e dos blogs de esgoto, está incentivando esta obra prima da Cultura Internacional, para tanto o PRÓCINEMA já custeou todas as despesas de produção permitindo que o povo Brasileiro assista em condições especiais esta fantástica obra da cultura Internacional.

Por um preço especial, somente 50% a MAIS caro do que um bilhete comum, que é cobrado para assistir estes filmes nacionais de produção barata e direção nacional (com intromissão de estatais), terás o privilégio de assistir esta maravilha do cinema INTERNACIONAL (a produção, direção, e elenco são todos Norte-Americanos, Chineses ou Europeus!).

Para a população brasileira ter o privilégio de assistir esta maravilha da sétima arte internacional, os ingressos deverá ser comprados com antecedência. Após a compra dos bilhetes, será distribuída uma senha, e quando fores sorteado serás informado com 15 minutos de antecedência a hora que deverás ir a nossa sala de espetáculos.


Devido a grande demanda e por pequenos problemas técnicos que impedem a exibição em horários pré-estabelecidos, a chamada poderá ser feita a qualquer hora do dia ou da noite (inclusive de madrugada).


Chamamos a atenção, se não estiveres disposto a assistir o filme, no momento em que fores chamado, não terá reembolso e o seu bilhete perderá o valor. Afinal de contas, para ter o privilégio de assistir - O fantástico mundo da geração eólica, você deverá estar livre em qualquer momento, 24 horas por dia e 7 dias por semana.


Pergunta: Você compraria este ingresso? Acho que não! Entretanto estamos comprando a geração eólica!

25 fevereiro 2012

Nada resolvido quanto ao efluente de biodigestores.


Depois da mortandade de cachorros, animais selvagens e vacas na Alemanha por Botulismo, levantou-se a suspeita que isto era causado por lodo de biodigestores (veja aqui) que são lançados “in natura” nos campos. Para investigar o ocorrido o governo alemão convocou o Instituto de Fisiologia de Medicina Veterinária de Hanover (Institut der Tierärztlichen Hochschule in Hannover), para dar uma resposta. Pesquisando 15 biodigestores os cientistas concluíram que não acharam nenhum organismo patogênico no lodo do esgoto dos biodigestores desses 15 equipamentos, entretanto não há nenhum esclarecimento se estes testes foram realizados em Biodigestores que deveriam ficar no mínimo meia hora a 70ºC para pasteurizar o lodo ou se foram operados nas temperaturas normais de utilização entre 30ºC a 40ºC.

Mais uma simpática vaquinha! (podendo morrer de botulismo)


Com o acidente em Fukushima a primeira ministra alemã prometeu fechar todas as usinas nucleares e a Alemanha tem hoje em dia aproximadamente 7100 usinas de biogás gerando energia, sendo que destas 1200 foram construídas no último ano, deverá construir mais milhares delas.

Outra dúvida que deixa a pequena informação sobre a pesquisa é se as conclusões que a bactéria EHEC (Escherichia coli) que segundo os pesquisadores não se procria dentro do Biodigestor, se o mesmo ocorre com a cepa mortal (Escherichia coli O104: H4 ) que no verão de 2011 calsou 16 mortes na Alemanha e uma na Suécia, sobrevive nas duas situações (baixas e alta temperaturas).

Já há uma boa discussão legal na Alemanha sobre a legislação para atribuir responsabilidades aos operadores do sistema e com o aumento desenfreado dos biodigestores a discussão parece se agravar.

24 fevereiro 2012

Greenpeace mente?

Na página em que está o Junte-se a nós do GreenPeace da Brasil  está escrito literalmente o seguinte: 


"Junte-se as mais de 3 milhões de pessoas em todo o mundo que apoiam o Greenpeace, defendem ativamente o meio ambiente e acreditam que um futuro mais verde e limpo é possível. O Greenpeace não aceita doações de empresas, governos ou partidos políticos. Conta somente com o apoio de indivíduos como você. Faça parte!"
O grifo é meu


Porém na página do Balanço Social da RBS de 2009 aparece o GreenPeace como tendo recebido R$278.978,20 deste grupo de mídia riograndense RBS em 2009.


Ou o Grupo RBS não é uma empresa (?) ou o GreenPeace está mentindo.


É importante destacar que o GreenPeace está recebendo mais dinheiro do que todas as APAEs do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, do que o Banco de Alimentos do RGS e do Instituto da Criança com Diabetes.


Parece que além de haver alguma omissão do GreenPeace sobre o seu financiamento, também o Balanço Social do Grupo RBS, não é tão social assim, para eles á mais importante salvar os Ursos do Ártico (que não estão em perigo - sua população está aumentando) do que ajudar crianças com necessidades especiais no RGS e SC.

22 fevereiro 2012

Politicagem, ciência e clima. Porque os Estados Unidos estão perdendo a dianteira no estudo do clima.

A poucos vazou na rede uma série de informações do Heartland Institute , este instituto é uma das fundação privadas de direita norte-americana que se dedica a divulgar e incentivar uma série de idéias tais como, a extinção da saúde pública, modificações na legislação de ensino e daí por diante. Em resumo, este tal Heartland Institute é um dos braços da intelectualidade da direita norte-americana filiada ao partido Republicano. Como Al Gore, filiado ao Partido Democrata e lançou o seu filme de propaganda “Uma Verdade Inconveniente”, e os democratas estavam ganhando votos com as teorias do Aquecimento Global Antropogênico (AGA), automaticamente o Heartland Institute passou a subsidiar campanhas anti-AGA (sobre o pretexto de favorecer a livre iniciativa).

 

A filosofia do Heartland Institute é se os democratas apoiam uma ideia nós republicanos que somos contra aos democratas seremos contra esta ideia (independente dela estar certa ou errada!), ou seja, tudo que vem dos democratas é de esquerda e como somos de direita somos contra. Esta lógica no caso do AGA contraria a própria história do uso político desta teoria, pois ela começou a ter suporte estatal na Inglaterra exatamente durante a época da Madame Margaret Hilda Thatcher, primeira ministra conservadora (extremamente conservadora) inglesa (1979-1990) para combater os sindicatos mineiros que geravam muito CO2 em contraposição as usinas atômicas para lá de limpinhas. Também os presidentes do partido Republicano jogaram dinheiro de roldão para financiar a Teoria do AGA (Reagan e subseqüentes).

 

No meio desta confusão toda se estabeleceu verdadeiras torcidas, “racionais” como todos torcedores de futebol, os Pró (Palmeirenses) e os Contra AGA (Corintianos), deixando de lado um visão racional da ciência, isto ocorreu principalmente nos Estados Unidos. No Brasil há também uma tendência em associar pró-AGA como esquerda e contra-AGA como direita, não darei nomes de sites que adotam esta divisão “racional” para reportar estudos científicos, pois logicamente estarei incentivando a cretinice e a estupidez.

 

Assim como a Fundação Rockefeller e centenas de fundações privadas norte-americanas o Heartland Institute se dedica a financiar pesquisadores e simpósios a favor de suas idéias, no caso contra a teoria do AGA. Os fundos destas fundações provém dos mais diversos financiadores privados, que por razões múltiplas e para não ficarem identificadas com todas estas confusões políticas (contarem com as benesses dos republicanos e democratas), preferem manter o anonimato por razões lícitas e ilícitas. No vazamento de informações não se viu rios de dinheiro, mas, por exemplo, uma empresa que estiver financiando estas campanhas, e se Al Gore algum dia for eleito presidente da república, não ficaria muito satisfeita por ter seu nome divulgado.

 

Nos documentos vazados não se achou nada interessantes, entretanto havia um memorando de uma das reuniões de diretoria bem mais comprometedor. Segundo o Heartland Institute, este memorando é falso (os outros documentos eles não negam). Ele tratava de uma estratégia de como gastar 100.000US$ para minar uma campanha de uma ONG norte-americana, o National Center for Science Education (NCSE), que pretende incluir no currículo das escolas públicas norte-americanas o ensino do AGA. Diga-se de passagem, que a ação do NCSE contra o ensino do criacionismo como ciência nas escolas públicas foi e é notável e elogiável nos Estados Unidos.

 

Analisando-se este documento verificou-se que realmente por vários aspectos ele se diferenciava por completo dos demais documentos; primeiro, ele era o único que era escaneado enquanto os demais eram gerados pelo Word, a linguagem era completamente diversa, e ele era apócrifo.

 

Investigando-se mais a origem dos documentos descobriu-se que quem tinha vascularizado na rede era um eminente cientista pró-AGA, Dr. Peter Gleick, do  Pacific Institute for Studies in Development, Environment, and Security (Pacific Institute), outra ONG norte-americana que pretende normalizar o uso da água no mundo inteiro.

 

Quando se viu desmascarado este cientista lançou uma nota pública dizendo que havia recebido de uma fonte, que ele não sabia quem era, documentos que mostravam a tentativa do Heartland Institute em boicotar o trabalho de divulgação do AGA nas escolas públicas (exatamente o documento que não tem as mesmas características dos outros), para esclarecer o Dr. Peter Gleick, com uma identidade falsa escreveu para o Heartland Institute dizendo-se membro do instituto, e daí por diante passou a receber documentos “secretos” (?) via e-mail (nota dez para a ética e honestidade do Dr. Gleick e para a segurança do Heartland Institute). Estes documentos eram atas das reuniões de diretoria e planilhas de financiamento com valores e nomes dos agraciados e doadores.

 

Conforme o Dr. Gleick, o seu discernimento foi cegado pela frustração em ver esforços coordenados de ataque à ciência do clima, algumas vezes de forma não transparente, (“My judgment was blinded by my frustration with the ongoing efforts -- often anonymous, well-funded, and coordinated -- to attack climate science and scientists and prevent this debate, and by the lack of transparency of the organizations involved.”) que ele resolveu entregar de forma anônima todos os documentos que possuía sem maiores verificações de todos os documentos, inclusive do que deu origem a tudo. Ele expôs tanto os financiadores “secretos” (tão secretos que planilhas com resumo de doações foram enviadas para uma pessoa que nem existia) como os financiados.

 

Outra surpresa em tudo isto foi que o Dr. Gleick era nada mais, nada menos do que o presidente do Comitê de Ética da American Geophysical Union (AGU), uma das associações que publica vários artigos sobre o AGA, e como presidente do comitê de ética Dr. Gleick poderia intermediar no caso de discussão de artigos, os que tivessem negado a sua publicação na revista da AGU por contraposição entre autores e revisores, ou seja, pró-AGA passa, contra-AGA talvez! Em questão de horas ele foi retirado do comitê de ética da AGU, principalmente por ter faltado com a ética (redundante, mas assim mesmo).

 

Talvez alguns tentem estabelecer uma equivalência entre o que fez Dr. Gleick e o brilhante trabalho de Julian Assenge com a WikiLeaks, porém além de divulgar documentos restritos as semelhanças acabam por aí. Enquanto a WikiLeaks trabalha contra os desmandos de governos ou grandes corporações Dr. Gleick procurou desmoralizar trabalhos científicos contra o AGA. Enquanto a WikiLeaks verifica criteriosamente cada documento que lhes são entregue antes de publicá-los Dr. Gleick não fez isto, deixando até suspeitas que o documento mais comprometedor tenha sido forjado por ele mesmo. Os documentos obtidos pela WikiLeaks são entregues espontaneamente por diversas pessoas, o Dr. Gleick simulou um nome falso e recebeu estes documentos do Heartland Institute. Por fim há também uma diferença básica, enquanto Julian Assenge é um jornalista e ciberativista bem intencionado tentando usar a ciência para o bem da política Dr. Gleick é um amador que tenta usar a política para interferir na ciência. Chamo atenção que o Heartland Institute, não é uma vestal apolítica (como já descrito no início do texto), e também são verdadeiros amadores em termos de segurança, pois enviam informações restritas para qualquer um expondo seus contratos de confidencialidade.

 

Agora há um fator muito mais importante do que isto, devido à politicagem do estudo do Clima nos Estados Unidos, está havendo uma verdadeira guerra campal entre Palmeirenses e Corintianos e os melhores trabalhos sobre o clima estão vindo da Europa, Rússia e China e outros países periféricos. Em resumo a politicagem está inibindo a ciência nos Estados Unidos apesar dos sistemas de observação norte-americanos serem os mais completos do mundo.

21 fevereiro 2012

Do frango brasileiro na África ao fim do mundo.

Apesar de divergimos em alguns assuntos, eu e o Paulo Sandra temos muitas convergências em muitos assuntos e, como este espaço é democrático, vou colocar aqui o seu artigo (que ele ofereceu em comentário a tópico que escrevi.



Então escuto o Carlos Alberto Sardenberg na CBN.
A África do Sul está erguendo barreiras contra o frango brasileiro.
Acusam o Brasil de práticas desleais, para conseguirem praticar um preço tão baixo.
O mesmo que o Brasil faz em relação aos eletrônicos chineses.
O Sardenberg continua, mostrando que estas barreiras econômicas, somente atrasam o desenvolvimento, que com isto as indústrias produzem menos, pois o mercado fica reduzido, e consequentemente são gerados menos empregos.
Nada pessoalmente contra o Sardenberg, até fui entrevistado por ele em uma ocasião, mas como ex-operador de pregão Bovespa e BM&F, como economista, eu já cai na esparela de dar crédito a estes absurdos.
Só que já faz alguns anos, acredito que passa de uma década que venho questionando estes verdadeiros dogmas do mercado.
Explico porque:
Na década de oitenta, havia uma corrente que acreditava que com a evolução das tecnologias, a jornada de trabalho seria reduzida, pois poderíamos produzir mais em menos tempo.
E isto já estava acontecendo e continua, cada vez mais rápido. Aliás já era uma realidade, talvez, desde que foram criadas as primeiras ferramentas para agricultura ou para guerra.
Afinal de contas, da mesma forma que com um arado, puxado por tração animal, um homem podia cultivar de forma mais rápida um pedaço maior de terra. Com espadas, lanças e carros de guerra, um soldado pode matar muito mais inimigos que com as mãos.
Mas não parou por ai, tivemos o advento das armas de fogo e da máquina a vapor.
Cada vez podemos produzir mais e também matar mais.
Esta realidade não mudou, celulares, computadores, internet, automação na agricultura e na indústria, tudo isto faz com possamos produzir cada vez mais com menos pessoas.
A morte também evoluiu, mas evoluiu tanto que saiu do alcance de nossos olhos.
Afinal de contas, para matar uma pessoa com as mãos ou com uma espada, precisavamos estar frente a frente com ela.
Tanto que o personagem Conan o Bárbaro, dizia não gostar de flechas, pois não via os olhos do homem que estava matando.
Na idade média, a sociedade europeia, descobriu que poderia “lucrar” mais, levando a morte para as colônias. Exploravam e vida na África, nas Américas e na Ásia. Mataram muito, devastaram muito. Como resultado de tudo isto, puderam fazer suas revoluções. A industrial a partir da Inglaterra, a “democrática” francesa, antes disto progresso no saber e na cultura. Enfim, o terceiro mundo pagou pelo bem estar europeu.
Mas uma colônia deu um grito de independência. E não foi o Brasil.
Os Estados Unidos começaram a trilhar seu caminho, e aproveitaram as grandes chances surgidas no século XX. As guerras. Forneceram armas, criaram armas, “dominaram” o mundo. Conseguiram arrancar bons nacos de “carne” da Europa, e continuaram a se suprir, esfolando o resto do mundo.
Mas outra coisa começou a mudar.
O “poder” deixou de ser das nações, surgiu uma figura nova, a corporação. As corporações são as legitimas herdeiras dos ideais imperialistas.
O que importa para as corporações, é que o dinheiro circule, para crescer cada vez mais. Desde que seu destino seja sempre seus próprios bolsos.
Para isto elas se valem de todas as armas, com novas roupagem, mas com a mesma finalidade, explorar o ser humano e a natureza. Aliás elas fazem isto tão bem, que estamos a beira do colapso, tanto humano como ambiental.
Pois apesar de produzirmos mais, não temos mais tempo para o prazer, muito pelo contrário, temos que produzir agora por 10, 20, 30, 100. Desta forma, as empresas, produzem de forma mais eficiente com cada vez menos pessoas.
Só que tem uma coisa que não fecha nesta equação, aliás várias.
Se a empresa para lucrar mais, emprega menos. Quem vai poder comprar?
O mercado para poder girar cada vez mais capital, precisa que os produtos sejam consumidos em um ritmo frenético. E como cada vez menos dinheiro as pessoas tem, estes produtos tem que ser mais baratos, e para compensar o baixo preço, a empresa precisa explorar ainda mais as pessoas e os recursos, então menos pessoas são usadas para produzir ainda mais, e mais recursos são devastados.
Notem que na rodada anterior, muitas pessoas já tinham ficado de fora, nesta nova, mais pessoas foram descartadas. E a cada giro do mercado, mais pessoas e recursos são descartados.
Isto não se resolver nunca. Ou melhor vai, da mesma forma que o jogo Banco Imobiliário. Ele começa com um determinado número de pessoas, que disputam para dominar o tabuleiro. O objetivo do jogador é eliminar o outro, ficar com tudo que o outro tem, até que não reste mais nada, e por fim, o outro cai fora. O jogo termina, quando somente um se torna o senhor absoluto de tudo.
Nosso sistema, suga recursos e vidas, mas nos mostra “belas” vitrines de shopping center. Da mesma forma que os europeus sugavam as colônias, e tinham como resultado, desenvolvimento tecnológico e bem estar para eles.
Mas agora, o sistema suga do outro lado do mundo, do nosso lado, e até nós mesmos! E o pior parecemos ou fingimos não perceber.
Os índios, ribeirinhos, caiçaras, pequenos produtores rurais, percebem com a inundação de suas terras, ou a secura, delas, provocadas por barragens, como Belo Monte e outras.
As pessoas escravizadas em carvoarias, oficinas de costura, e outros lugares por toda parte do mundo, sentem.
Os excluídos das periferias das grandes cidades sentem
Nós confortavelmente postados frente aos nossos computadores, notebooks, celulares 3G, etc. Trabalhando em jornadas infinitas, largando o convívio com a família, amigos, os filhos, fingimos não sentir. Sentimos o cansaço, sentimos que estamos perdendo nossas vidas, pois ficam vazias se não estivermos falando do trabalho. Ficamos surdos ao gemido da criação. Até que somos abordados por um pessoa com uma arma na mão. Ou quando as mudanças no clima atrapalham nosso feriado.
Ou não sentíamos, hoje cada vez mais pessoas sentem, e isto esta se traduzindo em primavera árabe, movimentos occupy, lutas contra hidroelétricas, etc.
Sabem porque estas pessoas estão sentindo?
Porque nós já entendemos que quando o jogo acabar, e esta acabando. Não existe ganhador. Tudo deixa de existir, as peças voltam para caixa.
Ou seja a multidão de excluídos está se revoltando, a natureza, mostra sinais de que a sua paciência já acabou.
Ela vai começar a nos negar a água e o alimento que precisamos, a violência pela luta por sobreviver será muito mais forte. Não importa de que lado você ou seus filhos vão estar, se do lado de dentro de uma “muralha”, tentando resistir a invasão de hordas de miseráveis, ou do lado de fora, junto com os miseráveis.
Os condomínios com segurança particular, cerca eletrificada, etc. São somente o começo.
Quando não se pode mais viver, ninguém se importa com a morte. Seja a sua ou a do outro, afinal, a própria já fica decretada.

18 fevereiro 2012

A resposta a crise deve sair das pranchetas de projeto dos engenheiros e não das planilhas de custo dos economistas. (I)


Imitando a Alemanha que há dez anos não rajusta o salário mínimo os países do ex-primeiro mundo tentam contrabalançar as perdas de competividade em relação à China e outros países orientais achatando os salários de seu povo em geral. Porém a pergunta que se faz é se este é o verdadeiro motivo de todo este movimento perverso ou simplesmente se há um motivo mais grave atrás disto.
Estamos numa era anti-Keynes, se procura o aumento de exportações diminuindo os custos de produção baseados no salário e nas demissões sumárias dos empregados. Tanto na Alemanha como agora na Grécia, Portugal, Espanha, França e futuramente no Japão, através dos mais diversos ardis possíveis está se tentando diminuir o custo laboral, isto está sendo feito através ou do aumento na jornada de trabalho, ou da não correção dos salários, ou pela eliminação de férias remuneradas, ou pela supressão dos salários complementares (13º e 14º) ou mesmo pelo próprio corte dos salários.
Além deste corte direto de salários está se promovendo uma política de corte nos benefícios sociais para desonerar o Estado e obrigar as pessoas a trabalhar por qualquer valor, Também está se promovendo um corte nos quadros do funcionalismo público para aumentar o número de pessoas a demandar empregos e achatar a massa salarial.
Se esta política tivesse sido feita por um único país industrializado, como foi feita na Alemanha após a reunificação ela teria chances de ter sucesso, pois a massa salarial dos compradores continuaria praticamente a mesma, entretanto com a baixa de salários em todos estes países do ex-primeiro mundo não será compensada com o aumento do consumo de importados dos chamados países emergentes. O poder de compra da China, Índia, Brasil e Rússia ainda não atinge níveis de países europeus, e o nível salarial desses países ainda está ao nível de sobrevivência aumentando a demanda sobre produtos básicos como alimento e vestuário (ou mesmo em habitação), nenhum desses produtos são importantes nas economias do ex-primeiro mundo excetuando os USA.
O que pode se esperar com todo este movimento de baixa de salários? Exatamente o que ocorreu por décadas na América Latina, o empobrecimento da população em geral, concentração de renda e aumento do consumo de produtos de luxo.
Está-se propondo uma política ao inverso do que ocorreu após a depressão de 1930, enquanto na época se procurou aumentar o consumo interno agora se procura diminuir o este consumo.
Agora vem a pergunta, por que com toda a evolução no estudo da economia se procura exatamente o inverso que se acha lógico? Será uma maldade dos governantes ou será uma saída extremamente perversa para um problema mais sério?
Atualmente todos os países citados estão num dilema complexo que se chama a carência de recursos naturais, e capitaneando tudo isto tem a energia na ponta. Tanto o Tsunami que varreu o Japão como o último frio que aconteceu neste inverno na Europa desnudou parte deste problema, o Japão como a Europa são completamente dependentes de combustíveis fósseis ou nucleares, as chamadas energias alternativas parecem mostrar que não são tão alternativas assim, países como a Dinamarca que se lançaram de corpo e alma na energia alternativa tem a energia mais cara da Europa tornando-se completamente não competitiva em termos industriais.
Agora a questão básica que se faz, é a única saída levar a população a miséria para diminuir o consumo e este ficar compatível com a capacidade energética? A resposta é simples, para este tipo de padrão de consumo, sim. A partir das inspeções veiculares na Europa fica mais barato, devido a engenharia de projeto dos automóveis, vender como ferro velho um carro com mais de cinco ou mais anos do que concertá-lo. Isto se pode transferir para todos os bens de consumo, toda a engenharia é feita para torná-los descartáveis e adquirir um novo. Isto é feito com automóveis, eletrodomésticos, equipamentos eletrônicos em geral e no caso norte-americano, até nas residências.
Os Estados poderiam normalizar todos estes bens de consumo para que a durabilidade e a possibilidade de manutenção fosse alongada em três ou quatro vezes o tempo de duração. Isto aumentaria o custo dos produtos, entretanto criaria uma enorme rede de manutenção, atualização de produtos com emprego maciço de mão de obra especializada.
O paradigma de consumo deve ser mudado, em nome da modernidade se faz produtos que não podem sofrer up-grade, um exemplo típico são os produtos da Apple, jóias na inovação que são jogados no lixo após duas ou três novas gerações.
A resposta a crise deve sair das pranchetas de projeto dos engenheiros e não das planilhas de custo dos economistas.

17 fevereiro 2012

Ibama multa consórcio que constrói Belo Monte.

O Ibama multou o consórcio que constrói Belo Monte em 7 milhões por atrasar a implementação do Projeto Básico Ambiental (PBA) da obra.

Parabéns ao IBAMA, sou favorável as usinas hidrelétricas, porém os prazos das compensações ambientais devem ser respeitados, e nada melhor para que as empresas cumpram o que foi tratado é enfiar a mãos nos bolsos da mesma.

O Consórcio Norte Energia S.A. diz que vai recorrer, pois bem que recorram, pois como terminada a Usina ela vai ficar mais algumas décadas por lá, por mais que seja lenta a justiça um dia eles pagam (e com correção monetária).

Também parece que o Consórcio está adotando uma política mediática mais ativa contra os que são contra a Usina de Belo Monte. O movimento Xingu Vivo em 11 de fevereiro fez uma reportagem sobre a desocupação de uma pequena vila no município de Vitória do Xingu, esta vila segundo o movimento Xingu Vivo estava sendo desocupada de forma arbitrária e desordenada sem indenizações devidas. O Sr. Élio Alves da Silva, presidente da Associação de moradores locais aparece como principal interlocutor dos protestos (para maiores detalhes ler aqui).


Foto do Sr. Élio (Foto do artigo acima citado, sem autor) Licença Creative Commons
O Consórcio reagiu com força chamando a reportagem de "mentirosa" e inclusive diz que tem declarações gravadas do Sr. Élio Alves da Silva dizendo exatamente ao contrário. Palavras duras são escritas pelo Consórcio sobre a reportagem do movimento Xingu Vivo, com declarações que contradizem por completo ao vinculado na reportagem que os acusam. As respostas do Consórcio ao Movimento Xingu Vivo podem ser vistas aqui e aqui.


Vila Santo Antônio, localizada no município de Vitória do Xingu (PA). Crédito: Vagney Santos Site da Norte Energia

Eu tenho uma opinião sobre o assunto, o Sr. Élio Alves da Silva estava negociando com o Consórcio, para reforçar a sua posição utilizou o movimento Xingu Vivo que não teve o mínimo cuidado em checar com cuidado as informações, acertado os valores das indenizações este Sr. deu declarações filmadas que tiram a responsabilidade do Consórcio. Isto é natural, pois num processo de negociação cada um joga com o que tem as mãos e provavelmente a terrinha obtida pelo o líder comunitário e as famílias que ele representa foram bem melhores que o Consórcio tinha lhes oferecido no início.

É muita ingenuidade dos movimentos contra a obra pensar que os ribeirinhos são burros e não sabem negociar os seus interesses, se continuarem a não investigar com cuidado o que está ocorrendo vão ser usados por todos (ribeirinhos e índios) e talvez no fim lhes reste um monte de processos por calúnia ou difamação.

Outro fator que me leva acreditar na hipótese acima é que o custo de relocação do pessoal em relação ao custo da obra é extremamente baixo em relação ao custo político de uma negociação mal feita, logo não vai haver grande economia neste item.

06 fevereiro 2012

O que é mais perigoso, O AGA ou o frio? Pergunte a Ministra Hона Караджова?


A Ministra do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos da Bulgária Nona Karadzhova (Hона Караджова) estava extremamente preocupada com o Aquecimento Global Antropogênico, mas tão preocupada que foi a Durban como chefe da delegação Búlgara para negociar créditos de carbono e diminuição do CO2.




 Ela só esqueceu foi de fazer a fiscalização das mais de 2600 “pequenas barragens ” que existem na Bulgária (nem o ministério sabe o número de “pequenas barragens” que existem).


Em entrevista televisonada a Srª Ministra deu a seguinte declaração:
"Не е моя работа да давам изявления кой е прав и кой крив, казвам ви какви са последователностите от действия във връзка с контрола на малките язовири."

ou seja (mais ou menos isto):

"A minha função é dar declarações sobre o que está certo ou errado, eu digo quais são as sequências de ações que devem ser tomadas para o controle de pequenas barragens."






 Resultado, uma barragem de concreto que estava com problemas estruturais a mais de seis anos rompeu no dia 5 deste mês na Bulgária. Esta barragem já estava com uma rachadura na sua estrutura a mais de seis anos e não foi consertada devido uma disputa entre a Prefeitura local e o Ministério do Exército. As últimas informações parciais dão um saldo de no mínimo onze pessoas e com o tempo talvez apareçam mais.

Não se sabe ainda qual o verdadeiro motivo que levou a rachadura romper, pode ter sido tanto o acúmulo de gelo sobre o vertedor ou o deslizamento de uma encosta devido o congelamento da terra isto tudo devido ao grande frio e às grandes nevadas que estão assolando a Bulgária!

 Uma coisa é certa não foi o aquecimento global!


Sem grandes deslizamentos até agora, mas devemos continuar alertas!

Estamos no início do mês de fevereiro e felizmente não se repetiram até agora as grandes tragédias na Serra do Mar, espero que realmente elas não se repitam tão cedo, e o mais importante ainda, espero que os sistema de alarme contra grandes chuvas esteja em breve funcionando.

Importante é que além dos radares meteorológicos os levantamentos ponto a ponto das áreas de risco sejam feitos e para isto é necessário um corpo técnico qualificado e bem treinado para este tipo de serviço, isto é algo que ainda não vi.