28 março 2012

Política Industrial Gaúcha, mais um NOVO PLANO que valerá por dois anos.

A imprensa está toda animada com o anúncio de mais um plano de desenvolvimento industrial no Rio Grande do Sul. Depois de trocentas reuniões com setores industriais (proprietários de indústrias!) e capitaneado pela Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento AGDPI que a pouco lançou concurso para preencher os seus cargos (2 Advogados, 2 Agentes de Desenvolvimento TI, 2 Agentes de Desenvolvimento Administradores, 1 Arquivista, 2 Contadores, 3 Economistas, 1 Engenheiro Civil, 1 Engenheiro Elétrico,  1 Engenheiro Mecânico, 2 Engenheiros de Produção,  1 Agentes de Desenvolvimento Jornalista, 1 Agente de Desenvolvimento Relações Internacionais, 1 Agente de Desenvolvimento Secretário Executivo - Todos com o mesmo grau de remuneração, abaixo do salário mínimo profissional de um Engenheiro).


Industriais, jornalistas, economistas e demais, estão todos animados com o NOVO PLANO DE DESENVOLVIMENTO DO ESTADO (Parece que a cada governo é necessário um novo plano de desenvolvimento, que é lançado no meio do segundo ano de governo, implementado no terceiro e no quarto ano, e modificado pela oposição, quando esta chega ao poder no quinto, substituído por um NOVO PLANO DE DESENVOLVIMENTO DO ESTADO).


Olha, vamos falar sério.

Política industrial se faz na base de ENGENHEIROS, GEÓLOGOS, ARQUITETOS, AGRÔNOMOS E OUTROS TÉCNICOS tanto de nível superior como nível médio. Não adianta administradores, economistas, sociólogos, psicólogos, advogados e outros, definiram quais os rumos da política industrial que deve ser tomada, e quando chega a hora de colocar o “guizo no gato” simplesmente ou foi decidida errada a política ou simplesmente não tem quem executá-la!

O serviço público está simplesmente SUCATEADO em termos de profissionais da área, e os concursos públicos quando são executados favorecem quem sabe mais PORTUGUÊS (eu não passaria, exceto na Universidade!) e LEGISLAÇÃO do que conhecimentos específicos e tudo isto para ganhar um salário menor do que qualquer empresa particular paga.

Os profissionais da área técnica-científica são desprestigiados em relação a outras áreas, tanto na questão de respeito (secretários de saúde sempre são médicos, secretários da justiça sempre são Advogados ou Juízes, secretários das Obras Públicas da Irrigação e da Agricultura são quaisquer Zés).

Outro exemplo, no caso da Copa setores inteiros da Prefeitura (técnicos do SMOV e outros) estão sendo deixados de lado e concentradas as ações em gabinetes especiais com membros escolhidos diretamente pelo Prefeito).

O Estado Brasileiro, se quer desenvolvimento deveria valorizar as profissões técnicas e não ficar em pirotecnia do tipo que estão fazendo.

Consultar empresas existentes para ver as suas necessidades é importante, porém essas empresas são completamente destituídas de quadros técnicos fora dos setores essenciais de produção.

Posso dar um depoimento pessoal, há mais de vinte anos fui contratado por um dos maires grupos industriais do estado do Rio Grande do Sul (se não é o maior), por um jovem engenheiro que fazia parte do chamado setor de pesquisa e desenvolvimento desta indústria, quando perguntei qual era o quadro técnico que a indústria dispunha ele simplesmente me nomeou 3 (três) técnicos da área, surpreso perguntei por que de um número tão pequeno, ele me revelou que quando há um período de crise, o primeiro setor que sofre cortes no orçamento e demissões era este setor. Como na época conhecia um quadro superior desta empresa que perguntei porque tão pouco investimento em tecnologia, ele disse que isto não era verdade, que só naquele ano eles tinham comprado não sei quantos milhões em desenvolvimento (ou seja a visão, é comprar pacotes prontos, e não desenvolvê-los).

Pode-se perguntar qual é o papel das Universidades nisto tudo, simples os professores das Universidades privadas (hoje em dia com alta qualificação) são contratados para dar aulas, e quando recebem dinheiro para a pesquisa há verdadeiros SAQUES em suas verbas para cobrir despesas corrente, os professores das Universidades Públicas cada dia perdem mais o tempo disponível para a pesquisa devido as expansões de vagas para os alunos (coisa que deve ser feita) sem o aporte de novos docentes para cobrir a carga horária.
Fala-se muito do que não se sabe, e não adianta ter grandes planejadores (mesmo que sejam altamente capazes) se não houver massa crítica para elaborar o que foi planejado.

Vou dar alguns dados da educação no Brasil e no mundo:

Percentual de formados em função das áreas.
Ciências Sociais e Direito 27,3%
Educação 21,1%
Saúde e Bem-Estar Social 16%
Economia e Administração 13,7%
Ciências e Matemática 5,9%
Engenharias 5,1%

Formamos 35.000 engenheiros por ano para demanda ATUAL precisaríamos mais 70.000
Enquanto a 100 profissionais formados por ano 5 são engenheiros e nos USA que este número, que já está ficando abaixo do ideal (importa profissionais) são 25.

A Coréia do Sul forma 140.000, a China nem vou falar.

26 março 2012

Barragem de Foz Tua

Como o nome pode indicar, esta barragem situa-se em Portugal. E o que tem de importante nesta barragem?

Se olharem no post intitulado Qual o problema da geração eólica e da geração por células fotovoltaicas?
(atenção no post original o título estava errado, energia fotovoltaica não existe, existe energia solar ou energia gerada por células fotovoltaicas, vou corrigir aqui e manter o original!) e na página da EDP intitulada, Barragem de Foz Tua verão que felizmente alguém, mesmo em condições mais desfavoráveis, esta aplicando o conceito de utilizar usinas reversíveis para armazenar energia.

Mais desfavoráveis do que o proposto em 2002 para o litoral do Rio Grande do Sul, pois enquanto as alturas possíveis de recalque levantadas por D'Agostini em 2005, em dissertação de mestrado que infelizmente não foi terminada, variava em torno dos 800m o que representava uma baixa necessidade de reservação.

O esquema de funcionamento de um sistema eólico-hidrelétrico pode ser representado na figura a seguir:


Esquema básico de uma geração elétrica com armazenamento hídrico.

O funcionamento é simples, no momento que a energia eólica excede a demanda as turbinas reversíveis trabalham como BOMBAS, enviando água de um nível mais baixo para um nível mais alto, no caso da Serra do Mar, em torno de 800m, quando a demanda é mais alta que a produção, inverte-se em poucos minutos o circuito, trabalhando as máquinas como TURBINAS.

O porquê da necessidade de um esquema deste tipo está na intermitência da produção eólica, e para não dizer que isto não existe, mostrarei a seguir um dado levantado por D'Agostine, num trabalho de dissertação inconcluso devido a dificuldade de obter dados da geração eólica. O dado apresentado mostra a geração de um sistema eólico em alguma parte do Brasil durante um ano, os dados estão normalizados pois a concessionária não permitiu a publicação dos dados absolutos pois poderia revelar seus segredos:

Potência eólica gerada anualmente normalizada pela média.
Fica claro que a o comportamento da geração eólica ao longo do ano, além de apresentar fortes variações sazonais, apresenta fortes variações diárias, parecendo mais um eletrocardiograma de um paciente em convulsão do que a geração de energia para o consumo.

Os picos (em torno de 5 vezes a potência gerada no ano) é o valor que nas propagandas da geração eólica é dado como a potência instalada, podendo num mesmo dia variar de 0,2 a 5 vezes a potência média anual que podemos contar.

Caso fosse adotado um sistema de geração eólica com apoio hidrelétrico, poderia-se regular a geração em termos contínuos diários, semanais, mensais ou até anuais, isto dependendo de outros fatores como os impactos ambientais gerados pelos reservatórios de acumulação.

Caso se adotasse uma regularização semanal, o tamanho dos reservatórios seriam mínimos, a medida em que a potência de uma usina hidrelétrica é dada por:

Além da vantagem de regularizar a demanda, a resposta de um sistema de geração hídrica é espantosamente rápida, a Usina de Grand'Maison na França, que detalharemos a seguir, consegue a partir do zero entregar 1.800MW ao sistema em 2 minutos, valores da mesma ordem de grandeza da parada de uma turbina eólica (vide referência aqui), agora se trabalharmos com pequenas máquinas de baixa inércia este valor pode facilmente cair para 30segundos!

Para não pensar que simplesmente isto é um exercício meramente didático, a maior usina francesa, o aproveitamento de Grand'Maison (vide referência aqui) produz 1.800MW quando necessário a partir da energia acumulada durante a noite pelo excedente das usinas termo-nucleares francesas. A propaganda institucional  desta usina é:

Aménagement de Grand'Maison
Tradução livre: Nós franceses sabemos que a energia hidráulica é 100% renovável, já alguns brasileiros.....

O aproveitamento de Grand'Maison, apesar de sua grande potência, utiliza água de um pequeno riacho nos Alpes, conforme se vê no mapa abaixo apresentado:

Mapa geral do aproveitamento de Grand'Maison.

Para se ter noção da semelhança entre os dois circuitos hidráulicos, coloco a seguir um corte esquemático deste aproveitamento:


Corte esquemático do aproveitamento de Grand'Maison.

Há duas diferenças entre o aproveitamento proposto e o aproveitamento de Grand'Maison, enquanto o primeiro reserva energia do excedente da geração eólica, o logo acima apresentado, reserva energia excedente da geração nuclear durante a noite, outra diferença é que devido as altas vazões que são utilizadas em Grand'Maison, foi possível o uso de turbinas tipo Francis que tem um rendimento maior do que turbinas tipo Pelton, que talvez devam ser utilizadas no aproveitamento proposto.

As características gerais do aproveitamento de Grand'Maison

Conforme se pode ver, trata-se de um aproveitamento de grande porte, que no nosso caso seria substituído por uma série de pequenos aproveitamentos com impactos ambientais praticamente inexistentes e com linhas de transmissão bem mais curtas.

Para avaliar o rendimento do sistema, coloco um cálculo aproximado dos rendimentos dos diversos itens, chamo a atenção, que a transmissão dos geradores eólicos para as máquinas hidráulicas, podem ser feitas em tensões médias, pois como as distâncias são da ordem de poucas dezenas de quilômetros isto fica perfeitamente viável. 

Bombeio:
Rendimento do transformador de entrada: 96 %
Rendimento de um motor síncrono síncrono: max. 94 %
Rendimento de bombas de alta potência (centrifuga): 90 %
Rendimento da transmissão hidráulica (considerando a linha curta): 98 %

Geração:
Rendimento de uma turbina Pelton ou Francis: 92 %
Rendimento do alternador: 96 %
Rendimento da transmissão hidráulica (considerando a linha curta): 98 %
Rendimento transformador de saída: 94 %

Rendimento total: 0,99*0,94*0,90*0,98*0,92*0,96*0 ,98*0,94=64,7 %

Como a priori não é possível determinar o tipo de turbina, pus o rendimento da pior situação, o caso da turbina Pelton.

Agora vamos ao caso Português, eles não tem próximo ao local de geração de energia local para implantar um aproveitamento hidrelétrico, também a queda é bem menor do que a queda que se tem na Serra do Mar (800m para 90m), isto representa uma necessidade de aproximadamente 8,9 vezes mais água que no Brasil.

Mapa do Aproveitamento do Tua.
Corte esquemático do aproveitamento do Tua.

Este desnível menor leva a outros inconvenientes, como qualquer variação no reservatório superior ou no inferior, tiram as máquinas hidráulicas do seu ponto ótimo de funcionamento (de máxima eficiência). Também vazões maiores em relação a altura levam ou condutos de grande diâmetro (para minimizar a perda de energia) ou perdem muita energia.

Outro inconveniente das usinas previstas pelos portugueses é que a produção e o consumo, não estão bem próximas, necessitando linas de transmissão longas com grandes perdas.

Apesar de todas estas diferenças negativas, os portugueses chegaram a conclusão que o aproveitamento era economicamente viável e sustentável, enquanto aqui no Brasil, talvez por ignorância ou por má fé não se fala nisto.

Chamo a atenção que as concessionárias de geração eólica não mostram o mínimo interesse de aplicar qualquer recurso neste tipo de empreendimento, pois SE ELAS GERAREM O ELETRO-ENCEFALOGRAMA ACIMA DETALHADO O SISTEMA COMPRA A ENERGIA A QUALQUER HORA POR UM PREÇO SUPER-FATURADO, E QUALQUER INVESTIMENTO PARA TRANSFORMAR A GERAÇÃO EÓLICA EM ENERGIA REALMENTE SUSTENTÁVEL, SÓ AUMENTARIAM SEUS CUSTOS E PREOCUPAÇÕES!

19 março 2012

Associação do campo magnético solar com o campo magnético de Júpiter.

Muito se tem escrito sobre a influência das Manchas Solares com o clima terrestre, porém há duas coisas que devem ser ditas sobre esta associação, pois em alguns parece que a correlação não é muito forte quando se verifica os dois parâmetros, números de manchas e temperatura da Terra.

Talvez seja possível estabelecer uma correlação não com estes dois parâmetros de forma direta, mas sim dando uma pequena volta sobre o que causam as manchas, o ciclo solar e mais alguns conhecimentos de astronomia. Primeiro é importante destacar que a quantidade de manchas simplesmente são consequências de algo maior, a variabilidade do campo magnético solar assim como a irradiância.

O estatístico e cientista finlandês, Timo Niroma, lançou a hipótese que o ciclo solar está diretamente ligado a rotação de Júpiter (vide os posts do Blog Sol e Mudanças Climáticas aqui, aqui e aqui), uma hipótese baseada no forte campo magnético de Júpiter que tem um período de rotação irritantemente igual ao período médio do ciclo solar. Entretanto o trabalho de Timo Niroma, simplesmente associa estes dois parâmetros sem colocar uma hipótese de como os dois fenômenos estão acoplados.

A partir do trabalho de Timo Niroma, muito bem detalhado no referido Blog, e do trabalho mais recente de Jan-Erik Solheim, Kjell Stordahl e Ole Humlumc (The long sunspot cycle 23 predicts a significant temperaturedecrease in cycle24) é possível lançar uma hipótese para esta correlação e por consequência para influência desta com o clima terrestre.

Podemos imaginar o Sol como um corpo passível de ser magnetizado, porém se ele estivesse simplesmente longe de qualquer outro campo magnético esta magnetização necessariamente não sofreria rotação, como há um planeta de grande massa (Júpiter) girando em torno do Sol, este poderia ao longo do tempo entrar em fase com o giro do campo magnético de Júpiter. Entrando em fase ele agiria como um motor de indução sujeito a um campo girante, mesmo sendo fraco o campo magnético de Júpiter em relação à Heliosfera (campo magnético solar), com o tempo esta pequena força levaria à sincronização dos dois campos. Entretanto, devido a inércia do Sol ou a influência de outros campos magnéticos mais fracos, haveria a tendência do escorregamento do induzido em relação ao indutor. Como se sabe em eletrotécnica, o escorregamento provoca variações de corrente no induzido, da mesma forma ciclos de maior ou menor duração podem provocar estas variações, mudando outras características solares, que embora tênues, provocariam mudança no clima terrestre.

ATENÇÃO:TUDO  ISTO É UMA  HIPÓTESE,  DEPENDENDO  DE  VERIFICAÇÃO!

Tem muito trabalho atrás de tudo isto, muito trabalho e incertezas, a medida que nem a Heliosfera é devidamente conhecida em sua forma. A hipótese é muito simples para um problema complexo, mas vamos lá.

14 março 2012

Artigo acadêmico na revista Ethics, Policy and the Environment, sugere engenharia humana para combater o aquecimento global.


Na revista Ethics, Policy and the Environment no artigo intitulado Human Engineering and Climate Change, que pode ser visto na integra aqui, sugere a modificação do corpo humano para combater o aquecimento global!

Não estou brincando, li em vários sites comentários horrorizados sobre este artigo, para mim os mais graves sobre clima. O mais interessante que os comentários repudiando toda as elucubrações e barbaridades dos autores (LIAO, Matthew NYU, Sandeberg A. Oxford e ROACHE R. Oxford) são sites da direita conservadora norte-americana, há um profundo silencio dos sites ditos conservacionistas famosos.

Para começar vou colocar sem tradução uma cópia do Abstract do trabalho:


Agora quais são as propostas ventiladas por estes pesquisadores de Engenharia Humana?

Primeira: Pílulas para criar intolerância à carne. Utilizar pílulas que provocam enjoo quando se comer carne, isto diminuiria a pecuária e com isto a pressão sobre as terras.

Segunda: Diminuição do tamanho das próximas gerações. Pessoas menores comem menos, logo a pegada ecológica diminuiria. Isto seria feito ou nos fetos ou através de hormônios que impedem o crescimento.

Terceira: Planejamento familiar e educação para a anticoncepção. Achei até bom, se o exemplo no início deste item não falassem das mulheres da Etiópia.

Quarta: Modificar a taxa hormonal das pessoas para aumentar o altruísmo e diminuir a agressividade. (talvez o verdadeiro motivo é transformar parte da população em carneiros)

Depois disto vem uma série de considerações provando que a engenharia humana não é nada de ruim, há um interessante item sobre o problema ético de aplicar estes tratamentos nos seus próprios filhos, porém não fica claro que aplicar nos filhos dos outros é ou não ético.

A conclusão, também, vou colocá-la na íntegra para que leiam e vocês tirem as suas próprias.

Agora vou as minhas conclusões:

1°) Toda a teoria conspirativa que se tem a respeito da governança global baseada nos mitos de aquecimento global e outros, mostra a sua cara, e uma cara de monstro, o mesmo monstro eugênico que começou no século XIX e foi só terminar com a queda de Hitler.

2°) Não é expresso, pois aí seria criminoso, mas fica claro que é importante combater o aumento da população do ex-terceiro mundo para preservar o clima, vide citação explícita as mulheres da Etiópia que talvez cem mulheres tenham uma “pegada ecológica” de uma mulher rica do ex-primeiro mundo.

3°) Um assunto indecente desta forma, discutido por acadêmicos norte-americanos e ingleses em uma revista de ÉTICA, é a preparação para coisas muito piores, executados por pessoas que não tem a mínima ética.

4°) Quando se fala de eco-fascismo não é uma figura de linguagem, é realidade.

Faço só uma pergunta neste contexto todo, a onde seriam aplicados estas técnicas de engenharia humana, nos filhos dos ex-primeiro mundo ou nos nossos?


13 março 2012

Salvou o ozônio? Ninguém ainda sabe, mas a DuPont sim!

Em 1989 entrou em vigor o que se chamou o Protocolo de Montreal, onde os CFCs  e os HCFCs (os clorofluorocarbonetos e os hidroclorofluorocarbonos respectivamente) foram prescritos em nome da conservação da camada de ozônio, camada extremamente importante para nos proteger dos raios solares..



Este furo da camada de ozônio era atribuído principalmente aos CFCs  e os HCFCs e, com Protocolo de Montreal, se imaginava que as dimensões do furo na camada de Ozônio ia diminuir. Depois de passado 23 anos vamos aos fatos e a algumas considerações.

Até a proscrição desses gases fantasmagóricos (estes gases que eram fabricados em todo o mundo, por diversos fabricantes, não havia mais patentes), a máxima dimensão deste furo tinha sido atingida em 29 de setembro de 1987 (22,4 milhões de km²), e como já se disse, se achava que com a degradação dos gases maléficos, furo iria diminuir. Entretanto no ano passado, dia 12 de setembro, o furo atingiu a área da 26 milhões de km², e este não foi o máximo, nos anos de 2008, 2005, 2003, 2001, 1998 e 1996 foram atingidas áreas de 27,0; 27,3; 28,4; 26,5; 27,9 e 26,9 milhões de km² respectivamente. Estes dados podem ser encontrados no site da NASA (vide aqui). 


Para ficar mais agradável, e ver melhor a evolução do furo da camada de ozônio ao longo do tempo a NASA também fornece os seguintes gráficos.



Fica claro que a diminuição esperada, 23 anos após a proscrição dos gases malditos, não ocorreu bem o script. Em resumo, após a prescrição destes malditos gases que foram substituídos por outros gases de refrigeração que eram PATENTEADOS PELA DuPont, o furo da camada de ozônio aumentou!

Para piorar as coisas além do furo na camada de ozônio sobre a Antártica, pela primeira vez em 2011 foi constatado sobre o Ártico um furo na camada de ozônio da mesma ordem do furo sobre o polo Sul. A trupe de 29 autores que verificou a presença deste furo, capitaneada por Manney et al (2011) (Unprecedented Arctic ozone loss in 2011 -Nature)  Chegou a brilhante conclusão que o furo é causado pelas baixas temperaturas de estratosfera, que neste ano ocorreu durante o inverno, logicamente os CFCs  e os HCFCs não podiam mais ser acusados porque estavam proscritos e reduzidos em sua concentração na atmosfera.

Agora vamos a um dado mais interessante, a variação da temperatura na estratosfera. Segundo a Nacar, Atmospheric Chemistry Division a variação da temperatura na estratosfera de 1978 até 2005 seguiu um gráfico como abaixo:
Onde se claramente que a partir de 1983 a temperatura da estratosfera começou a cair para estabilizar em torno de 1995.

Para fechar com chave de ouro, os ambientalistas, movido pelo fim das patentes dos gases vendidos pela DuPont, começam a achar defeitos nos HFCs que substituíram os CFCs  e os HCFCs. Os HFCs, segundo os ambientalistas produzem chuvas ácidas e são terríveis gases de efeito estufa.

OH, lá vamos nós para outro protocolo, que mais uma vez proscreverão esses gases que a DuPont fabricava com exclusividade e vencendo a sua patente outros podem fabricar, para substituir pelos próximos vinte e cinco anos por outros gases da DuPont e salvar mais uma vez a empresa da crise, pois o ambiente está claro que ninguém entende nada.


12 março 2012

Novo tipo de divulgação de projetos públicos, reportagem exclusiva de um jornal.

Os portalegrenses receberam no dia de hoje mais uma novidade em termos de políticas públicas, a divulgação de um projeto que pretende "revolucionar" o transporte da cidade via uma reportagem de um jornal.
O prefeito José Fortunati (PDT-RS) anunciou a todos, via o jornal Zero Hora (vinculado ao grupo RBS, afilhado da Globo) que a partir de amanhã começam as obras de implantação do BRT (Bus Rapid Transit), para quem não sabe o que é um BRT, é uma versão 2.3 do antigo e popular Papa-Fila que foi introduzido em 1956 como uma solução definitiva do transporte urbano no Brasil.

O prefeito da cidade enviou aos jornalecos de plantão um "press release" de poucos parágrafos dizendo quanto os munícipes vão marchar em termos de grana, só a Zero Hora teve acesso maiores informações e mostrou em sua edição um mapa com o trajeto do BRT.

Há três anos foi muito discutido o uso destes BRTs e se começou a construir as estações de transtorno (desculpe errei, as estações de transbordo), entretanto o trajeto apresentado pela ZH não tem nada com o que foi discutido nos chamados "Portais da Cidade".

Além de informação nenhuma sobre o projeto (que acho que não existe) o prefeito nos deu duas surpresas, a primeira que deveremos por esta primeira etapa nos encalacrar em 58milhões de reais, e que poderemos escolher o nome do ônibus, como ligeirinho ou outras babaquices.

A população de Porto Alegre está sendo tratada como crianças que tem direito a escolher o nome do Hipopótamo no Zoológico (além de pagar o ingresso), e como é palhaçada mesmo sugiro um nome bem de acordo.
CACARECO 

Voltando a existência ou não de uma temperatura média.


Chamei a atenção da existência de um trabalho que refuta a existência da temperatura média do globo terrestre, e para não cair nos erros cometidos pelos autores no do artigo que foram sacrificados pelos seus detratores, vou direto aos comentários dos detratores deste trabalho

A idéia básica do trabalho de Essex et al. (2005) é que com temperaturas não se faz média, isto para qualquer aluno com conhecimento básico de termodinâmica faz sentido. Por que? Porque em sistemas termodinâmicos se equilibra a energia e não a temperatura, explico melhor, se acoplarmos dois materiais de diferentes características como aço e alumínio e eles tiverem a temperatura diferente a temperatura média dos dois não tem o mínimo sentido, pois isolados do meio externo o ponto de equilíbrio não deverá ser a média da temperatura (nem se ponderarmos esta pala massa dos mesmos).

O principal crítico do trabalho acima referido, é Tim Lambert, que emCorrections to the McKitrick (2002) Global Average Temperature Seriespara provar o seu "brilhante raciocínio", chega a escrever literalmente o que segue:

Physics does, in fact, provide a basis for defining average temperature. Just connect the two systems that you want to average by a conductor. Heat will flow from the hotter system to the colder one until the temperatures are equalized. The final temperature is the average. That average will be a weighted arithmetic mean of the original temperatures. Which is why the folks doing the averaging use weighted arithmetic means rather than the geometric mean.”


Pois bem, o brilhante detrator escreve uma enorme asneira, pois se acoplarmos dois sistemas um frio e outro quente eles “will be a weighted arithmetic meam of the original temperatures” uma pinóia.

A média da temperatura na superfície da Terra não tem sentido exatamente porque o calor específico de um volume de ar a zero metros de altura é diferente do calor latente do mesmo volume a 1000m ou 10km. Para reforçar o que estou falando nos comentários 3, 4, 28, 29 e 31 ao post de Tim Lambert, é detalhado o problema do uso da temperatura média global.

Além dos comentários que se encontram no blog de Tim Lambert, há enormes detalhes que todos deixam passar, por exemplo a diferença do calor específico do ar, da água e do solo. Só para comparação, o calor específico do ar a pressão atmosférica padrão (ou seja a zero metros) é de 0,24cal.g/K enquanto o da água é de 1,0cal.g/K, sabendo que a massa específica do ar a zero metros é de 1,24kg/m³ e da água é aproximadamente 805 vezes superior a do ar, 1 metro de água corresponde a mais de 4.000m de ar (estou levando em conta a diminuição da massa específica do ar co a altura). Se fizermos esta correlação da temperatura do ar com a temperatura do solo, esta relação também é espetacular. Tomando um calor específico em torno de 0,21cal.g/K e uma massa específica em torno de 2400kg/m³ a relação entre um metro de solo e o ar fica em torno de 1/2000.

Em resumo, se compararmos 100m de oceano e 15m de terra com a quantidade de calor existente na atmosfera e desta última tentarmos determinar a temperatura da Terra , estaremos isto sim medindo uma fração insignificante da quantidade de calor estocada na Terra.

Energia vai, energia vem. Será que há sentido medir a temperatura da Terra como é medido?

Alguém já observou com cuidado as medidas globais de temperatura? Pois há muito tempo venho me intrigando com este assunto e não entendendo o que ocorre. Olhe um dos gráficos da variação da temperatura global!

Se olharem com cuidado se vê uma louca variação da temperatura da Terra que aumenta e diminui sem muita vergonha. Olhando os anos 1998-1999 se vê um aumento notável da temperatura da atmosfera causado pelo super El Niño que ocorreu neste período. Depois o que ocorre? Em menos de um ano a temperatura medida cai vergonhosamente em média 0,2 a 0,4 conforme o período de base desta média. Feito isto ela retorna a um valor mais alto mantendo oscilações em torno de um valor mais baixo ao que durante o El Niño.
Em resumo, se estivéssemos medindo a energia retida em termos de calor na atmosfera terrestre, não poderia a partir de uma época em que esta energia atingiu um máximo simplesmente ela se perder não se sabe para onde.
Talvez a solução esteja num artigo de 2006 intitulado Does a Global Temperature Exist? que pode ser visto aqui, é uma digressão sobre termodinâmica que talvez explique o que está havendo. Poderei voltar ao assunto em breve, mas espero que leiam pelo menos as conclusões deste artigo técnico.

09 março 2012

Eólicas, agora é a piada do brasileiro e não do português!

Todo mundo gosta de contar piadas de portugueses, como os nossos amigos do Ultramar fossem toscos e burros, entretanto não é bem assim. Foi publicado o balanço da EDP, a estatal portuguesa que está nos brindado com o favor de produzir energia eólica no Brasil.
Eles são tão burros em relação aos brasileiros que simplesmente nas suas operações fora de Portugal, USA, Espanha, França e Bélgica, Polônia e Romênia exatamente a ENERGIA MAIS CARA é vendida no Brasil.
Quem quiser olhar direto no balanço pode optar a ver aqui, mas como sou como todo a brasileiro, bonzinho, vou poupar o trabalho colocando cópia das páginas que se referem referência ao assunto.
Já fizeram o resumo dos cálculos e o preço de venda para os diversos países foram os seguintes:


USA                          €32.88/MWh    9330 GWh
Espanha,                    €82.5/MWh     4584 GWh
França                       €87/MWh
Romênia                    €89.15/MWh      245 GWh     
Portugal                     €99/MWh         1391 GWh
Polônia                      €108.98/MWh    376 GWh
Bélgica                      €112/MWh 
Brasil                         €119.31/MWh     170 GWh


De todos estes países quem tem potencial hidrelétrico de sobra a baixo custo é o Brasil, sabendo que a energia eólica é fornecida de forma intermitente no dia, na semana, no mês e no ano, temos que somar nela o custo das geradoras a gás que ainda mantemos para quando elas falham, ou seja, sem medo de errar, além de estarmos pagando a energia eólica mais cara de todos para os Portugueses, estamos pagando 3 a 4 vezes o preço de uma geração hidrelétrica convencional.
Gostaria de saber quem fica com vontade de contar uma piada de Português?
Há um erro na tabela, onde está 278 como Euros são Reais!






08 março 2012

As manchas solares insistem em diminuir

O gráfico que retrata a quantidade de manchas solares ao longo do últimos três século mostra o seguinte desenvolvimento:

E qual o problema? Nenhum, ou melhor todos. Explico depois.

07 março 2012

Chineses, Indianos e Brasileiros são agora inimigos da Europa.

Geralmente não posto assuntos políticos, porém este vídeo, encomendado pela União Européia é uma ofensa aos povos Orientais, Africanos e Latino Americanos.


Detalhe, não colocaram os Eslavos porque eles estão de quatro para os Russos, dependendo destes para não morrer de frio no inverno.

04 março 2012

Continua a confusão na barragem de Ivanovo (язовир Иваново)

Passados quase um mês do desastre na Barragem de Ivanovo (ou Ivanova, não sei direito a tradução) que culminou em 11 mortes (o dado mais atualizado) na Bulgária a confusão ainda persiste, ninguém assume a responsabilidade por consertar a rachadura que havia no corpo da barragem desde 2006.

Barragem antes do acidente.
Segundo o ministro da defesa búlgaro Anyu Angolov a barragem nunca pertenceu ao exército Búlgaro, ela foi construída por outra instituição governamental e em em 3 de março de 1994 para duas cooperativas de agricultores, ele diz que somente a terra que estava abaixo da barragem era de propriedade do exército Búlgaro.

Barragem depois do acidente.
É importante destacar que com a queda dos regimes socialistas, criaram-se verdadeiros vácuos na legislação que demorarão décadas para serem equacionados.

A barragem rompeu não somente por existir uma rachadura no concreto, mas também pelo vertedor ter sido bloqueado por uma camada de gelo que levou a ela ser galgada. Isto são ainda especulações, e nos parece que, pelo jogo de empurra, o assunto vai ficar que nem o da barragem de Sayano Shushenskaya na Rússia, que depois de dois anos não há nenhuma explicação satisfatória sobre o acidente.


03 março 2012

Atingimos as 30.000 entradas.


Em 31 de maio de 2011 atingimos 10.000 visitas, agora no fim de fevereiro de 2012 atingimos as 30.000 visitas. Porém como já relatado em maio de 2011 estas visitas não correspondem a leituras de fato, pode-se a grosso modo considerar 30% disto como leitores de fato e 5% de leitores que seguem o Blog, mesmo assim teremos aproximadamente 10.000 leituras esporádicas e 1.500 leitores fiéis (isto tudo sem contar os que em julho de 2010 apaguei por engano o contador, eram aproximadamente 500 entradas.

Apesar de um universo de 10.000 leitores não significar muito em termos de Internet a qualificação dos mesmos me deixa extremamente satisfeito, porque vejo nas intervenções e contraposições pessoas de alta qualificação.

Obrigado pela presença.

Mais uma vez com as Eólicas, agora falando da “eficiência alemã”.


Dentro do espírito de cachorro vira-lata, que o brasileiro cultua, falamos da grande capacidade do povo alemão em matéria de organização e previsão em longo prazo. Mas será que é assim mesmo?

A primeira ministra alemã, Angela Merkel, prometeu logo depois do desastre de Fukushima no Japão não construir novas usinas nucleares na Alemanha e na medida em que as mesmas forem chegando ao fim de seu prazo de validade ir desativando-as e substituindo por fontes alternativas de energia.

Após o rompante ecológico de Merkel começam a surgir fortes dúvidas no seu país para obter esta tarefa. Segundo o cronograma as usinas eólicas, os biodigestores e as fotovoltaicas deveriam substituir as atômicas. 

O plano previa para em 2035 estar gerando 35% da carga total acrescendo 15% do que é gerado atualmente, para produzir energia mais estável (sem tanta variação no regime de ventos) grande parte das eólicas deverão ser usinas “offshore” (alto mar), mas exatamente nestas que estão surgindo os problemas.


O primeiro problema que surgiu foi da incapacidade dos fornecedores em entregar a tempo os cabos para ligar os geradores eólicos ao continente estando, por exemplo, as plataformas de HelWin1 e HelWin2, que deveriam começar a funcionar em 2012 com o seu prazo de funcionamento com 12 ou 18 meses de atraso. Das 10.000 turbinas eólicas que deveriam ser construídas para 2030 apenas 27 estão prontas e os 25.000MW até agora estão sendo gerados 135MW.

Além dos problemas dos cabos a tecnologia para instalação das torres no Mar do Norte (sujeito a fortes tempestades no inverno) não está perfeitamente equacionada, dos doze meses do ano as empresas que estão instalando os geradores eólicos só estão conseguindo trabalhar dos meses de maio a setembro, ou seja, seis meses por ano.

A choradeira dos fornecedores é tanta que as promessas de financiamento dos parques eólicos estão diminuindo, dos 86 projetos apresentados apenas 24 foram aprovados e apenas 4 estão em operação (os em regiões mais favoráveis).

Com tudo isto a indústria alemã começa a fechar algumas fábricas tradicionais (Usina Krefeld de aço inoxidável da Thyssen-Krupp, que foi vendida para os concorrentes, e será fechada no final do próximo ano).

A energia solar também não vai muito bem das pernas, o sol está meio que falhando na Alemanha, em janeiro deste ano os 1,1 milhões de coletores solares praticamente geraram zero em energia, para complementar o que não existe, energia elétrica está sendo importada da França e da República Checa ou também estão religando antigos geradores a óleo diesel. Isto tudo ocorre apesar de até 2011 já se tenha investido nada mais nada menos do que 100 Bilhões de Euros. A energia solar consome na Alemanha (Lei de geração de renováveis – 20 anos de produção até 2007).

A geração de energia solar, no momento que começou a ser sugerida como umas das alternativas para a indústria começaram a aparecer os custos escondidos. O Rhine-Westphalia Institute for Economic Research (RWI) calculou a fatura que será apresentada aos consumidores somente para os subsídios das instalações conectadas em 2011, o valor é de 18 bilhões de Euros em 20 anos. O RWI calculou o impacto da energia solar nas famílias alemãs, resultando num sobrepreço de 200 Euros por ano (além do custo da eletricidade).

Em resumo, atualmente o preço da energia na Alemanha é de 16,7 Euros/KWh, só perdendo para a Dinamarca (campeã mundial em energias alternativas – 20,6 Euros/kWh) e para a Itália (17,5 Euros/KWh), se for retirado a produção nuclear aumenta até 2020 em 20% o preço, ultrapassando a Dinamarca e inviabilizando parte da indústria Alemã.

02 março 2012

Aumento da mortalidade em Portugal acima de três desvios padrões: Clima ou crise? Ou ambas?


O Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge acompanha semanalmente os números de óbitos em todo o país, mostrando que em Portugal o número de mortes em pessoas com mais de 75 anos oscila com as estações do ano, eles conseguiram para os dados médios interpolar uma curva senoidal quase perfeita, mostrando que em Portugal, para idosos o risco com o frio é altíssimo.

Se olharmos no gráfico com os dados nas últimas setenta e duas semanas (cobrindo dois invernos) se vê algo extraordinário, no último inverno enquanto este estava ameno até a terceira semana do ano de 2012 o número de óbitos estava dentro da faixa normal, após a quarta semana há um salto que culmina na sétima semana do ano, meados de fevereiro.


Estes resultados nos permite levantar duas hipóteses, primeira que a crise em Portugal está chegando a um ponto que as pessoas têm que diminuir o seu aquecimento e com isto os idosos sofrem muito mais e MORREM. Outra conclusão, que fecha com o artigo anterior a este, mostra que o problema energético na Europa é algo extremamente grave e que vem aumentando.

A própria Organização Mundial de Saúde, segundo o Jornal Público de Portugal, indica que “Dados da OMS revelam que em Portugal 44 por cento das famílias com idosos não tem dinheiro para manter as habitações aquecidas adequadamente.”, ou seja, a crise europeia de energia para os mais pobres avança a passos largos.


Problema energético do hemisfério norte, ou "Minha casa na Toscana".


Insisto muito em falar sobre o problema da energia associado-o ao pseudoproblema das variações climáticas. Para muitos a solução dos de todos os problemas da humanidade hoje em dia se resumem a limitação dos gases de efeito estufa para que a Terra não se aqueça mais. Se eu acreditasse no efeito dos gases de efeito estufa na modificação do clima do planeta, eu diria: Bendito gases de “efeito estufa”, vamos emiti-los cada vez mais!

Vamos aos fatos. Tenho um conhecido que adquiriu uma pequena casa num pequeno povoado da Toscana, uma pequena casa em péssimo estado de conservação que logo após alguns investimentos, recuperou a sua habitabilidade, desta forma ela foi transformada numa casa secundária para passar alguns meses por ano a custo baixo. Esta arquitetura econômica de ter uma casa de veraneio na Europa era algo inusitado há alguns anos, algo só presente na mente de poucos mega-ricos brasileiros, entretanto, devido à valorização do Real, hoje ela é possível para a nossa próspera burguesia brasileira. Porém isto é outra história!

Neste último inverno europeu, o feliz proprietário de uma residência secundária na Toscana, passou uns vinte dias na sua aprazível residência secundária, que além de aprazível, está numa quente região italiana, tão quente, que foi a região do norte da Itália que menos sofreu com o frio. Ao ser questionado quanto gastaria em calefação se passasse um mês inteiro ele calculou por cima uns 300 Euros por mês. Para um brasileiro que fosse para um hotel de zero estrelas na Toscana, este valor representaria uns três dias de estada, ou seja, nada de extraordinário.

Tomando por base este microcosmos vamos fazer outros desdobramentos, um operário europeu noutra região européia, não tão aprazível como a Toscana, gastaria em média estes 300 Euros durante seis meses para não morrer de frio, ou seja, gastaria quase 20% do seu salário para se manter vivo durante o inverno. Não estou falando de alimentação, vestuário, água ou iluminação, estou falando de algo que nem entra no orçamento de qualquer brasileiro, o aquecimento.

Como o petróleo se mantém acima de 100US$ o barril mesmo com toda a crise econômica mundial, fazer uma projeção de valores entre 150US$ a 200US$ para os próximos dez anos não é nada absurdo. Sendo a variação do preço do gás natural, do carvão e da eletricidade no mínimo igual à variação do preço do petróleo, podemos imaginar que o nosso hipotético operário europeu, gastará no futuro NO MÍNIMO 30% a 40% do seu salário nos meses de inverno para não morrer de frio. Não considerei aqui que o custo do transporte, e de qualquer outro produto que consuma energia (praticamente todos) também subirão, logo como se pode ver, caso não se resolva o problema energético por algum milagre além da pobreza que reaparece com intensidade na Europa, teremos de volta a miséria.

Este cálculo que aqui faço, está sendo feito pelos governantes europeus e a partir dele é que se tomam iniciativas de pilhagem de recursos naturais como está se tentando fazer no Iraque e na Líbia.

Não coloquei nenhuma referência aos Estados Unidos, simplesmente porque o problema energético está sendo equacionado de outra forma, que rapidamente se transformará em notícia em breve, porém isto também é outro assunto (tão interessante como este!).