11 abril 2012

ANTÁRTICA NÃO ESTÁ ENCOLHENDO!


Melhorando-se as medidas melhoram os resultados, parece evidente mas não é sempre assim que se vê.

A Agência Espacial Européia (ESA) noticiou no site do satélite Cryosat II (AQUI ou AQUI) em 29 de março de 2012, um surpreendente "press release" dos primeiros dados tratados do satélite, e verificou-se que a Antártica não está perdendo gelo, mas sim ganhando (Título em português do press release:Verificações ao CryoSat revelam subida dos gelos azuis da Antártida)!

Durante o período quente 1991-2000 verificou-se através do CryoSat I que no chamado gelo azul (gelo brilhante, desprovido de neve na sua superfície, logo passível de medições precisas) tinha perdido uma espessura média de 5cm, porém seguindo as medidas constatou-se que durante o um curto período 2010-2011 (CryoSat II) esta espessura perdida não foi somente recuperada mas também aumentada, ou seja aumentou 9cm em média.

Figura representando a forma de medida do CryoSat (fonte: http://www.esa.int/esaMI/Cryosat/SEMRQ4908BE_1.html ):  
Estas medidas são extremamente mais confiáveis do que medidas que vem sendo feita pelos satélites Grace, isto é conseqüência da forma como são obtidos os dados.

Esquema de funcionamento dos satélites GRACE (fonte: http://www.csr.utexas.edu/grace/ )

 Enquanto os satélites Grace (Gravity Recovery and Climate Experiment) que foram lançados em março de 2002 com tempo de vida previsto para 5 anos, ou seja até 2007, a medida da espessura do gelo era medida de forma indireta (gravimetria), o sistema Grace é composto de dois satélites gravimétricos que orbitam a 485km de altura, amarados através de coordenadas dada pelo sistema GPS, medindo a gravidade por acelerômetros colocados em seu interior e através dessas medidas indiretas, se  obtém variações no campo gravitacional terrestre (que pode provir da variação da camada de gelo ou de elevação ou rebaixamento dos próprios continentes), o satélite CryoSat II (lançado em 2010) mede diretamente através de um radar altimétrico, com precisão centimétrica a distância da terra ao satélite, podendo mapear tanto a superfície de gelo como rochas da região, com uma malha de 250m de lado.

A diferença principal é que da forma com que são obtidos os dados do Grace não é possível diretamente determinar se é o gelo ou o continente que está subindo. Já o CryoSat II, que possui amarração em terra (pontos rochosos, sem neve, ou pontos em se conhece a espessura de gelo). A sua medida é absoluta e direta podendo ser aferida todas as vezes que o satélite passar por uma região rochosa.

O mais interessante de tudo é que o CryoSat II, já é o terceiro satélite lançado com este fim, o CryoSat I, um segundo que falhou o lançamento e este último que está funcionando perfeitamente. Também é interessante que o objetivo dos satélites CryoSat era de monitorar o derretimento da Antártica e da Groenlândia, e nos primeiros resultados processados ele mostra exatamente ao contrário.

Já são vinte anos de dados (os satélites I e II) e as revelações indicam exatamente ao contrário da sua hipótese inicial quando o mesmo foi colocado em serviço.


05 abril 2012

Aumento da densidade na cidade de Porto Alegre, uma ideia genial, pode se transformar num problema infernal.


Saiu na imprensa de Porto Alegre a proposta de aumentar a densidade de áreas ao longo da linha do metrô para estimular este transporte e ter maior retorno do investimento, a proposta está em aumentar em torno de 120m do eixo da linha do metrô a taxa de ocupação dos terrenos fazendo com que se aproveite mais o deslocamento com este modal.

Num primeiro momento parece brilhante, para uma região em que era prevista, por exemplo, uma taxa de ocupação de 90hab/ha se passa para 120hab/ha, olhando-se friamente os dados e analisando o custo de urbanização para regiões menor ou maior densidade populacional, com os custos decrescentes da infraestrutura em relação à densidade (maior densidade, menor custo por habitante), parece uma ideia brilhante. Porém devemos verificar o que realmente está por trás disto.

Retirando de um trabalho de MASCARÓ (1987) a seguinte tabela de custos de implantação de infraestrutura para cidade de Porto Alegre (MASCARÓ, J. L. Desenho Urbano e Custos de Urbanização, Brasília, MHU/SAM, 1987 apud ZMITROWICZ e NETO 1997 Infra-Estrutura Urbana  1997.  USP, TTC), fica claro que o custo de implantação de infraestrutura é decrescente em função da densidade.



Para o exemplo citado de 90 hab/ha para 120hab/ha o custo cai de aproximadamente 510 dólares por habitação para 397 dólares por habitação, ou seja, uma economia de aproximadamente 110 dólares por habitação.

Entretanto devemos notar que não é bem assim, há o que se chama os limiares de expansão (Boleslaw Malisz). O que significa isto? Significa que sem maiores considerações urbanísticas, ou de qualidade de vida ou ainda de sustentabilidade, quando se atinge o limiar de expansão para se aumentar a densidade urbana é necessária à criação de novos subsistemas de infraestrutura, ou reforma quase que completa dos subsistemas anteriores.

Atingido o limiar de expansão há um salto no custo da infraestrutura, deixando inválidos os dados da tabela anterior e se passando para um novo patamar, a partir do qual o custo começa a ser de novo decrescente.
Para exemplificar melhor vamos a outro exemplo concreto. Campana e Tucci (1994) estabeleceram uma relação entre densidade populacional e impermeabilização do terreno (Campana e Tucci 1994 in Estimativa de área Impermeável de macro bacias urbanas RBE V12 n2 p79-94).


Para o mesmo exemplo proposto, se passa de uma área impermeável de 44% para 58,7%. Sem considerar o aumento da onda de cheia pela diminuição do tempo de concentração e prováveis correlações do aumento da intensidade das chuvas causados pela urbanização, podemos dizer que para uma chuva de 100mm em uma hora, resultaria para uma área de 100.000m² um aumento de vazão de 0,122m³/s para 0,167m³/s, este aumento de vazão de 37% pode provocar a necessidade do aumento da drenagem pluvial, não só na área em que foi aumentada a densidade, mas como também em toda a rede a jusante. Este aumento pode levar a necessidade de aumentar toda a rede de drenagem, através da substituição dos condutos.

O mesmo problema pode ocorrer nas redes de esgoto como também a necessidade de criar novas subestações para suprir o desejado.

Ou seja, uma ideia genial, pode virar um problema infernal, principalmente numa cidade como Porto Alegre que possui muitos equipamentos urbanos no limite.



02 abril 2012

Mais um belo desserviço que o jornal Zero Hora dá aos seus leitores.


Em dois de abril (seria mais correto publicar no dia primeiro de abril) o jornal Zero Hora apresenta na página central do seu encarte intitulado, “O nosso mundo sustentável” mais uma bela peça de propaganda do alarmismo climático.

A reportagem começa com uma chamada bem eco-terrorista:

“A metamorfose da Terra em 9 pontos – As mudanças climáticas não significam apenas inundações, secas e ondas de calor. Elas trazem também vulcões em erupção e terremotos catastróficos.”

Bem no primeiro ponto já começa mal, coloca o fim do período glacial em época errada, 20.000 a 5.000 anos. Último período glacial, glaciação Wisconsin, ou glaciação Würms, ou ainda glaciação Laurenciana (nomes diferentes para a mesma coisa) terminou a aproximadamente 12.000 anos, esta data é um consenso entre todos os geólogos, variando em mais ou menos 500 anos conforme alguns estudos, mas nunca 20.000 anos nem tampouco 5.000 anos. 

Também esta era do gelo não foi “o mais profundo e tenebroso período glacial para o mundo”, há inclusive uma hipótese (não comprovada) que durante o período Criogeniano (790 a 630 milhões de anos) a Terra se viu coberta totalmente pela gelo, denominando-se “Terra bola de neve”. Pode ser que a hipótese venha ser considerada errada, mas certamente esta glaciação foi sim a “profunda e tenebrosa” da que conhecemos.


Registros dos últimos quatro períodos Glaciais.
Quanto aos Tsunamis, pequenos em relação a outros registros geológicos de Mega-tsunamis que já existiram, não há nenhuma afirmação em nenhum trabalho científico comprovado que descreva a intensificação dos Tsunamis na época atual, é só um golpe midiático.

Explosões vulcânicas, aí sim se registros históricos precisos que mostram que as erupções vulcânicas nas últimas décadas até diminuíram, na classificação intensidade de explosões vulcanicas tem-se diversas categorias (Volcanic Explosivity Index VEI), variando do Zero, os vulcões não explosivos até aos de classe 8 que são os colossais, o Eyjafjallajökull citado na reportagem teve uma erupção classificada como uma erupção de VEI 2 a 4, erupções como estas que ocorrem, estatisticamente falando, semanalmente (VEI 2) ou anualmente (VEI 4), ou seja de ocorrência normal. Só para comparar, em 1980 se teve a erupção do monte Santa Helena nos USA em 1980 (VEI 5), a do Krakatoa na Indonésia 1883 (VEI 6), o Tambora também na Indonésia 1815 (VEI 7) a maior erupção do mundo moderno, e finalmente pode ocorrer (já ocorreu no Plestoceno) no parque de Yellowstone nos USA um vulcão de VEI 8, que arrasaria pelo menos com 10% de todo os Estados Unidos.

Logo o Eyjafjallajökull, além de ter um nome impronunciável não passa de um vulcãozinho normal (já os vulcões Katla e Hekla que estão próximos...., mas isto é outra história), se consultarem as páginas de turismo na Islândia, há turismo de visita a vulcões!

Quanto ao aumento dos níveis dos mares, eles vêm subindo desde que se começou a registrar o seu nível por marégrafos a 150 anos, e a taxa de aumento varia entre 2mm a 4mm conforme as décadas estudas e local, ou seja, prever um aumento de 180mm a 590mm não é fugir muito do que está ocorrendo há séculos.

                             Nível médio do mar de 1880 até 2012. Dados marégrafos + Satélite.


Nível médio do mar 1993 até 2011 (dezembro) Dados satélite.

Quanto ao aumento de temperatura o assunto vai meio longe, mas suas previsões mais catastróficas não passam de 3ºC, e nunca 7ºC como um número cabalístico que deverá supostamente ocorrer em algum ponto no “oeste da China e Oriente Médio”.

A Groenlândia, conforme medidas realizadas perde de 3mm a 6mm de espessura de gelo em média por ano e últimas estimativas de perda de massa da Groenlândia (de 2002 até 2009) usando os dados do satélite GRACE, mostram que não há uma aceleração nesta perda, ou seja mesmo acelerando esta taxa exponencialmente, daqui a uns 5.000 anos ela ficará sem gelo.

Balanço de massa da Groenlândia a partir dos dados dos satélites GRACE , os valores estão e Gt 
Fonte:  Mass loss of the Greenland ice sheet  from GRACE time-variable gravity measurements.  2012. Gholamreza Joodaki e Hossein Navandchi in  Stud. Geophys. Geod., 56, 197-214   

Ou seja, artigos como estes levam a absurdos como o que presenciamos na TV, com um prefeito do interior do estado prevendo maremotos catastróficos a partir do calendário Maia, e outros indícios nada científicos.

Previsões de arrefecimento global para os russos não é coisa nova.


Quando li a previsão do Dr. Nikolái Dobretsov (Николай Добрецов) sobre o arrefecimento global no lugar do aquecimento global, procurei olhar em algumas fontes russas a disparidade da visão entre um cientista importante como a do Acadêmico Nikolái Dobretsov, com a visão de autores ocidentais, procura daqui, procura dali, achei uma entrevista de 25 de janeiro de 2007, onde outro cientista russo Nikolai Zharvina ou (Николая Жарвина: atenção, coloco a grafia em cirílico, não porque seja um conheça a língua –exatamente ao contrário – mas sim para que quiser, que possa procurar na internet sem problemas) prevê exatamente para 2012 uma reversão no clima, vide aqui.

Agora podemos também pensar por outro lado, para os Russos o aquecimento global (antropogênico ou não) é uma benção, já uns dois ou três graus a menos uma catástrofe, logo eles estão bem mais preocupados com o frio do que com o calor, e se uns gases a mais de efeito estufa, até que vem bem.

A confusão no clima, ninguém se entende!

Li na edição n°4073 de 27/03/2012 do AmbienteBrasil duas notícias que mostram a confusão que está se transformando o assunto clima, numa primeira notícia se lê:


Aquecimento global está perto de se tornar irreversível, dizem cientistas


a notícia seguinte é:


Tem uma coisa de positivo, o jornal on-line AmbienteBrasil, com esta demostra que se descola de um assunto que é controverso, talvez para se centrar naquilo que não tem controvérsia com ninguém (salvo alguma pessoa que queira aparecer ou esteja se lixando para o futuro) o respeito ao meio ambiente.

Se seguir nesta linha, começarei a postar aqui uma série de bons artigos que sistematicamente leio neste jornal, que por estar poluído por alguns preconceitos climáticos, deixam para trás o foco que deve ser o principal, o meio ambiente.


01 abril 2012

Voltando ao problema da amostragem nos "Ice Cores".

Como já foi chamado atenção no post O que é ruído, o que é real? Como se verificam nos testemunhos de gelo picos de gás CO2 e Metano? já chamamos a atenção de utilizar amostras médias que cobrem um tempo médio de 300 a 550 anos, para comparar com eventos rápidos que podem ocorrer no clima. Isto dificulta a obtenção de bons resultados nas condições de variação dos máximos ou de mínimos de temperatura, CO2, metano e outros elementos que ocorrem nos dias atuais, com séries históricas de 400.000 anos.
Os valores de concentração máxima e mínima de gases de efeito estufa, são retirados de dois projetos internacionais que perfuraram grandes camadas de gelo na Antártica (Vostok e Épica).

Para verificar a simetria e a globalidade das varições destes parâmetros, foram realizados projetos semelhantes na Groenlândia, num desses projetos o GRIP (Greenland Icecore Project) foi perfurado entre os anos de 1991-1992, 3029 metros de gelo, correspondendo 123.000 anos de registros.

O projeto GRIP trabalhou com uma resolução temporal menor (mais detalhado) resultando valores médios de cada camada que era retirada da amostra mais próximos dos máximos e dos mínimos. A figura a seguir é elucidativa porque mostra no mesmo intervalo de tempo (correspondente a época entre 12,800 a 11,500 anos BP) os registros de d18O, durante o chamado período da Younger Dryas.

Olhando com cuidado os gráficos, é possível notar que as variações deste isótopo do oxigênio (traçador da temperatura) é bem mais perturbado no caso do GRIP, do que no Vostok ou Épica. Poder-se-ia pensar que as reações na Groenlândia são mais rápidas e sujeitas a maiores oscilações, entretanto outras amostragens mais detalhadas na Antártica mostrou este tipo de comportamento.

A consequência deste resultado é que oscilações rápidas em termo de Clima (50 a 200 anos) podem passar desapercebida em amostragens com menor detalhamento temporal (Vostok ou Épica).

Com a imagem reforço a observação que já fiz no outro Post, com amostras integradas em períodos longos(300 a 550 anos), não é possível a detecção de subidas ou descidas rápidas de CO2, por exemplo. Destaco isto, pois para inter-glaciais anteriores, observados no Vostok e no Épica, diz-se enfaticamente que nestes períodos não houveram taxas de CO2 como as dos dias atuais. O certo é se dizer que para precisão de amostragem adotada não se detectou oscilações notáveis.

Só para dar um exemplo da possibilidade de oscilações notáveis na temperatura, vou citar os chamados eventos de Dansgaard-Oeschger, onde a Groenlândia sofria um aquecimento durante o último intervalo glacial de 8ºC em somente 40 anos. Atenção, esta variação era na Groenlândia, não podemos generalizá-la para o resto do globo terrestre, apesar de ter sido achadas oscilações semelhantes na Antártica (defasadas no tempo).

Estes eventos de  Dansgaard-Oeschger não podem ser atribuídos a eventos catastróficos como queda de meteoros ou vulcões, pois eles apresentam uma ciclicidade em torno de 1470 anos (25 eventos registrados pelo projeto GRIP).

Note-se a mesma atenuação do eventos de Dansgaard-Oeschger na Antártica do que na Groenlândia.