28 maio 2012

Negaciosismo ou fundamentalismo? (primeira parte)

Deixei possar um pouco as repercussões da entrevista feita por um professor da USP, Prof. Ricardo Augusto Felício, no Programa do Jô Soares para que se possa falar calmamente sobre o assunto.

A entrevista dada pelo dito professor repercutiu muito neste programa devido não só as opiniões contra a teoria do Aquecimento Global Antropogênico (AGA0, mas também pela série de absurdos que o mesmo falou nesta entrevista, uma coisa é atribuir ao CO2 a função de único fator responsável por alterações climáticas, outra coisa é simplesmente negar a função dos gases de efeito estufa na manutenção da temperatura da Terra.

Para se entender os erros do Professor, infelizmente para quem já tem conhecimento sobre o assunto, teremos que voltar a conceitos básicos de física, para somente depois falar um  pouco da importância dos gases de efeito estufa para a Terra,. Terminado a introdução é que será possível se falar sobre a divergência entre os aquecimentistas e os céticos.

Partindo-se de uma Lei física bem conhecida por qualquer bom aluno de segundo grau, Lei de Stefan-Boltzmann sabe-se que um corpo qualquer emite calor (densidade de fluxo energético, fluxo radiante ou potencia emissora, j*) proporcional a potencia 4ª da sua temperatura absoluta T, multiplicada por uma constante, a constante de constante de proporcionalidade ou constante de Stefan-Boltzmann ou ainda constante de Stefan (σ)

 j^{\star} = \sigma T^{4}
 \sigma = 5,6697x10^{-8}  W m^{2} K^{4}

Em resumo, corpos mais quentes, como o Sol emitem calor, mas também corpos mais frios como a Terra também emitem, porém esta emissão não se processa através de ondas eletromagnéticas (como a luz) de igual forma. Segundo outra equação, a denominada hipótese de Marx Plandt, diz que a energia emitida por um corpo qualquer por radiação é função da freqüência dessas ondas eletromagnéticas irradiadas por um corpo qualquer, ou seja: 

E=hf \,
h =\,\, 6,626\ 068 \ 96(33) \times10^{-34}\ \mbox{J}\cdot\mbox{s} \,\, = \,\,  4,135\ 667\ 33(10) \times10^{-15}\ \mbox{eV}\cdot\mbox{s}

Como esta freqüência é função da temperatura pode-se através da temperatura de um corpo saber qual a intensidade emitida e em que freqüência.


Em resumo, o Sol tem uma temperatura da ordem de 5778K e a da Terra da ordem de ~ 287K (~ 14°C) variando conforme a latitude, altitude e outras variáveis meteorológicas. Logo, se não houvesse atmosfera o lado que estivesse iluminado pelo sol, receberia uma determinada quantidade de calor, que aqueceria a Terra, ao mesmo tempo em que ao mesmo tempo emitiria calor. Importante destacar que o sol 


Se o sistema estivesse em equilíbrio perfeito, toda a quantidade de calor recebida pela Terra seria emitida de volta para fora dela restando uma temperatura abaixo da temperatura atual da Terra, ou seja uma temperatura média da ordem de 260K (~ -12°C). Importante destacar, que a atmosfera terrestre é praticamente transparente as radiação ultra-violeta que prepondera nas emissões solares.


File:Atmospheric Transmission.png
Radiação transmitida pela atmosfera e interceptação por gases de efeito estufa (Wikipedia)
Como se pode ver em termos de eficiência de gases de efeito estufa, o vapor de água é o que mais retém as ondas infravermelhas que a Terra emite e o CO2 e o Metano atingem as mesmas frequências (f=1/Comprimento de onda).

A divergência entre os aquecimentistas e os céticos, não está na existência ou não dos efeito estufa, mas sim em outros fatores que influenciam o clima.

PS.:

Só para não ficar devendo por completo uma explicação ao Pedro Henrique, que postou uma dúvida abaixo, a quantidade de insolação tanto na Terra quanto na Lua é praticamente a mesma, entretanto alguém pode dizer, mas a temperatura da Lua é menor do que a da Terra. Como isto ocorre?

Primeiro a temperatura da Lua em média é praticamente igual a temperatura da Terra, entretanto a presença da atmosfera como dos mares impedem isto.

Para ficar mais claro a relação entre a média e os extremos, pode-se ver a figura abaixo, onde estes valores mais a temperatura de congelamento da água, um parâmetro muito importante também está presente. Uma explicação mais correta, analisando a oscilação da temperatura da Terra como um fenômeno dinâmico e não estático colocarei em outro post.


Note-se, a temperatura média da Lua é de -23º C, aproximadamente a mesma temperatura da Terra se não houvesse o efeito estufa, chamo a atenção que o Albedo da Lua (Define-se o Albedo como a razão entre a irradiância electromagnética reflectida - de forma direta ou difusa - e a quantidade incidente)a Terra tem um albedo médio de 37% a 39% diferentemente da lua que tem um Albedo em torno de 12%, se considerarmos somente o Albedo, a Lua seria mais quente, porém também aí se tem que explicar melhor.

Só para dar uma noção do que espera-se da explicação da temperatura do Lua, a mais ou menos 1,00m da superfície a temperatura do solo lunar é constante e tem um valor de -23º C.

26 maio 2012

Bom exemplo de honestidade científica.

Gavin Schmidt é um cientista norte americano que trabalha na modelagem de clima para os Instituto Goddard para estudos do Clima da NASA, em New York.


Ele pertence ao chamado "núcleo duro" dos cientistas aquescimentistas (pró teoria dos Aquecimento Global Antropogênico AGW ou AGA). Ele com outros cientistas famosos da mesma linha (como Michael Mann) mantém um blog pró-AGA que divulga fatos científicos sobre o clima. Não colocarei o nome do Blog aqui, pois tenho o costume de não divulgar qualquer Blog sobre o clima ou qualquer outra coisa, divulgo os trabalhos, mas Blogs jamais, sendo contra ou a favor de qualquer coisa, tenho os meus motivos.

Mas o caso não é o ser contra ou a favor, o caso é que Galvin apresentava sistematicamente uma figura sobre a quantidade de calor no oceano. A imagem abaixo é a imagem que o mesmo sempre publicava.

Versão até maio de 2012 do calor contido no oceano.
Por um erro de interpretação dos dados de entrada, Galvin superavaliava a quantidade de calor no oceano, por um fator 1,43, pois ele considerava que os dados de energia acumulada eram para o oceano, enquanto eram para o mundo inteiro (1/0,7=1,43). O erro é plenamente justificável a medida que a figura 2 em que ele se baseia vem do artigo Earth’s Energy Imbalance: Confirmation and Implications  (http://www.sciencemag.org/content/308/5727/1431.full.pdf) de Hansen et al 2005 Science Vol 308 3 June 2005.

Galvin era um dos coautores deste trabalho, mas como ele era 14° autor, provavelmente a sua atuação foi muito pequena.

A figura corrigida é:

Versão corrigida por Galvin Schmith.
Inclusive, lendo com cuidado a legenda da figura que deu origem ao erro (Fig. 2. Ocean heat content change between 1993 and 2003 in the top 750 m of world ocean. Observations are from (20). Five model runs are shown for the GISS coupled dynamical ocean-atmosphere model (8, 9).) fica claro que o erro é induzido pela própria legenda.

Estamos na presença de duas posturas completamente diversas, uma postura honesta e correta de Gavin Schmidt, e um total silêncio dos primeiros autores do trabalho original, pois deixaram Galvin Schimit com o ônus do erro e em lugar nenhum há no mínimo uma nota de apoio a ele.

25 maio 2012

Товарищ Хосе Fortunati е чудо-авеню da Voluntários da Pátria.

Товарищ Хосе Fortunati, мэр Порту-Алегри, применяет методы товарищ Сталин, чтобы выиграть голоса. (Tradução livre: O Camarada José Fortunati, prefeito de Porto Alegre, aplica métodos do Camarada Stalin, para ganhar votos).





Se olharem com cuidado as duas fotos, verão que da primeira para a segunda uma personagem a direita de Lenin desaparece de uma foto para outra. Esta era uma das técnicas do departamento de propaganda de Stalin de retirar elementos inconvenientes de fotos históricas. No caso das fotos acima, Trostki revolucionário bolchevique de primeira hora e talvez um dos mais importantes da revolução Russa (depois de Lenin) foi exilado e depois morto no México a mando de Stalin. O assassinato era previsto pelo próprio Trostki como mais um dos cavacos do ofício, tanto que mesmo com um martelo de geólogo enterrado na cabeça (execução meia esdrúxula) Trostki gritou para seus companheiros não matar o assassino para colocar o crédito em Stalin. Mas isto é outra história, o que nos interessa é a manipulação política de fotos!

Pois bem, Tovarishch José Fortunati, atual prefeito de Porto Alegre, nos brinda com algo bem semelhante, ao anunciar mais uma obra que o Governo Federal vai financiar por conta da Copa, a secretaria especial da copa (vinculada e chefiada pelo prefeito) a Secopa nos brinda com duas fotos, antes e depois do alargamento da Avenida Voluntários da Pátria (http://www.secopapoa.com.br/default.php?reg=73&p_secao=7). As fotos são do tipo antes e depois da obra, e são uma joia da manipulação de imagens.





Como podem ver, a primeira imagem é da vetusta avenida Voluntários da Pátria, antes do alargamento, já a segunda trata-se da nova avenida depois do alargamento.


Fantástico, como um alargamento faz bem para o visual! Entretanto devemos tomar algum cuidado pois estamos perante um milagre da tecnologia Staliniana, a falsificação de imagens. Se olharem com todo o cuidado, na foto do depois a distância dos prédios é afastada em 40% da posição atual sem nenhuma demolição!


Como entre os prédios há alguns representativos da grande fase industrial que viveu a cidade de Porto Alegre no início do século XX, se alguns deles forem demolidos (nada se sabe ao certo), talvez parte da população fique contrária ao projeto, por isto o SECOPA optou por uma manipulação de imagens do que mostrar a verdade.


É importante destacar que a duplicação da Voluntários da Pátria já está prevista há muitos anos, e por isto não é nenhuma surpresa a obra, o que é surpreendente é a tentativa de manipulação de imagens, esperando que as eleições passem e depois a população se dê conta. É muita coisa por muito pouco.

23 maio 2012

Hidrelétricas ou combustíveis fósseis, esta é a questão.

Recebi hoje de um assíduo colaborador deste Blog, Engenheiro Edgar Fernando Trierweiler Neto, uma reportagem da Folha de São Paulo que retrata o que está ocorrendo na geração Hidrelétrica no país, como vou comentar sobre o assunto tomo a liberdade de colocá-la aqui na íntegra.


A reportagem está correta em termos de sintomas, ou seja, a falta de capacidade de reservação dos nossos reservatórios de nossas usinas está levando a problemas sazonais de falta de energia, porém a origem do problema é parcialmente referida.

Primeiro, o pagamento pela energia gerada, e não pela energia reservada é parte do problema e não é  de difícil solução, se a tarifa para a compra de energia das hidrelétricas nas épocas de estiagem fosse elevada nesta época (mais barata ainda que as térmicas) teríamos um incentivo para usinas com reservação maior em relação a capacidade de geração, alguém pode dizer que haveria Usinas turbinando a menos nas épocas normais, mas isto poderia ser bem gestionado a medida que estimar a capacidade real e o quanto se gasta a mais para aumentar o reservatório, não é tão difícil, o barrageiro faria uma otimização na relação benefício custo e faria uma "pessimização" desta relação aumentando a Barragem, este "mais" que poderia ser pago.

Segunda observação, quanto a possibilidade de repotencialização das usinas atuais, tem dois problemas, primeiro os interessados por motivos diferentes, o primeiro interessado é o WWF (aquela ONG de proteção aos animais que o presidente de honra na Espanha caça Elefantes na África e Ursas grávidas na Europa Oriental, tem por interesse levar adiante a sua política de limitar a energia para os países do "ex-terceiro mundo", para que eles não concorram com a indústria européia,) e o segundo são os próprios concessionários de energia. Não esqueçam que uma série de concessões vão terminar e elas entrariam a custo zero para o Governo Brasileiro (e energia barata para todos!), com a repotencialização eles ganham mais duas décadas de venda cara de energia barata, ou seja aumentando barbaramente seus lucros.

O certo é se começar a construir barragens com maior capacidade de reservação, para isto os processos de indenização de muitos posseiros que ocupam os vales dos rios devem ser mais corretos e menos gananciosos. Todo o problema dos Movimentos de Atingidos por Barragens (MBA) tem origem ao tratamento que é dado a pessoas que moram e produzem nas barrancas dos rios. O custo de indenização desses posseiros é baixo em relação ao custo das barragens, porém que se acostumou com a técnica Dom João VI de indenização de propriedades pagar o justo é muito amargo.

Para quem não está lembrado da História do Brasil, quando a família real portuguesa chegou ao Rio de Janeiro e não tinham casas para morar, eles simplesmente pintavam na porta das melhores casas do Rio as letras PR (Príncipe Regente, que era Bourbon como o presidente da WWF) e o pessoal tinha que desocupar a casa, o pessoal levando na brincadeira (os que não perdiam a casa, certamente!) diziam que as letras significavam Ponha-se na Rua.

10 maio 2012

Energias alternativas? Dinheiro para pesquisa sim, para implantação de tecnologias ineficientes, não.

Pode até parecer um contrassenso ou "puxar a brasa para a sardinha" de meus colegas pesquisadores em energias alternativas (em tempo: sou pesquisador, mas não pesquiso energias alternativas!) mas acho que a política brasileira de energia alternativas deveria priorizar principalmente a pesquisa em energia solar.

Não recebi nenhum convite para pesquisas deste tipo nem algum amigo me pagou um jantar para que escrevesse isto, estou seguindo simplesmente a lógica.

A tecnologia de geradores eólicos não tem muito o que evoluir, como máquinas de fluxo, o limite de eficiência dos geradores eólicos já está quase sendo atingindo, podendo talvez se ganhar 10% a 15% na eficiência da máquina e outro pequeno incremento na diminuição do custo, entretanto estes ganhos, que provavelmente ocorrerão nos próximos anos, não compensarão o maior problema da geração eólica, a intermitência e a falta de vento na maior parte do país, logo o que se espera da energia eólica é praticamente o que se tem!

Por outro lado, o rendimento da geração fotovoltaica é ainda extremamente baixo, 10% a grosso modo, em contraponto a este baixo rendimento tem-se os 90% a ganhar, ou seja, nada impede que com pesquisa séria a médio e longo prazo não se obtenha células fotovoltaicas com rendimentos em torno de 50%. Se aliado a este rendimento se obtenha painéis de custo de produção mais baixo, por exemplo 30% do custo atual, a energia fotovoltaica torna-se competitiva principalmente na região nordeste do país (forte insolação).

Entretanto, chamo a atenção, investir comercialmente em energia fotovoltaica com a tecnologia atual é um despropósito, pois ela é altamente onerosa. Se repassássemos todo os incentivos a fundo perdido que são alocados para a produção industrial de energia eólica e fotovoltaica, para a pesquisa de novos materiais, novas tecnologias com potencial de aumento de produtividade, estaríamos, aí sim, fazendo uma aposta no futuro no lugar de jogarmos dinheiro fora no presente.

07 maio 2012

James Lovelock, o pai da teoria do Gaia se retrata publicamente sobre o alarmismo climático.

Enfim uma verdadeira bomba nas hostes do alarmismo climático, James Lovelock, numa entrevista BOMBÁSTICA para a Word News da NSMBC declara publicamente que errou há tempos atrás em aceitar a hipótese do Aquecimento Global Antropogênico, mais por ignorância que se tinha sobre o clima a vinte anos atrás do que qualquer coisa.


The problem is we don’t know what the climate is doing. We thought we knew 20 years ago. That led to some alarmist books – mine included – because it looked clear-cut, but it hasn’t happened,” 



Qual o significado disto e de outras afirmações deste GURU do movimento ecológico. Primeiro o porte da pessoa quem fala. Lovelock é o criador da Hipótese de Gaia (1979), ou seja o homem quem teorizou pela primeira vez que a Terra se comportava como um organismo vivo único em que tanto os organismos vivos adaptavam-se aos ecossistemas como os ecossistemas são adaptados as necessidades biológicas dos organismos vivos. Segundo, além do mesmo dizer que suas palavras pronunciadas a quase duas décadas atrás, eram alarmistas ele classifica assim o " An Inconvenient Truth" de Al Gore.

O mais interessante de tudo, além da bombástica declaração de Lovelock, é a frieza com que ela foi recebida tanto pelos Alarmistas como pelos Céticos, mostrando claramente que há outros interesses claros nestas duas hostes, ou seja, os interesses econômicos tanto de um grupo como de outro ficam claros neste momento, uns não querendo perder suas pesquisas e associações com indústrias não produtoras de CO2 (como a eólica) e outros com indústrias não poupadoras de energia (como a indústria automobilística).

Esta declaração de Lovelock, que talvez comece a ser seguida por mais pessoas proeminentes e acima de suspeitas, talvez tire a poluição política do assunto, voltando o clima e a conservação do meio ambiente ao lugar que nunca deveria ter saído, longe dos interesses econômicos!